Hello

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Comentário e prévia no final.

14

De qualquer forma sabia que aquele momento iria chegar, não esperava que aquela situação terminasse bem. O único problema é que não estava preparada para enfrentar o que viria a seguir, podia sentir os pulos acelerados do meu coração assustado, queria poder encontrar um meio de fugir daquele assunto mas, ali não tinha nada que fosse prolongar o prazo dessa conversa.

— Bella, eu não sou idiota e eu sei que o está rolando entre vocês dois. Vou confessar que não gosto desse aproximação entre vocês, não que tenha algo contra é só que... Edward não exatamente o melhor homem nesses aspectos. Ele tem fama ruim. — Disse, lambendo lentamente os lábios, encostei na cadeira e tentei controlar minhas pernas que balançavam inquietas em baixo da mesa. — Eu tenho medo dele lhe machucar e não é fisicamente, é emocionalmente. Você é sensível e delicada querida, não gostaria de ver Edward esmagando seu coração. Eu conheço meu filho e filha, ele não é o que demonstra.

Suas palavras me deixaram completamente incapaz de dizer alguma coisa. Não sabia nem mesmo o que pensar realmente, a única reação que tive foi enfiar a mão nos meus cabelos e bagunçá-los lentamente mordendo desesperadamente meus lábios.

Talvez ela notou que eu estava totalmente desconfortável e com um sorriso rápido levantou da mesa levando sua coca-cola. Precisei de alguns minutos para me livrar da reação da conversa e poder respirar normalmente. O que havia me deixado surpresa era o fato dela descrever um monstro para mim, um homem que esmagaria meu coração e isso me deixou incapaz de formar algumas palavras para dizer algo sobre tudo aquilo.

Silêncio foi tudo o que veio nos minutos seguintes, não comi e não bebi e Esme não disse nada apesar de abrir a boca duas vezes e ser silenciada pelo meu olhar indiferente.

De repente, não queria voltar mais para o quarto, havia coisas em minha cabeça como as enfermeiras que estavam no banheiro com ele. Eu sabia desde o começo que poderia ser só uma brincadeira e só tinha medo de assumir que estava realmente se tornando isso, Edward se fingia indiferente e então eu corria para seus braços, e ele me dava um orgasmo.

Deveria ser engraçado pra ele, eu era uma garota com traumas e ele sabia, talvez fosse legal brincar com os medos de alguém. Por que não fazer alguém sofrer? Tantas pessoas fazem isso no mundo.

— Querida, o que eu disse... — Esme começou quando estavamos perto da porta de Edward, com meu olhar ela imediatamente parou de falar e lambeu os lábios coloridos por um batom vermelho que estava desaparecendo aos poucos demonstrando um pouco dos lábios pálidos dela. — Edward não precisa saber da nossa conversa. — disse, sua voz estava nervosa e sem olhar para ela girei o trinco.

No mesmo silêncio entrei para dentro do quarto e me sentei no sofá, o cobertor já estava ali e o bom é que Edward já estava dormindo. Apanhei o livro e coloquei sobre mim quando deitei. Tentei diminuir os pensamentos e as coisas que estavam me afetando, pois se você é uma pessoa traumatizada qualquer coisa dói mais em você do que nos outros. Era isso que estava acontecendo comigo. Era isso que sempre acontecia comigo.

De uma coisa eu tinha certeza, Edward jamais esmagaria meu coração porque eu não deixaria. Iria aguêntar a tortura da sua falta e poderia ser indiferente, eu não aguentaria sofrer mais, ainda mas se o sofrimento fosse causado por um homem que havia sido tão perfeito comigo.

Por volta das três da madrugada acordei de um pesadelo, Esme estava dormindo no sofá ao lado com o rosto enterrado nas almofadas. Me sentei no sofá macio e limpei meus olhos quando uma enfermeira entrou no quarto com uma seringa, aquele procedimento iria acordar Edward por isso tornei a deitar e fechar os olhos como se estivesse dormindo.

Eles trocaram rápidas palavras e logo depois escutei os passos da enfermeira saindo do quarto, lentamente me virei e fiquei de costas para Edward abrindo finalmente meus olhos.

Minha cabeça enxeu de pensamentos sobre o dia de hoje, se a alguns dias atrás eu já pensava eu não ir ao baile, agora nesse momento tinha quase certeza. Eu estava casada e não aguêntaria uma noite toda fingindo sorrisos que queriam se desmanchar em lágrimas.

