Hello

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Genteeeeee, que fofo os comentários! Enfim, mais um capítulo fresquinho pra vocês.

7

— Vocês dois não estão se dando muito bem. — Jasper comentou assim que Carlisle deu partida no carro. Não queria ter essa conversa aqui com Carlisle escutando, havia coisa que podia contar para Jasper mas para o pai dele era diferente. — Eu entendo, Edward sempre foi o mais mimado pelos meus pais, ele deve estar com problemas para se acostumar com uma garota em casa. — sorriu.

Prossegui em silêncio não querendo aquela conversa, não queria causar nenhum tipo de intriga entre eles então era melhor ignorar o comentário de Jasper e colocar uma máscara indiferente no rosto para fingir que era algo totalmente idiota.

Eu sabia que aquele comentário de Edward tinha piorado tudo, agora iriam haver suspeitas de que entre nós havia muito mais do que um simples ciúme de um filho que estava acostumado a ser o centro da atenções. Com um suspiro desliguei minha mente desses fatos e olhei pela janela, isso não poderia ficar me perturbando ou as pessoas acabariam descobrindo, eu tinha que ser indiferente.

A escola foi insuportável, como se não bastasse meus pensamentos me atormentando sobre o que Esme diria a respeito do comentário de Edward, ainda tive que lidar com boatos de que Sam ficou sem ir a aula de Educação Fisíca por minha causa. Ele não falou comigo, mas eu entendia, afinal dei bolo nele por causa de um idiota. Um idiota que beijava muito bem e quase me fez perder a saniedade na noite passada.

Eu tinha que falar com Sam. Pensei que estivesse tudo bem entre nós porque ele havia me dado um beijo na bochecha no domingo, mas não. Ele parecia disposto a me ignorar. Na segunda-feira Sam havia faltado e agora estava me ignorando fazendo as garotas pensarem que eramos namorados e que só estavamos brigados.

— Tudo bem. Eu posso fazer isso. — Murmurei para mim mesma enquanto me direcionava para a sala onde os garotos do time de basquete estavam. Bati a porta e abri em seguida vendo todos olharem para mim, Sam estava no canto e pareceu um pouco surpreso ao me ver. — Sam, podemos conversar alguns minutos? — perguntei.

— Uh. — Os garotos gritaram em tom de brincadeira, eles pareciam estar se divertindo com aquilo, mas pra mim era bem sério. Não podia perder a amizade do Sam.

— Volto já. — Ele disse para os garotos e depois de alguns segundos estava fechando a porta atrás de si. Caminhei pelo corredor barulhento e fomos até o corredor que encaminhava para a diretoria. Ali pelo menos era silencioso e os curiosos não poderiam ficar escutando atrás da porta. — E então?

— Sam, por quê? — Perguntei olhando para ele. Eu tinha coragem de enfrentá-lo porque ele era um dos poucos meninos que se podia confiar, ele sabia fazer silêncio quando era a hora de silêncio, não podia perdê-lo tão facilmente.

— O quê? — Perguntou.

— Não precisamos disso e nem de mentiras, então só me diga porque está simplesmente me ignorando. — Eu pedi com os olhos baixos esperando um resposta sincera.

— Eu não gostei de você ter saido com Edward, nenhum garoto gosta de ser trocado por outro isso fere o nosso delicado ego. — Disse, com um sorriso amargo. — Mas não é só por isso, tenho a sensação de que ele não será bom para você e como você me disse uma vez, quem se importa não deixa sofrer. Se for pra lhe ver sofrer prefiro estar de longe, vai doer menos em mim. — suspirou. — Pode me achar infantil ou algo parecido mas é só o que eu acho, eu não gosto dele.

— Sam, não precisa se preocupar comigo, sei o que estou fazendo e ele não vai me machucar, somos apenas irmãos nada mais. — Falei, era uma grande mentira, nunca consideraria Edward meu irmão, não depois daqueles beijos e daquelas palavras. — Você está fazendo isso por pouca coisa.

— Eu estava sendo infantil. — Sussurrou de cabeça baixa.

— É, que bom que sabe. — Disse em tom brincalhão mas sincero.

