Hell-a
16 A droga aos cuidados dos Santis
Notas iniciais
- E então, pessoas?! Animados pra gravação, aliás, gravações né? Por que entre hoje e amanhã teremos Gorgeous Nightmare e Drug In Me Is You prontinhos!! – exclamou Ricky Santis, assumindo seu lugar na primeira poltrona do ônibus.
Todos no ônibus gritaram. Todos estavam muito excitados com as duas gravações, porque sempre que coisas assim aconteciam, certeza que seria um dia, neste caso dois, de pura agitação, atuação, expectativa e apoio de todos em volta.
Depois de alguns minutos viajando naquele ônibus, chegaram ao prédio onde iriam gravar Drug In Me Is You que era uma velha delegacia ao lado de um tribunal também velho. Ricky achou melhor gravarem o clipe do FIR primeiro, pois para esse precisariam de menos gente atuando, facilitando as coisas:
- Então será aqui?! – perguntou Ronnie, olhando pela janela do ônibus.
- Pelo jeito sim. – disse Jacky, se espreguiçando em sua poltrona. – Parece legal, hein?
- Verdade. – disse Craig. – Hey, vejam se dá pra gravar o clipe de vocês rápido aí pra gente começar a gravar o nosso OK?
- HÁ, vai nessa! – disse Ronnie, dando um soco de leve em Craig. – A gente vai demorar o tempo que for preciso para que o clipe fique perfeito! Afinal, faz tempo que os fãs não vêem Ronald Joseph Radke em ação! — gabou-se ele.
- AH esse Ronnie! – disse Max, rindo.
- Bom, pessoal do Falling, por favor, se reúnam na primeira sala à esquerda para retomarmos o roteiro. E pessoal do Gorgeous se acomodem na sala de estar a sua segunda esquerda, e sintam-se a vontade para aproveitar o que encontrarem por lá até que alguém chame vocês para assistirem à gravação. OK? – disse Ricky, assim que a porta do tribunal velho foi aberta, todos concordaram.
- Meninas, então nós nos veremos daqui a pouco tá?! – disse Ronnie, olhando para cada uma.
- OK. – responderam Catti e Greene.
- Vá lá, cara! Dê o seu melhor. – disse Max, com uma piscadela.
- AH, como se diz no teatro: “Merda pra você!” ou no inglês “Break a leg”. – disse Catti, feliz.
- Obrigada, Catti. – disse Ronnie, dando um beijo na bochecha dela. (Sim, ela morreu e ressuscitou com essa!).
- Vamos lá ver o que é que tem naquela sala! – disse Max, segurando ambas as meninas pela cintura, se dirigindo para a sala indicada por Ricky.
Greene’s POV
Vocês até podem achar que é muita fantasia e talz... Mas sou obrigada a assumir que todos aqueles dias ao lado de pessoas famosas como eles nos fizeram sentir importantes. Só de pensar que Max e Ronnie estavam ao nosso lado, praticamente o tempo todo; que nós veríamos os clipes serem feitos; que estaríamos ali caso eles precisassem de algum apoio, tudo aquilo maravilhava a gente pra caramba.
Eu fiquei ali sentada num sofá na sala que o produtor tinha pedido pra aguardar, totalmente submersa em pensamentos e expectativa sobre o dia de hoje e o que estava por vir com a gravação do Gorgeous.
A Catti estava por ali conversando com a Star, a filha do produtor, aliás, a privilegiada de poder estar com todos eles à hora em que seu pai bem entendesse e a levasse consigo. Na viagem até aqui, fomos conversando com ela, e ela nos pareceu uma menina muito legal. Na verdade, a partir do momento em que eu, ela e a Catti sentamos pra conversar, sentimos que houve bastante simpatia entre nós três, apesar de ela ser quase um ano mais nova que eu.
Estávamos empolgadas com a conversa até que Ricky apareceu na porta da sala:
— Roteiro discutido, aprovado e vocês... querem assistir à prática? – disse um animado Ricky.
— Claro! – gritei, pulando do meu lugar no sofá.
Saímos da sala e fomos guiados até o local onde já estavam instaladas as câmeras; o cenário estava todo montado com todos os elementos da cena; todos do Falling estavam ajeitando seu figurino e maquiagem:
— Olá meninas! – disse Ronnie, vindo falar com a gente com uma cabeleireira ajeitando seu cabelo e um maquiador tentando pentear suas sobrancelhas.
— Ronnie! – disse Catti, toda besta com seu ídolo.
— Ficou bom não?! – disse ele, todo presunçoso.
— Fi-ficou si-sim, Ro-Ronnie. – disse a Catti, começando a gaguejar de novo.
Ele vestia calça skinny, camisa preta, casaco de couro, alguns lenços no pescoço e teve aquela tatuagem de gota que ele tem no rosto realçada com delineador:
— Está tudo muito legal sim, cara – disse Max, chegando perto da gente e dando um grande abraço em seu amigo. – Vai! Ricky está te chamando.
Todos nós nos afastamos do cenário e cada um pegou um lugar em alguma das poltronas que a produção tinha disponibilizado pra gente.
Greene’s POV OFF
Todos se acomodaram folgadamente por ali, pronto para ver todo o FIR em ação:
— Max Green?! – disse uma moça vestida de policial, se aproximando da cadeira em que estava o Max.
— Erm... sim...Eu te conheço? — perguntou Max, franzindo a testa.
— Não, não! Eu sou figurante do Drug In Me Is You. – disse ela. – Mas gosto muito de vocês do Escape.
— AH, é mesmo? – disse Max, contente.
