Helena Quer Um Namorado
2 Uma Pergunta Inesperada
– Caraca! Fui péssima na prova de inglês, também, quem mandou não estudar, agora tenho que aceitar as consequências, minha mãe vai me matar!
– Calma Helena, não é assim, também achei a prova difícil, acho que a professora exagerou!
– Mari, se você achou a prova difícil, então eu tô mais ferrado do que imaginava...(disse Helena com voz de choro)
– olha a Rafa alí!
– e aí Rafa, como foi na prova? (perguntou Mari)
– Veri guud rapá! Tava molezinha, não acharam?
– Não! (responderam juntas Helena e Mari)
– What? Helena, você não estudou, aposto! Mas você Mari? Não entendi, tu é maior cabeçuda...
– É que eu não sou boa em inglês, é a única matéria que tenho dificuldade! (disse Mari)
– Por que não me deu o papo, eu podia ter te dado um help, i like speak english!
Nesse momento chega Carol, e suas inseparáveis “amigas” Marcela e July.
– Olha a favelada achando que fala inglês, maldita inclusão social! Queridinha, onde você aprendeu a falar assim, foi no curso do Joel Santana, foi? (Riram as três patricinhas)
– Cala a boca, patricinha escrota! Deixa minha amiga em paz! (Helena com muita raiva)
– Calma Helena, suave, não perde a linha por causa dessa recalcada não, deixa que eu mesma vou fazer ela ralar daqui (falou Rafa enquanto segurava Helena pelo braço)
– Ah é? E o que você vai fazer? (perguntou Carol)
– Eu, nada! Mas ele sim! (diz Rafa apontando em direção à janela do terceiro andar, onde seu amigo Gabriel está. Ele segura uma bexiga com água)
– Lá vai bomba anti-patricinha! (grita Gabriel, enquanto joga a bexiga em direção a Carol)
Carol é rápida, ela consegue sair da direção da bexiga, que acerta em cheio July, que estava imediatamente atrás de Carol.
– Ahhh! Meu cabelo! (July choraminga)
– Mais com você lerda hei July! (diz Carol ajeitando o vestido)
Caem na gargalhada Helena, Rafa e Mari.
– Isso não vai ficar assim! (Disse Carol apontando para o trio)
– E você seu delinquente, vai ver só! (Disse Carol para Gabriel, que fazia caretas para ela)
– Vamos meninas! (diz Carol muito brava)
Nesse momento Gabriel vem em direção a Rafa, com um largo sorriso no rosto.
– Gabriel, valeu pela ajuda! Mas acho que tu não devia ter tacado aquela bexiga na patricinha, ele vai querer se vingar... (disse Rafa preocupada)
– Eu sei disso, mas é que eu não aguento ver a Carol te incomodando, além disso... Eu gosto de você... Você é minha amiga, sempre que eu puder irei te ajudar, pena que não a acertei... (risos)
– Pô cara, mas só de ver a paty número dois toda molhada, foi demais! (risos)
O sinal toca, o intervalo terminou, é hora dos alunos regressarem para a sala de aula.
– Vamos meninas! (disse Mari, andando em direção ao corredor principal, sempre preocupada em não se atrasar)
– Espera Mari! Essa não tem jeito, que raiva desse povo! (Disse Helena)
– Partiu, Helena! (Disse Rafa caminhando ao lado de Gabriel)
Helena ficou um pouco para trás, parecia procurar algo, ou ver alguém, ele caminha sem pressa pelo corredor principal, mas ao invés de subir à escada em direção as salas de aula, ele segue pela esquerda, em direção ao pátio, onde vê Felipe sentando em um banco. Ele fica atrás de uma pilastra a observá-lo, ele parece pensativo, nem a percebe ali. Helena sentiu uma vontade imensa de se aproximar dele, e perguntar o que estaria se passando com ele, se estaria chateado com alguma coisa, nesse instante de reflexão, ela nem percebe que ele a olhava, quando ela voltar seu olhar a Felipe, os olhares se encontram, ele fica sem jeito na hora, e desvia rapidamente seus olhos para outra direção, ele percebe que a deixou envergonhada. Helena começa a andar em direção de volta ao corredor principal, quando Felipe a chama (e pelo nome!)
– Helena! Espere, você pode vir aqui um minuto?
– E que... O sinal já tocou! (disse Helena meio sem jeito)
Helena não esperava esse convite, eles nunca haviam conversado, no máximo haviam trocado algumas palavras na sala de aula, Helena tinha receio, será que ele estaria tramando uma para ela, afinal ele era namorado de sua arqui-inimiga, ele poderia estar informado do que ocorrera a pouco. Helena, sempre impulsiva, não ia deixar de descobrir qual era a de Felipe, além do mais ela ainda estava apaixonada por ele (seu coração não deixaria essa oportunidade passar), então resolveu ir até ele, sentando-se do seu lado.
– Então, o que é? (perguntou Helena, com um tom inquisitivo)
– É só uma pergunta... Você já teve que dizer ou fazer algo só para agradar outra pessoa?
Helena, se assusta um pouco com a pergunta, não esperava isso, e por que ele estaria perguntando isso a ela...
– É... Bom, acho que uma vez ou outra talvez... Mas a verdade é que não gosto de fazer nada que não me agrade, principalmente se for para satisfazer a vontade de outra pessoa, acho que devemos ser fiéis a nós mesmos, fingir ser uma coisa que não somos, é uma burrice, pois podemos enganar a pessoa por um tempo, mas jamais iremos enganar a nós mesmo, além do mais, uma hora ou outra a nossa máscara cai e a outra pessoa irá perceber o quanto fomos desonestos.
– Entendo... Obrigado pela resposta, na verdade, não esperava outras palavras, você sempre me pareceu uma menina de muita atitude! (disse Felipe olhando Helena nos olhos).
Nesse momento, chega a inspetora (muito brava), que os manda ir imediatamente para a sala de aula, Felipe corre, mas antes ainda tem tempo de beijar Helena no rosto, que fica totalmente sem jeito, mas não perde a pose de marreta, e corre atrás dele dizendo:
– Eu te pego seu metido! Ai que raiva desse povo!
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