Hell-a
35 E que comece o pesadelo...
Notas iniciais
Mãe e filha continuaram a conversar:
— Pensa que eu já não tentei? – disse Rosa, quase gritando – Eles me disseram que vocês precisam retirá-lo PESSOALMENTE! – disse ela dando ênfase na última palavra.
— Mãe, você tá de sacanagem comigo, né? – perguntou Catti, desacreditada.
— Não, minha filha. Eu fui lá na escola ontem e foi exatamente isso que eles me disseram! – disse Dona Rosa.
— Mãe, isso não pode ser verdade! – dizia Catti. – Caramba, será que eles não podem segurar essa data pelo menos até uma semana após esse prazo?
— Nem adianta, já perguntei isso! – disse a mãe da Catti.
— E quando precisamos estar aí mesmo? – perguntou Catti, começando a tremer.
— Até o meio da semana que vem pelo menos, ou seja, pra que nada dê errado! – disse Rosa.
— Jura mãe?! – perguntou Catti, esperando pelo não.
— Infelizmente é verdade, filha! Mas uma coisa boa é que eles pagam uma viagem de volta para LA, como forma de compensação... – disse Dona Rosa com voz tristonha.
— Mas mãe, como é que eu digo isso pra Greene?! – perguntou Catti, quase desesperada.
— Você terá que dar algum jeito! – disse Rosa.
— É você tem razão! – disse Catti, tentando se conformar.
— Então filha, eu já comprei as passagens de vocês para o fim de semana agora, OK? – disse Rosa.
— ESSE FINAL DE SEMANA EM TRÊS DIAS?! – perguntou Catti, arregalando os olhos.
— Sim! – disse Rosa, segura.
— Caramba! – disse Catti, desabando-se no sofá.
— Então, não esqueça, OK? – disse Rosa, advertindo sua filha.
— OK, né! Se não há outro jeito! – disse Catti, triste. – Beijos mãe!
— Tchau, filha! – disse Rosa.
— E agora?! Como eu vou dizer isso pra Greene, pros meninos? – perguntou-se Catti, levando a mão a testa.
Catti desceu até as piscinas em um passo incerto, mas tentou melhorá-los quando chegava perto de onde seus amigos estavam, mas viu algo mais desanimador ainda: Greene e Max se beijando na beira da piscina e Ronnie tomando sol sob a toalha da Catti. Como ela iria falar uma coisa dessas naquela hora?!
— Catti, entra aqui com a gente? – perguntou Max.
— AH, estou meio sem vontade! – disse Catti, sentando-se sobre a toalha da Greene.
— Catti, vocês está pálida... – disse Greene, franzindo a testa e fazendo sombras para os olhos com as mãos.
— Deve ser só o calor... – disse Catti, evitando olhar para Greene.
— É, deve ser mesmo! – disse Greene, um tanto desconfiada.
— Que horas são? – disse Ronnie, espreguiçando-se na cadeira.
— Umas 10:40, mais ou menos... – disse Catti, passando um pouco do protetor solar no rosto e no corpo. – Querem filtro?
— Eu preciso de um pouco aqui, senão vou ficar ardendo até o ano 3000. – disse Greene, rindo.
— Tá aqui, ó! Em cima da mesa... – disse Catti, colocando o frasco sob a superfície.
— Obrigada! – disse Greene, saindo da água e passando o protetor solar.
Todos continuaram por ali aproveitando o sol e a água da piscina por mais algumas horas até que chegou a senhora fome:
— Gente, que tal irmos almoçar? – perguntou Ronnie com a mão na barriga.
— Pra falar a verdade estou realmente com muita fome! – disse Greene.
— OK, então vamos almoçar agora mesmo! – disse Catti.
Foram vestir alguma coisa por cima das roupas de banho e desceram mortos de fome até o restaurante, fizeram seu pedido e um pouco antes da comida chegar, Greene percebeu alguma coisa diferente em Catti e resolveu perguntar:
— Catti, o que acontece com você? – perguntou ela.
— Nada não! – disse Catti, olhando para o copo com Coca-Cola a sua frente.
— Como assim “Nada não!”, eu sei que tem alguma coisa aí Catti! – disse Greene, suspeitando de algo.
— Que tal a gente conversar sobre isso depois do almoço? – perguntou Catti, fugindo do assunto.
— Eu sabia que tinha alguma coisa aí! OK, então! – disse Greene, um pouco tensa.
— Gente, já fizemos os pedidos e o nosso almoço já está chegando! – disse Max, faminto. – Acho que foi meu estômago quem pediu a comida!
— AFFz Max você tem cada uma, não? – perguntou Ronnie, dando um pedala na testa do Max.
— Falta alguém fazer isso comigo? Bom, porque se tiver pode fazer já tá? – disse Max, ficando momentaneamente bravo.
— Aqui é a mesa sete? – perguntou um garçom.
— Sim! – responderam os quatro esfomeados.
— Aqui está o almoço de vocês! – disse o garçom colocando os pratos à frente de cada um e trazendo logo após os talheres.
Como sempre, eles comeram e conversavam, naquela amizade de amigos há quatrocentos mil anos. Catti pediu licença a todos dizendo que ia escovar os dentes e Greene a seguiu:
— Bem, Catti será que você pode me contar o que está havendo com você? Eu percebi que depois que você foi buscar o protetor você ficou meio estranha – disse Greene entrando no flat 666.
