Hello

35 Capítulo 35


35


Ela tinha noção do que estava me pedindo? Como poderia ignorar todos aqueles machucados? Como poderia fingir que não estava vendo a situação quando minha mente insistia em formular milhares de cenas com James maltratando-a sem a menor piedade? Sua pele marcada me acusava, fazia o peso da minha consciência ficar ainda pior. Eu nunca poderia ignorar isso.

— Está me pedindo pra deixá-lo maltratar você? — Perguntei. — Você tem noção da merda que está fazendo? Onde estão seus pais? Por que está agindo como se merecesse isso?

Seus olhos vagaram pela biblioteca, provavelmente procurando alguém que estivesse ouvindo a conversa, mas não tinha ninguém, o sinal estava quase pra bater e as pessoas já deviam ter voltado ao refeitório ou as suas salas. Agora só havia eu e ela. Eu queria acusá-la de diversas coisas, queria me desculpar, queria que ela respondesse as minhas perguntas, queria ajudá-la. Mas por Deus, Jéssica não me deixava entrar.

— Você não tem noção do quanto eu fodi você. — Disse, como se tivesse falando de um esmalte novo que viu na vitrine. Isso me deixou um pouco atordoada. Ela devia saber que isso era difícil pra mim também. Devia saber que eu esperava uma resposta diferente. — Eu não me sinto bem com isso, antes que você pense o contrário. Mas, pelo menos enquanto eu estava ajudando-o, ele não estava me machucando.

Abri minha boca para respondê-la, porém, vozes e risadas me fizeram engolir tudo que já estava na ponta da língua. Em silêncio, escutei os passos vindo na nossa direção.

— Jéssica! Bella! — Lily gritou, tropeçando em uma das mesas mas não deixando ninguém perceber, além de mim que estava com o olhar fixo nela. Eram as garotas, em bando, ainda com latas de coca-cola e comida nas mãos.

— Oi. — Murmurei, olhando pra Jéssica que já tinha mudado completamente sua expressão, demonstrando estar extremamente feliz.

— A Bella vai na festa hoje, né? — Uma delas perguntou, arqueei a sobrancelha.

— Não sei, acabei de convidar ela. — Jéssica mentiu me fazendo encará-la. Ela fez um ar de pouco caso e se voltou para as meninas.

— E seus pais, Jess? — Perguntei, cínicamente. Era meu momento de conseguir respostas, pelo menos na frente das garotas ela não podia me tratar com arrogância.

— Estão viajando. — Foi Lili quem respondeu. — O pai dela foi trabalhar na Espanha por seis meses e a mãe dela acompanhou ele, a casa tá livre. — completou. — Além disso não dá pra sair com a Jéssica desse jeito, não sei como ela conseguiu cair da escada e ainda bater o rosto no móvel.

E então foi essa a explicação que ela deu? Como alguém tinha acreditado nisso? Eu ri amargamente internamente.

— Ah. — Murmurei, entendendo enfim porque os pais dela não estavam interferindo naquela situação. — James não está lá? — perguntei, fazendo Jéssica engasgar com alguma coisa.

— Ele nem liga, na verdade ajudou até a arrumar o som. — Violet falou.

— O James é legal. — A outra disse, com um sorriso. Eu suspirei.

— Então, cada um tem que-

O sinal bateu nesse momento interrompendo a conversa.

— Se você for Bella, vai pra casa da Jéssica umas 20h e leva alguma coisa pra beber, ok? — Lili disse, eu acenei com a cabeça me levantando.

Como Jéssica estava deixando aquele monstro se aproximar de suas amigas sem sentir nenhuma culpa?

Todas fomos em direção as nossas aulas, eu estava mergulhada em meus pensamentos, tão fundo que nem conseguia ouvir a conversa que se sucedia ao meu redor.

As garotas não pareceram notar que tinha algo estranho entre eu e Jéssica, ela se manteve longe de mim conversando sobre qualquer coisa que nem estava interessada. Tentei não olhar seus machucados, mas conforme ela passava pelo corredor ouvia murmurios relacionados a isso, todos tinham notado e criavam suas teorias. Ela era considerada popular, não podia chegar machucada assim sem nenhuma explicação porque é claro, renderia milhões de hípoteses.

A matemática parecia mais difícil hoje, me sentei no fundo da sala e comecei pensar em algo que estava rondando minha mente.

