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1 prólogo
Um dia, quando eu era muito pequeno, estava andando na rua com meus pais e vi um homem tocando uma guitarra na rua para ganhar alguns trocados. Essa é a primeira lembrança que eu tenho e uma das melhores: quando eu conheci a guitarra.
Desde então minha vida se resumiu à música. Aos sete eu aprendi a tocar minha querida guitarra e eu era o melhor. Aos nove já me apresentava nos festivais da escola e até mesmo os garotos mais velhos se impressionavam. Aos onze eu descobri que tinha uma voz legal para cantar também e passei a formar um solo guitarra-voz imbatível. Aos quinze, meu maior sonho era ser um artista famoso, daqueles que viajam para todos os lugares do mundo e tem hordas de fãs gritando seu nome.
No ensino médio, as garotas me seguiam onde quer que eu fosse e eu amava essa atenção, mas nenhuma delas atraia minha atenção. Era só eu e minha guitarra.
No último ano da escola, durante a festa de encerramento, eu toquei "Learn To Fly" com um solo criado por mim mesmo. Na saída do palco, um agente musical me parou e disse que eu era perfeito e que queria gravar um disco comigo.
Eu tinha a vida perfeita.
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Eu nunca tirei abaixo de nove e meio. Meus pais sempre foram muito exigentes quando se trata de notas na escola.
Talvez por estudar demais nunca cuidei da minha aparência e nunca fui nenhuma beldade.
Os homens me olhavam no corredor e riam, as mulheres passavam por mim e me chamavam de nomes horríveis.
Mas isso foi no ensino fundamental. Quando chegamos ao ensino médio piorou.
As pessoas não conseguiam fazer seus deveres na maior parte das vezes e me me obrigavam a fazê-los. No começo eu recusava, mas depois de uma humilhação pública bem feia, passei a obedecer.
Minha vida só ia de mal a pior e minhas notas começaram a cair. Meus pais ficaram decepcionados. Notas eram tudo, ainda mais importante do que o que quer que acontecesse na minha vida. E eles nem perguntavam, na verdade.
Apesar de fazer os deveres dos valentões, eles não paravam de me humilhar e se eu os denunciasse para a diretoria, eles negariam tudo e fariam uma grande peça teatral para confirmar sua inocência. Fui perdendo meu prestígio na escola também.
Eu não tinha amigos, minha família não me ouvia, a escola não se importava. Ninguém ouvia meus gritos, só eu mesma.
Até aquele dia.
Então eles me escutaram.
Notas finais
Até breve,
leh
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