Hell & Consequences

1 3x01 – Wings of an Angel


Notas iniciais
Essa semana aconteceu algo muito louco. Eu sonhei com episodio de Supernatural (quem nunca? eu sou normal?) mas era o Sam, o Dean e a Alicia investigando um caso muito louco envolvendo uns deuses pagões e cobras assassinas. Pena que despertador tocou e eu tive que acordar. Bom capítulo! Nesse capítulo vocês vão ver que a Hunter Pri Rosen acertou uma coisa nos comentários dela. E as músicas: http://8tracks.com/ineedanotherhistory/hell-consequences-part-1. Dessa vez não tem tanto My Chemical Romance (pra alivio das pessoas normais, sim, eu tenho noção que é ruim mas eu ainda ouço isso todo o dia), nem 30STM, nem nada que eu use a exaustão, tem mtu coisa diferente do normal (eee! finalmente!)

Eu pensei que eu era a vítima, eu joguei bem

Vasculhando os registros, tentando me encontrar

Eu tentei ser a salvação, tentei fazê-la mudar

Mas eu cheguei longe demais para olhar para o outro lado

Chegue mais perto

No fundo

Você pode gostar do que eu encontrei...

Eu não sou o que eu fiz

O que eu me tornei

A arma fumegante

Não posso lutar contra essas más intenções

Eu não sou o que eu fiz

O que eu me tornei

A arma fumegante

Não posso lutar contra essas más intenções

Apenas puxe o gatilho, eu fico com a dor

Você sabe que você queria

Você sabe que você queria

Apenas puxe o gatilho, eu fico com a culpa

Eu vou ser o vilão, apenas jogar o jogo

Eu encontrei um coração amargo...

Digital Daggers

Nairóbi, Quênia, 20 de junho de 2007. Favela Kibera.

Alicia entrou no barracão abandonado, onde um informante tinha dito que poderia encontrar alguma pista. Depois de um mês e meio de uma caçada cheia de becos sem saída, qualquer informação estava valendo, mesmo uma informação mal contada e com grande probabilidade de ser uma armadilha.

Dentro do barraco estava ainda mais abafado do que na rua, embora estivesse escuro. Um cheiro de estragado chegou ao nariz de Alicia, fazendo o estomago dela se revirar. Não, a saúde dela não estava bem e aquela temperatura quente constante a estava enlouquecendo. Pouco antes dos olhos dela se acostumarem a luz fraca, ela percebeu a movimentação de alguma coisa e atirou – atire primeiro, pergunte depois.

O que foi uma boa ideia, porque a cada corpo que caia, uma fumaça negra demoníaca passava por ela. O fato daqueles demônios terem abandonado os corpos assim que ela atirou, bem, indicavam que eles não estavam interessados em falar com ela, mas também não queria mata-la, o que era um avanço.

Por mais que houvesse muitos demônios envolvidos, ainda havia aqueles que não tinham nada a ver com a história, escaparam do inferno e só queriam fazer outra coisa, ou então, não tinha nada a ver com a tal guerra.

Se falava em guerra em todo o lugar, mas ninguém explicava muito bem qual guerra. Alicia suspirou, começando a baixar a arma, mas alguma coisa se movimentou no fundo escuro. Ela levantou a arma rapidamente.

–Vamos. – disse uma voz de mulher, com aquele costumeiro forte sotaque no inglês. – eu posso te ajudar com algumas respostas.

Ela acendeu a luz, finalmente. O barraco estava totalmente vazio. A mulher era grande e gorda, com a pele muito negra, o cabelo preso num penteado elaborado, um longo vestido de tecido colorido e inúmeros colares de contas e amuletos presos ao pescoço.

Alicia saiu do caminho para a mulher passar por ela, andando depressa mesmo sendo muito gorda. Depois de hesitar um momento, ela começou a segui-la. Afinal, não tinha a nada a perder... Então Alicia pensou em Sam, e em Dean, e sabia muito bem o que ela tinha sim o que perder.

Mas não perderia essa oportunidade.

Alicia seguiu a mulher, que andava rapidamente sem ser impedida pelos buracos e pela enorme quantidade de lixo que havia na rua, enquanto Alicia tropeçava atrás dela, tentando não perde-la na rua sempre cheia de crianças e cachorros.

Chegaram a uma casa de barro e palha. A mulher entrou e a Alicia logo depois dela. Ela tinha se sentando numa enorme cadeira. A casa tinha apenas um cômodo, cheio de prateleiras com vidros, vasos, coisas penduradas, partes de animais e plantas.

–Você é uma bruxa nigeriana. –falou Alicia. A porta bateu atrás dela.