Depois dessa conversa fiquei um pouco mais animada para as para as próximas aulas, era bom saber que não teria que ficar com as garotas novamente no intervalo das aulas. Elas só sabiam falar de sexo e rapazes, eu já sabia o tamanho do pênis da metade dos garotos da escola e tudo porque a maioria delas vivia saindo com eles. Era um grupo de mais ou menos vinte meninas e quando não havia mais ninguém que eu pudesse ficar, eu me sentava com elas e tinha que ouvir sobre tudo. O mais perturbador é que eu pensava nisso a noite.

Não esperei Jasper na hora da saída porque ele provavelmente iria me encher de perguntas sobre o comentário de Edward e não teria para onde correr para conseguir fugir delas. Pensava também em como encarar Edward quando chegasse na casa de Esme, mas esse era o menor dos meus problemas, Jane estaria lá então era só correr para o meu quarto e trancar a porta.

Escutei o barulho da televisão assim que fechei a porta atrás de mim, Jane não costumava assistir televisão então só podia ser Edward. E era ele. Seus cabelos estavam espalhados pela borda do sofá mas seu rosto estava focado na televisão, se eu passasse devagarzinho talvez ele não me visse e não dissesse algo que acabasse com a pouca paciência que me restava.

— Não precisa fugir de mim, eu não vou morder você. — Disse.

Se ainda tinha alguma paciência em mim ela havia se esgotado naquele momento. Agora ele simplesmente agia como se nada houvesse acontecido, como se aquele comentário infeliz dele não fosse ser minha cruz por vários dias. Eu realmente não precisava fugir dele, mas Edward estava me provando que os homens só pensam em si mesmo e aumentando minha vontade de estar longe deles.

— Não estou fugindo só não quero conversar. — Confessei, agora tomei coragem para fitá-lo completamente. Meus olhos deslizaram por seu corpo mas nunca pararam em seus olhos, não queria encontrar seu olhar agora. Ele se aproximou e eu recuei esperando que parasse mas ele deu mais alguns passos para perto de mim. — O que você quer?

— O errado aqui não sou eu. — Disse. — Em nenhum momento brinquei com seus desejos.

— Eu não brinquei com nada. — Sussurrei olhando para minhas mãos que estavam fazendo circulos em torno do botão da minha blusa. — Você que me beijou Edward e eu não pude fazer nada.

— Só corresponder não é mesmo? — Indagou com sarcasmo, fiquei onde estava e permaneci não olhando para ele. — Você sabe que é verdade tanto que nem mesmo consegue me encarar, a todo momento olha para suas unhas e está louca para correr para o seu quarto para se trancar lá e fingir que dormiu a tarde toda. Hipocrita. — disse. Fiquei onde estava mas dessa vez senti as lágrimas chegando aos meus olhos. Edward sabia rasgar a ferida de alguém.

Virei pronta a ir embora para não chorar em sua frente, ele era muito agressivo quando se tratava de palavras e quando as coisas não estavam ao seu modo, ele devia ter nascido com tudo na mão, com todos os pedidos realizados e agora estava bravo porque alguém não se sujeitou a aceitar seus desejos. Senti seus dedos se fecharem em torno do meu pulso e me mantiveram no lugar.

— Me solte. — Pedi com a voz quebrada, ele apertou mais seus dedos e em resposta tentei me soltar. — Me solte. — dessa vez minha voz estava mais urgente e um pouco mais baixa. Ele deslizou até estar do meu lado e segurou meus braços suavemente.

— Bella eu... Me desculpe eu não... É que é complicado.

— Você não entende. — Sussurrei. — Eu passei por algo complicado e não é fácil se recuperar se você não tem uma familia para isso, Edward, eu gosto de estar aqui e eu não quero que Esme me mande embora então não continue com isso, por favor. — pedi, e dessa vez minha voz estava quase inaudível e as lágrimas escorriam lentamente pelo meu rosto.

— Está tudo bem, me desculpe. — Disse me abraçando, fiquei alerta e sem reação, minha cabeça se apoiou em seu peito e deixei os soluços sacudirem meus ombros. — Eu sou um idiota ás vezes, mas você sabe disso, não é a primeira vez que faço isso. — murmurou acariciando minhas costas. — Me desculpe, meu anjo, me desculpe.

— Me deixe ir...