Eu estava louca? Talvez sim. Mas isso parecia a coisa certa a fazer. Tinhas pessoas além de mim, pessoas que precisavam de proteção também, que não mereciam uma vida seguida de um trauma, vivendo com medo e dor. Respirei fundo e peguei o celular. Talvez eu fosse me arrepender disso. Talvez isso fosse decepcionar Edward e meus pais — se eles descobrissem. Talvez estivesse correndo pra minha própria sentença. Mas isso era maior do que eu e não conseguia ignorar.

Rapidamente digitei a mensagem no meu celular, conferi o número e por fim enviei.

"Para: Alice

Você está livre hoje? Preciso que vá em uma festa comigo".


Pronto. A merda estava feita.

19h35.

Eu respirei fundo algumas vezes parada na porta de Alice, batucando inquietamente nas minhas próprias pernas, tentando acalmar todas as dezenas de questões que estavam me rodeando. Ainda estava surpresa de como conseguia mentir tão bem, foi fácil dizer à Esme que ia dormir na casa de Alice porque precisava de um tempo com alguém diferente, ela pareceu entender ou estava ocupada demais com seus próprios problemas para se importar.

Carlisle não estava em casa, do trabalho havia ido direto pro hospital, não nos falamos e era melhor assim. Edward não me ligou durante o dia, não sei se isso me deixou frustrada ou aliviada, queria que ele tivesse me procurado, perguntado sobre o meu dia e todas aquelas coisas que fazia sempre quando eu não ia visitá-lo. Mas ele não ligou. Isso foi o bastante pra que pensamentos maldosos começassem a infernizar minha mente, por exemplo, pensar que Leah estava lá ocupando-o de forma que ele nem mesmo tivesse tempo de lembrar que eu existia. Ela era tão bonita, segura e normal, uma mulher perfeita. Casal como eles costumavam combinar, desde a escola, cresciam, tinham filhos lindos e viravam modelos para adolescentes. Mas de alguma forma, por causa de algo que não conseguia explicar, era comigo que Edward estava namorando. Não combinavamos e não eramos, e nem seriamos, modelos pra ninguém. E mesmo assim, ele ainda estava comigo.

Mas não poderia negar que estava aliviada, se Edward ligasse, provavelmente iria notar algo em mim. É como se ele tivesse um manual que desvendasse até o que eu gostaria de esconder.

As pessoas devem pensar que respirar fundo acalma alguma coisa, não é mesmo? Porque eu fazia isso com frequência mesmo sabendo que não ia adiantar merda nenhuma, pelo menos não na minha situação. Tentei colocar uma pequena parede nos meus pensamentos, só pra ter alguns minutos de paz e tocar a campanhia da casa de Alice.

Escutei barulhos e logo depois passos de aproximando da porta.

— Por que ainda não dei fim nessa merda de tapete? — Gritou lá de dentro, em seguida girou o trinco e abriu a porta, me oferecendo aquele sorriso. — Bella! — Ela me envolveu nos seus pequenos braços me apertando contra seu corpo, processei lentamente a informação e depois de segundos desenrolei meus braços e retrubui seu abraço ganhando uma risadinha satisfeita. — Bem, — ela se separou de mim. — Eu não sabia exatamente qual roupa usar para a ocasião, você acha que estou bem?

Alice estava vestindo uma calça de couro justa, sapatos e regata, com uma mini jaqueta por cima. Cabelos e maquiagem muito bem alinhados e aquela alegria que lhe dava um charme especial. É, ela estava bem demais pro inferno que iriamos.

— Está ótima. — Eu disse.

— Você também. — Falou.

Alguns minutos depois no táxi, ela estava enchendo minha cara de maquiagem, era tanta coisa que eu não sabia como poderia caber tudo dentro daquela bolsa minúscula.

— E então, de quem é a festa? E vai comemorar o quê? — Perguntou. Eu mordi meus lábios. E se ela desistisse quando soubesse pra onde estavamos indo? Era um risco que teria que correr, talvez tomasse coragem pra ir sozinha ou talvez voltasse pra casa junto com ela.

— Bem, eu... — Engoli minha saliva, piscando várias vezes antes de começar a falar. — A festa é na casa da Jéssica, irmã do James.

— Bella! — Alice quase gritou.