— Por que está fingindo que está dormindo? — Edward perguntou, não era pra haver alguma reação da minha parte, mas sua voz alta me assustou fazendo meu corpo se mover assustado. — O que aconteceu? — perguntou, mordi meus lábios controlando minha vontade de responder.

Queria gritar para ele que sua mãe havia me alertado sobre o que ele pretendia fazer comigo, mas ao mesmo tempo a voz dela invadia minha mente. Edward não precisava saber de nada e nem da conversa.

— Não vai me responder? — Indagou, me movi desconfortavelmente e fechei meus olhos. — Tudo bem, aqui vai meu palpite, Esme falou sobre mim, não é? — perguntou, novamente me mantive em silêncio e ele suspirou. — Eu vou contar um pouco dela também, assim, vamos estar quites.

Ele estava me colocando exatamente entre ele e Esme. Nunca havia presenciado nenhuma briga da família até Edward aparecer, ele era realmente capaz de mexer com a cabeça das pessoas de forma que fizessem elas perderem o controle ou pensarem direito. Eu era uma prova disso, afinal onde estava com a cabeça quando pedi a Esme pra vir até aqui?

— Eu não quero escutar. — Murmurei, não me interessava o que Esme havia feito, além do mais, nada nesse família devia me interessar. Era uma das regras do orfanato que jamais deveriamos questionar algum tipo de passado que pudesse nos prejudicar.

Esme se moveu no sofá e virou para o lado, me deixando apreensiva.

— Esme pode ser a melhor mãe do mundo, atenciosa, gentil e sempre com um sorriso no rosto, mas como mulher... Ela não é exatamente a melhor do mundo, pelo menos não foi para Carlisle, mas, ele parece ser idiota o suficiente para aceitá-la mesmo assim. — Murmurou, isso atraiu minha atenção de forma que me virei para ele sentando-me no sofá e fitando-o. — Na época que isso aconteceu eramos pequenos, ele disse ter continuado com ela para o nosso bem e me pergunto onde estava o bem estar dele. Ele devia ser um belo babaca apaixonado.

Esme se revirou no sofá novamente e mordi meus lábios pensando no que ela poderia falar se despertasse e me encontrasse aqui ouvindo o que não devia.

Desviei meus olhos para Edward e encontrei seu olhar. Era um olhar puro que silenciosamente implorava para que eu viesse até ele, para que eu não o deixasse ali. Não existia arma melhor para ele usar contra mim. Ele poderia até estar tentando esmagar meu coração, mas, seus olhos desmonstravam sentimentos tão diferentes daquele Edward que Esme havia me apresentado, que nem sabia mais em que ou em quem acreditar.

— É melhor falarmos disso em outra hora. — Falei. Passei minhas mãos pelo meu rosto e esfreguei meus olhos mais uma vez. O que ele havia acabado de me dizer era que Esme possivelmente traiu Carlisle à anos atrás e que ele claramente tinha raiva dela por causa disso, era visível seu tom de nojo quando tocava no assunto.

Isso deveria ser extremamente doloroso para os filhos, não havia traços de magoa em Carlisle, pelo menos nunca havia notado nenhuma dirigido a Esme, talvez ele nem guardasse aquele sentimento, porém, Esme deveria guardar isso muito bem. A pergunta que estava dentro de mim era, qual mulher que tenha um juízo perfeito trairia um homem doce como Carlisle?

— Bella, ela não tem vergonha disso. — Ele falou, seu tom estava alto por causa da distância e para mudar isso me levantei e caminhei até perto da sua cama. Isso não devia me interessar, mas interessava. — Se ela tivesse um pouquinho de vergonha e respeito a si mesma ela teria ido embora. Não foi porque gostava do bem estar que vivia as custas do meu pai.

— Eu acho que isso está ficando delicado demais. — Falei. — Acho que Esme não quer que eu saiba sobre essas coisas. — sussurrei.

— Bella, eu posso ser um canalha e fazer tudo o que ela disse para você, mas isso é com as outras, com você... É tudo diferente. — Murmurou, estendendo sua mão para mim. — Não sou exatamente um homem perfeito, estou longe disso, mas eu também não sou um canalha. Não com você. Eu não sou como ela.

