Hellfire

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Só uma ideia que eu tive há um tempo, e resolvi por no papel (ou no word, nesse caso). Espero que gostem!

Era quase noite, o Sol já não era mais visto, o céu estava escuro, dizendo a Paris que era hora de se recolher e dormir até que o dia nascesse outra vez. No alto de Notre Dame, um homem de belos cabelos loiros que caiam por suas costas, pele branca como a das gueixas e brilhantes olhos azuis , a mais perfeita imagem da santidade, da pureza. Shaka de "virgem", o xerife de Paris.

"Beata Maria, eu sou um homem justo e bom, e disso não se pode discordar."

Ele rezou ao coro da missa da igreja, cantando uma música em homenagem a Virgem santa, andando pelos corredores com incensos e bíblias, fazendo pequenas preces entre as estrofes da música.

"Beata Maria, sabes bem que eu sou mais puro que a plebe fraca dessa cidade"

Ele andava pelo chão de pedras, sem fazer nenhum barulho. A lareira queimava, com cores ardentes, seu calor infernal e assombroso. Algo tormentava a alma "pura" de Shaka, ele estava sujo, muito sujo, graças a um cigano maldito de olhos verdes e cabelos lilases.

–É um bruxo, tem que ser um bruxo...

Sussurrou o xerife puro, tentando se convencer de que aquele calor infernal e a sensação pecaminosa que sentiu quando seu corpo tocou o do cigano imundo foi feitiçaria, tinha que ter sido.

"Beata Maria"

Havia se ajoelhado, desesperava-se, precisava limpar sua alma o mais rápido possível, não podia ir para o inferno por causa de um feiticeiro sujo, não podia.

"Oh Deus, por que o vi dançar?!"

Ele fora enfeitiçado no dia anterior, no festival dos tolos de Paris. A mulher mais feia seria a rainha, o homem mais belo o dançarino. "Cigano Mu de Áries, dance!" Gritou a voz do representante vestido de bobo da corte, uma máscara ao redor de seus olhos, como que para ocultar sua identidade.

Ele observou sem expressão a criatura imunda fazer movimentos harmoniosos e precisos, flexível e ágil, uma figura bela de olhos cor de esmeralda e cabelos que voariam com o vento se não estivessem presos em uma trança. O feitiço fora lançado quando a coisa se sentou em seu colo e puxou sua cabeça com o lenço, logo saltando de volta para o palco e deixando o lenço em volta do pescoço do xerife Shaka, que permanecia estático com o calor e o formigamento entre suas pernas que havia aparecido do nada.

"Por que seus olhos ainda abalam minha alma?"

"Atrás do cigano Mu de Áries!" Ele gritava a seu exército, que perseguia o assustado homem pelas ruas de Paris, o seguindo até Notre Dame, estava encurralado

"Shaka, que está havendo?"

Perguntou Dohko, o padre da catedral, em suas vestes santas e se colocando entre o cigano e os soldados, como um escudo.

"Este homem é procurado por feitiçaria e heresia, saia da frente velhote."

Respondeu seco o xerife, montado em seu cavalo, com um olhar de desprezo ao cigano que olhava assustado toda a cena, alguns passos atrás do padre.

"Pelo amor de Deus, Shaka. Está na catedral, todos são bem-vindos na casa do senhor, aqui não fará nada."

Desafiou o padre, segurando a mão de Mu, como se dissesse "se acalme". O xerife bufou, e sinalizou para que seus homens dessem meia volta. Ainda teve tempo de ouvir "não se preocupe filho, nada lhe acontecera aqui" antes das portas se fecharem atrás de si. Foi até outra entrada, e subiu até o topo da catedral, olhando o por-do-Sol, aquele cigano teria que sair de lá qualquer hora.

"Eu o sinto e o vejo..."

Shaka confiou as chamas da lareira e a Maria, corado, tanto pelo calor quanto por se sentir envergonhado de ter sentido tal coisa por um... Proscrito.

"O Sol envolvendo seus cabelos reluzentes..."

Seus olhos se encheram de lágrimas. O inferno não, tudo menos o inferno, não podia ser. Encarava a chama, que rodopiava e girava como o cigano em sua dança enfeitiçante e luxuriosa, não era um humano, nem um cigano, era um demônio. Sua mão se aproximou da chama que continuava fazendo sua dança pecaminosa, e só se afastou quando o calor se acercou demasiadamente

"Foi esta chama que me abraçou..."