— Eu sei, ok? Pensei nisso o dia todo. O problema é que os pais dela viajaram a trabalho e hoje ela chegou na escola completamente machucada, ele deve ter espancado a Jess ou sei lá, estuprado-a também. Eu não sei, Alice. Mas, nesse momento, tem várias garotas se dirigindo pra casa daquele monstro e não posso deixar que nenhuma delas corra o risco de ser machucada por minha causa, você entende? Eu tenho que ir. Mas não queria ir sozinha, por isso eu apelei pra você porque precisava de alguém que-

— Bella. — Me interrompeu. — Eu tenho o número da polícia na discagem rápida do meu celular e se acontecer alguma coisa não vou hesitar em ligar e contar tudo. E espero que esteja ciente do que está fazendo, ok?

— Tudo bem. — Sussurrei, ela acenou com a cabeça ainda firme e logo depois pegou outro pincel na bolsa.

— Ok, agora vamos dar um jeito nessas olheiras.

Alice estava segurando minha mão, apertando-a com mais força que o normal como se isso fosse me passar uma certa segurança. Caminhavamos lentamente pelo jardim da mãe de Jéssica, a porta já estava aberta e o som ficava mais alto cada vez que nos aproximavamos. Não ia demorar muito até os vizinhos reclamarem e eu estava torcendo pra que isso acontecesse.

— Bella! — Alguém gritou, assim que entrei na casa sentindo todo o calor do ambiente. Rolei meus olhos pela sala grande e encontrei Jess parada na mesa com uma garrafa de vinho me encarando incredulamente, como se tivesse visto um fantasma.

— Oi. — Comprimentei, dando um sorriso forçado.

— Oi, eu sou Alice e eu trouxe vodka! — Falou. Isso foi o bastante, as garotas vieram na nossa direção e por alguns segundos tive a atenção de todas, até descobrirem que Alice era tão louca quanto elas e arrastá-la na direção da bancada para pegar bebidas. Acabei indo junto porque estava com receio de ficar sozinha, ainda mais naquela casa.

Uma coisa era fugir de alguém, outra era enfrentá-lo em seu próprio inferno sem conhecer metade dele. Um risco que eu tinha decidido correr mesmo tendo bastante tempo pra desistir.

Aproveitei quando as garotas encheram os copos para beber uma boa dose de vodka misturada com alguma coisa, seria minha única bebida da noite já que meus ossos estavam gelados e não conseguia relaxar. Pensava que se em algum momento vacilasse, James viria e me arrastaria pra um daqueles quartos ou pro sotão horrível que tinha naquela casa. Tinha que manter o controle.

Um assunto sobre unhas começou rolar na roda depois que viram os desenhos que Alice tinha feito e pelo jeito ela seria o centro das atenções pelo resto da noite. Me sentei no canto um pouco afastada, mas nem tanto, e comecei comer alguma coisa doce que tinha na mesa perto de mim. James não estava ali, pelo menos não no meu campo de visão e isso fez teorias começarem a me rodear. Rapidamente olhei em torno do cômodo amplo, não parecia faltar nenhuma das meninas mas eu não sabia se tinha vindo alguém estranho. Por Deus, se James fizesse mal a mais alguém, seria pressão demais pra mim.

— Por que está aqui? — A voz de Jéssica me faz saltar, supresa. Levantei meus olhos e encontrei ela do meu lado, com a expressão furiosa porém controlada. O tom baixo para que nenhuma menina notasse estava cheio de veneno, os machucados ainda estavam visiveis e agora que usava roupas justas pareciam ainda mais intesos. Alguns pareciam ter sido feitos à dias e outros à horas. Ela parecia ter gosto em exibí-los, como se quisesse me torturar silenciosamente, me acusando por cada um deles.

— Por que está colocando suas amigas em perigo? — Perguntei, lentamente. Estava procurando palavras certas, sem rispidez, mas que se encaixassem no que eu queria dizer.

— O quê? — Indagou, um pouco mais alto atraindo um olhar discreto de Alice pra nós.

— Por que trouxe elas pra cá? James pode pegar qualquer uma a qualquer hora e fazer um estrago na vida dela. — Falei, ela olhou para os lados pra ter certeza de que ninguém estava ouvindo e depois me encarou. — Não está vendo o que ele fez com você? Acha que não seria capaz de fazer com qualquer outra garota? Me desculpe Jéssica, mas o que eu puder fazer eu-

— Você acha que é algum tipo de super heroína? Acha mesmo que as coisas funcionam desse jeito? Acha que pode impedí-lo de alguma coisa? Não consegue nem falar com ele sem chorar ou tremer inteira, agora acha que vai poder fazer alguma coisa? Nem tem coragem de ir à polícia. Pelo amor de Alá, sua presença aqui só vai me ferrar ainda mais, porque depois que você for embora, sou eu quem vou estar sozinha com ele. — Disse, entredentes.