–Sim, e eu sou, e você acabou de atirar nos vasos de alguns demônios meus. Sim, é isso mesmo que você está pensando. Sou tão poderosa que esses demônios me serviam e não eu a eles. E eu poderia matá-la se eu desejasse com uma piscada, mas não é isso que eu desejo. Faz séculos que eu desejo encontra-la.

A bruxa olhou fixamente para Alicia durante algum tempo. Alicia não sabia se séculos era no sentido literal ou era figura de linguagem, mas antes que Alicia pudesse chegar a conclusão, a mulher falou novamente.

–Seu vaso está começando a se desfazer. Se eu fosse você, arrumaria outro e logo. É muito ruim quando eles vão ficando estragados demais.

Alicia tinha manchas vermelhas nas mãos e pescoços, pequenas, mas que aumentavam de quantidade cada vez mais.

–Esse não é meu vaso – respondeu Alicia irritada – esse é meu corpo.

–Bem, arrume outro. Ou prepare esse. Você irá morrer em breve.

–Eu sei, droga, o que você acha que eu estou fazendo nesse fim de mundo? – Alicia olhou com desprezo tudo a volta dela, embora sabia que esse era um comportamento imprudente.

–Procurando por respostas que não estão aqui. – respondeu a bruxa. – Asmodeus está desaparecido desde que você jogou fogo na casa dele há alguns meses. Parabéns por isso. Eu o acho muito irritante.

–Eu estou morrendo. Ele não deveria estar preocupado?

–Não me peça para falar por ele. Mas posso responder a uma pergunta sua que está te incomodando muito. Deixe-me ver suas costas.

Alicia relutou.

–Não seja boba, você está até aqui e eu ainda não te matei, menina. Vamos, deixa eu ter a comprovação.

Sem saber do que a mulher estava falando agora – por que toda aquela investigação era cheia de frases sem sentidos e pessoas que não contavam toda a verdade – Alicia se virou de costas e levantou a camiseta, a dobrando, deixando a mostra os cortes. Ela sentia dores horríveis ainda, mas não tinha havido mais sangramento.

Quando ela voltou a encarar a mulher, essa sorria deliciada.

–Justamente o que eu pensava. Está cada vez melhor para nós.

–Nós? – perguntou Alicia, curiosa.

–Nós, meio-sangue. – disse a mulher como se isso fosse óbvio. Alicia se irritou. Toda vez que ela tentava encontrar respostas, só ganhava mais perguntas. – isso, querida, são suas asas crescendo.

–-

O celular dela toca institivamente há pelo menos meia hora. Alicia o desligou novamente sem nem olhar quem era a pessoa desesperado para falar com ela, porque ela sabia muito bem quem continuava ligando e ligando. Sam, provavelmente preocupado e agora com certeza que ela estava morta ou coisa pior, mas ela não podia lidar com ele agora, não enquanto não absorvesse a informação.

Asas. Vou ter asas como de um anjo.

Asas de anjos, olhos de demônio, corpo humano sendo destruído por uma quantidade de poder absurda. Era toda essa a informação que tinha reunido desde que deixará os EUA. Bem, agora ela sabia que Asmodeus tinha desaparecido, mas a questão é, ninguém desaparece para o nada, as pessoas (e os demônios) desaparecem para algum lugar.

John Winchester e Asmodeus tinham mais em comum do que qualquer um podia imaginar, pensou Alicia, reiniciando seu caminhar em círculos pelo quarto, enquanto pensava, pensava, pensava. Beco sem saída outra vez. Ela não tinha pistas, não tinha planos, ninguém para quem ela havia ligado procurando informações ajudava. E o pior de tudo – tinha que ser discreta, então não podia procurar alguns contatos. Porque ela tinha certeza que alguns caçadores amariam caçá-la, veja Gordon, por exemplo, que tentou caçar Sam só porque tinha ouvido uma fofoca.

Claro que a resposta óbvia desde o inicio era Gleen, mas ele havia deixado a Inglaterra – foi o primeiro lugar que ela foi — e seu celular nunca atendia. Tinha sumido no mapa tanto quanto Asmodeus.

Não que Alicia não entendia o que estava acontecendo. Sim, ela entendia: Sam tinha morrido, a última proteção que ela tinha quebrado e a transformação estava se completando, mais rápida e mais intensa. A bruxa estava certa – as manchas na sua pele era o sinal que seu corpo estava cedendo a pressão de um poder não humano. E ela iria morrer. Por isso agora estava caçando Asmodeus, porque se alguém sabia como mantê-la viva, era ele.