— Não, fique aqui comigo, eu quero ajudar você, eu quero. — Disse beijando meus cabelos. E Deus! Fazia muito tempo que ninguém me oferecia um ombro pra chorar, a sensação era de estar protegida novamente, mas no fundo eu sabia que não poderia me acostumar com isso. Edward não era bem alguém que podia me proteger.

Alguns segundos depois consegui abafar um pouco do meu choro, aprendi que ficar chorando não adiantava muita coisa, lágrimas podiam comover a pessoa a sua frente mas nunca mudava o passado, não eram capaz de fazer uma barreira entre você e o sofrimento. O choro servia para aliviar por segundos e depois tudo voltava novamente.

— Eu tenho que subir. — Murmurei me afastando um pouco. — Me desculpe por molhar sua camisa. — eu sussurrei abafando um soluço. Ele olhou em meus olhos e por segundos permaneceu assim até que escutei alguém pigarrear na sala e me assustei me virando para o lugar de onde vinha o som. Jasper.

— Está tudo bem? — Perguntou a mim sem direcionar nenhum olhar para Edward.

— Sim. — Murmurei. — Tenho que subir. — eu disse e em seguida caminhei para cima rapidamente deixando os dois na sala. Eu tinha medo do que Jasper poderia pensar ou falar depois da cena que viu. De manhã ele estava acreditando que Edward não gostava de mim, agora havia visto nós dois abraçados enquanto eu chorava encostada a ele. O que ele poderia estar pensando?

Sentei na cama e esperei alguma batida na porta, mas não houve nenhuma pelo menos nos vinte minutos seguintes. Achei que Jasper ia querer alguma satisfação mas ele não fez nada além de ir para o seu quarto. Escutei o barulho do lado e relaxei aos escutar os bips que o computador fazia ao ligar. Ele não viria aqui e isso era um alívio.

Pensei em ficar no quarto na hora do jantar mas alguém viria me chamar e não queria que esse alguém fosse Jasper. Depois de colocar uma calça jeans e uma camisa vermelha desliguei o computador e desci para a cozinha, não encontrei Edward no caminho e quando cheguei na cozinha só vi Jane e Esme, aliviada me sentei e perguntei o que podia fazer.

Ás 19h30 Esme subiu para chamar os garotos e eu fui acompanhar Jane até a porta, quando voltei para a cozinha, depois de uma longa conversa, estavam todos se servindo, apanhei um pouco do macarrão e me sentei na cadeira da ponta, Edward sentou ao lado de Esme e Jasper ao lado dele. Eu fiquei sozinha e apesar disso me deixar sem-graça foi bom, não ia ter ninguém rossando em mim durante o jantar.

— Sobre o que vamos falar? — Esme perguntou. Continuei em silêncio e fingi estar preocupada em enrolar o macarrão no meu garfo.

— Podemos falar sobre nós mesmo. — Jasper disse, seguiu-se um silêncio e logo ele suspirou. — Antes quero saber o porquê de você, Isabella, não ter me esperando na hora da saída para voltarmos juntos do colégio. — disse me fazendo fitá-lo assustada. O que havia dado em Jasper e onde ele queria chegar?

— Eu... Estava cansada e você demorou um pouco. — Sussurrei, bebendo um gole do suco a minha frente. — Mas está tudo bem, amanhã espero.

— Está tudo bem? — Perguntou, assenti e olhei para Esme que mantinha seus olhos em nós. — Então me explica, por que estava chorando nos braços do meu irmão quando cheguei?

Apertei meus dedos na beirada da mesa, dessa vez Esme se inclinou para frente e colocou os cotovelos na mesa apoiando seu rosto em suas mãos. Eu queria que o chão abrisse para que eu sumisse nele, minha respiração estava acelerada e eu não conseguia pensar em nenhuma resposta a altura. Meus momentos de paz naquela familia haviam acabado.

— Eu tinha machucado a mão no trinco e você sabe, garotas choram por tudo, foi só isso. — Falei olhando para Edward implorando para que ele concordasse com a minha história para que Esme parasse de me olhar daquela forma. O olhar dela era tão intenso quanto dos filhos, mas o diferente era que ela não falava, ela observava e isso era o bastante para fazer qualquer pecador confessar seus pecados.