Ela estava certa, claro que estava. Eu era uma covarde por ter fugido, mas ninguém sabia como isso me afetou durante meses. Pensar que talvez ele pudesse estar fazendo isso outra vez me deixava furiosa, enojada e amedrontada. Mas era hora de ignorar todos esses pensamentos de culpa, tinha perguntas a fazer.

— Por que deixou seus pais irem sem você? — Perguntei.

Minha vontade era de pegá-la pela mão e correr o mais longe que pudesse deixando-a distante dele. Jéssica era tão feliz, tão viva e era tão cruel deixá-la morrer por dentro. Ela nunca tinha passado um dia sem dar um sorriso e olha agora, nem mesmo expressava alguma felicidade que fosse verdadeira.

— Nem todos os pais-

Parou de falar quando seu olhar passou rapidamente pela escada. Meu coração quase parou também quando me virei. Olhando calmamente na nossa direção estavam aqueles assustadores olhos frios, James parecia extremamente calmo, como se a minha presença não o afetasse. E por que afetaria? Eu não apresentava perigo nenhum.

Mesmo com ele um tanto distante, fui incapaz de controlar as reações do meu corpo, os batimentos estavam acelerados e ignorava a dor que as unhas cravadas na minha mão causavam. Agora, minha vontade era de ir até lá e socá-lo, perguntar porque ele simplesmente não ia embora e me esquecia. Eu estava perfeitamente bem todo esse tempo, me acostumando com amigos, namorado, sexo, bebidas e tudo que alguém normal fazia. E então, ele chegou e mostrou que eu não podia ser tão feliz. Que eu não podia me empolgar porque alguma coisa ruim iria acontecer.

Ele sempre tinha que me lembrar o que eu realmente era. Uma pessoa infeliz.

Barulhos de risadas e vozes masculinas atraíram nossa atenção para a porta, minha respiração acelerou. E se James não tivesse sozinho? Deviam ser amigos dele, que vieram ajudá-lo caso ele falhasse com alguma de nós.

Ok, para Bella. Você está completamente louca.

Respirei aliviada, segundos depois, quando os garotos do time de basquete entraram pela porta com garrafas na mão e ocúlos coloridos, prontos para uma festa.

— Quem os convidou? — Jess perguntou, surpresa. Não sei ao certo se pela presença dos garotos ou o fato de James estar olhando na nossa direção com algo em seus olhos que não era nada amigável.

— Ah Jess, desencana. Achei legal que os meninos viessem, agora sim vai ficar bom. — Lili falou, levantando-se animada e indo na direção da porta comprimentá-los.

Quando Sam apareceu, um sorriso estampou meu rosto, era a primeira coisa realmente feliz no meu dia. Eu praticamente corri na sua direção e fui recebida em um abraço caloroso, mas que não me pressionava, me deixava em paz.

— Que merda você está fazendo aqui? — Perguntou, sussurrando ainda sem me soltar.

— Sam... Eu posso explicar depois? — Indaguei. Ele soltou um suspiro pesado e logo depois me liberou do seu abraço.

— Tudo bem, vamos-

Interrompeu-se ao olhar pro lado e eu sabia o que ele estava vendo. Seu olhar estava furioso, se James estivesse olhando na nossa direção iria perceber toda a cena, eu tinha medo que ele tentasse algo contra o Sam. Já bastava Edward todo ferrado daquele jeito.

— Por favor, Sam. — Implorei. Seus olhos se voltaram pra mim. — Vamos beber algo. — convidei, ele não se moveu. — Sam, quer que eu implore? Está tudo bem, droga, vamos nos distrair.

Ele pareceu pensar duas vezes e então se inclinou na minha direção e caminhou comigo até um dos sofás. Seus olhos desviaram para a direção da escada algumas vezes durante o percurso, seus dedos em minhas costas faziam uma força além do normal como se estivesse pronto pra me empurrar caso algo acontecesse.

Estava com medo. Mas agora, com todos aqueles garotos sentando próximos as garotas, me sentia um pouco mais segura, como se não fosse a única protegendo todas elas.

As bebidas foram servidas, todo mundo estava bebendo ou comendo alguma coisa, conversando entre si e de vez em quando toda a roda falava junto. Tentei me distrair falando sobre qualquer coisa estranha e sem nexo com Sam, mas a todo movimento que James fazia, meu olhar o perseguia com o coração aos pulos e arrepios que percorriam todo meu corpo. Agora, estava sentado em frente a televisão assistindo um filme no qual nem prestava atenção, seus olhos muitas vezes fixavam na garrafa de vinho que estava em suas mãos sendo esvaziada aos poucos.

