Notas iniciais
Capítulo final :/ Espero que gostem ♥

Blaine se sentia tonto ao abrir os olhos e uma forte luz parecia que iria cegá-lo. Onde ele estava? Por que estava acorrentado? E, principalmente, onde estava Kurt?

— Kurt! – Blaine praticamente gritou, desesperado.

— Você não vai me enxergar, mas estou na cela ao seu lado. – Blaine conseguia sentir a irritação do castanho na voz dele, mas se tranquilizou por estarem próximos um do outro.

— Isso não aconteceria se vocês não estivessem se beijando no meio da rua. – Sebastian disse impaciente, ele estava na cela da frente.

Todas as celas eram colocadas lado a lado e em fileiras, assim uma fileira ficava de frente para outra em todos os corredores. As cores do lugar eram claras, como se fosse uma espécie de hospital – o que não deixava de ser.

— Amor, não reclama, pelo menos estamos próximos agora. – Blaine olhou para o dono da voz, era Elliot e estava na cela ao lado de Sebastian. – E me perdoem por eu ter sido um idiota.

— Não guardo rancor. – Kurt disse ainda irritado. – Eu só quero sair daqui.

— Temo que isso não será possível no momento. – Uma voz desconhecida por Elliot e Sebastian ecoou no local, porém Blaine e Kurt conheciam muito bem aquela voz.

— PAI! – Kurt novamente gritou e viu seu pai em frente à sua cela. – Eu pensei que tivesse te perdido.

— Você não sabe o quanto me alegra ver você, meu menino. – Burt dizia com lágrimas nos olhos. – Sinto muito que não posso te abraçar agora e sinto muito que você esteja preso. Entenda que é necessário.

— Eu sei, mas eu estou com fome. – Kurt disse um pouco cabisbaixo. – Se vocês não nos alimentarem, iremos secar.

— Nós já achamos a cura, meu amor. – Burt estava bem próximo da cela, queria tanto abraçar seu filho. – E Blaine, seus pais também estão vivos e seu irmão também está bem.

— Isso é um alívio. – Blaine sorriu. – Sinto tanta falta deles.

— Eles estão no nosso abrigo. – Informou Burt. – Eu preciso encontrar com o resto da equipe, mas saibam que logo vocês poderão sair daqui. Como eu já disse, encontramos a cura e ela já foi testada. Vocês irão ficar bem.

Blaine queria agora poder olhar para Kurt ou abraçá-lo, ou ainda as duas coisas. Sua alegria agora era tanta, que queria pular até cansar – mesmo que ele não pudesse mais cansar. Queria saber como era novamente ser humano e poder viver em paz com os outros humanos sem ter vontade de cravar seus dentes no pescoço deles.

Já Kurt queria poder voltar a ser humano, para poder passear com seu namorado, andar de mãos dadas com ele na rua, andar pelo parque, aproveitar o vento pegando no rosto, olhar o sol durante o dia, deitar a ver as estrelas durante a noite. Coisas simples, mas que o fazia sentir uma enorme saudade de meses atrás.

Blaine havia sido seu primeiro amor e ele ainda queria que ele fosse o último. Foi com ele que Kurt aprendeu basicamente tudo sobre a vida. Muitas vezes o castanho se estressou por Blaine sempre o conhecer melhor que ele mesmo, porém logo ele se sentia feliz por saber que o moreno o conhecia o suficiente. Aquilo era importante.

Kurt nunca vai se esquecer do momento em que ambos admitiram que se gostavam bem mais do que para serem apenas amigos. Foi ali que um relacionamento iniciou e foi ali que Kurt teve a certeza de que seria para sempre.

*5 ANOS ATRÁS*

— Hoje é o aniversário da minha pessoa preferida. – Blaine disse animado ao entrar no quarto de Kurt logo cedo da manhã.

— Doze anos, já! Quem diria. – Kurt disse entre risadas.

O castanho se sentou na cama e bateu ao seu lado para Blaine sentar-se com ele, os dois sorriram timidamente e Blaine o entregou um envelope pequeno. Kurt abriu mesmo tímido e leu o cartãozinho, que dizia “vale-presente”.

— O que isso significa, B? – Perguntou Kurt.

— Que você pode me pedir o que quiser de presente. O que quiser mesmo.

— Hum... – Kurt se botou a pensar e, corando, acabou respondendo: – Quero um beijo seu.

— Um beijo?

Kurt assentiu e sentiu Blaine beijando sua bochecha, mas não era aquilo que ele queria. Não era na bochecha que ele queria o beijo.

— Não, B... – Kurt permanecia um pouco tímido. Blaine já tinha quase dezesseis anos, era praticamente um homem perto do castanho e aquilo fazia o jovem Kurt recuar um pouco em seus atos. – Não é na bochecha.

Blaine o encarou inexpressivo, finalmente entendendo onde ele queria chegar. Então o seu melhor amigo, de doze anos, queria um beijo seu e na boca? Era isso que ele queria de aniversário? Blaine, mesmo extremamente tímido, foi lentamente se aproximando do castanho e, fechando os seus olhos, juntou seus lábios nos de Kurt da maneira mais doce possível.

*4 ANOS ATRÁS*

— Cansei! – Blaine disse cansado. Ele e Kurt tinham corrido pelo parque de diversões inteiro naquela tarde.

— Ah, mas o namorado que eu tanto amo não se cansaria de correr comigo. – Kurt disse ao se aproximar de Blaine. – Vamos mais uma vez na montanha-russa, por favor!

— O que você disse? – Blaine puxou Kurt para mais perto.

— Para irmos na montanha-russa.