— Não precisa mentir. — Ele disse. Eu ofeguei me achando um ratinho encurralado em um beco por três grandes ratos. Não tinha para onde ir e não sabia como lutar, então só me restava se entregar mas esse não era o melhor passo a se fazer no momento. — O que aconteceu Edward? — Jasper indagou ao irmão me tirando dos meus pensamentos.

— Eu fui grosseiro com a Bella, naquele momento só estava me desculpando. — Edward declarou, meu corpo gelou e eu olhei para Esme que se mantinha me observando sem dizer nada.

— Se foi isso Edward, então por que a Isabella está mentindo? — Jasper perguntou, novamente eu era o ratinho encurralado sem nenhum buraco para escape. Só restava implorar em pensamento para que eles parassem com isso porque Esme não parecia nem um pouco satisfeita com o rumo que a conversa estava tomando.

— Talvez ela não quer causar problemas para mim, mas sim, fui grosseiro com ela. — Edward disse, dessa vez Jasper reencostou na cadeira. Não parecia sarisfeito mas também não aperentava ter mais perguntas, queria saber da onde veio esse comportamento idiota derepente. Esme voltou a comer como se nada houvesse acontecido e Edward pareceu preocupado ao me olhar. Devia ser porque meu rosto estava pálido e meu corpo como uma estatúa.

— O que teremos de sobremesa? — Edward perguntou mantendo seu olhar em mim e em Esme.

— Você nem mal começou a comer e já está pensando em sobremesa? — Esme indagou, sorridente novamente. — Coma direitinho e talvez eu pense em algo. — disse, como um garotinho ele assentiu e colocou uma garfada de macarrão na boca.

Para não atrair a atenção deles para mim, comi tudo que estava em meu prato e assim que terminei levantei e sem dizer nada me retirei da cozinha. Meus dias nesse casa nunca haviam sido tão agitados, foi somente Edward chegar e as pessoas começam a mostrar suas verdadeiras personalidades e os lobos começarem a atacar como se todos os dias fosse noite de lua cheia.

Quando entrei no quarto pude sentir minhas pernas amolecerem, ninguém havia vindo atrás de mim o que era bom. Eu não costumava xingar nem nada parecido, mas, nesse momento poderia mandar qualquer um se ferrar por estar nervosa com Jasper. Ele sempre agiu como uma pessoa boa e normal e agora resolve me atacar na frente da mãe? Ele queria o que afinal?

Quando você passa por estupro, você tem muito medo da reijeição das pessoas e por isso se preocupa demais com o que elas vão pensar, porque nada é pior do que se sentir rejeitada ou deixada de lado. Na escola eu tinha sido muito bem aceita, sabia que era por ter o nome dos Cullen's mas isso era bom, de alguma forma você sentia o carinho, ainda que falso, das pessoas. Aqui em casa nunca fui tratada como menos, se Jasper ia para algum lugar eu também poderia ir, tudo que eu pedia Esme tentava achar para mim e isso era incrível porque você sentia mais vontade de viver apesar de tudo.

Tem pessoas que enxergam a depressão pós-estupro como exagero, mas ninguém sabe como é ruim ter que ser forçada a algo, você não sabe se aquela pessoa que lhe estuprou tem alguma doença e se ela vai deixar você viver. Quando estava em baixo do meu estuprador sofrendo toda aquela dor, para mim o morrer era a melhor opção. Desejei tanto ter desmaiado mas sempre fui forte e nunca perdi os sentidos por causa de alguma dor. O pior é o que vem depois, médicos e policias lhe olhando com pena e alguns até com nojo, dói mais quando você não tem alguém para confiar, quando você não pode esmurrar uma parede e gritar que quer matar o homem que acabou com você por dentro. Porque querendo ou não uma pessoa estuprada nunca mais é a mesma. Sempre tem aquela maldita ferida que se rasga por qualquer coisa e você se sente mais fraca do que todo mundo.

Emergi dos meus pensamentos e me arrastei em direção a cama, esse assunto sempre apertava meu coração de uma forma que eu não conseguia nem mesmo andar depois. Não é fácil conviver com os homens depois do estupro, você acha que todos eles são exatamente iguais e só vão se aproximar de você para fazer a mesma coisa. Mesmo assim eu fui obrigada a conviver.