— É eu sei que estou estranha, e tenho seríssimas razões para estar assim! – disse Catti com lágrimas se formando nos olhos.
— Então, me conte agora mesmo! – disse Greene, ficando nervosa.
— Pois bem, você lembra que eu e você fizemos aquele curso de inglês lá em São Paulo? Aquele que durou cinco anos? – perguntou Catti, contornando a situação.
— Sim, eu sei, mas o que tem ele a ver com essa sua cara e essa palidez? – perguntou Greene, confusa.
— Bem, lembra que a gente, um tempo antes de viajar pra cá, ficou de pegar o diploma? – perguntou Catti, enrolando mais ainda.
— Sim, eles disseram que ficaria retido até o mês que vem, não é? – perguntou Greene, intrigada.
— Sim, só que esse prazo antecipou um mês... – disse Catti.
— Nossa isso é ótimo! – disse Greene, contente.
— Seria ótimo se não fosse por uma coisa! – disse Catti, pesarosa.
— O quê, Catti? – perguntou Greene se aproximando da amiga.
— Temos que retirar esses diplomas até o final da semana que vem, Greene! E isso quer dizer, pessoalmente! – disse Catti
— O QUÊ?! – perguntou Greene, estática.
— É isso mesmo, Greenezinha, teremos que adiantar um pouco a nossa volta para o Brasil! – disse Catti, desapontada. – E a minha mãe já comprou as passagens para nós duas!
— Jura?! Para que dia? – perguntou Greene, se apoiando na beira do sofá.
— Para daqui a três dias! – disse Catti com voz embargada.
— O que é para daqui a três dias? – perguntou Ronnie, entrando no flat seguido por Max.
— Erm... nada! – disse Catti, tentando disfarçar.
— Como assim nada? – perguntou Max. – Eu ouvi muito bem vocês falando que vão fazer alguma coisa para daqui a três dias!
— Vão aprontar alguma pra gente é? –perguntou Ronnie, malicioso.
— OK, Catti, eles precisam saber... E pode deixar que eu mesma conto. – disse Greene, após suspirar.
— Conta então, minha Greene! – disse Max, se jogando no sofá.
As meninas pegaram as cadeiras da mesa ao lado e se sentaram de frente para os garotos no sofá:
— Pode contar! Sou todo ouvidos! – disse Ronnie, rindo de leve.
— Bem, o que eu tenho pra dizer, não é muito agradável... pelo menos nem pra mim e nem pra Catti, mas é uma coisa necessária. – disse Greene, olhando para suas mãos.
— Continue! – disse Max, se endireitando no sofá.
— Bem... eu e a Catti fizemos um curso de inglês de cinco anos no Brasil... E o nosso diploma que já saiu deve ser pego até o final da semana que vem... – dizia Greene, procurando o apoio em Catti, que tinha um olhar quase choroso.
— Tá vendo Ronnie? Elas já estão contando tudo da vida delas pra gente... – disse Max, fazendo piadinhas.
— Calma, Max! Tem alguma coisa pegando aí... – disse Ronnie, desconfiado.
— Então... esse diploma quem deve pegar somos nós! – disse Greene, procurando não olhar para nenhum ali na sala.
— Alguém irá pegar pra vocês né? – disse Max.
— Não... somos nós mesmas que temos que pegar! – disse Catti, procurando o olhar de Greene.
— HAN? – disse Max, saltando do sofá. – É isso mesmo que eu entendi? Vocês terão que estar de volta ao Brasil em uma semana?
— É SÉRIO ISSO, GENTE? – perguntou Ronnie, surpreso.
— Infelizmente sim! – disse Greene, triste – E isso não é o pior...
— Minha mãe até comprou as passagens para lá que estão datadas para daqui a três dias! – disse Catti, pesarosa.
— TRÊS DIAS?! – sobressaltou-se Ronnie.
— Sim! – disse Catti, derramando algumas lágrimas.
— Catti, por favor, diz que isso é mentira? – perguntou Max.
— Ela tá dizendo a verdade, Max! A gente ter que ir pra lá pegar esse maldito diploma... – disse Greene, proferindo alguns palavrões em português.
— Cara, e agora?! – perguntou Ronnie.
— A gente tem mais dois dias pra aproveitar LA e a companhia de vocês, do FIR e do ETF... – disse Catti, secando as lágrimas que teimavam em rolar.
— É, apenas três dias e tudo isso vai acabar! – disse Greene, olhando o chão à sua frente.
— OK. Já que não tem saída, vamos curtir então! – disse Ronnie, abraçando forte a Catti.
- É o que dá pra gente fazer... – disse Catti, fingindo um sorriso. – Se bem que minha mãe disse que a escola onde fizemos esse curso vai pagar pra gente uma nova viagem pra cá. Só pra compensar o prejuízo que teremos saindo daqui, etc...
— Menos mal, né?! – disse Max. – Mas nem que essa escola não pagasse, nós pagaríamos pra vocês voltarem e até se quisessem morar com a gente também...
— Isso quer dizer que vocês vão... mas voltam! Ou seja, nossas saudades vão durar pouco! – disse Ronnie dando um beijo no rosto de Catti e um no de Greene.
— Então, vamos lá aproveitar a piscina?! – perguntou Max, tentando quebrar o gelo da situação.
— Vamos sim! – disseram os outros três.
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