Helium
1 Helium
Notas iniciais
Tive um momento de extrema fraqueza e havia alguém ali por mim, para me erguer mais uma vez. Se você precisa de alguém que faça o mesmo, pode contar comigo. Estarei sempre disponível a qualquer um que precisar de ajuda ♥
Era fim de tarde, numa terça-feira, e eu estava deitada no chão do banheiro com o som ligado. Lágrimas escorriam pelo canto de meus olhos, pingando em meus cabelos ainda úmidos do banho. Estava tão, tão, tão cansada. Meu corpo parecia pesado, como se fosse feito de chumbo, e eu mal conseguia me mover. O esforço de erguer um único dedo parecia esgotar todas as minhas forças. Não podia mais continuar. Deus, eu estava tão, tão, tão cansada.
Sem perceber, comecei a pensar em todas as escolhas que tinham me levado àquele ponto. E se eu tivesse escolhido caminhos diferentes...? E se não tivesse me levado ao limite tantas vezes...? Solucei.
Ao longe, como se fosse outro mundo, ouvi o som da fechadura sendo destrancada. Não demorou nem três minutos para que me encontrasse ali, deitada no chão do banheiro. E eu continuava tão, tão, tão cansada. Senti seus braços ao redor de meus ombros, depois o calor de sua bochecha apertada contra a minha. Seus lábios se moviam, mas eu não ouvi nem um único som. O que estava dizendo, afinal?
Seus dedos foram parar em minha garganta imediatamente. Ah, sim... Os comprimidos. Antes de deitar, tinha tomado alguns comprimidos. Uma dúzia, ou duas, ou três... Já não conseguia lembrar.
De forma lenta, pude sentir o meu corpo amolecer em seus braços. Era como se eu finalmente estivesse me permitindo partir, deixando tudo para trás. Deixando—o para trás. Como se visse tudo acontecer por trás de um vidro, estendi a mão para o meu corpo pálido. Eu finalmente estava indo embora. Depois de tantas tentativas, dessa vez... dessa vez... eu estava mesmo... Não.
Ah, Deus, o que eu tinha feito?! Como pude abandoná-lo assim, sem nem ao menos me despedir? Não podia ir embora agora, não podia deixá-lo! Como ele viveria sem mim, sem minhas piadas ridiculamente sem graça, sem minhas indicações ruins de músicas? Era a minha pessoa e eu não tinha direito de abandoná-lo assim.
Quando seus dedos vieram à minha garganta pela terceira vez, engasguei e vomitei. Os comprimidos saíram de uma só vez, sujando a nós dois. Ao redor de meus ombros, seus braços magros me apertaram. Recuperando aos poucos os sentidos, pude ouvi-lo chorar.
Como eu pude sequer pensar em abandonar a minha pessoa?
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