No calor de um quarto de motel, o cheiro de perfume e mofo se misturavam, uma vitrola de vinil dourada, cujo brilho cintilante estava ofuscado devido às cortinas cor-de-vinho fechadas sobre a janela, repetia o mesmo som até o momento.

Na cama de dossel redonda, dois corpos suados se deleitavam no lençol de cetim. Gemidos abafados por beijos soavam no quarto, seus corpos se moviam em um ritmo constante. Enquanto ele acariciava seus seios, sua boa deslizava pelo seu corpo, o tempo todo sussurrando o quanto seu gosto era bom. Ela afagava-lhe os cabelos, trazendo-o mais para perto. Seus corpos se encaixavam. A mão dele se perdia nos esbeltos cabelos negros dela, enquanto a outra percorria o corpo da mesma. E mais beijos.
Em um momento, enquanto o corpo dela deslizava sobre o dela, seus olhos verdes, os dele, azuis, se encontraram. Um sorriso compartilhado pelos dois saiu espontaneamente, e seus lábios foram atraídos um para o outro novamente.

Eles aumentam o ritmo, até que ela solta um gemido mais alto anunciando sua chegada ao ápice, o movimento continua quando ele também tem seu momento máximo de prazer, repousando seu corpo por cima do dela, ambos os dois suados e exaustos. Ele rolou para o lado, pegando uma taça de cristal com um espumante caro, se destacando no cenário, ela arfava pesadamente voltando lentamente a respiração normal.

– Isso foi bom. – disse ele aos suspiros, enquanto deixava sua taça sobre uma cômoda. O relógio anunciava a sexta hora.

– Uhum... — foi o que ela conseguiu murmurar. Seus olhos miravam o peito dele ao tempo que sua mão com as unhas pintadas de vermelho acariciavam-no, os olhos dele miravam o teto, dando a impressão de que observava algo específico acima.

– Em breve todas as nossas noites serão como essas. — seus olhos se viraram para ela, sua boca tocou-lhe a testa.

– Mal posso esperar! Eu, Katlyn Connor, esposa de Jeremy Troian. — ela soltou uma gargalhada ambiciosa, ele retribuiu. Em seu rosto, uma feição esparançosa se hospedava. — Quero ver a linda face de Margarete quando me ver ocupar o lugar dela. — agora seu rosto aparentava vingativo, um sorriso se destacando em sua boca.
– Guarde seu ódio para o momento certo, Katy. — sua mão pegou a taça novamente, e ele bebeu mais um pouco do espumante. Devolveu a taça na cômoda. — Prometo que não vai se prolongar por muito tempo. — ele se virou para ela e suas bocas se apertaram um contra a outra, entre mordidas e gemidos o ritmo se refazia, como se eles nunca se cansassem.

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Em uma sala grande, cujas paredes eram adornadas por cortinas amarelas que caíam feito cascatas sobre as janelas igualmente enormes, dois corpos se moviam graciosamente, em um movimento constante e suave, enquanto uma bela sinfonia embalava seus movimentos. A luz que entrava pelos vitrais góticos realçava a beleza da vista.

Margarete os observava atentamente, Scarlett e Reynald, um jovem não muito mais velho que Scarr, tinham suas mãos cruzadas entre si, seus olhos miravam um o do outro, sem dispersão, e seus pés os levavam à movimentos circulares perfeitamente ritmados. E quando a música acabou, ela não pode guardar para si seu elogio.

– Perfeito! — Disse por detrás de seu leque, que lhe abanava o rosto enquanto ela se aproximava deles. — Perfeito.

– Obrigado, Sra. Troian. — disse o belo rapaz, enquanto se encurvava em modéstia, sorrindo.

– Finalmente. Finalmente consegui lhe agradar em alguma coisa. — Scarr por um minuto pareceu feliz em conseguir uma aprovação de sua mãe, mas essa aparência se desfez rapidamente, e sua indiferença voltou.

– Senhoras, agora se me dão licença, meu pai me espera. — Disse Reynald, também conhecido por Rey, entre passos em direção ao seu paletó, que estava pendurado numa mobília velha.

– Oh, toda, Sr. Weasly. — E mirou Scarr. — Scarlett, acompanhemos Reinald até a porta.

Scarr simplesmente assentiu com um olhar.

