Notas iniciais
Oioioioi

Nossa, eu prometi muito essa história pra vcoês, não é?
Estou eu aqui a uma da manhã postando primeiro capítulo de fanfic - Eu realmente não tenho salvação kkkkk

Espero que gostem dessa fanfic nova. Essa não era minha ideia inicial, mas acabou saindo isso.

Divirtam-se!

Provavelmente as moedas que estou lucrando com o jogo, não serviriam para nada além de comprar pães ou um balde de água fresca, afinal, aqueles homens com correntes nos pescoços e marcas em seus ombros, são nada mais que escravos. O pôquer com eles era mais interessante, não que eu seja viciada ou maluca, apenas acho que o jogo com as mulheres da cidade é extremamente tedioso, mas aqueles homens, xingavam quando perdiam, xingavam quando ganhavam, tiravam tudo do seu amigo ao lado, até a última moeda e não agiam como árvores o tempo todo. Após algumas risadas, o jogo acaba e eu me levanto, saindo do bar onde a maioria das mulheres me olhavam com caretas.

Apenas ignoro, minha mente se esforça para não ouvir as piadas infames que fazem mentalmente com meu nome. Bom,aqui falar com escravos inferiores está totalmente fora de cogitação, ainda mais quando todos os escravos se tratavam de homens, o que era proibido em Temiscira. Os homens que entram aqui por engano, ou a pedido de suprimentos, são confinados dentro dos muros de ferro, impedidos de sair até que chegasse o ritual da lua cheia, e eu tenho a absoluta certeza de que eles estão rezando para que esse dia não chegue logo.

Particularmente eu acho essa comparação que as anciãs fazem de nós com as guerreiras amazônas tão desnecessária, que eu procuro não lembrar, mas isso se torna difícil quando a maioria dos habitantes de Temiscira são em sua maioria mulheres feiticeiras. Os homens, que eu citei antes, são apenas escravos e nada mais que isso, sevem apenas para a procriação — Que estranhamente a taxa de natalidade é mais elevada no sexo feminino. Os meninos que nascem aqui têm o direito de viver e permanecer na cidade, com as mesmas regalias que as mulheres.

As pessoas passam por mim como se não me notassem, mas mal sabem elas, que posso ver dentro de suas mentes, posso ver como eu virei motivo de fofoca entre elas desde o meu nascimento, há dezessete anos atrás, desde que minha mãe me deu a luz.

O sol se põe enquanto entro no liceu. Os corredores estão cheios de mulheres com vestidos coloridos, encrostados de pedras brilhantes e penas. Aquilo significava apenas uma coisa: A lua cheia estava chegando e o destino dos meus amigos estava vindo junto com ela.

Uma multidão de pessoas coloridas me arrastam até o pátio do liceu — contra a minha vontade — que surpreendentemente está cheio, todos estão com suas melhores roupas, revestidas de ouro e peroladas, suas cores são o azul e o laranja, fazendo com que o grande salão pareça um oceano, mas olhando bem os rostos dos indivíduos presentes, eu prefiro comparar a um mar de tubarões.

Morgana caminha até mim com passos lentos e demorados, fazendo questão de mostrar sua perna delineada e musculosa através da fenda em seu vestido azul, senti o sangue subir até minhas bochechas quando olhei minhas botas de borracha sujas de lama, havia voltado a pouco tempo da caçada e ainda não tive tempo de me limpar.

— Chad. — Apertou meu nome em seus dentes como se fosse um osso. — Tomando banho de lama de novo?

Apenas dou a volta e tento sair do pátio cheio de pessoas, mas Morgana agarra meu braço e finca suas unhas pontudas em minha carne. Seu rosto se transforma em uma carranca. Seus olhos castanhos se tornam pretos e até posso sentir um frio fora do normal emanando de suas mãos ásperas.

— Saia desse pátio e só volte quando estiver apresentável, você não vai envergonhar o nome de minha família. Não é porque você foi amparada por meus pais que você tem o direito de fazer o que bem quiser com o nome que eles lhe deram!

— Me solte! — Segurei a vontade de socar seu rosto perfeito e apenas puxo meu braço com brusquidão, deixando arranhões em minha pele, mas sua mão continuava firme em meu antebraço. — Eu não vou voltar.

