Hell-a
31 Chá
Notas iniciais
Bom, depois de toda a tensão ter passado, a única dificuldade agora seria Max entrar no quarto das meninas e não ser morto por algum objeto voador que Greene resolvesse jogar nele, mas ele mesmo assim, com a cara e com a coragem, diga-se de passagem, bateu a porta do quarto com uma xícara gigante e pires na mão:
- Entra! – disse Greene, com a voz abafada pelos milhões de cobertores.
- Achei que tinha dormido de novo! – disse Max, encabulado esperando por qualquer, isso mesmo, QUALQUER, reação dela.
- AH, é você?! Já não te disse pra sumir?! – Greene, que tinha levantado pra receber o chá, se enfiou nas cobertas no momento em que viu que era Max na sua frente.
- Cara, será que você acreditaria em mim se eu te dissesse que eu não transei e nem pretendi transar com ninguém do clipe? — perguntou Max, direto.
- NÃO! – disse Greene saindo debaixo de sua montanha de edredons e ficando de joelhos, um pouco mais próximo de Max.
- Mas deveria acreditar, porque eu não fiz isso! Eu juro, Greene! – disse Max, tentando argumentar. A tristeza pela confusão estava brotando de seus olhos.
- EU NÃO ACREDITO EM VOCÊ MAXWELL! – berrou Greene, ficando em pé na cama, só para literalmente humilhá-lo, e pior, por algo que ele não tinha feito.
- Greene, o que é que eu tenho que fazer pra você acreditar em mim?! – disse Max, colocando a xícara de chá numa bandeja no lado direito da cama, próxima de onde Greene ainda estava de pé, encarando-o com olhos furiosos e ao mesmo tempo, tristes, muito tristes.
- Pára de me chamar de Greene! Isso já é um começo! Sabe, todo mundo me dizia isso, que famoso não presta, que eles dão em cima de toda e qualquer mulher, porque pensam que podem e isso e aquilo! – dizia ela, soltando as palavras do jeito que vinham a sua mente. — E eu vejo que eles estavam certos, por mais que eu tente provar o contrário!
- OK, Marcella, se quer desse jeito, eu te chamo assim! Mas quanto a esse negócio de famosos, isso é verdade! Acontece que nesse caso não se aplica a mim! EU NÃO TRANSEI COM AQUELA MULHER! – Max começou a gritar.
- CLARO QUE SIM! VOCÊ ESTAVA COM ELA NAQUELE CORREDOR! ESTAVA LÁ SE AGARRANDO COM ELA, FALANDO CADA COISA, E SE EU TIVESSE FICADO POR LÁ TERIA OUVIDO COISAS BEEEM PIORES. – Greene se equilibrava na cama king size.
- ISSO É MENTIRA, QUANDO É QUE VOCÊ VAI ACREDITAR EM MIM?! – olhava Max para Greene, perplexo.
Max olhava pra ela e pensamentos ambíguos passavam por sua cabeça: como ela estava linda e brava; como estava linda em seu pijama; como ela o irritava com aquelas palavras, como ela parecia nunca compreendê-lo.
Sua raiva aumentou de tal jeito que quando ele deu por si estava de pé sobre a cama também, quase enfiando o dedo na cara dela, assim como Greene parecia segurar-se para não dar um tapa nele.
- VOCÊ PRECISA ACREDITAR EM MIM! – dizia Max.
Com os dois se movimentando na cama, a xícara tremia violentamente na bandeja ao lado deles.
Catti’s POV
Gente, me desculpem por esse POV aqui no meio da discussão desses dois, mas eu preciso comentar que eles gritavam tanto que eu e Ronnie, mesmo tomando chá na cozinha, conseguíamos ouvir os berros tão nitidamente como se eles estivessem ao nosso lado.
Eu realmente estava preparada para que se tudo ficasse quieto, eu sairia correndo tão rápido e a tempo de encontrar alguém vivo lá dentro. Bom era só isso mesmo, HEHE’.