— James? — Don, um dos garotos do time o chamou, me fazendo prender a respiração. — Por que não senta com a gente?

Porra, o que ele estava fazendo? Atraindo pra perto de mim a única coisa que eu queria longe. Não o culpava afinal, como Don poderia saber que eu e James tinhamos um passado?

— Estou vendo filme. — Respondeu, friamente.

— Ah, qual é cara, vai dispensar a companhia de essas gatas por causa de um filme? — Tyler brincou, fazendo as garotas rirem. As únicas pessoas sérias eram eu, Jess e Alice, talvez porque eramos as únicas que tinhamos conhecimento da situação e que não desejamos a presença de James entre nós.

— Deixa o cara, tenho certeza que o filme vai transar com ele hoje à noite. — Alec disse, arrancando gargalhadas de toda a roda. Eu apanhei o copo em minha frente e bebi a segunda dose de vodka da noite quebrando assim a promessa que tinha feito a mim mesma.

— Tudo bem, vocês me convenceram. — James falou, desligando a TV.

Sam se moveu desconfortavelmente ao meu lado e eu me apertei contra ele, seus dedos acaríciaram lentamente meu ombro tentando me acalmar de forma discreta. Alice estava forçando sorrisos pra garota que conversa com ela e Jess olhava para o chão, evitando ver a figura de James se aproximar. Era íncrivel como um só ser humano fosse capaz de passar essa energia negativa para tanta gente.

Ele se sentou, na poltrona logo a minha frente, me fazendo morder os lábios com força. Seus olhos cravaram-se em mim e um sorriso brotou em seus lábios fazendo-o olhar pra Jéssica e depois pra mim. Eu o encarei de forma raivosa, com nojo de toda aquela situação, com nojo de mim por estar sentada sem fazer nada enquanto ele debochava silenciosamente dos machucados que tinha causado nela. O que esse cara era? Merda, será que não havia nenhum sentimento nele? Não tinha nada além disso?

— Ih cara, o James não se dá bem com a Bella? — Isaac perguntou. O encarei surpresa, tirando toda minha atenção do que estava em minha frente e forçando imediatamente um sorriso.

Eu me amaldiçoei por estar encarando-o com ódio claro em minha expressão, devia ter disfarçado, agora todos estava olhando pra mim e pareciam ter notado meu desprezo por James.

— A Bella não gosta muito de mim, mas ainda não sei os motivos, acredito que eu tenha passado dos limites quando nos conhemos. Vocês sabem, muita bebida... Acabei chegando de forma grosseira nela, devo ter machucado seus sentimentos. — James disse. Isso me deixou furiosa, porque eu captei todos os segundos significados que ele colocou em cada palavra. Ele não estava se referindo a festa, estava se referindo a minha casa na noite em que foi até ela!

— Ah cara, você se desculpou? — Adam perguntou e eu jurei que seu tom estava cheio de sarcasmo, parecia um pouco enojado também mas, como eu já estava distorcendo tudo por estar ficando nervosa preferi ignorar. As garotas apanharam mais bebidas e eu recusei, olhando fixamente para o copo vazio em minhas mãos.

— Claro, mas a nossa Bellinha é um pouco rancorosa. — Disse, e sorriu. Filho da puta! O meu sangue estava quente e sentia meu corpo se agitar por causa da raiva, por que ele tinha que abrir a porra da boca? Por que estava fazendo isso? Apertei o copo com toda força que tinha, de repente as carícias de Sam já não eram suficientes pra me acalmar, James havia conseguido tirar toda minha calma. Por Deus, eu quero matá-lo e com as minhas próprias mãos tirar aquele sorriso debochado daquele maldito rosto! — E então, vou pedir de novo, me desculpe Isabella por ter chegado com força, devia ter sido mais delicado, quem sabe assim você até tinha gostado do jeito que eu faço.

— Desgraçado! — Pra minha surpresa, o grito não partiu de mim, nem de Alice e nem de Jéssica. Foi um grito masculino e então, tudo foi muito rápido. Eu fui empurrada para o lado e me desequilibrei caindo sentada no chão. Algo quebrou, possivelmente o copo. Ouvi gritos assustados e um barulho de algo se chocando contra o chão. Rapidamente me situei e quando levantei meus ohos, Sam estava em cima de James derrubando-o da poltrona com um belo soco em seu rosto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.