— É o festival da Lua Nova, você deve sua presença a eles. Troque de roupa e volte.

— Me solte agora mesmo. — Falo pausadamente e entredentes enquanto invado seus pensamentos, seus olhos se fecham e posso sentir a enxaqueca que sentirá em alguns segundos. Sua mão joga meu braço para longe enquanto massageia suas têmporas.

— Nunca mais entre na minha cabeça de novo! — Pude ver gotas de suor em sua testa. Morgana apenas deu meia volta e foi para a mesa de bebidas.

Pisquei meus olhos senindo vertigem e resisti ao impulso louco de gritar para todos calarem a boca, mas não estão falando e sim pensando. Suas vozes se misturam em minha cabeça e eu não consigo ouvir ao menos as batidas de meu coração.

Apresso meus passos para a saída, e pude finalmente respirar e ouvir meus próprios pensamentos. Caminho para longe daquele lugar e subo o pequeno morro onde apenas os grilos cantam, e é tão escuro que todas as estrelas brilham como vagalumes presos a uma rede azul. A via láctea corre como o próprio nome diz, então posso relaxar em paz, deitar minha cabeça na grama verde e imaginar como as estrelas passam o dia.

Puxo o ar fresco e inspiro, soltando a força que seguro quando há pessoas a minha volta, mas logo escuto um cantarolar grave e detenho a sensação de liberdade.

— Por que você correu da sua prima daquele jeito? — Uma voz familiar preencheu meus ouvidos. Abri apenas um dos olhos e vi Enzo levantar uma sobrancelha castanha. — Eu sei que você tem medo dela, mas não sabia que era tanto.

— A sua voz está me incomodando. — Viro para o outro lado enquanto meu amigo cutuca minhas costas levemente com a ponta dos sapatos. — Você deveria estar na festa.

— Eu não gosto daquilo. — Com um baque surdo, ele senta ao meu lado, seus olhos vagam pelo céu. Enzo tem ressentimento com as leis de Temiscira, eu me lembro de quando eu tinha oito anos. Seu pai foi obrigado a deixar a cidade depois que ele completou treze primaveras, os gritos de sua mãe misturavam-se com os do pai dele e Enzo encarava a cena estarrecido, paralisado. Não houveram mais notícias do homem. — Eu sinto como se tudo aqui fosse vidro e estivesse prestes a estilhaçar.

Assenti em silêncio e volto a observar os pequenos pontos luminosos no céu. Eu sinto como se ao nascer, um pedaço de mim fôra deixado para tás, ou talvez eu tenha trazido uma parte que não é realmente minha. Algumas pessoas ao longo dos anos dizem que sou especial, outras que eu sou estranha ou que sou um erro do universo, o prolema é que eu não me sinto confortável com as pessoas ao meu redor, eu já pensei que eu fosse misândrica, mas não é isso, eu não odeio as pessoas, apenas não me sinto confortável no meio delas.

— E aquela coisa que você faz? — Levanto uma sobrancelha. Não entendo o que quer dizer. — Seus poderes psciquicos. Eles voltaram?

— Ah, isso. Bem, há algo de errado, eu estou com um pressentimento estranho. — Me sento e abraço meus joelhos. — Eles estão mais fortes, eu escuto as pessoas com mais facilidade, antes eu tinha que fazer esforço para ler o que estavam pensando. Agora, eu tenho que ter um empenho colossal para não ver a mente deles.

— E por que você retrai isso? Digo, isso é um dom extraordinário! Você pode fazer coisas inimagináveis!

— Você não entende. As vezes eu me pergunto como deve ser alguém normal. Eu nunca posso chorar, ficar com raiva de alguém ou isso — Dou tapas leves na minha cabeça — Isso me faz sentir dores colossais! Por isso eu não vou à aquela festa.

— Desculpe. — Olho para cima, encantada com as luzes. Rezo mentalmente para que Enzo mude de assunto, até fecho os olhos, mas sua voz continua. — Você já leu a minha?

— Eu evito isso. — Ele insiste em fazer essa pegunta, mas sabe que eu geralmente nunca costumo nunca ler pessoas próximas a mim. Quando acontece, eu sempre estrago tudo.

