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10 Capitulo nove (Pedro)


– Vamos lá, quem pode me dizer a resposta? — perguntou o professor. Ele era um homem adorável, mas não sabia controlar a turma.

A sala estava uma zona. Quase todos conversavam e alguns estavam até em pé.

Resolvi ajudar o professor.

– Dezoito.

Ele me olhou, perplexo, e sorriu.

– Isso! É dezoito! Muito bem Pedro!

A sala imediatamente fez silêncio e se viraram para mim.

Quando se chega no meio do semestre com uma máscara bico-de-pato na cara, você chama bastante atenção. Especialmente se as pessoas acabam descobrindo que você tem câncer.

Aproveitando o silêncio desconcertante, o professor continuou a aula. Logo a sala perdeu o interesse em mim e continuou a conversar.

Faziam dois dias que eu tinha começado a ter aula e já estava me cansando. Acordar cedo não era exatamente o problema, afinal, tinham dias que eu nem dormia com insônia, mas minha imunidade era baixa e aquele lugar estava começando a me deixar cansado e eu tinha a impressão de que estava pegando uma gripe. Não era legal pegar gripe.

Quando o sinal tocou, peguei meu celular.

PedroValdeva: pessoal?

JuneSouza: Pedro!

JuneSouza: como tá a escola

PedroValdeva: horrível

CaioSarazate: por que?

PedroValdeva: acho que estou querendo gripar

PedroValdeva: gripar não é nada bom

JuneSouza: e já fez amigos?

PedroValdeva: acho que as pessoas têm medo de se aproximar

PedroValdeva: talvez pensem que eu estou com uma fucinheira por que mordo ou alguma coisa assim

CaioSarazate: fucinheira?

PedroValdeva: é

PedroValdeva: eu tenho que sair com máscaras pra me proteger

PedroValdeva: minha mãe insistiu que eu usasse a bico de pato

PedroValdeva: são aquelas cônicas e grandes

CaioSarazate: é

CaioSarazate: aquilo realmente parece uma fucinheira

JuneSouza: poxa Pedro

JuneSouza: eu sinto muito que sua experiência não seja como você esperava

Sorri.

– Oi — disse alguém na minha frente.

Era uma menina de cabelo bem vermelho e olhos bem escuros.

– Oi — falei abaixando o celular.

– Está falando com a namorada? — perguntou ela.

Ri. Que menina enxerida.

– Não. Por que a pergunta?

Ela deu de ombros.

– Tenho um fraco por carecas.

Ela não estava rindo, não dava para saber se estava brincando.

– Eu tenho câncer, sabe?

– Eu desconfiava.

E ficamos nos olhando, sem dizer nada.

– Quer ver um filme depois da escola? — perguntou ela.

Pisquei.

– Claro.

Ela sorriu, sentou-se ao meu lado e começamos a conversar.

Quase não me surpreendi quando minha mãe não ficou preocupada com a ida ao cinema.

A escola passou a não ser tão ruim assim.

Notas finais
Oi pessoal! Desculpa a hora, mas hoje foi corrido! Kkkk Até amanhã, mandem reviews!