Heróis Contra O Tempo
3 Boas vindas do acampamento
Depois do monstro nada mais me parecia estranho, exceto que meu melhor amigo era um bode e eu nunca soube disso. Ele me disse que era um sátiro, uma criatura mitológica que é metade homem e metade bode, e que no acampamento meio-sangue os sátiros eram os responsáveis por levar novos semi-deuses para lá.
Sua perna ainda sangrava e então lembrei que na minha mochila tinha um kit de primeiros socorros, depois de enfaixar a perna dele seguimos o nosso longo caminho até Long Island.
– Você se saiu muito bem com aquele monstro, me disculpe não poder ter te ajudado
– Relaxa, a pior coisa que podia acontecer era a minha morte — Nós rimos
– Até que não seria nada mal
– Nossa, me sinto muito melhor agora
– Chegamos... Acampamento meio-sangue
No alto da colina havia um pinheiro com algo dourado pendurado nele e pera... Aquilo era um dragão? Sim, aquilo era um dragão, um dragão gigantesco.
– Ele só ataca invasores — Taylor disse como se conseguisse ler meus pensamentos
– Então eu espero que ele não me confunda
De cima do vale conseguia-se visualizar o acampamento todo, uma grande casa colonial azul, um amontoado de chalés, uma gigantesca plantação de morango que fazia com que o cheiro se espalhasse pelo ar, e o estreito de Long Island. Fizemos uma pequena caminhada até a casa azul. Fomos recebidos por um cara que não era bem um cara, era metade humano e metade cavalo, eu já ouvira falar sobre aquilo, era um centauro.
– Parabéns meu querido, sua busca foi bem sucedida — Ele disse para Taylor- Meu nome é Quíron e eu sou o diretor de atividades do acampamento
– Hum — Ele me olhou como se dissesse "apresente-se"- Meu nome é Carrie, Carrie Hernandes
– Antes de algumas coisas, acho que você gostaria de conhecer o acampamento
Ele gritou para dois garotos que passavam segurando uma tora, não sei o motivo, mas gostei deles.
– Connor e Travis, levem ela para conhecer o acampamento
Então o acampamento parou, todo mundo parecia olhar para mim, minha cabeça estava acesa, ou sei lá o que, alguma coisa brilhava perto do meu cabelo... Um caduceu? O que aquilo significava? Então um daqueles dois meninos, não sabia qual, pois eles eram idênticos disse:
– Parabéns maninha, você acaba de ser reclamada
– Se o meu cabelo não pegar fogo eu já fico feliz
– Vem, vamos ver o acampamento
Finalmente aquela coisa apagou e as outras pessoas se dispersaram, percebi que elas usavam uma espécie de uniforme, uma blusa laranja escrita "Acampamento meio-sangue" abaixo um desenho de um pégaso ou centauro. Já estava escurecendo quando terminei de conhecer todo o acampamento. Uma trombeta soou, hora do jantar.
Eles tinha uma pratica bem estranha, queimavam comida, Connor disse que faziam isso como oferenda aos Deuses, a aquela altura eu já conseguia diferencia-los.
Quando acabamos de comer fomos direto para o nosso chalé. Travis disse que geralmente ao termino das refeições todos os campistas se reuniam para cantar músicas de acampamento, mas o acampamento estava vivendo dias difíceis.
- Nossa, pensei que não existisse lugar mais bagunçado que meu quarto
- É porque aqui é o quarto bagunçado de várias pessoas, o que se resume a um gigantesco quarto bagunçado
Passamos a noite cantando Ed Sheeran e NSN, aquele chalé parecia ser um mundo isolado, o mundo da alegria, exatamente o mundo que eu gostaria de viver. Ouvi alguns campistas sussurrarem sobre um tal trote de iniciação, fiquei com medo, mas acabei esquecendo e pegando no sono.
Tive um sonho estranho. Uma águia planava por entre os galhos secos de uma floresta que fora incendiada, ouvia-se explosões ao fundo e o grito de uma mulher, ela gritava desesperadamente por um nome que eu não conseguia entender, talvez seu filho, e então o local mudou, a mesma águia agora voava fazendo voltas entorno de um vulcão, uma criança chorava e a águia fora atingida por uma flecha, senti uma dor no peito, como se aquela águia fosse eu e então eu acordei, mas não estava no chalé, estava em uma canoa no meio do estreito de Long Island toda suja de tinta. Malditos irmãos...
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