O corredor até a porta era grande, o silêncio incomodava os três corpos que marchavam à saída. Rey não poderia deixar de reparar nos quadros dos ancestrais dos Troian que eram ostentados nas paredes claras pela casa toda. Seus olhos então se alternavam entre a bela jovem ao seu lado e a excêntrica decoração da mansão que, juntamente com o ar frio que se dissipava pelos cômodos, aparentavam que a família Troian tem mais descobrir do que está a mostra. Mais alguns passos e, enfim, chegaram na porta grande, na entrada da casa.

– Foi um ótimo ensaio, acho que não teremos problemas ou imprevistos quanto a isso hoje a noite, eu presumo, Sr. Weasley.
– Creio que não, Sra. Troian.

– Contanto que não pise no meu pé, ficarei grata, Rey. — Uma gargalhada sutil surgia no rosto dos dois jovens.

– Scarlett, isso são modos de falar com o Sr. Weasly? — disse Margaret, com uma ira acanhada.

– Não se preocupe, Sra. Troian. E, Scarr, tenho certeza que isso não acontecerá. — Em suas bochechas, se formavam pequenas covinhas. — Bem, já vou indo. — Disse, ponhando as mãos no bolso da calça escura. Seus ombros arquearam para trás.

– Espero toda a família Weasley aqui esta noite. Disse Margarete, quebrando o davaneio.

O garoto vestido de preto estava seguindo pelo caminho de flores na entrada. Seu cabelo castanho brilhava sob a luz do Sol, que estava trabalhando ao máximo neste dia. Seu morotista o estava esperando à porta do carro azul marinho, tão reluzante quanto o belo sorriso do rapaz ao se virar em resposta ao adeus da Sra. Troian.

– Até mais, Sr. Weasly! — Margarete assenava lentamente com seus dedos finos e brancos.

– Até, Sra. Troian. — ele se virou aos olhos azuis da garota. — Scarlett. — e entrou, seguindo o caminho da mão do velho senhor de cabelos brancos que se curvava agora.

– Te espero hoje a noite, Rey. — Scarr sorriu, falsamente.

Enquanto o carro se esvaia da paisagem formidável da mansão dos Troian, as duas belas criaturas, cujas feições poderiam facillmente serem descritas como angelicais, observavam o seu movimento com um sorriso estampado no rosto, enquanto suas mãos faziam um movimento de ziguezague no ar. O rosto do rapaz poderia ser visto através do vidro traseiro, assenando de volta enquanto sorria, mas, diferente dos delas, o seu sorriso era verdadeiro.

Reynald Weasley era o filho do banqueiro mais rico da cidade, contudo, não mais que Jeremy Troian. Scarlett estava prestes à fazer dezesseis anos, e seus pais achavam que era o momento de ela ter um pretendente, e o filho charmoso dos Weasley era um ótimo partido. Ele era o tipo de garoto que não possui uma beleza extraordinária, mas com certeza atrai olhares onde pisa. Seus cabelos castanhos reluziam alinhados para o lado, seus olhos verdes brilhavam como esmeraldas em seu rosto e seu sorriso branco encantava qualquer garota desavisada que cruzasse seu caminho.

Mas isso, obviamente, não tinha a menor importância para Scarr. A cena, que daria um belo quadro, se desfez quando as protagonistas abaixaram suas mãos e se refugiaram em sua fortaleza, o castelo de arrogância dos Troian.

– Belo rapaz. Não se esqueça de me agradecer. — mais uma vez ela olhava para Scarr como se esperasse receber um prêmio, e mais uma vez, isso não aconteceu.

– Sim, é um belo rapaz. Um belo rapaz que mal conheço, por sinal.

– Não vamos discutir isso de novo, Scarr. Você já teve vários jantares para conhecê-lo.

– Oh, claro, não vamos discutir o meu futuro, afinal, ele é propriedade sua.

– Scarlett! Eu tento fazer tudo por você, mas...

– Eu sei, eu sei. Você sempre faz o melhor por mim e eu só estrago seus projetos, não é? Mas a vida é MINHA. MINHA, mamãe. Aliás, como eu disse hoje de manhã, vou sair agora.

– Bom, acho que você terá um tempo, pode ir. Mesmo que eu tente a impedir você irá, então vá.

Mas ela não saiu imediatamente. Subiu ao seu quarto, pegou seu diário de capa preta, cujo as páginas eram protegidas por uma fechadura dourada, que fazia par com uma chave também dourada, e, enfim, desceu e saiu da fortaleza que guardava seus desejos de liberdade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.