Confessava choroso, havia acabado com sua alma, queimaria nas chamas do inferno, em sofrimento eterno. Demônios, fogo, dor, sofrimento, pecados.

Deus

"Não me culpem!"

Ele gritava e implorava as estátuas de anjos e Santos, o encarando, o julgando, rindo de sua alma fraca.

"Foi o maldito cigano bruxo e seu feitiço! Tentem entender!"

O desespero tomava conta de sua alma maculada, andou para trás até bater na parede, encurralado, sem meio de escapar dos olhares acusadores. Ajoelhou-se, derramando lágrimas de desespero

"Deus fez o mal mais forte que o homem, por favor, me perdoem!"

Gritou aos juízes celestiais, o canto dos homens da igreja se fazendo presente até mesmo ali, sussurrando palavras em latim para Deus e Maria. Os anjos juízes se afastaram, dando-o espaço para correr novamente até as chamas ferventes, olhando-as como se fossem o próprio inferno.

"Eu o amo..."

Sussurrou quase sem voz, se ajoelhando em frente ao fogo, sentindo o calor contra sua face.

"Perdoe-me Deus, mas o amo!"

Chorava com as mãos sobre o rosto, iria ao inferno e não sairia mais de lá, o feitiço era inquebrável.

"DESTRUA MU DE ÁRIES"

Gritou aos céus, em uma súplica para que o feitiço fosse desfeito, matando o feiticeiro, o feitiço também se dissiparia

"Ou então... Faça com que ele seja meu"

Abraçou seu corpo em dor e medo, tremendo de ódio, se não poderia matá-lo, faria com que ele fosse seu, mancharia sua alma corrupta de bruxo com o amor e o faria beijar o chão por onde Shaka pisou.

"Que ele seja meu e apenas meu!"

Pode sentir o calor de um beijo contra seu rosto, um chamado pecaminoso para que se entregasse a um caminho que só o levaria a dor eterna. O som de uma batida na porta, um soldado, usando armadura e com o elmo em uma das mãos abriu a porta da catedral, com uma expressão de medo e tristeza

–Xerife Shaka

–Sim?

–O cigano sumiu

–O que disse?

–Não sabemos, não está na catedral, em nenhum lugar... Ele se foi...

–O-o que...? Mas como...?

Kiki

–Oh... Esqueça...

O cavaleiro se assustou com a expressão de puro ódio que o xerife exibia, como se pudesse matar mais de mil homens apenas para saciar seu ódio crescente

–Saia daqui, Ágora de Lótus

–M-mas xerife Shaka...

–SAIA SEU IDIOTA!

Gritou, e ao mesmo tempo, a porta bateu, anunciando a ida do cavaleiro, deixando Shaka novamente sozinho sob os olhos dos juízes.

–Vou encontrá-lo!

Bateu as mãos na parede em raiva

–Vou encontrá-lo nem que tenha que queimar toda Paris!

Gritou aos céus, e se voltou novamente as chamas que o seduziam com seu brilho infernal, o lenço do cigano amarrado em seu pulso, mas logo queimado pelo xerife cego em ódio

"Cigano do inferno"

Gritou para as chamas

"Deixarei que escolha.... Meu amor.... Ou o fogo!"

Olhou odioso para a lareira uma vez mais, o fogo já se apagando por estar aceso há muito tempo. O coro da igreja já se silenciando

"Que Deus tenha piedade de ti..."

Deu meia volta, rumando em direção à porta da catedral.

"Que Deus tenha piedade de mim..."

O local foi deixado vazio, apenas com o fogo ardente e seus estalos na madeira sendo deixados para trás, queimando como seu ódio.

"Mas ele será meu, ou irá queimar..."

Mataria o cigano, ou o amaria em cada parte daquela igreja.

Afogaria Kiki como já tentará fazer há anos atrás.

Queimaria cada proscrito que encontrasse em sua cidade

Era uma promessa

Uma promessa divina.

Notas finais
Bem, é isso, espero que tenham gostado! Rewiews me animam muito, muito mesmo, então poderia deixar um? Por favorzinho? Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!