Help - Interativa
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Acho que não
Bem, enfim, a fic vai começar a ficar interessante nesse ponto...
Espero que gostem!
POV Sam
DIA 1
O primeiro dia estava levando uma eternidade para passar.
Peguei o caderninho de meu bolso. Havia desenhado o rosto de todos os garotos e garotas, quando entramos no avião. Apenas seis, contando comigo, se encontravam aqui. Éramos 16 antes.
Nossas malas com roupas não estavam aqui. Não tínhamos nem como tratar as feridas. Nenhum medicamento estava a nossa disposição. Para melhorar, tinha começado a chover
Tínhamos nossas malas de mão conosco, mas não tinham muita utilidade. Alguns optaram por deixá-las nos devidos compartimentos.
Luke Miller, um dos meninos, havia retirado os corpos da tripulação de dentro da cabine, e agora estava trazendo alguns equipamentos eletrônicos, para ver se conseguíamos criar contato com alguém.
Já conhecia Luke antes. Estudávamos na mesma escola. Ele era um gênio com câmeras, e entendia tudo sobre filmes. Dois de seus projetos amadores foram apresentados em pequenos cinemas na nossa cidade. Ele entendia um pouco de eletrônica, por isso ficou responsabilizado pela comunicação.
Ele era o único que efetivamente trabalhava. Letícia e Peter passaram o dia conversando dentro do avião; Deus sabe o que tanto falam. Katherin McQuinn e Kate Connoly estavam sentadas descalças, deixando que o mar tocasse os pés, enquanto trocavam histórias de suas vidas e gargalhavam alto. De vez em quando elas soltavam um gritinho e corriam das ondas, que estavam cada vez maiores e mais fortes.
E ainda tinha eu, que me ajoelhava na areia, observando todos e pensava como iríamos sobreviver ali. Mas acima de tudo, não podia deixar de pensar em Logan e nos outros. Só podia esperar que estivessem bem.
Um rangido chamou minha atenção. O avião se inclinou. Me levantei. Peter e Letícia saíram de lá.
- O que está acontecendo? — perguntei para ela
- Eeh... Eu e Peter resolvemos tentar empilhar os bancos num lado da aeronave, para ter espaço para colocar mantimentos ou, sei lá, pra uma festa. Acho que o peso foi muito grande.... Bem, tanto faz.
A chuva aumentou. As duas outras meninas vieram em nossa direção, com as mãos na cabeça, para se protegerem das gotas.
Leticia e Kate eram parecidas, com cabelos castanhos, pele branca e bochechas rosadas. Nenhuma das duas era muito alta. A maior diferença eram os olhos. Leticia tinha olhos castanhos, enquanto os de Kate eram azuis acinzentados; esta também tinha um apelo sexual em quase tudo que fazia.
- Sam — Katherin chamou — o que está acontecendo?
- Letícia e Peter fizeram uma pequena besteira. — quando disse isso, Letícia ergueu os braços, numa inocência irônica, enquanto Peter soltou um riso abafado do tipo que não está ligando — Vamos para dentro do avião e arrumar essa bagunça.
Estávamos andando até o avião quando ele rangeu uma segunda vez e, de repente, começou a deslizar em direção ao mar. Apertamos o passo, mas não foi o suficiente. No ultimo instante, Luke pulou da cabine do piloto com duas baterias enormes nas mãos e virou para trás, a tempo de ver a grande máquina ser levada pela forte correnteza, e afundando aos poucos.
Luke estava paralisado
- O-o-o que foi isso?
Letícia tentou se explicar, com a maior calma do mundo, mas tudo o que teve em resposta foi:
- Eu juro que vi minha vida passar diante dos meus olhos agora.
Ele seguiu até onde os outros equipamentos eletrônicos estavam — salvos por terem sido guardado dentro de sua mochila — e fez as baterias se juntarem à eles. Ele pôs a mochila nas costas e disse:
- Não podemos ficar aqui. Vamos — ele andou em direção à floresta — precisamos de abrigo.
Eu e as meninas seguimos ele. Peter, após resistir por alguns segundos, foi atrás.
_ _ _ _
Caminhamos por um bom tempo, calados, até que achamos uma clareira no meio do caminho. Numa troca de olhares, concordamos que era o lugar ideal. A chuva já havia diminuído, mas não por completo.