Quando estive na rua tinha que aguêntar piadinhas daqueles caminhoneiros que pensavam que eu era qualquer vadia louca para transar. Eu chorava a toda momento de medo dos que se aproximavam, era um medo infernal que mexia com a minha mente e me deixava completamente paranóica. Não dormi por dois dias, sentava nos bancos das praças e tinha que aguêntar o frio da noite já que não tinha roupas comigo.

Ninguém olha pra você. Os garotos riem de você e as garotas olham com pena. E essa é a maior dor de todas, se sentir rejeitada, humilhada e sozinha, você não tem mais nada no mundo e então por que viver? Por que continuar lutando pela sua vida de merda? Suspirei e funguei em busca de afogar minhas lágrimas, não queria que ninguém escutasse já que o silêncio reinava lá em baixo.

Foi em uma noite de quinta-feira que um homem tentou me levar para seu carro me oferecendo um lanche em troca de uma transa, e uma mulher muito bonita me salvou dele. Eu estava com tanto medo que não consegui falar com ela, apenas chorei encostada no banco de trás do seu carro. Deus sabe o quanto aquilo doeu em mim.

Ela me levou até um abrigo e me deixou lá prometendo ir me ver na próxima semana, fui bem tratada mas as garotas tinham nojo de mim. Depois de banhada e com roupas novas eu me senti melhor, na ala que eu estava só ficavam meninas e algumas delas eram lésbicas, os garotos não vinham para a nossa ala mas sempre tinha alguns que escapavam e iam passar a noite na floresta atrás das grandes casas que abrigavam mais de cento e trinta adolescentes.

Comecei a ajudar as moças, penteava o cabelo das garotas mais novas e ajudava algumas a escrever, isso me rendeu uma boa fama, eu era respeitada e os meninos não chegavam perto de mim. Rosalie não foi me ver como prometeu, mas, só de ser salva das ruas e está sob um teto longe dos fantasmas da noite, eu me sentia eternamente grata a ela e se um dia tivesse oportunidade iria procurá-la somente para lhe dar um par de sapatos ou uma blusinha, daria qualquer coisa que pudesse mas agradeceria ao bom coração que ela tinha.

— Isabella, querida, pode abrir a porta? — Saltei ao escutar a voz de Carlisle, rapidamente sequei as lágrimas e me direcionei para a porta respirando fundo antes de abrí-la. Ele estava lá parado ainda com o terno social e os cabelos penteados formalmente. — Posso conversar com você um minutinho só? — perguntou, assenti e permaneci com a mão na porta pronta para fechá-la caso acontecesse alguma coisa. Talvez Carlisle não fosse tentar nada mas eu tinha receio então me previnia. — Querida, minha familia nunca foi uma das melhores, acho que você está notando isso agora. Sinto muito pelo que aconteceu no jantar, Esme me contou que Jasper foi grosseiro com você mas... Entenda, eles são dois garotos que sempre tiveram nossa atenção e agora você é a nossa garotinha e você tem nossa atenção, eles devem estar com ciúmes, por favor, não os leve a sério.

— Tudo bem. — Sussurrei.

— Ok, então... Se precisar de algo não hesite em me ligar. — Disse com um sorriso, voltei a acenar com a cabeça e deixei ele dar as costas e caminhar pelo corredor. Assim que ele estava um pouco longe fechei a porta e a tranquei.

Iria passar um filme bom na televisão hoje por isso desci ás 22h para assistir, não devia dar mais movitos para Esme desconfiar, eu tinha que agir normalmente mesmo não estando normal. Edward estava sentado no sofá com os olhos pregados na televisão, caminhei suavemente até o outro e me sentei do lado aposto atraindo sua atenção para mim.

— O quarto estava chato? — Perguntou, o ignorei e mantive meus olhos no comercial de perfume que estava passando. — Não vai falar comigo? Você pareceu ter gostado de chorar nos meus braços. — disse, suspirei e em silêncio me arrependi por ter permitido que ele me consolasse. — Qual é Bella, não pretende ficar aqui sem falar comigo não é mesmo? — perguntou. — Você está com raiva pelo que aconteceu no jantar?

— Não. — Murmurei.

