Hello Sleepwalkers — Fanfic Interativa

3 Episódio II - Reuniões e Apresentações 「Parte 2/3」


Notas iniciais
Quem reclamar que demorou dois dias a mais que o prazo, vai ganhar um cascudo. Porque a autora estava o final de semana todo escrevendo - DOENTE - pra isso sair logo. E estava lutando contra a falta de inspiração e tudo. Apaguei e reescrevi muito, drogada com minhas dores e blá. Piedade. E o capítulo me agradou muito, por isso... ADOREM-NO! Ele está lindoso~!

O dia despontava cada vez mais belo naquele sublime recanto, fazendo com que as atenções dos seus ocupantes fosse pelo menos por um segundo atraída para o ambiente em si. E Eric não era exceção. Enquanto perambulava pelo sobrado, divagava sobre a beleza daquele lugar.

O brilho forte que o sol emitia entrava pelas diversas janelas largas, projetando iluminação tão bem posicionada sobre os cômodos mobiliados com elegantes móveis que o lugar parecia até meio mágico. Mesmo as partículas de pó que dançavam no ar, trazidas pela brisa, pareciam reluzir como ciscos de puro ouro.

Mas não importava o quanto seus olhos captassem aquela essência claramente rústica dos móveis e as cores diversas, salpicadas por todo canto com excelência... o que seu nariz e ouvidos captavam parecia muito melhor. Podia ouvir pela primeira vez em muito tempo o som de pássaros cantando e não de carros buzinando. O cheiro que sentia muito se diferenciava daquele fedor de poluição: era a fragrância suave de flores e de frutas maduras, de terra molhada que evidenciara que no dia passado chovera.

Tudo ali era absurdamente agradável... menos as milhares de câmeras. Sempre que passava por um cômodo, haviam milhares delas penduradas em todos os cantos, gravando tudo o que acontecia naquele canto da casa de todos os ângulos possíveis. Não podia deixar de desconfiar que aquele aconchego todo fora armado para amenizar a sensação de desconforto pela total falta de privacidade, seja para um jurado ou sleepwalker. Talvez para deixá-los mais a vontade em fazer coisas que faria se não estivesse sendo gravado.

Um assunto ao qual teria de pensar melhor mas não era hora de ficar divagando, ele estava em uma espécie de missão. Afinal, o jurado procurava uma garota chamada Alyson — ao qual ele estava mais acostumado a chamar de irmã.

Sabia que seria uma tarefa complicada desde o começo da busca, afinal ela não tinha uma personalidade muito calma (vivia se mexendo, não parando quieta absolutamente nunca). Estava perambulando por ali a algum tempo, já um pouco entediado, a sua busca. Encontrara com todo mundo nesse tempo de andança, até quase presenciou uma morte — de uma menina meio idiota que foi se enfiar no telhado — mas não encontrou nem rastro da garotinha de cabelos azuis.

Vira um homem corpulento de cabelos negros levando uma moça adormecida, um cara vestindo pouquíssima roupa com duas meninas na cola e uma mulher bastante desagradável que iria dividir a mesa de júri com ele. Nenhum deles sabia da garotinha. Quer dizer, quase isso.

A menina do telhado disse que propôs que a menina e ela se escondessem dos caras que cuidavam dos Red, Jean e Louis. Mas é claro que a de cabelos alvos não iria adivinhar que Alyson levava uma brincadeira realmente tão a sério. E agora os três estavam procurando-a.

Por fim, decidiu que seria mais fácil simplesmente se sentar em algum lugar e esperar ela aparecer. Selecionou um sofá muito macio da sala para ocupar, deitado confortavelmente. Aquele se tratava do cômodo principal de todo o sobrado: era o único acesso para o andar de cima além de ser caminho para a cozinha, o salão e para as duas áreas. Perfeito.

Mas com todo aquele silêncio e aconchego, ele acabou por pegar no sono. E só acordou quando as notas doces de uma melodia passou a envolver o ambiente, acariciando seus ouvidos em cumprimento como se pedisse gentilmente que acordasse para apreciar.

Sonolento ele foi levantando-se devagar, os lábios já repuxados num sorriso encantado. Ele conhecia a música. Antigamente, no seu clube, tivera de fazer uma adaptação de uma música para pianos para violino que devia ser tocado em duplas. Lembrar quem foi sua dupla deixou-o tanto triste como nostálgico, mas seu sorriso nem tremeu. Mas... Quem tocava?

Levantou-se e seguiu pelo corredor que levava aos fundos da casa, embebido pela sensação mágica que as teclas lhe davam. Tudo se tornava mais bonito, aquela casa iluminada parecia o paraíso e aqueles sentimentos de recebimento e calma, multiplicados.