— Edward, já chega. — Sussurrei, segurei sua mão estendida e me aproximei um pouco mais. Observei seu corpo, a maioria dos curativos haviam sido retirados e ele ainda estava com o cheiro do sabonete. As quatro enfermeiras novamente voltavam a minha mente, respirei fundo lentamente e voltei a fitá-lo. — Eu não acho que você seja um canalha. — murmurei.

— Não? — Perguntou, com um sorriso brotando em seus bonitos lábios.

— É só que... É complicado para mim aceitar certas coisas, aconteceu algumas coisas estranhas na minha vida e eu tenho acreditado em tudo que as pessoas falam porque tenho medo que quebrar a cara novamente. — Falei. — Eu sou totalmente confusa, mas acho que você já notou isso.

— Por isso não consigo ser um canalha com você, eu sou exatamente o que você quer e ás vezes isso me irrita. — suspirou. — Eu conheci mulheres onde eu escapava quando queria, com nós dois, é você que escapa e volta quando quer, e apesar disso eu não consigo negar a porra de um beijo seu. Eu sou seu quando você quiser.

Escutei um barulho no sofá e me virei para trás vendo Esme abrir os olhos, soltei imediatamente a mão de Edward e recuei alguns passos. Ela esfregou as palpebras parecendo não ter notado nada e sorriu para nós dois, com um suspiro aliviado tentei retribuir o sorriso mas, ele não saiu, não quando a imagem dela traindo Carlisle estava rodeando minha mente.

— Querida, não acha que deveria estar dormindo? Eu sei que é péssimo dormir aqui, mas, hoje é o baile, precisa estar descansada. — Disse, ela tirou seus olhos de mim somente para fitar Edward e lhe oferecer um sorriso que parecia ser irônico. — Você também deveria dormir.

— Dormi quase o dia todo Esme, estou muito bem acordado. — Falou.

— Não precisa ficar contando histórias para a Bella, ela consegue dormir sem elas. — Disse, havia uma leve irritação na sua voz mas, sua expressão continuava a mesma. Havia aprendido uma coisa sobre mulheres como Esme, elas nunca demonstravam exatamente como se sentiam. Eram educadas como mulheres que são feitas para sorrir, se estão tristes elas abrem um sorriso, se estão sofrendo também. É sempre um sorriso, nunca os verdadeiros sentimentos.

Eu queria ser assim, queria poder sorrir mesmo quando estivesse totalmente magoada, mas não conseguia! Quando meu coração estava apertado minha expressão ficava sempre da mesma forma e meus olhos falavam por mim. Não havia muitos sorrisos em mim.

— Tenho certeza que você a atormentou durante todo o jantar contando minhas histórias. — Edward falou, ele se moveu um pouco e mesmo estando com uma careta de dor virou-se de vez para nós tirando o fio da agulha de baixo dele. — Esme, por que quer dar a Bella a imagem que não tenho? Se você me quiser longe dela basta dizer, não há necessidade de inventar nada.

— E o que eu inventei? — Ela perguntou ficando de pé, o sorriso estava sumindo e eu recuei alguns passos até minhas costas colarem a parede. — Vamos Edward, eu lembro quando você vivia machucando as garotas na escola, você não tinha sentimentos e sabe muito bem disso. Não quero correr o risco de deixar a minha filha ser esmagada por um monstro como você.

— Você está falando em passado? — Perguntou, havia um tom irônico e raivoso na voz de Edward e eu engoli seco me perguntando se eles não haviam notado que estavam em um hospital e a qualquer momento uma enfermeira poderia entrar ali e presenciar essa briga. — Quer mesmo falar no passado?

— Eu estou falando apenas no que pode machucar a minha filha, você não perdeu nenhuma oportunidade de vir pra cima dela como um lobo faminto! — Ela disse com o tom alterado. — Está dizendo a ela que é dela quando ela quiser, porém, você disse a mim que ela seria sua quando você quissesse! Eu vejo mentiras sendo contadas aqui?

— Você não sabe nada sobre nós! — Edward disse, ele parecia estar alterado o bastante para tossir depois de falar. A médica havia dito que ele precisava controlar a respiração por causa dos chutes que havia levado nas costas e que poderia ter atingido os pulmões. — Quer falar sobre mentiras? Vamos começar sobre o "eu te amo" que você disse ao meu pai!

— O que você sabe sobre isso? Você tinha era uma criança!