— Não quer sentar ao meu lado? Daqui a pouco vou buscar a pipoca que está estourando no microondas, podemos assistir o filme em um clima agradável. — Disse, permaneci onde estava e me inclinei um pouco para o lado. — Vamos lá, meu amor, vem cá. — sussurou com a voz rouca, fazendo meu corpo se arrepiar. Mas que droga! Por que ele tinha que jogar comigo desse jeito? — Você quer que vá buscar você, quer? Ou você vem direitinho pra perto de mim?

— O filme foi uma péssima idéia. — Sussurrei para mim mesma, mas ele escutou e sorriu.

— Bella, eu vou buscar você. — Ele ameaçou. Irritada caminhei até o mesmo sofá que ele e me sentei na outra beirada fazendo-o sorrir. — Você é mesma uma gatinha temiosa. — sussurrou, antes que eu pudesse me me dar conta de suas palavras ele se aproximou e com as mãos me puxou para perto dele encostando-se demais em mim. — Eu gosto de você perto, não me faça ter que ir buscá-la novamente ou juro que levo você para outro lugar.

— Por favor... Se afaste. — Sussurrei.

— Tudo bem. — Disse tirando seu rosto dos meus cabelos mas sem se afastar completamente, continuava perto com sua coxa encostada na minha me deixando paralisada. — Relaxe, vamos ficar assim o filme todo, praticamente duas horas e sem contar os comerciais. Significa que vou sentir a textura da sua pele por quase três horas. — sussurrou, senti minha pele esquentar e em seguida ele sorriu. — Vou buscar a pipoca.

Essa era minha chanche de fugir, podia sair dali mas, hoje com certeza minha noite seria uma das piores, as lembranças sempre se tornavam pesadelos, tudo que não havia acontecido antes agora acontecia em sonhos e não tinha nada mais perturbador que não poder controlar sua mente. No momento era melhor ficar aqui mesmo que fosse ao lado de Edward.

— Não quer me ajudar? — Indagou, olhei para trás e vi ele vindo com dois grandes copos de coca-cola e uma grande travessa de pipoca. Me levantei e peguei os copos dele, deixei no chão e me sentei no sofá. Ele colocou a pipoca entre nós e aumentou o volume da televisão, o filme era de ação com Bruce Willis e me interessada, gostava de gêneros assim, nada que envolvesse terror, suspense ou drama porque isso sempre me deixava mais assustada.

Na metade do filme a pipoca havia acabado e Edward empurrou a travessa para o chão se deitando no meu colo e soltando um breve suspiro. Seus cabelos macios rossaram em minhas coxas e ele colocou suas mãos em meus joelhos parecendo relaxar. Realizando o desejo dos meus dedos deslizei-os pelo cabelo macio de Edward, ele pareceu gostar porque suspirou, fiz aquilo mais uma vez e vendo que ele não reclamava continuei a fazer, até escutá-lo gemer e afundar seu rosto em minhas pernas esquetando-as com sua respiração. Parei alguns minutos e ele sussurrou para que eu continuasse, então voltei a fazer e tentei colocar minha atenção no filme enquanto afagava seus cabelos.

— Isso é muito bom. — Sussurrou calorosamente, fiquei em silêncio não conseguindo mais prestar atenção no filme, minha atenção estava no calor em minhas pernas e nos cabelos macios dele. — Quer que eu faça em você? — perguntou virando-se para mim, seu rosto agora estava perto da minha barriga e suas pernas esticadas no sofá.

— Não. — Murmurei, tirei meus dedos de seus cabelos e apoiei meus braços em seus ombros deixando ele me olhar enquanto eu fingia prestar atenção no filme. Aqui estava eu com um homem deitado em meu colo olhando-me atentamente e o melhor de tudo isso era que essa proximidade não me incomodava tanto quando pensava que incomodaria.

— Você não gosta de carinho? — Perguntou, estava prestes a responder mas ele me interrompeu: — Ou não está acostumada a recebê-lo?

— O filme está ficando interessante. — Sussurrei olhando para frente mas sem tirar os olhos dele. Eu tinha receio logo agora que ele estava tão próximo assim de mim. Se inclinando para trás ele pegou o controle e voltou para a posição que estava. — Não aumente ainda mais, seus pais já estão dormindo. — falei, mas ele apertou um botão e a televisão desligou. — Edward! — exclamei.