Ao chegar a porta dos fundos, foi coberto pela luz do sol. À sua frente estava um suntuoso jardim, com grama baixa e macia. Sobre esta haviam diversos canteiros com flores de todos os tipos, desde rosa e margaridas às azaléias e cravos, todos em meio a bonitos arbustos. Formavam um pequeno labirinto circular em volta de um gazebo branco com detalhes dourados. Sob o sol, tudo brilhava de forma sublime. Inclusive a menina de cabelos castanhos e roupas femininas anormalmente largas, sentada em fronte ao polido piano branco.

Ela tocava parcialmente de costas para a casa, seus olhos voltados para os dedos que deslizavam sobre as teclas com delicadeza. Parecia não só imersa na música como apaixonada pela melodia que causava. Uma sensação que apenas os artistas mais ardentes alcançavam. Olhá-la assim o fazia acreditar que realmente ali haviam talentos inéditos.

Passou pelo labirinto em silêncio, encantado. A fragrância suave, a sonância intensa e as cores deliciosamente espalhadas faziam com que ele flutuasse. Mas tudo acabou quando os pés tocaram os degraus da pequena construção. A garota percebeu que não estava sozinha de uma forma muito brusca, se assustando. Os dedos antes suaves bateram nas teclas causando um estrondo, acompanhado pelos seus joelhos batendo no instrumento enquanto ia para trás do piano, como se tivesse sido flagrada fazendo algo errado.

"Desculpa, desculpa! Eu não queria mexer nele!", a menina disse num tom mais elevado que o necessário. Cobria a cabeça com as mãos, como se tivesse medo de apanhar dele. "Mas... Estava tão..."

"Ele parecia estar te chamando, não é?", completou a frase com seu jeito amigável, sorrindo de forma amável para a garota. "Tudo bem, não tem problema tocar. Estava aqui pra isso, eu imagino."

Eric se aproximou do banco níveo, ficando mais próximo da moça. Ela nem sequer ousou se mexer, como se caso fizesse isso fosse ser atacada por ele, feito um coelho é abatido por uma raposa. Sob seus olhos estranhamente arroxeados, a pobrezinha tremia toda e estalava os dedos nervosamente.

"Eu me chamo Eric, e você?", perguntou com simpatia. Ela lhe lembrava sua irmã, de certa forma.

"A-Ah... Charlotte", ela disse, o olhar perdido na imensidão das flores. Ela quase sumia atrás do piano, se encolhendo inconscientemente.

O garoto só podia sorrir, bem largo. Ela tinha um sotaque forte e bonito, provavelmente alemão. Isso lhe deixava absolutamente fascinado. Deslizou no banco para mais perto dela, fechando a tampa alabastrina sobre as teclas, o cotovelo direito se apoiando na superfície para a mão segurar o rosto. Charlotte se encolheu mais, rindo sozinha lentamente, nervosa. Ela era uma fofura.

"Desculpe, estou fazendo algo errado ou que te envergonhe? É que eu estou realmente animado, Charlotte. Não é comum encontrar entusiastas que gostem de instrumentos clássicos como o piano."

Quando ele fez menção a se levantar para ficar numa altura próxima a dela, Charlotte vacilou. Deu dois passos para trás meio intimidada e nisso tropeçou nos próprios pés, caindo encostada na proteção do gazebo.

"Eu... Eu vou... Vou atrás do meu grupo. Eles devem estar bravos e pensando onde estou", avisou, correndo para fora com direito a tropeções. "T-Tchau!"

Eric apenas virou-se no banco para trás, observando ela correr pelo labirinto em linha reta, pulando os arbustos até ir para o sobrado. Tropeçou na entrada, soltando um gemidinho alto, mas logo sumiu pela porta.

Bem, se o primeiro contato não deu certo, o segundo daria. Porque ela não era uma garota ignorável, não sendo tão talentosa e bonitinha. Ainda mais... quando lembrava sua irmã.

Aliás, onde será que ela estava?

— ♬ —

Louis Gareth era razoavelmente famoso entre alguns internautas quando conheceu Jean Villeneuve. Na época o stripper ainda era apenas um garoto que fazia um meio-sucesso na internet, geralmente usando métodos não muito limpos. Nunca iria esquecer de como foi seu primeiro encontro com ele.

WebCam ligada, um pinto balançando em tela cheia na sua cara. Nunca esqueceria a expressão de susto que fez naquele momento, pois tudo tinha sido muito rápido pra ele processar. Mas ele deveria ter acreditado por pelo menos um minuto que aquele cara era decente. Ledo engano.

Tudo bem, eram dois idiotas ainda. Louis estava começando a criar raízes no mundo da publicidade e Jean, no show. Eles meio que foram destinados a se encontrar naquele momento, no sentido mais heterossexual possível.