— Sim, e mesmo assim aprendi que minha mãe não era exatamente quem aparentava ser. Você é podre por dentro Esme, totalmente podre.

O rosto de Esme ficou extremamente vermelho e o sorriso sumiu de vez, a situação estava ficando cada vez mais tensa e eu precisava fazer algo. O problema é que não tinha idéia do que dizer aos dois, eles estavam se fitando com tanta raiva que eu tinha medo de inteferir. Mas, aquilo havia sido culpa minha, eu precisava dizer alguma coisa.

— Esme, eu quero café. — Sussurrei, ela se virou para mim e respirou duas vezes até sua expressão estar normal novamente. — Por favor. — murmurei.

— É claro querida, aproveite e arrume suas coisas, vamos para casa.

Carlisle chegou minutos depois, ele conversou com Esme fora do carro e não consegui escutar nada, só podia ver os gestos dela que a todo mundo apontavam para dentro do hospital. Ela devia estar falando de Edward. Por fim deu um beijo rápido em Carlisle e entrou no carro colocando novamente aquela expressão amorosa no rosto.

Assim que chegamos em casa esperei ela ascender as luzes para finalmente tomar coragem para chamá-la.

— Esme, — sussurrei fazendo-a se virar para mim. — Você vai ficar muito brava se eu disser que não quero ir ao baile? — perguntei.

Ela não tinha idéia do que essa pergunta havia feito dentro de mim, minhas mãos estavam suando e por algum motivo eu estava com medo da sua resposta. Esme me olhou por longos segundos e por fim suspirou abrindo um pequeno sorriso que fez meu coração se acalmar um pouco.

— Querida, eu notei que você não queria ir a esse baile desdo começo, eu não me importo se você não for. — Disse. — Bella, eu não adotei um robô que obedece as minhas vontades, eu adotei uma filha, uma garotinha e quero que você também tenha suas vontades. Se não quer ir, não é obrigada, entenda isso, você é como uma de nós, pode fazer o que quiser.

Depois que ela disse isso não teve como segurar um sorriso e eu o deixei iluminar meu rosto.

— Obrigada. — Sussurrei. — Obrigada, mesmo.

— Não mereço um abraço? — Indagou.

Eu não podia negar isso a ela, então, lentamente caminhei até perto dela e envolvei meus braços em volta da sua cintura, e a apertei devagar. Ela me segurou forte e deu um beijo na minha testa, era uma das primeiras vezes que tinha essa intimidade de mãe e filha com Esme. Eu não sabia mais se tinha uma imagem ruim dela, ela podia qualquer coisa, mas, era uma mãe magnífica e isso eu não podia negar.

Ela não era minha mãe, mas estava tentando ser, eu poderia ser um pouco mais "filha" para ela.

A parte de Esme foi fácil, o difícil agora era ter que explicar isso para o Sam. Eu não queria mentir, mas dizer que simplesmente não queria ir ao baile era tentar machucá-lo. Eu tinha aceitado seu convite e era simplesmente horrível fazer isso com ele agora, no dia do baile.

Me preparei para escutar qualquer coisa enquanto chamava, a todo mundo tinha vontade de desligar mas, me mantive firme e prendi minha respiração quando parou de chamar.

— Alô. — Era o Sam, esperava que alguém atendesse e me desse mais tempo para pensar, mas, havia sido justamente ele e eu fiquei totalmente muda. — Alô? — era sua voz, respirei fundo algumas vezes escutando seus chamados do outro lado, era hora de ter coragem, mas isso era o que mais me faltava.

— Sam. — Sussurrei. — Sou eu.

— Oi Bella, como estão as coisas? — Perguntou em tom animado. — Já está pronta? Porque aqui ainda são meio-dia. — escutei sua risada. — Eu comprei a flor já, não precisa se preocupar em levá-la.

— Sam, eu não vou. — Disparei, prendi minha respiração em seguida e esperei por qualquer coisa, qualquer xingamento ou qualquer explosão vinda da parte dele. — Me desculpe. — sussurrei, soltando minha respiração.

— Por quê? — Ele perguntou, sua voz havia perdido a animação e eu mordi meus lábios. Eu queria poder ir com ele, mas isso seria contra as minhas vontades, não poderia simplesmente abrir mão de mim por não querer decepcioná-lo.

— Eu não quero ir. — Murmurei, esperei ele dizer algo mas ele somente desligou o telefone e surpresa fiquei ali escutando a linha muda e os batimentos do meu coração.

