Hello, mrs. Death.
4 Mackenzie Woodson.
Notas iniciais
Enfim, chegara. Ela, que mais que ninguém esperou e não esperou ao mesmo tempo por esse dia estava dormente, confusa, encantada e sem reação diante do campus enorme e verde da tão famosa Savannah College of Warford. O típico lugar onde os jovens da atualidade gostavam de se divertir. O lugar onde aconteceriam as aulas – ao lado oposto e distante dos dormitórios dos alunos – era enorme para Susie, parecia uma pousada, só que muito, muito maior e mais sofisticado. Para Susie, a arquitetura do lugar parecia ótima, não que fosse algo como a Harvad University, não era, mas tudo o que era melhor do que Susie tinha visto na vida era sofisticado para ela, já que morou a vida toda em uma cidadezinha de apenas 142 mil habitantes no Sul dos Estados Unidos. Não que isso fosse ruim, ela sempre gostou de sua cidade, Savannah – na Geórgia – sempre foi ótima.
— Susie, é a última vez que te chamo! – Gritava Annie parada com suas malas no meio de estudantes que a encaravam com sorrisos. Susie percebeu que estava em transe quando viu que sua irmã foi até ela e puxou-lhe pelo pulso direito.
— Desculpe, estava distraída. – Disse ela retornando a vida real. Annie a encarou aborrecida.
— Sério? Nem notei! – Falou ela gotejando ironia. – Agora, ande! Mexa-se! Vamos! – E dessa vez, Susie a seguiu sem hesitar. Um grupo de jovens sorriram para Annie quando ela se aproximou deles.
— Vejam se não é Annie Mitchell! – Gritou um garoto de cabelos ruivos arrepiados e olhos castanhos abrindo um sorriso de orelha a orelha para a irmã de Susie.
— Oi, Drew. Oi, gente. – Falou Annie parando para cumprimentar o grupo. Drew então desviou o olhar para Susie, que estava quieta atrás da irmã esperando-a.
— Quem é essa? – Perguntou o ruivo gesticulando com a cabeça para Susie. Annie deu uma risada fraca para o amigo.
— Essa é minha irmã mais nova, Susie. – Falou a loira. – Susie, esse é Drew Gross. – A morena optou por continuar quieta, não queria saber dos amigos da irmã.
— Ela é sua irmã? – A voz que falara agora não era mais a de Drew, era uma voz feminina carregada de superioridade e desprezo. – Vocês não se parecem, definitivamente não se parecem. – Susie decidiu virar pra ver quem estava falando agora, era uma garota de estatura pequena com longos cabelos loiros – não parecia ser realmente loira, mas o tom lhe caia bem – que estava agarrada a cintura de Drew, usava um vestido justo que desenhava suas curvas e um colete jeans por cima. Susie sentiu-se deslocada e intrusa, querendo se afastar imediatamente mas permaneceu em seu lugar.
— Ela tem a genética de nossa mãe, Patricia.
— Ela parece completamente inofensiva e sem graça. – Comentou Patricia rindo e contagiando seus amigos, menos Annie, que fechou a cara para todos .
— Se ser inofensiva e sem graça é ser o oposto do que você está sendo comigo com outras pessoas, não tenho muito do que reclamar. – Falou Susie finalmente, abrindo um rápido sorriso forçado para os amigos da irmã, que pararam de rir.
— Que caloura mais bravinha, não é pessoal? – Indagou Drew aos seus amigos. – Acho que é o nosso dever esfriar ela. – Susie notou que outro garoto de cabelos negros passou a Drew um balão cheio de água e Annie ao notar isso, meteu-se entre seus amigos e sua irmã.