— Eu gosto quando você chama meu nome, fica sensual. — Disse enrroscando-se em mim como um bebê.

— Quer ligar a televisão? Por favor. — Pedi.

— Eu posso ser bem mais interessante que isso, bem mais... — Sussurrou e segundos depois colou seus lábios aos meus.

Fiquei tão surpresa que demorou algum tempo até que me acostumasse com o calor dos lábios dele sobre os meus, ele se moveu gentilmente e eu permaneci com os olhos abertos com certo receio. Ele se levantou um pouco mais e suavemente pousou uma mão em meu ombro deslizando-a até minha nuca e descansando ali.

— Eu não vou machucar você, meu amor. — Sussurrou em meus lábios, minhas palpebras pesaram e sem poder lutar as fechei lentamente. Sua boca se moveu contra a minha de um jeito provocante e novo para mim, ela investia em meus lábios sem forçar nada, apenas lambendo-os para que eles se abrissem por vontade própria e assim sua língua deslizar por eles. Quando nosso beijo se tornou molhado ele gemeu em minha boca. As garotas haviam falado que você tinha que beijar muito bem para conseguir fazer um homem gemer. Então, eu beijava bem? — Bella... Nós vamos continuar com isso? — indagou, fiquei em silêncio porque sua boca ainda estava sobre a minha. — Não comece isso para parar depois, por favor. — sussurrou.

— Edward eu...

— Diga pra mim parar. — Murmurou deslizou sua boca pelo meu pescoço fazendo-me se inclinar para trás sentindo sua língua deslizar pela minha pele. E céus! O sofá havia esquentado de forma que meu corpo sentiu vontade de se abraçar totalmente a Edward. — Bella... — ele rosnou na curvatura do meu pescoço e depois mordeu suavemente. Ele estava perdendo o controle e me avisando disso, mas eu parecia estar querendo sua falta de controle mesmo sabendo que não poderia lidar com ela depois. — Bella. — gemeu.

Mas eu podia tentar um pouco, podia ver até onde eu conseguia ir, era minha chanche, eu podia aproveitá-la! Que Deus me ajudasse depois, mas agora eu era completamente insana.

— Não Edward, não pare, continue. — Pedi me entregando completamente ao calor do inferno.

Sua língua deslizou para dentro da minha boca e minhas costas colaram contra o sofá. Edward se rastou mais e ficou praticamente em cima de mim, isso me fez travar um pouco, quando você estava em beijo onde você poderia correr vem aquela sensação de estar mais segura, mas quando um homem está em cima de você, é bem difícil correr caso algo acontessa.

Se eu contasse a ele os meus medos, talvez ele fosse entender o que eu ia fazer agora, mas como eu não podia contar nada a ninguém ele provavelmente pensaria que eu estava brincando com os desejos dele novamente. Ele deve ter notado que eu paralisei completamente porque se inclinou para trás e fitou meu rosto com os olhos confusos.

— O que aconteceu?

— Eu só... Você está muito em cima. — Sussurrei, estava preparada para escutar qualquer coisa, Edward não era o tipo de homem que aceitava rejeições e ficava calado. Talvez eu não pudesse me entregar ao calor do inferno porque uma hora ele iria esquentar até queimar minha pele e eu não aguêntaria. Eu só tentava porque... Queria ser igual a todos as outras garotas da minha idade.

— Bella. — Sussurrou após um suspiro segurando meu queixo. — Quer me contar alguma coisa? — perguntou suavemente me deixando surpresa. Não era bem o comportamento que eu esperava, onde estava o Edward revoltado?

— Eu não gosto de homens... Por cima. — Falei, ele sorriu torto.

— Você é uma dominadora? — Perguntou em tom brincalhão. Era a primeira brincadeira que ele fazia comigo e eu pude me sentir mais a vontade. Diante do que ele havia dito não consegui segurar um sorriso que brotou em meus lábios, acho que era a primeira vez que eu sorria sinceramente na semana inteira.

— Eu tenho...

— Medo. — Ele acrescentou por mim, abaixei minha cabeça e fitei qualquer coisa que não fosse aqueles olhos verdes tão acusadores e ao mesmo tempo compreensíveis. — Não se preocupe Bella, eu acho que entendo que você tem um trauma mas... Eu gostaria que você me contasse sobre ele, eu quero saber sobre o seu trauma, eu gostaria de poder ajudar. — sussurrou passando seus dedos por meus cabelos.

