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34 Capitulo trinta e três (Felipe)
Eu nunca tinha feito isso na minha vida, mas foi incrível. Não exatamente certo, mas incrível.
Eu já tinha me envolvido em brigas na escola, já tinha cabulado aula, já tinha até mesmo exposto fotos constrangedoras para toda a escola.Eu pensei que tinha feito de tudo. Até Amanda me chamar para invadir a escola à noite.Eu relutei no início, mas Pedro disse que queria ir e eu pensei "ok, se ele vai eu acho que tenho que ir..."Então eu, Amanda, Pedro e Julia nos encontramos na entrada do prédio. Sendo que não era uma escola normal, ela tinha a fama de ser assombrada por estar abandonada há tanto tempo.Era um edifício branco e decadente. As janelas estava quebradas e as portas estavam negras. Amanda explicou:– Dizem que é assombrada pois houve um incêndio aqui na década de noventa. Matou muitas crianças na época e ninguém soube explicar o que ocasionou o fogo.– Que animador... — murmurei.– Deixa de ser franguinho, Felipe — falou Julia dando um tapa em minhas costas.– Não estou com medo — falei me defendendo — Não acredito em assombração.Então eu liguei a lanterna e passei pelo portal enegrecido.Ouvi os outros me seguindo pelo caminho.A porta por onde entramos dava para um corredor com várias salas. Dentro delas tinham armários, mesas, cadeiras e livros enegrecidos e espalhados pelo chão.Passei a lanterna por uma sala grande, que parecia ser um refeitório, e entrei. – Espera! — sussurrou Pedro lá atrás.Caminhei até uma das mesas e a analisei, era cheio de desenhos no tampo e tinha até mesmo alguns pratos e talheres largados.– O incêndio foi na hora do almoço? — perguntei.– Sim — disse Amanda.– Você sabe bastante sobre isso — observou Julia.– É por que eu sou uma alma vítima do incêndio! — falou a outra fazendo voz assustadora e direcionando a luz para o queixo.Nós rimos um pouco até um barulho ser ouvido.– O que foi isso? — perguntou Julia.– Está com medo Julia? — falei provocando.– Somos os únicos aqui não é Amanda? — perguntou Pedro.– Como vou saber? Não fiquei de guarda na porta!Então o barulho se repetiu. Era algo como um chiado.– Quero sair daqui — falou Julia.– Eu concordo com ela — falei — vamos.Demos a volta tão rápido que Pedro tropeçou em uma cadeira e caiu fazendo um barulho ensurdecedor naquele silêncio.Então, o teto começou a se mexer e Julia gritou no exato momento que uma horda de morcegos voava para todos os lados.Ficaram pelo menos cinco minutos voando sem rumo até saírem do refeitório pelas janelas ou encontrarem outro lugar para se acomodarem.Olhei para Julia e ela estava estática de medo, tinha deixado cair a lanterna. Pedro estava se levantando e olhando ao redor, um pouco assustado. Olhei Amanda e seus olhos brilhavam, enquanto ela segurava o riso.Então não conseguimos mais prender e começamos a gargalhar.– Parem de rir e vamos sair daqui! — gritou Julia.– Você tinha que ver a sua cara!– Vamos pessoal — falou Pedro — Os morcegos levantaram muita poeira e eu tenho alergia.Então levei a sério.– Vamos.Saímos da escola tentando fazer o mínimo de barulho possível para não perturbar os morcegos novamente.– Vamos pedir uma pizza? — perguntou Amanda já no lado de fora.– Eu vou pra casa me esconder em um lugar claro do quarto e pensar que Deus é mais — disse Julia.– Eu vou com ela — falou Pedro piscando para mim.Eu ri.– Eu aceito a pizza!– Então até o próximo encontro do terror!– Eu pulo essa! — falou Julia com uma careta. Pedro passou o braço pelos ombros da menina e olhou para trás sorrindo.– Até mais Felipe.– Tchau Pedro!– Vamos?– Vamos.Então eu e Amanda pegamos um táxi e fomos para uma pizzaria próxima. Pedimos pizza de frango e catupiry e conversamos enquanto esperávamos.– Ex-namoradas? — perguntou ela.– Não exatamente.– Como assim?– Eu nunca tive uma namorada.Ela me olhou boquiaberta. Depois fechou e deu de ombros.– Não acredito nisso.– Por que não?– Um cara legal e lindo como você nunca teve namorada? Não acredito!Comecei a rir.– Mas é verdade! — esfreguei os olhos que lacrimejavam — E aquele seu namorado?– Já está com outra — disse ela dando de ombros.– Você não se importa?– Na verdade não. Eu já estou em outro.Pisquei. Eu não sabia se ela estava falando de mim, mas uma parte bem ao fundo da minha mente queria que estivesse. Porém eu não era idiota de perguntar se era mesmo eu.– Aqui está! — disse o garçom trazendo nossa pizza.– E como está seu irmão? — perguntou ela.Fiquei tenso no mesmo instante. Caio ainda não tinha pedido desculpas e eu também não. Tinha quase duas semanas que estávamos brigados e não parecia que iríamos nos resolver tão cedo.– Nós brigamos. Coisa de irmão.– Entendi. Mas você estava com a razão?Ri secamente.– Não. Mas ele também não estava.– Entendo.Começamos a comer e a conversa parou. Notei que ela estava um pouco tensa. Depois de comer e pagar a conta, eu disse que a levaria para casa, já que estávamos perto.
Caminhamos silenciosamente até eu perder a linha.– O que houve? – Nada.– Você está calada!– Você também!– Fala alguma coisa!– Eu estou falando!– Outra coisa!– Por que você não toma uma atitude? — falou ela parando de frente para mim.Pisquei.– A respeito de quê?– De tudo!– Eu tomo atitudes!Ela riu.– Não toma não!– Tomo sim!– Eu acabei de dizer que gosto de você e você não fez nada!Recuei.– Você não disse isso!– Disse sim!– Não disse não!– Disse sim!– Não disse não!– Disse sim!– Ah, droga!Então peguei seu rosto com as mãos e a beijei.
Notas finais
Quem aqui shipava Felimanda? Aconteceu! :D
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