— Calma aí, Drew! Ela é minha irmã, você não vai fazer isso a ela. – Annie gritou para o ruivo a sua frente. – Vamos, Susie! – Annie disse pegando Susie pelo pulso e empurrando Drew com o ombro para passar. Elas seguiram para o lado oposto dos amigos de Annie e finalmente foram em direção ao lugar que parecia ser os dormitórios. Não era tão grande, nem muito pequeno. Era acolhedor e tinha uma certa distância do lugar onde os meninos dormiam por motivos óbvios. No térreo, Susie pôde ver uma pequena recepção, uma a cantina mais distante e alguns sofás gastos próximos a recepção. A fila para pegar a chave do quarto para calouras não estava tão grande mas Annie insistiu que queria ir com a irmã.
— Nome completo, por favor? – A mulher que estava do outro lado da bancada pediu quando enfim chegou a vez de Susie. Ela tinha cabelos curtos e negros e olhos cansados. Sua voz era totalmente monótona.
— Susane Jade Mitchell. – Susie respondeu e a mulher digitou algumas coisas em seu computador.
— Quarto 38, terceiro andar, colega de quarto: srta. Woodson. – A mulher abriu uma gaveta e entregou uma chave presa a um sólido chaveiro marrom escuro para Susie. – Não a perca, por favor. – Susie assentiu.
— Tomara que essa Woodson seja legal, não é? – Falou Annie quando elas subiam as escadas depois que um homem levou a bagagem das irmãs para seus devidos quartos.
— Não me importo.
— Tudo bem. – Bufou Annie. – Meu quarto é um andar a cima do seu, número 42 – Susie assentiu. – A Woodson deve ser caloura também, duvido que não seja. Geralmente não colocam calouras e veteranas nos mesmos quartos, porque costuma dar confusão, sabe? – Susie assentiu novamente para sua irmã e agradeceu aos céus quando enfim chegaram no terceiro andar. O corredor era grande e largo, tinha uma decoração com cores primárias, alguns vasos aqui e ali e no fim dele havia uma escada que levava para o andar de cima. As irmãs pararam na porta de número 38 quase no fim do corredor. Annie virou para Susie e abriu um sorriso.
— Boa sorte, a gente se vê.
— Obrigada, para você também, a gente se vê. – E a loira deu as costas a irmã, continuou a andar até subir as escadas e sumir da vista de Susie. Susie bufou e girou a maçaneta da porta. Ao entrar no quarto, ela logo notou o tamanho. Era grande para apenas duas pessoas, Susie não estava acostumada a isso. Obviamente, haviam duas camas de solteiro. Uma porta que ela suspeitou que levava ao banheiro, duas janelas com grades, – uma perto de uma cama e outra sobre a escrivaninha próxima ao banheiro – as paredes tinham papéis de paredes florais, havia um criado-mudo ao lado de cada cama com um abajur sobre ambos e um guarda-roupa suficientemente grande para quatro pessoas ao lado esquerdo de onde estava a escrivaninha.
Só depois de conseguir sair de seu segundo transe do dia, Susie notou uma garota com longos cabelos ondulados e roxos, – exceto as pontas que abrangiam um rosa claro – ela estava de costas pra cama que tinha uma janela próxima. A mesma virou para encarar Susie quando ela fechou a porta. Seus olhos eram azuis claros e intimidadores, sua pele era branca mas estava bronzeada, o rosto era fino com um formato oval e sua maquiagem preta nos olhos a deixava mais peculiar do que parecia. Susie se encolheu com o olhar de curiosidade da colega de quarto que a analisou por alguns instantes e depois voltou sua atenção para o que estava fazendo antes.
— Quem é você mesmo? – Indagou a colega de quarto de Susie depois de alguns minutos de silêncio. Sua voz era divertida e ousada mas naquele momento refletia nada mais, nada menos que tédio.
— Sou Susie Mitchell. – Falou Susie sentando na cama que sobrara.
— Susie? – Ela perguntou com desconfiança e Susie assentiu. – É apelido?
— Na verdade, Susane. Mas não gosto que me chamem assim.– Falou Susie. Ela deu de ombros.