— Antes disso.

— E-eu... eu não disse nada. – Corou o castanho. – Ok, eu... eu disse que eu te amo.

— Sabe, é meio engraçado isso... e o melhor sabe o que é? – Kurt negou. – É que eu também te amo, meu pequeno.

*3 ANOS ATRÁS*

— Kurt, por que está chorando tanto, meu amor?

— Sei que não é legal um menino de quatorze anos ficar chorando por todos os cantos, mas não dá para evitar. – O castanho choramingava nos braços do namorado.

— Então me conta o que aconteceu.

— Os idiotas da escola ficam me chamando de muitas coisas porque eu namoro com você e eu não aguento mais. Eles falam muita coisa cruel.

— E você, por mais que se machuque com isso, precisa ignorar eles.

— Eles disseram que ano que vem você vai para a faculdade e vai me abandonar. – Kurt levantou seu olhar e encarou Blaine, que quase começou a chorar ao ver aqueles lindos olhos azuis cheios de lágrimas.

— Eles estão enganados. Eu nunca vou te abandonar. Sei que vamos nos distanciar um pouco e que eu vou conhecer novas pessoas, mas meu coração sempre pertencerá unicamente a você. – Blaine selou seus lábios nos de Kurt e acariciou seu rosto, sorrindo em seguida.

*DOIS ANOS ATRÁS*

— Não quero nem pensar que falta pouquíssimo para você ir embora. Eu vou sentir tanta saudade de você, meu amor. – Kurt dizia de maneira sentida. Era doloroso saber que veria poucas vezes o seu moreno de cabelos cacheados. – Sabe, faltam apenas duas semanas e eu queria fazer uma coisa antes de você ir embora.

— Eu não vou embora, pensa que eu vou estar perto de você ainda... pelo menos um pouco... sei lá, só sei que eu vou vir te visitar sempre que puder. Sempre. – Afirmou o moreno. – Mas o que você quer fazer?

— Vamos jantar na sexta? Nosso último jantar antes de você ir para a faculdade.

E Blaine aceitou, é claro. Na noite em que eles foram jantar, resolveram assistir a um filme após a refeição e acabou que ambos terminaram sem roupa antes mesmo de o filme acabar. Blaine quase não acreditou que o seu “ingênuo” namorado tinha tido tal atitude, mas obviamente não reclamou e aproveitou muito bem o seu “presente” de despedida. Mas resolveu que não seria uma despedida, afinal ele voltaria para sempre visitar Kurt. Ele nunca abandonaria o seu amor.

*TEMOS ATUAIS*

— Kurt... está me escutando? – Blaine perguntou, sentado e escorado em sua cela.

— Estou. – Kurt disse, esticando seu braço para o lado de fora e tentando entrelaçar sua mão na de Blaine. Por sorte ele obteve sucesso. – Eu te amo.

— Eu também te amo. – O moreno sorriu, mesmo que Kurt não pudesse ver. – Eu queria te contar uma coisa...

— Conte. – Kurt disse de maneira mais alegre, o que também deixou Blaine feliz. – Estou curioso.

— Sabe a noite em que tudo de ruim aconteceu ao mundo? – Kurt murmurou um “uhum” e Blaine prosseguiu. – Eu ia te pedir em casamento. E eu não sei se realmente vamos sobreviver ao que quer que acabem fazendo com a gente... eu só não queria terminar minha existência sem saber a sua resposta.

— Lute para sobreviver e eu te respondo. – Kurt tinha um sorriso sapeca nos lábios e ouviu o moreno praticamente rosnar.

Kurt sorriu com a reação do moreno. Ele sabia muito bem como induzir uma ira incomum no seu namorado, porque ele sempre cedia às suas provocações, ele sempre caía em seus joguinhos. Por isso era tão divertido provocá-lo.

Mais tarde naquele dia, todas as celas foram abertas, já que todos estavam acorrentados e, de certa maneira, fracos e sem disposição alguma para saírem correndo. Todos receberam um líquido injetado em seus pescoços e todos foram atacados por momentos de raiva, onde sentiam que matariam qualquer um com quem cruzassem o mais rápido olhar.

Mas algo aconteceu, eles adormeceram antes que pudessem realmente fazer algo. E, quando acordaram, três horas mais tarde, sentiam uma fome anormal. Sentiam sede e não era de sangue, e sim de água. Queriam comida. A primeira coisa que Kurt fez ao acordar, foi se sentir estranho com uma aceleração em seu peito!

— EU ESTOU VIVO! – Ele gritou, já desacorrentado.

Saiu de sua cela e viu Blaine acordando. Nem pensou, apenas puxou o moreno e o abraçou no mais caloroso aperto. O abraço se encerrou e eles iniciaram um beijo repleto de saudades. Como humanos, fazia certo também que não se beijavam.

— Meu amor, você está bem. Estou tão feliz. – Kurt disse voltando a abraçar o moreno.

— Eu te amo tanto, Kurt. – Afirmou o moreno. – Mas eu acredito que esteja me devendo uma resposta. Sabe... eu sobrevivi.

— É, você realmente merece uma resposta. – Kurt sorriu novamente sapeca. – E quer saber qual é?

— Mas é óbvio. – Respondeu de prontidão.

— Eu me caso com você, Blaine Anderson. Em mil línguas diferentes, eu me caso com você!

Notas finais
Ah, até que ficou bonitinho, não é? Eu gostaria de fazer uma continuação independente dessa história. A vida deles após esse apocalipse louco... o que acham? Me deixem saber ♥ Obrigada a todos pelos comentários, recomendações, favoritos e visualizações ♥ Bjo ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!