Depois que Jasper saiu para o baile me sentei no sofá e comecei a assitir um filme, havia tomado banho e estava com um pouco de sono por causa da noite mal dormida. Meu coração ainda estava apertado por causa do Sam, tentei ligar para ele duas vezes mas ele não atendeu, depois eu acabei desistindo entendendo que ele tinha o direito de me ignorar.

Eu acabei pegando no sono no sofá e me dei conta disso quando escutei a porta se abrir. Levantei meus olhos e encontrei Edward entrando com Carlisle e uma enfermeira, eu devia estar uma bagunça então antes que eles pudessem me ver corri pelas escadas e entrei rapidamente no meu quarto.

10h da manhã! Deus, como havia dormido!

Lavei rapidamente o rosto e escovei os dentes, dei um jeito no meu cabelo e minutos depois desci as escadas. Esme e Carlisle estavam parados na frente de Edward enquanto a enfermeira dava algumas instruções.

Silenciosamente observei ela retirar as calças de Edward para mostrar um curativo, assustada notei que ele estava sem cueca e prendi minha respiração examinando seu membro. Ninguém havia me notado e era bom eu não dizer nada, não quando Edward estava sentado no sofá com o pênis de fora.

Eu tinha medo porque aquilo realmente causava dor, mas ali ele parecia tão frágil e tão mole que dava vontade de segurar entre as mãos. E merda, em que eu estava pensando? Eu nunca seguraria aquilo em minhas mãos.

Depois que a enfermeira recolocou a calça dele deslizei pelas escadas permitindo meus pés fizessem barulho para que me notassem e pensassem que havia chegado agora.

— Querida, é bom que ouça as recomendações da enfermeira também para alertar Edward se ele tentar fazer algo fora do que lhe é permitido. — Carlisle disse.

Assentindo rapidamente caminhei até onde eles estavam e não pude deixar de ficar corada ao olhar para Edward. Era esse tipo de reação que me entregava, como Edward poderia dizer que é difícil saber o que penso? Por minímas coisas coro e demonstro que estou com vergonha, não é difícil saber o que uma pessoa pensa se as ações dela a entregam.

— Ele não deve se esforçar muito porque ainda está fraco, os curativos devem ser trocados todos os dias após o banho, tem algumas pomadas que deverão ser compradas e passadas de três em três horas. — A enfermeira disse, dei alguns olhares para Esme enquanto escutava-a. — Edward tem se recuperado rapidamente, mas, ainda serão necessários mais alguns dias de repouso, espero que ele não force o machucado mais delicado que está no braço esquerdo. Deverão levar ele no hospital daqui a sete dias para que os pontos sejam retirados. — Falou, pegou sua prancheta e se virou para Edward. — Não tente forçar nada.

— Eu vou tentar. — Ele respondeu com um sorriso.

— Eu a acompanho até lá fora. — Esme disse, mordendo os lábios se virou para Carlisle. — Querido, vou ver se acho alguma farmácia aberta para comprar as pomadas necessárias para Edward, tudo bem?

— Ah, claro. Use meu cartão se precisar. — Disse, eles selaram rapidamente os lábios e ela foi até o quarto para pegar sua bolsa, houve silêncio na sala até Esme descer mandando beijos para nós três e saindo de casa logo depois.

— Odeio essa cadeira de rodas, me sinto um doente. — Edward disse, seu tom foi tão mimado e infantil que Carlisle sorriu e bagunçou seu cabelo.

— Bem, da próxima vez foi dizer a enfermeira que você é homem e pode vir andando mesmo nem conseguindo levantar sozinho para tomar banho. — Carlisle ironizou com um sorriso no rosto. Ele parecia estar muito feliz pelo filho estar em casa, eles não pareciam ter discutido ou algo parecido o que me levava a acreditar que Esme não tinha contado nada a ele.

— Estou com fome, o que tem para comer? — Edward perguntou, olhando diretamente para mim.

— Posso fazer alguma coisa para você, se quiser. — Sussurrei.

— Eu adoraria. — Disse.

Carlisle o levou até a cozinha e o deixou sentado na mesa, logo alegou que precisava de um banho e descanso e se retirou da cozinha.

— Você gostou do que viu? — Edward perguntou me fazendo ficar paralisada de frente a ele. Mas que inferno! Ele não havia olhado para mim, como diabos ele me viu?