- Vamos dar uma olhada no lugar — sugeri — talvez possamos reunir galhos e folhas para fazer um abrigo, uma fogueira, quem sabe?
- Certo — disse Kate — mas vamos em grupos pequenos, em pares. Dois ficam aqui mesmo, e cavam um buraco para fazermos uma fogueira.
Assim que ela o disse, Peter tirou a jaqueta de couro, jogou no chão debaixo de uma árvore e se deitou ali, de barriga para cima e olhos fechados:
- Vou ficar por aqui mesmo
Revirei os olhos. Katherin esboçou um circulo torto no chão e começou a cavar, deu uma piscada para nós, que dizia "não se preocupem com isso" e se concentrou no que fazia.
- Tome — Luke tirou da mochila uma lâmina afiada e jogou aos meus pés — marquem as árvores pelas quais passam, para que possam voltar pelo caminho certo.
- Busquem por todo tipo de madeira — Kate avisou — Mas principalmente seca. Eu vou com a Sam, e vocês... Tentem sobreviver.
Com esse discurso motivador, nos dividimos e fomos por direções opostas. Kate se movimentava com graciosidade e silêncio pelas plantas — parecia saber exatamente o que fazer. Pela leveza do passo, deve ser destaque em alguma dança.
- Já esteve numa situação assim antes? — perguntei
Ela riu
- O mais próximo que já estive de precisar sobreviver foi quando era pequena, quando acampava com meu pai na fazenda, com sacos de dormir e Doritos à disposição.
Aceitei essa resposta. Continuamos andando e coletando folhas, pequenas e grandes, para nosso micro-acampamento. Fomos conversando pelo caminho. Ela me contou um pouco de sua vida: perdeu a mãe alguns anos atrás, desde então tem que conviver com uma madrasta e o filho dela. Tem um meio-irmão, de quem gosta.
Eu achava que ela era uma menina meiga e inofensiva. Estava errada. Ouvi mais palavrões nessa conversa do que já falei na minha vida inteira. Ah, e sobre seu talento, ela não se destaca no balé, mas sim no vale-tudo.
Estávamos quase voltando, quando ela olhou atenta em volta e pôs um dedo em frente aos lábios, pedindo silencio. Percebi o que era. Passos. Passos curtos e descompassados. Ela pegou a lâmina de minha mão e fez de um dos gravetos uma lança. Nos escondemos atrás de uma grande árvore. O barulho aumentava. Podia ouvir grunhidos. O que quer que fosse, estava próximo. Ela deu uma olhadela e murmurou "jantar" alguns segundos antes de lançar nossa arma na preza. Um guincho alto e um barulho de corpo colidindo contra o chão.
Finalmente, olhei o que estava acontecendo: havíamos acabado de abater um porco selvagem. Ou melhor, Kate havia acabado de abater um porco selvagem. Soltei um suspiro de insatisfação ao ver o animal deitado, se debatendo, cada vez perdendo mais e mais forças, com a lança de madeira fincada nas costas.
- Coitadinho — disse
- O que? Como assim? A carne é deliciosa.
- Não para mim.
- Ahn?
- Sou vegetariana
Ela me ignorou. Garantiu que o animal estava preso e disse
- Vamos voltar.
O caminho de volta foi muito mais silencioso. A única coisa que se ouvia era o barulho do atrito do corpo com o solo, e uma ou outra folha seca sendo esmagada por nossos pés.
Kate tinha um olhar determinado, olhando sempre para frente. Ela arrastava o porco com as duas mãos — era um animal enorme, com duas presas ao lado do focinho — enquanto eu levava os galhos nos braços e folha na bolsa.
Num instante, deixei de olhar minhas antigas marcas nas árvores e olhar um pouco mais para dentro da floresta. Foi então que tive uma visão perturbadora
- Hum... Kate?
- O que foi?
- Acho melhor olhar aquilo ali...
Ela olhou para o lado. Seu queixo caiu. Agarrou o porco e saiu correndo, em direção à clareira onde iríamos nos abrigar.
Fiz uma marcação maior nas árvores ali em volta e segui ela, correndo o mais rápido que podia.
Não era possível. Não era possível. Não podia ser....
Notas finais
Ah, mais uma coisa: você está ciente que seu personagem pode morrer, certo?
Muahahahaha
É só isso
*bye*
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