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29 Capitulo vinte e oito (Pedro)


Notas iniciais
Desculpem a demora hoje! Passei o dia tentando postar e sempre dava erro, mas agora deu certo! :D

Eu conseguia ouvir Caio rindo enquanto milagrosamente comia sua canja.

– Amanda é uma santa. Onde você arranjou ela? — perguntei.

– Santa? — falou Felipe rindo — A última coisa que pode chamar Amanda é de santa. Porém ela está se redimindo.

– O que você quer dizer com isso?

– Amanda é a pessoa que espalhou os boatos sobre mim e June. Eu a encontrei no sábado e nós conversamos bastante. Acabamos nos entendendo.

– Escuta Felipe, sobre sábado...

– Eu não quero falar sobre isso. Eu fui irresponsável e causei muito incômodo à minha família.

– Mas eu quero falar sobre isso. Eu conversei com June... — ele abaixou a cabeça escondendo o rosto nas mãos e gemeu — Felipe eu sei o que ela disse a você e eu preciso falar sobre isso.

Ele balançou umas duas vezes antes de levantar em um salto.

– Eu vou ver se eles precisam de ajuda.

– Felipe você acha sinceramente que eu iria rejeitar sua amizade desse jeito?

Ele parou imediatamente se se virou.

– Você não concorda com June?

– Você me toma por o que? — perguntei rindo irônico, mas um pouco ofendido — Eu já falei para você, Felipe, que eu serei seu amigo. Quero ser. Você é uma pessoa legal, inteligente e é leve. Por que eu não iria querer ser seu amigo?

Ele piscou.

– Por que eu não sou como vocês. Eu não tenho nenhum problema extremo.

– Bobagem. E você estava no HelpMe.net. Além disso, é o irmão do palhaço do grupo.

Ele deu uma risada contida.

– Eu não vou voltar a sair com todos vocês Pedro. Desculpe, mas eu não quero sair com June novamente. Inclusive depois de hoje.

Suspirei.

– Ela lhe enfrentou novamente?

Ele sentou ao meu lado.

– Sabe por que eu mais me sinto culpado por ter sumido sábado? E por que eu sou atrasado em um ano na escola?

– Não.

– Eu me senti culpado por que eu quis odiar Caio. Eu atrasei um ano pois eu estava odiando Caio. Pedro, eu odeio odiar Caio. Isso me machuca de um modo incurável.

– Por que você odiou o Caio?

Ele suspirou.

– Desde que eu me entendo por gente a família inteira me compara com o Caio. E eu sempre perdia. Então o Caio ficou preso na cadeira e a família passou a prestar atenção em mim. Foi quando eu odiei Caio pela primeira vez. Mesmo com toda a competição eu o amava muito. Porém quando eles começaram a me dar atenção eu queria que me amassem pelo que eu sou e não por eu ser a segunda opção.

Assenti.

– Eu entendo.

– Então depois de perder um ano vendo psicólogos e sendo o revoltado da família, nós dois fizemos as pazes e eu voltei a ser eu mesmo. E então, no sábado...

– Eu sei. Eu vi.

– Eu não queria odiar Caio. Eu juro que não gosto disso, mas eu estou cansado de ser sempre o cara dos bastidores. Eu estou cansado de ser o cara que é escolhido por último. Eu passei a minha vida inteira assim.

Apertei seu ombro.

– Eu te entendo Felipe. E eu sei o quanto é difícil lidar com esses opostos de sentimentos pela mesma pessoa.

Ele balançou a cabeça enquanto a escondia nas mãos.

– Eu não sei o que fazer. Não quero que Caio perceba, mas não sei mentir para ele.

– Por que você não se abre para ele?

– Eu tenho medo do que ele possa dizer.

– Você e Caio tem uma relação de companheirismo muito bonita, eu duvido que vocês ficassem brigados por tanto tempo.

– Você tem certeza? — disse ele me olhando — Da última vez ficamos brigados por um ano inteiro.

– Vocês dois amadureceram. Você parece muito mais adulto do que todos nós juntos. E Caio finge ser uma criança, mas é um adulto e é muito responsável.

Ele acenou e depois sorriu.

– Você também Pedro. Se eu fosse adivinhar, nunca diria que você tem quinze anos.

Eu sorri.

– Obrigado.

Então ele levantou e me deu a mão para me ajudar a levantar.

– Olha só, agora que percebi, está nascendo cabelo.

Eu ri.

– Gostou? É um novo estilo. Você vai ver como eu pareço com meu primo Samuel quando meu cabelo cresce.

– Seu primo quem?

– Samuel, o garçom da loja de chocolates.

– Ah, eu estava dormindo.

Gargalhei.

– Eu lembro.

– Caio adorou a canja — disse Amanda quando chegamos perto — Já é a segunda cumbuca que ele toma.

– Eu também quero provar então — falei animado.

– Eu também — disse Felipe.

E passamos a tarde inteira tomando canja e conversando.

Notas finais
Quem lembra do Samuel? :D