Catti’s POV OFF
- SERÁ QUE VOCÊ AINDA NÃO PERCEBEU QUE É DE VOCÊ QUE EU GOSTO?! – berrou Max, mas Greene não ouviu.
— VOCÊ NÃO PRESTA, MAXWELL! – ela gritava tão alto que mal ouvia a voz de Max.
— HEIN?! SERÁ QUE VOCÊ NÃO VIU QUE ESSES DIAS TODOS EU PRATICAMENTE SÓ TENHO OLHOS SÓ PRA VOCÊ? – Max tentava fazê-la ouvir.
— MAXWELL, SAI DO MEU QUARTO AGORA! – ela berrou seu ultimato.
— CLARO QUE NÃO! É, PARECE QUE VOCÊ NÃO VÊ NADA MESMO! – ele começou a se aproximar.
Ambos estavam ofegantes devido à árdua tarefa de gritar, respirar e se equilibrar na cama. A xícara balançava.
Max’s POV
Eu estava tentando fazê-la me ouvir, mas ela só me mandava sair dali e eu não queria!
Quando ela finalmente parou de berrar, parece que o tempo também parou ao nosso redor.
Ela me olhava nos olhos, eu olhava nos dela, nosso peito ofegante subia e descia, nossas mãos que antes gesticulavam, pararam do nada e ali estávamos nós, um olhando para o outro, piscando o mínimo possível.
Nem sei como, nem em que instante, mas fomos nos aproximando devagar. Isso me pareceu interminável, porém suficiente para dissipar toda a raiva que ela me provocara alguns segundos antes.
Ela conseguiu me fazer pensar apenas em tocar seus lábios nos meus lábios com piercings, sentir a diferença de temperatura da sua pele ainda febril com a minha gelada pela friagem da sala, segurar sua cintura tão bem delineada, prendê-la a mim...
Assim, absorto em meus pensamentos em que eu a queria cada vez mais perto, foi quando finalmente eu pude sentir sua respiração em meu rosto e vê-la piscar com o ar da minha e enfim, nos beijamos.
Um beijo terno, doce, de emoções tão diferentes, onde eu sentia raiva dela e ao mesmo tempo um carinho enorme; tinha vontade de dizer umas poucas e boas, mas meus lábios apenas respeitavam o ritmo dos dela.
A verdade era que eu tinha sensações diferentes, mas ela absorvia todas elas e me prendia em seus lábios macios, bem desenhados, procurando fôlego e que ao mesmo tempo, não me soltavam.
Ficamos algum tempo assim, tempo esse que não sei dizer quanto foi, mas durou até quando eu e ela sentimos um líquido quente, muito quente em nossos pés e nós rapidamente olhamos para os cobertores e vimos que uma mancha escura sujava praticamente todas as cobertas e se alastrava cada vez mais: o chá!
Max’s POV OFF
Greene’s POV
Estava tudo muito quente sob nossos pés e tanto eu, quanto ele gritamos, tipo, MUITO ALTO, tanto que Ronnie e Catti vieram correndo:
- Cara, o que é que tá havendo aqui?! – perguntaram os dois no batente da porta e de mãos dadas (que bonitinhos! >.<).
- Erm... nada! – eu e Max dissemos, meio tímidos.
- NADA?! Vocês estão aí juntinhos e a cama está toda suja de, acho eu, chá! – disse Ronnie, rindo da gente.
- Ronnie, eles se beijaram! Que fofo! E eu que achei que vocês tinham se matado! – disse Catti, com uma cara de alívio.
- Pelo jeito alguém vai ter que dormir na sala hoje, hein?! – disse Ronnie, mexendo nos cobertores todos sujos. – Que meleca!
- Mas, Ronnie, olha pra eles! – disse Catti, encantada pela felicidade em meu rosto.
Max olhava em meus olhos, e eu nos dele...
Dude, como eu amo e ao mesmo tempo odeio esse cara!
Greene’s POV OFF
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