— Sim, claro! Ainda mais com um baixista de tanto erm... talento né? – disse a mulher, olhando para cada parte do Max.
— Como é seu nome? – perguntou Max.
— Sheryll Jones. – disse ela. – E você, nem preciso de apresentações pra conhecê-lo... basta olhar para esses olhos, esses piercings, esse cabelo, e AH... todas essas tatuagens. – disse ela pegando a mão do Max que estava sobre a coxa dele.
— É, sou eu mesmo. – disse Max, mexendo em um de seus piercings labiais, meio encabulado com Sheryll.
— Venha comigo. Tenho algumas amigas figurantes que estão com vergonha de falar com o Sr. Green. – disse Sheryll, puxando Max pela mão.
— Erm... OK! – disse Max.
— Max, o Ronnie está gravando, não vai assistir?! – perguntou a Catti, tentando fazer o Max ficar por ali.
— Erm... vou daqui a pouco! Vou ali falar com as gurias ali e já volto, OK? – disse Max, já a alguns passos das meninas.
— Deixa ele ir, Caterinne! – disse Greene, entre dentes. – Deixa ele ir lá falar com as filhas da p... digo, figurantes.
— Calma, Greene! Vamos assistir ao vídeo do FIR? – disse Catti, com um sorriso amarelo para Greene.
— Você fala isso, porque não é o Ronnie que foi lá “falar” com as “figurantes”! – disse Greene, revoltada.
— HEY, pensa que não estou vendo ele se esfregar, ou melhor, ali eu nem sei quem se esfrega em quem! – disse Catti, franzindo a testa.
— Mesmo assim, mesmo assim... – disse Greene, enraivecida. – VadiaVadiaVadiaVadia! – murmurou.
— Que foi que você disse aí? – perguntou Catti.
— Nada! – disse a Greene.
— Pensei que tinha dito “vadia”... – disse a Catti, confusa.
— Então.... NADA! – falou alto a Greene.
— A sim... nada! – disse a Catti, gargalhando – HEHE’
— Catti, como você consegue?! – disse a Greene, rindo de leve.
— O quê? – perguntou a Catti, controlando sua risada.
— Rir de coisa besta numa hora dessas?! – disse a Greene. – E o pior, me faz rir também.
— HAHA’, sei lá. – disse a Catti e as duas riram até que alguém da produção pediu para elas rirem mais baixo.
Passaram-se algumas horas, Ronnie foi gravar outras partes do clipe, inclusive o teaser. Os integrantes regravaram partes que precisavam ser melhoradas e para a parte final, Ricky pediu silêncio da “plateia” e concentração total da banda:
— Galera, lembrem de tudo o que vocês tem que fazer OK? E por favor, continuem dando o melhor de vocês... – disse o produtor, tentando esconder sua felicidade com o clipe quase pronto. – OK, Ronnie, agora você e Scout por favor se preparem, tá? – disse ele se sentando em sua cadeira.
— OK, Ricky! – disseram Ronnie e Scout em uníssono.
— Um, dois, três e AÇÃO! – gritou Ricky.
Ronnie começou a cantar, toda a banda a tocar seus instrumentos, daquela forma em que eles apenas fingem ou atuam enquanto a música rola para guiá-los sobre o que e em que momento fazer. Porém, uma parte do final do clipe, Ronnie dava um beijo de despedida em Scout:
— Como assim?! – disse Catti, perplexa.
— Agora você me entende? – perguntou Greene, irônica.
— Mais cinco segundos e... muito bem... CORTA! – gritou novamente o produtor/diretor.
E o casal continuou se beijando, a agarota segurava Ronnie nas bochechas.
— Esses jovens! – disse Ricky, balançando a cabeça e sentando-se à mesa com a sua produção para avaliar o clipe na íntegra, após um caloroso aplauso, é claro.
— AFFz! – disse Catti, no meio do aplauso.
— Bela atuação, senhor Ronnie Radke! – disse Max, vindo da poltrona próxima às meninas, de onde finalmente tinha conseguido se desvencilhar das moças que o haviam levado para conversar.
— Até parece que você viu alguma coisa! – resmungou a Greene.
— Claro que eu vi! – disse Max, olhando Greene firmemente nos olhos, ao que ela revidou com o mesmo olhar.
— Viu nada que eu sei, você tava ali com as amigas da Sheryll!. – disse Ronnie, se jogando de leve sobre os ombros da Catti.
— E você já sabe até o nome dela?! – perguntou Catti, tirando Ronnie de perto de si.
— Colega de filmagem, sabe como é não? – disse Ronnie com uma piscadela.
— Sei! – disse Catti, olhando para Ronnie de canto de olho.
Passados alguns minutos, Max e Ronnie ficaram conversando por um tempo ali; as meninas nessa hora foram um tanto esquecidas:
— Cara, você precisava ter visto a cara que ela fez quando pegou minha mão e me levou pra lá com as amigas dela! – disse Max. – Toda... AH você deve imaginar não?!
— É... E eu que estava ali naquele sufoco de ter que encenar e toda hora um par de seios diferentes me encarando e tal. Duuuuude! – disse Ronnie, passando a mão pela testa.
— Não sei por que inventaram de colocar as policiais desse clipe com esses tipos de meias! Velho, elas cruzavam as pernas ali do meu lado e eu não conseguia nem me lembrar da minha última palavra... – comentava Max. – nem sei o que foi que eu falei, conversei, desabafei com elas.
E eles ficaram por um bom tempo conversando sobre as figurantes, sobre cada momento do clipe etc, as meninas pediram licença da conversa (da qual, na verdade, já estavam bem excluídas) e foram para o ônibus esperar pela hora de ir embora.
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