— Se você entende acho que já ajuda. — Murmurei me afastando um pouco mais, ele se inclinou para trás e me deixou escapar dos seus braços para sofrer o frio da noite longe dele. — Eu acho que o filme ainda deve estar passando. — falei tentando fugir do silêncio, ele não fez menção de pegar o controle, apenas se inclinou para trás e sentou-se no sofá.

— Nenhum de nós estava prestando atenção nesse filme, eu pelo menos deixei de prestar atenção em qualquer coisa quando você sentou aqui. — Disse, continuei onde estava procurando algum modo de sair dali. O ruim em mim é que quando o assunto acabava perto de Edward eu sentia uma vontade idiota de fugir para longe dele.

— Então acho que vou subir, amanhã tenho aula cedo. — Murmurei.

— Ei, Bella, não quer vir conosco pra casa da minha avó? — Perguntou, seus olhos estavam me fitando com aquele modo sensual e manhoso e por segundos tive que desviar meus olhos para pensar em uma resposta. Eu podia ficar com Jane, ninguém merecia estar em um lugar onde não se sentia bem.

— Eu acho melhor não, acho que... Gosto de ficar sozinha. — Falei.

— Bella, eu acho que traumas são piores quando as pessoas se isolam, você fica muito sozinha e mesmo que em alguns casos a solidão seja boa para curar, não acho que seja a melhor opção. — Disse, mordendo os lábios.

— Eu não me isolo, uma pessoa como eu não tem como se isolar, então acho que você fez um julgamento errado. — Sussurrei olhando para os lados e dando um sorriso leve e falso para mudar o clima na esperança de que o assunto mudasse também.

— Procure não mentir para você mesma, não sei se você sabe mas mentir para você mesma é como enganar a Deus. — Disse. — Ou seja, você nunca consegue. — sussurrou.

— Eu nunca enganei Deus. — Sussurrei. — E Cristo! Jamais quero enganá-lo, além do mais como se pode enganar uma pessoa que sabe o que você pensa? Que conhece tudo que está dentro de você? Dentro da gente é complicado... Ás vezes você tem que enganar a si mesma para seguir em frente.

— Foi tão forte assim? — Ele perguntou, ele não perdia nenhuma chanche de saber algo sobre a minha vida, ele penetrava em qualquer local que houvesse oportunidade me deixando cada vez mais desconfortável. Quando seu passado é bom, você gosta que as pessoas perguntem para você se vangloriar dele, mas quando é ruim, seu maior medo é que as pessoas descubram e lhe humilhem por ele.

— É melhor eu subir. — Falei ficando de pé, mas Edward era mais rápido que um gato, um segundo depois ele estava segurando em meu braço me impedindo de ir embora.

— Você vai conosco Bella, eu vou estar lá dessa vez e se você sentir algo ruim ou quiser voltar estarei lá para realizar suas vontades. — Disse, olhei para os cantos e suspirei tentando me soltar. É claro que qualquer movimento meu diante de sua força seria inútil, mas os olhos dele eram como raio-X, enxergavam dentro de você, era mais dificil fugir.

— Eu já decidi Edward, eu fico.

— Deve ser porque você não gosta da minha familia. — Disse, dessa vez me virei para ele e bufei impaciente. — Ah é claro, você não gostou da minha avó? Ela é uma das pessoas mais doces que já conheci e você não gosta dela?

— Eu não disse isso! — Rosnei.

— É o que está parecendo, não é necessário palavras quando se tem fatos.

— Você não sabe de nada! — Declarei tentando me soltar. — Para sua informação Edward é ela que... — pausei soltando um longo suspiro, não podia causar nenhum tipo de intriga para a familia, não iria doer mudar de assunto. — Você... Você é quem disse que sou perturbadora e que prefere sua avó então... Eu não vou, fique com ela.

— Ah, agora você está usando minhas palavras para se livrar de mim? — Perguntou, com o tom debochado. — Você costuma fazer isso com todos homens que você beija? — perguntou, com o tom mais baixo.

— Isabella, Edward, o que é isso? — A voz de Carlisle perguntou da escada me paralisando por completo.