Louis precisava de uma cobaia para moldar, Jean precisava chamar a atenção e para isso necessitava ser moldado. Perfeito. Depois daquele chocante primeiro encontro, eles passaram a se falar por texto.

O agora publicitário tinha um site meia-boca famosinho entre adolescentes, pois nele fazia umas criticas à artistas da época. Gostava bastante de fazer sínteses, edições ou qualquer coisa do programa intitulado "Hello Sleepwalkers". Isso era (e ainda é) uma forma fácil de ganhar leitores. Mas não era só isso que queria.

Com suas dicas, Jean foi fazendo mais sucesso. Virou bastante famoso na internet e vídeos seus bombavam entre as jovens. Usando seu corpo atlético e cara de pau, Jean prosperou rápido. Ainda mais quando teve uma orientação que o fez se tornar tão atraente para o show, para o público. E mesmo depois que foi chamado para o HS, não esqueceu disso. Dessa ajuda e de nenhuma das dicas.

Então Louis saiu de um garoto anormalmente apaixonado por publicidade, com um site meia-boca famosinho e pobretão para rico, famoso e poderoso. Seu site cresceu tanto que ele teve de mudá-lo inteiro depois que Jean lhe fez publicidade gratuita. E ele passou a ter tantos clientes que não podia nem contar, mesmo mal tendo terminado a faculdade.

Sua vida então foi uma beleza: rodeado de celebridades, luxos, dinheiro e mulheres lindas. Devia muito a Jean, com certeza. Mas pedir aquilo como "pagamento" era demais.

Tirara-o de seu dinheiro, de seus contatos e de seus trabalhos atuais para enfiar-lhe em uma casa cheia de câmeras. Estava irritado até demais, na verdade.

"Tenho que dizer que... Nossa, estou verdadeiramente arrependido de ter te conhecido", comentou o de cabelos ruivos enquanto bebia mais uma dose de vinho.

Como resposta à suas palavras, só recebeu um dedo do meio e um "para de frescura que você não seria nada sem mim". E isso que o mundo chama de intimidade.

Ouviu a porta abrindo com um rangido, admitindo que dois pares de pés femininos entrassem no recinto.

"Oh, não conseguiram achar a pequenina?", questionou o publicitário com as sobrancelhas franzidas, uma cara um tanto decepcionada e altamente fingida. "Pensei que realmente iriam conseguir."

"São duas inúteis, o que você esperava?", retrucou Jean enquanto deitado no sofá. "Sendo porcas desse calibre, queria que fizessem o que? Cheirassem o ar atrás da pequena encrenca?"

"Na verdade...", comunicou Tessa com um tom de desagrado bem aparente. "Nós a encontramos sim, Sr. Gareth."

"Oh, fala sério, Tessa?", comentou o orientador em tom de animação. Levantou-se para aproximar das duas, tocando seus ombros. "Endireite um pouco esses ombros, assim para frente dão a impressão que está acuada ou com dores nas juntas", informou com tom doce. A moça ficou sem graça mas obedeceu sem hesitar. "Onde ela está então?"

"Bem... Achar não foi um problema tão grande quanto...", dizia Mika em um tom envergonhado, acariciando o pescoço.

O homem só pode franzir as sobrancelhas em resposta ao que ela disse. Quantos anos aquela menina tinha?

— ♬ —

Sendo agora novamente chantageado por Jean, teve que novamente fazer o trabalho dele. Seguia pelo jardim até uma construção que lembrava uma cabana, com telhado forrado com palha decorativa e paredes de madeira rústica.

Ele gostava bastante do HS mas nunca teve a menor vontade de participar dele. Seu negócio era criticar e também aumentar a visibilidade daquele programa de sua forma — e aumentar a sua fama também. Mas nunca gostou de ficar no holofote dessa forma.

Entrou na construção com os passos ressoando. Ele tinha pressa e por isso não fez questão de amenizar sua presença mas o barulho que vinha de dentro do local era tão alto que seus passos passaram despercebidos. E estes sons denunciam a presença da garotinha ali.

Trespassando as portas, pode ver uma enorme sala circular com várias mesinhas redondas e um bar. Era ornamentado, limpo e bonito com janelas de vitrais e chão de madeira encerada. E parecia um lugar não muito recomendado para crianças pelo número de bebidas alcoólicas espalhadas pelos armários de vidro. Mas ali estava uma menininha de cabelos azul neon e vestido branco, com um fantoche numa mão e chapéu na cabeça.

A garota ria enquanto pulava de mesa em mesa, dando risadas quando quase perdia o equilíbrio — já que a mesa tremia por só ter uma sustentação bem no meio. Ela falava sozinha enquanto brincava.

