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31 Capitulo trinta (Caio)


Notas iniciais
Hey guys! Desculpe pela demora, mas eu vim! :D Aproveitem uma bela decepção servida com sorvete e creme de canela!

– Faz tempo que você não toca, não é mesmo? — perguntou Felipe entrando no quarto.

Eu estava há um bom tempo no meu quarto organizando minhas coisas e acabei parando para admirar Ann Mary, minha guitarra.

(N/L: provavelmente vocês não leram minha outra fic, mas se leram, entenderam hehehe)

– E não vou tocar tão cedo — declarei virando a cadeira para a saída, onde Felipe estava.

Ele não saiu do meio. Estava me bloqueando.

Olhar para Ann Mary sempre me deixava irritadiço, porém eu sempre escondia minha raiva. Minha família não merecia o quanto eu ainda odiava o que tinha acontecido.

– Com licença, Pê? Eu quero ver TV.

– Eu quero conversar com você Caio.

Estreitei os olhos e dei de ombros. Ele devia querer conselhos sobre Amanda. Fazia um bom tempo que eu tinha percebido que meu irmão estava avoado por aí. Ele era o tipo do cara que quando gostava de alguém ficava suspirando pelos cantos. Isso aconteceu no jardim de infância e foi extremamente engraçado.

Ele entrou e sentou na cama. Parecia nervoso, esfregando as mãos e suando um pouco.

– Eu queria desabafar um pouco...

– Claro, sou seu irmão eu estou aqui para te ajudar.

Isso pode ter aumentado a confiança dele, pois se endireitou e olhou nos meus olhos.

– Caio, desde que somos pequenos as pessoas nos comparam — a conversa estava tomando um rumo totalmente diferente. Eu não estava esperando isso — Lembra daquela nossa briga dois anos atrás?

Controlei minha respiração para não mostrar que estava ficando irritado.

– Lembro.

– Eu odeio quando isso acontece, mas odeio ainda mais quando as pessoas nos comparam.

– Por que você está dizendo isso?

– Por que está acontecendo de novo. Isso tudo está acontecendo de novo e eu estou ficando muito magoado.

– Quem está nos comparando?

Ele desviou o olhar e hesitou um pouco antes de responder.

– June.

Franzi o cenho. Por que Felipe liga para o que June diz?

– E mamãe — completou ele — E até mesmo você.

– Eu?

– É Caio. Não dá para notar, mas você faz.

– Me diga uma ocasião em que eu comparei nós dois.

– Quando eu voltei no domingo. Você disse que nunca faria isso com mamãe.

– Ah Felipe — falei perdendo a paciência — Me poupe! Vai fazer drama na casa do papai!

– Você não sabe como é Caio, por que você sempre é a estrela.

Tive uma crise de riso histérica. O que Felipe falava era um absurdo. Ele estava sendo ridículo.

– Estrela? Eu não sou estrela Felipe. E sabe por que não? Por que eu não ando! — gritei a última parte — Você não sabe como é isso por que você anda livremente por aí fazendo amiguinhos e sendo feliz!

– Não Caio. Eu não fico andando feliz por aí fazendo amiguinhos. Sabe quantos amigos eu tenho?

– Eu não quero saber quantos amigos idiotas você tem! Que se fodam seus amigos! Eu consegui com muito esforço ter dois e eles são tudo o que eu tenho!

– Dois amigos?

– Isso!

– Só dois amigos?

– Não zombe dos meus amigos, Felipe, eles são os únicos que tenho!

– June e Pedro?

– Eles mesmos!

– E eu?

Parei por um instante e ri.

– Você não é meu amigo, Felipe. É no máximo meu irmão.

Ele parou um pouco, estático, apenas me olhando. Então começou a gritar.

– É só assim que você me vê?

– Não Felipe — gritei também — eu te vejo como um nerd idiota e fresco que sai por aí fazendo drama por onde passa. Você é a pessoa mais dramática que já vi na vida! E você não tem motivo nenhum para ser dramático!

– Por que você acha que não tenho motivo?

– Por que você não está preso em uma cadeira de rodas! E se quer saber de uma coisa, se eu não tivesse ido te pegar naquele dia, talvez eu ainda andasse!

Ele recuou um pouco como se tivesse levado uma bofetada. Então cerrou o punho e gritou ainda mais alto.

– VOCÊ NÃO SABE COMO EU ME SINTO? VOCÊ NUNCA PARA PRA PENSAR NOS OUTROS DE VERDADE! VOCÊ DIZ QUE PARA, MAS NÃO O FAZ. VOCÊ É UM EGOÍSTA!

– OLHA SÓ QUEM FALA! O CARA QUE ESTÁ GRITANDO COM O CADEIRANTE! ESTÁ COM INVEJA DE MIM FELIPE? VEM AQUI PEGAR MINHA VIDA! EU TROCO SEM PENSAR DUAS VEZES!

Ele parou um pouco e respirou fundo antes de voltar a falar normal.

– Eu não quero sua vida Caio. Ela deve ser cinza e preto. Por que você é uma pessoa extremamente infeliz e amarga consigo mesmo.

– Sai da minha frente antes que eu vá para a cadeia por homicídio.

Ele balançou a cabeça antes de sair do quarto e de casa batendo à porta ao passar.

Notas finais
Eu sei que vocês não viram o sorvete e o creme de canela, mas é por que eu comi... Vocês ficaram só com a decepção mesmo! Sorry