— O meu é Mackenzie Woodson, mas meu nome é terrivelmente grande para me chamarem assim, então você só verá as pessoas me chamando de Mack. – Disse Mackenzie sorrindo fraco. O silêncio cantarolou por alguns minutos até Annie irromper pela porta do quarto com Patricia e outra menina de cabelos negros que Susie não sabia quem era.
— Susie, esqueci de te falar, mas amanhã eu e uns amigos vamos a Tybee Island para comemorar. – Falou ela ofegante. – E vai ser legal, vamos dar uma volta no iate do pai de Drew, alguns calouros também vão para curtir... acho que você vai gostar se for... Vamos? – Susie já ia dizer seu sonoro e familiar “Não, obrigada” de sempre, mas ela pensou diferente. Iate significava navegar em alto mar, mar significava hidrogênio, não oxigênio. Humanos só são capazes de respirar com o oxigênio. Um mais um são dois.
— Acho uma boa ideia, Annie. Eu vou sim, obrigada por me convidar. – Falou Susie sorrindo de canto. Annie não parecia acreditar no que acabara de ouvir, sua irmã nunca saia com ela, muito menos com os amigos dela. Ela abriu um sorriso enorme e depois desviou o olhar para Mack e depois novamente para Susie.
— Quem é ela? – Perguntou Annie mudando sua expressão para extrema superioridade.
— Mackenzie Woodson. – Falou Mack com sarcasmo. – Ah, e olha eu sei falar! Que ótimo, não é? Inacreditável a minha habilidade. – O rosto de Annie agora tinha a irritação estampada.
— Que seja. – Disse Annie. – Te vejo amanhã, Susie. E pode levar a sua amiguinha Marise. – E saiu alegre do quarto novamente deixando a porta aberta. Mack levantou de sua cama com uma expressão furiosa e por um segundo Susie pensou que a garota iria atrás de Annie e socaria a cara dela, mas Mack apenas bateu a porta com força murmurando baixo “é Mackenzie” fazendo Susie tomar um susto.
— Você é amiga dela? – Quis saber Mack se jogando em sua cama de novo.
— Não exatamente.
— E por que você fala com ela?
— Bem, ela é minha irmã. – Susie disse dando de ombros.
— Você é irmã dela? – Mack parecia perplexa com o que Susie acabara dizer, parecia um absurdo para ela. Susie sentiu raiva, todo o mundo a achava inferior a Annie, já estava se cheia disso. – Você é educada demais para ser irmã dela, Susie. Vocês foram criadas pelos mesmos pais? – Susie riu de Mack. Era a primeira pessoa que a achava "educada demais” pra ser irmã da grande Annie Mitchell. Susie achou que seu pai estava certo, porque lá estava Mackenzie Woodson diante dela, uma pessoa que realmente parecia querer falar com ela por querer realmente, não por ela ser irmã de Annie. Em relação a sua criação, Susie resolveu ignorar a pergunta, não queria entrar no assunto.
— Você vai comigo amanhã? – Perguntou Susie mudando o rumo da conversa. Ela não soube dizer se Mack reparou, mas ela não fez nada além de franzir a testa.
— Não, obrigada. Tenho que fazer outras coisas. Quem sabe um dia que sua irmã e a turma dela não for, né? – Mack disse. Susie assentiu sorrindo. – Você era pra ser a irmã doente psicologicamente da Annie. Você vê, não vê? Ela age como se fosse a dona do mundo em uma cidade com menos de 200 mil habitantes! Ela vai levar muita porrada na vida fizer isso fora daqui. – Susie manteu riso, coisa que ela não estava acostumada a fazer há anos. Mack rio com ela.
— Tome cuidado comigo, Mack. Estou psicologicamente danificada por conviver anos demais com um ser humano tão inacreditável como Annie. – Disse Susie ainda se recuperando do riso.
— Pode deixar. Não me deixarei contaminar. – Falou Mack rindo com ela. Naquele dia, Susie sentiu-se muito mais que feliz por ter alguém para rir com ela por perto.
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