— Do que você está falando? — Perguntei, além da minha voz estar baixa minha pele estava extremamente quente. Não consegui mais encará-lo e desviei meus olhos para qualquer lado da cozinha, queria ganhar tempo para pensar em uma resposta mas mesmo com essa pergunta, não conseguia pensar em nada.

— Bella, você sabe do que estou falando. — Ele disse. — Na sala, você estava olhando quando a enfermeira explicou sobre o meu corte, gostou do que viu?

— Não sei do que você está falando. — Respondi, escutei ele bufar e me esforcei para reagir começando a caminhar pela cozinha para achar alguns ingredientes para preparar uma torta que havia aprendido a duas semanas atrás com a Jane.

— Por que você sempre foge de mim? — Perguntou, aquilo estava ficando desconfortável e eu já estava com vontade de simplesmente fugir da cozinha e largá-lo ali. — Bella, isso não era para ser desconfortável, por mais que tenha sido um trauma você é mulher e claro que um membro masculino pode captar sua atenção.

Dessa vez me virei para ele.

— O que sabe sobre o meu trauma? — Perguntei, ele desviou os olhos de mim e coçou suavemente a testa. — Você não sabe nada, não vamos falar disso porque você não sabe nada. — eu disse, tentando não ficar alterada.

— Bella, eu posso ajudar você. Você não precisa carregar esse peso sozinha, eu posso dar uma mão pra você quando você precisar. — Ele falou, mordi meus lábios e senti aquela sensação de angustia vindo até mim. — Não vou machucar você Bella, confie em mim somente um pouquinho.

— O que você quer comer? Algo em especial? — Perguntei, estava tentando loucamente mudar de assunto, eu não gostava de vê-lo me pedir confiança principalmente quando não tinha coragem de confiar nele. O que Esme havia dito ainda estava na minha mente, eu acreditava nela.

— Bella... Por favor, vem aqui só um pouquinho. — Ele pediu. Eu olhei em seus olhos verdes e os encontrei triste, com um suspiro tentei me desviar mas havia algo mais, não conseguia resistir a um pedido dele mesmo sabendo que isso iria me machucar depois. Talvez eu gostasse de sofrer porque ainda não tinha saido dali, saido de perto dele. Pelo contrário, eu estava, neste exato momento, caminhando até ele.

— Edward, eu não posso. — Sussurrei próxima a ele.

— Sim, você pode. — Disse, segurou minha mão e me trouxe calmamente até ele. — Posso pedir algo?

— Sim.

— Me beija, Bella. — Sussurrou e eu não pensei duas vezes antes de abaixar e colar meus lábios aos seus. Talvez eu estivesse querendo sofrer, talvez ele fosse esmagar meu coração, mas quer saber? No momento eu não me importava.

— Está fugindo. — Falou, interrompendo o beijo. — Eu não entendo, parece que você quer se afogar na dor Isabella, você não é a única com problemas ou traumas no mundo, tem pessoas que sofreram bem mais que você e estão de pé, você quer ficar pra sempre no chão? Quer ser sempre a menor? Você se contenta em se afogar no sofrimento?

— O que você sabe sobre sofrimento? — Indaguei ainda surpresa com as suas palavras. — Você não sabe...

— Nada? — Perguntou. — Eu sei mais do que você acha.

— É mesmo? Sobre o quê? — Perguntei, minha voz estava carregada de raiva mas eu disfarçava com um leve tom irônico. Ele estava me julgando como se soubesse da minha vida toda, eu sabia que tinha pessoas que se recuperavam de traumas maiores, mas nnguém nunca perguntou a elas quantos anos levaram para isso.

— Esquece. — Ele sussurrou.

— Esquecer? Você fiz um monte de coisas que acha sobre mim e me manda esquecer? — Perguntei. Eu poderia ter acabado com o assunto quando ele disse pra esquecer, mas, simplesmente aconteceu algo dentro de mim e eu queria saber do que ele estava falando, do que ele achava que sabia.

— Você não se importa nem consigo mesma Isabella, você ferra você mesma, ninguém precisa saber muita coisa para notar seu desinteresse na própria vida. — Disse. — Eu não sei porque fui me importar. Mas no final de tudo eu percebi que você não é idiota, você sabe muito bem quando usar as pessoas e eu começo a me perguntar se não foi você mesma que causou seu trauma.