Enquanto isso, muito longe dali, ela sabia que Sam estava tentando achar uma maneira de manter Dean vivo. Ela se perguntava o que Sam tinha feito de tão grave para merecer perder todas as pessoas que ele amava. Se não achassem um jeito, ela e Dean morreriam, e Sam estaria sozinho.

Não. Alicia iria sobreviver. Por Sam. Deixá-lo agora foi... Complicado. Sem brigas. Todo mundo entendia que havia duas vidas em risco e Alicia jamais pediria ajuda para isso. A questão da vida de Dean era pessoal demais para Sam abandoná-la.

Era uma escolha sem escolha para Sam: Dean ou Alicia? Então Alicia escolheu por ele. Porque sabia que sem Sam, Dean não ia lutar e ela também não tinha a intenção nenhuma de perde-lo.

Nós vamos sobreviver.

E ela não tinha sumido. Ela tinha mantido contato. Mas... Asas. Como contar isso para o Sam? Como contar isso para qualquer um que seja? Como lidar com o fato que Asmodeus tinha desaparecido de vez?

Outro beco sem saída. Dessa vez na Quênia. E agora ela não tinha para onde ir, e ia passar os próximos dias tentando achar algum minúsculo sinal que apontasse uma direção.

Onde está você, Asmodeus, e por que me abandonou? Afinal, eu não sou sua pequena criação? Seu plano brilhante? Por que não importo mais e fui deixada para morrer?

Ele estava esperando o último momento, o momento do desespero, para agir. Claro, ele era um demônio. Quando Alicia fosse morrer, ele apareceria com a solução, e seria sem volta.

Alicia pegou o celular e o desligou, ignorando as milhões de ligações e mensagens de um cada vez mais desesperado Sam. Aquele hotel tinha um bar, e ela precisava de uma bebida.

–-

Já era o meio da madrugada e Alicia estava se esforçando de verdade para ficar bem bêbada. O que era difícil, porque seu corpo já estava acostumado com uma boa quantidade de álcool.

–Você está tentando conservar seus órgãos em álcool? – perguntou o homem e Alicia o ignorou. Não era o primeiro homem a abordá-la naquela noite. – ouvi dizer que formol é mais eficiente, Alicia Kavanagh.

Alicia olhou para o homem ao seu lado, realmente o vendo, seu coração disparado. Ele saber o nome dela provavelmente era ruim, mas também podia ser exatamente o que ela estava procurando.

–Como sabe meu nome? – era a pergunta obvia.

–Eu a reconheceria em qualquer lugar. – sorriu o homem misteriosamente. – e você caiu direitinho nas palavras daquela bruxa. Ela te afastou da entrada do submundo.

Alicia foi pega de surpresa.

–Tem um submundo aqui?

–Há submundo em todas as grandes cidades do mundo, querida. Fui eu que te dei a dica. A questão é... Eu quero encontrar Asmodeus e descobrir o que ele está fazendo.

–Quem é você?

Os olhos do homem se escureceram, relevando que ele era um demônio.

–Vamos dizer que eu seguia Azazel.

–Azazel está morto. Eu vi ele ser morto.

–Mas as facções ainda existem e é por causa disso que não posso entrar no Submundo daqui, mas aqui estão as repostas. E você pode entrar até lá. Estive te ajudando para evitar o contato, mas agora você foi facilmente enganada e eu tive que interferir.

–O que você quer? – perguntou Alicia, animada, assustada e ansiosa.

–Asmodeus e Azazel eram inimigos. Ambos odiavam a humanidade e queriam destruir o mundo e governa-los, mas cada um tinha um plano. Agora com Azazel morto, adivinha quem está ganhando a guerra? Isso mesmo, Asmodeus. Mas a morte de Azazel foi um grande imprevisto nos planos de Asmodeus e o que estávamos esperando é que... Ele agisse. Que ele estivesse te treinando. Mas você está aqui e tão perdida quanto todos. A questão é, Alicia, que se ele souber que você está o procurando, talvez ele apareça; os aliados dele dominam o submundo aqui. Vá lá e mostre a que veio. Mostre quem é. Mostre seu poder.

O demônio gargalhou alto e um silêncio se espalhou pelo bar lotado. A cada segundo, Alicia sentia mais medo. Seu coração estava disparado e ela tinha dificuldade para respirar.

Mas nunca esteve tão próxima do seu objetivo.

Notas finais
Mais umas coisinhas... Pra quem quer saber quantas temporadas vai ter isso: Bem, Supernatural renovou pra decima, e enquanto tivermos Supernatural, vocês quiserem ler e eu quiser escrever, provavelmente eu vou ter ideias para essa história. Atualizações: se eu conseguir me organizar, de 3 em 3 dias tem capítulo novo. Logo, domingo o capítulo dois está ai. Comentários?