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53 Capitulo cinquenta e dois (Caio)


O elevador estava subindo. Décimo primeiro, décimo segundo, décimo terceiro... ele pararia no vigésimo segundo.

Suspirei. Eu não tinha conseguido acreditar ainda. Todos choraram, eu fiquei paralisado.

Eu não sabia se devia estar chorando ou se devia estar alegre. Meu melhor amigo morrera, mas ele estava sofrendo então foi pelo melhor.

O elevador apitou e eu saí da cabine, empurrando minha própria cadeira de rodas.

Toquei a campainha do nosso apartamento, já que tinha esquecido a chave.

A porta foi aberta quase um segundo depois por Felipe, de cabelos molhados, olhos fundos e roxos e colocando uma camisa azul amassada. Ele parou quando me viu e ficou sério.

Nos encaramos por um bom tempo.

– O que você está fazendo aqui? — perguntou ele finalmente.

Balancei negativamente a cabeça.

– Acabou — foi a única coisa que consegui falar e provavelmente a única que ele teria escutado.

Os olhos do meu irmão se encheram instantaneamente com lágrimas gordas, que caíam sem parar. Ele desabou no chão, chorando como um bebê.

Mamãe apareceu e deve ter visto uma das cenas mais patéticas da história: eu e Felipe nos abraçando e chorando como crianças que tiveram seus pirulitos roubados.

Ela chegou perto e nos abraçou também, formando um abraço em grupo inesperado.

Depois de um bom tempo, ela levantou.

– Vamos para dentro meninos.

Nós a seguimos e Felipe fechou a porta. Ainda chorava como se sentisse uma dor gigantesca.

Mamãe pegou meu irmão pelos ombros e começou a guia-lo pelo corredor.

– Vamos tomar um banho e descansar — então ela virou para mim — Vocês dois! Amanhã será um longo dia.

E seria mesmo. Então eu guiei minha cadeira para o quarto. Precisava de um banho urgente.