— O quê? — Perguntei, minha voz estava baixa porque eu estava extremamente surpresa. Edward não precisava exatamente de uma faca, ele era capaz de rasgar qualquer ser humano usando somente as palavras. — Você não tem a miníma noção do que está dizendo, eu não... Eu... — as palavras não conseguiam mais sair, era uma pancada para a qual eu não estava preparada e isso fez as lágrimas virem sem que eu pudesse controlar. — Quer saber, pense o que quiser. — sussurrei.

— A única coisa que tenho feito nessas semanas, eu penso sempre o que quero e nunca parece ser o bastante. — Falou. Uma lágrima pingou dos meus olhos e eu fiz menção de me afastar. Não demorou muito até seus dedos me segurarem e me impedirem de sair de perto dele. — Bella, pare de fugir de mim, pelo menos uma vez, fique e me encare.

— Não preciso provar nada pra você, álias, não preciso provar a ninguém! — Falei, alterada. — Eu não trago problemas a você e nem a seus pais, eu nunca interferi em nada nessa família então porque está fazendo isso comigo? É meu passado Edward, você não precisa saber, você não tem que saber.

— Qualquer garota normal desabafaria com alguém.

— Não sei se você notou, mas, eu não falo muito. — Falei, com a mão que estava desocupada sequei minhas lágrimas e funguei o nariz tentando acabar com aquele choro idiota na frente dele. Ele me pressionava e ele conseguia tirar qualquer coisa de mim. — E eu não sou uma garota normal.

— Você é normal sim, só é diferente das outras. — Suspirou. — Olha Bella, eu admiro você, eu sei o quão forte você é mas essa máscara que você usa consegue me deixar tão irritado que esqueço de... — ele parou de falar e eu arqueei uma sobrancelha, ele iria dizer algo e por isso parou. — Eu esqueço de... De nada, acho melhor o assunto acabar.

Dessa vez eu estava completamente em saber o que dizer, ele estava me dizendo para esquecer o assunto e aquela parte sempre era minha. Era como se ele estivesse escondendo algo e não queria me deixar saber.

Senti o ar gelado da cozinha quando sua mão quente deslizou para longe da minha. Antes que ele se afastasse tornei a segurá-lo. Eu sabia que continuar aquele assunto poderia me render sérios problemas, mas, no momento eu só queria descobrir porque ele estava fugindo de mim. Agora compreendia como ele se sentia quando eu o deixava simplesmente sem respostas e ia embora.

— O que você sabe? — Perguntei. — Olhe pra mim. — falei, meu tom irritado havia ido embora e ele calmamente me fitou. Os machucados estavam ficando melhores, mas, ainda eram muitos visíveis. — Edward...

— O que sei? Eu sei mais do que você acha. — Sussurrou soltando-se de uma vez de mim. — Agora se me der licença, quero assistir um pouco de televisão. — disse, eu suspirei.

— Você quer ajuda? Eu acho que não consegue ir até a sala sozinho, vai precisar dos dois braços e um deles está imobilizado. — Sussurrei. Ele ficou algum tempo com os olhos fixos no chão e por fim me encarou, e eu vi algo mais em seus olhos. Algo mais profundo, algo mais doloroso.

— Eu disse que tinha ido cuidar de você. — Sussurrou. — Eu realmente fui, Bella, eu só achei que você seria no minímo grata por isso, mas acho que, não valeu a pena ter apanhado tanto por sua causa. Você nunca vai reconhecer nada que um homem faz por você. — disse, com desgosto profundo em sua voz. E após suas palavras, meu corpo gelou totalmente.

— Do que você está falando? — Eu consegui sussurrar em meio a tanta surpresa.

Notas finais
Próximo Cap:
"Por tudo que era mais sagrado, eu só queria abrir a boca e gritar. Mas estava com tanto medo, tanto receio que a única coisa que expressei foram lágrimas. Não admitia para mim mesma que ele sabia, que Edward sabia e que provavelmente a família dele iria saber.
Eu tinha vergonha do meu passado, tinha vergonha de contar dele para as pessoas. Era muito humilhante. Será que Edward não notava isso? É claro que ele não notava, o desgraçado tinha crescido somente no meio de coisas boas e de uma vida maravilhosa, quem ira se importar com a humilhação se você nunca conviveu com ela?"
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