"O que acha disso, Teddy? Brincar disso é melhor que ficar parada sentada com aquele chato, não é?", dizia alegre enquanto pulava. Ao fim da frase, quase deixou o fantoche de coelho com um tapa olho cair. "Oh, tome mais cuidado, Teddy! Se cair o tubarão vai te pegar!"

"Alyson, querida, o que está fazendo?", questionou o orientador para ver se dessa forma seria notado. "Estávamos te procurando a manhã toda."

A garota se virou sobre a mesa, lentamente. Olhou-o daquela lonjura com o rosto absolutamente vermelho de vergonha. Quem chamara agora mesmo de chato tinha sido aquele homem. Ela baixou o rosto até esconde-lo atrás da barra do chapéu, envergonhada.

Em contraste com a garota, Teddy mexeu-se furiosamente em sua mão, as patas se chacoalhando no ar.

"Mas agora nós realmente temos um tubarão em terra, Aly!", exclamou.

A voz que ela fazia normalmente era absolutamente feminina, digna de uma criança fofa como era. Mas quando falava pelo fantoche macabro, adquiria uma voz meio masculina e arrastada, gozadora por natureza. Ainda era fina mas não de uma forma bonitinha, era um tanto rascante.

"Mas porque você diz isso, sr. Coelho?", falou Louis com uma voz um tanto gozadora, mas contida. Rapidamente entendeu que a menina era tímida e usava o fantoche e o ventríloquismo para se comunicar satisfatoriamente. "Eu só quero ajudar vocês a se tornarem bons para o público."

O coelho pôs uma das patinhas sob a cabeça farta, pensativo. E por isso o orientador pensou que ele estava se deixando ser seduzido. Se conquistasse aquela parte da menina, a teria por completo. Mas o coelho agiu de forma contrária. Ergueu o braço com uma afirmação e mandou que a menina corresse.

Alyson, em resposta, virou-se e passou a pular muito rápido por sobre as mesas que rangiam. Espalhafatoso, o publicitário suspirou e se pôs a ir atrás dela. A garotinha corria rápido até demais pelas superfícies de madeira quase tropeçando e, quando estava próxima da saída, deu um pulo mal calculado e então se viu caindo. Bateu o estomago no canto da mesa com força, caindo no piso com um choramingo alto.

"Sua idiota!", o coelho gritou com a voz pouco afetada. "Não sabe nem pular e correr! Até eu jogando Mário sou melhor que você! E olha o tamanho das minhas patas!", para dar ênfase na frase, levantava-as de forma brava.

"Desculpa, Teddy!", choramingou ela, limpando os olhos molhados com a barra do vestido enquanto chorava mais.

Enquanto parada, o homem pode se aproximar dela rapidamente. Ele aumentara a velocidade até, preocupado. Parou do lado da menininha, se ajoelhando ao seu lado.

"Alyson, meu anjo, você está bem?", questionou com amabilidade enquanto acariciava seus cabelos azuis sedosos. Seu chapéu tinha caído à alguns centímetros de distância com a queda.

"E-Está doendo", ela disse.

"O que é meio óbvio!", respondeu o coelho, com um tom de raiva. "Em vez de ficar falando, deveria cuidar disso!"

O homem ignorou o coelho, aproximando-se da garota. Passou um braço por suas costas para então dizer algo.

"Você deve gostar de histórias de princesas, não é, Alyson?", perguntou. "Ou sonha em ter um príncipe ou um escudeiro que te proteja, não é?"

"Eu tenho meu irmão", disse em resposta, levantando o rosto para ele. Os olhos brilhavam mais que o normal devido as lágrimas. "Ele cuida bem de mim, brinca comigo e me protege. Só que ele não pode agora. Seria injusto."

"Creio que tudo dá-se um jeito", respondeu com um sorriso cordial. "Por agora, vou te proteger por ele e fazer você se tornar uma linda princesa. Topa?"

"A-Ah... Pode ser. Mas...", ela parecia sem graça.

"ELA AINDA ESTÁ MACHUCADA, SEU IDIOTA!", gritou a voz fina e enjoada do fantoche, lhe socando a cabeça com força.

E Louis só pode pensar que era por isso que ele odiava Jean. Odiava muito. E torceu para que paciência brotasse no seu ser, no nível que precisaria.

"Bem, começarei agora mesmo, mademoiselle", respondeu sem abalar o tom gentil. Içou-a entre os braços como uma princesa e passou a se dirigir para o sobrado.

Com certeza, uma hora ou outra, faria aquelas garotas se transformarem em puro ouro. E já maquinava agora mesmo todas as maneiras de fazer isso.

Notas finais
Mandem comentários e fichas, gente~ (e me desejem melhoras /apanha) Vejo vocês no sábado ou no domingo. Beijinhos~!