Continuamos olhando para o céu. Enzo me conta sobre coisas que tem feito, fala sobre o Ritual da Lua Cheia e eu finjo ouvir e prestar atenção no que ele diz. Meus olhos acompanham o ritmo que alguns cometas fazem com suas caldas coloridas e reluzentes, me incomoda o fato de que várias estrelas sumiram dos céus, uma de minhas teorias dizem que é por culpa da hecatombe, acho que elas fugiram dos céus ou se juntaram aos anjos na destruição do mundo.

Meus olhos se abriram com dificuldade, como se estivessem grudados. Mesmo que eu dormisse por oito horas, meu corpo ansiava por mais descanso, como se enquanto estava em meu sono, uma manada de elefantes tivesse me atropelado.

Fiquei muito tempo conversando com Enzo e acho que acabei adormecendo, ele deve ter me trazido para casa. Tenho que lembrar de agradecer. Quando o sol começa a sair, sei que a hora do treino está chegando. Tomo um banho demorado. A tina é grande o suficiente para caber todo meu corpo lá dentro e mergulho minha cabeça na água. Imagino um peixe, não, um cardume inteiro nadando ao longo do fundo de um enorme oceano, depois baleias e raias. Sempre tive vontade de ver uma baleia, mas elas foram extintas a cem anos atrás, só me restam recortes de livros antigos.

Visto meu uniforme, um macacão longo, preto e justo com um casaco vermelho e prendo meu cabelo com um coque. Hoje é o primeiro dia de treino fora de Temiscira, é uma das desvantagens de se completar dezoito anos em pleno outono. Meus tios ainda estão dormindo e Morgana não está mais em casa, então não tenho muita dificuldade que possa me atrasar ainda mais.

O liceu já está aberto quando chego, todos já estão alinhados em fila indiana esperando ser chamados por Victória, a tenente. Abro meu armário e retiro meus punhais, ajustando os mesmos em meu coldre duplo. As armas já estavam prontas e carregadas, juntamente com as facas maiores que se entrelaçam em um "X" nas minhas costas.

Enzo está na fila, é um dos poucos homens que faz parte da guarda de caça, juntamente com Arthur, um cara que entrou na guarda há algumas semanas, é um brutamontes que nunca erra a mira em treino de flechas; Outro é Almiro, ele é o tipo de lutador que já te derrubaria e arrancaria o seu coração em um piscar de olhos sem você notar; Vougan é o menor de todos, não devia passar de um metro e meio, está aqui porque seu pai cismou que deve aprender a lutar cedo, mas apesar da altura ele é ótimo com luta de espada curta, até melhor que eu; E finalmente Aodh, dizem que as salamandras* o dão poder para que não se queime em meio ao fogo. Não sei como surgiu aquele mito, mas ele é tão estranho que todos evitam sua presença e ele parece agradecer silenciosamente.

As outras pessoas no liceu são mulheres, consigo distinguir Morgana ajustando os cintos de couro com suas facas.

Vi Genoveva caminhar até mim, é uma amiga fiel assim como Enzo, ela chegou a pouco tempo no liceu, como Arthur. Ela é extrovertida demais, o que nos ajudou a fazer amizade. Seu rosto é como o de uma boneca de louça e os cabelos louros caem em cascata nos ombros em uma maria chiquinha mal feita. Ela dizia que éramos irmãs, apesar de sermos muito diferentes fisicamente, seu corpo magro e branco se diferenciavam de maneira sutil de meus braços musculosos de treino e a pele cor de caramelo.

— Olha o que eu trouxe. — Abriu as mãos discretamente enquanto revelava os pequenos pedaços de chocolates quase derretidos.

— Uau! Onde conseguiu? — Minha boca enche de água quando sinto o cheiro do doce.

— Roubei da dispensa. — Nós duas rimos discretamente. Genoveva olhou em volta a procura de nosso único amigo.- Onde está Enzo? — Não precisei responder, ela o enxergou em meio a fila e me deixou com um pedaço do doce grudento antes de ir atrás dele.

Rápidamente Victória entrou no recinto com um fuzil pendurado no ombro, fazendo com que, ao notarem sua presença, nós nos colocássemos em nossos lugares imediatamente. Enfiei meu chocolate na boca e fui para o quadrado com meu nome escrito em letras engarrafadas, logo atrás de uma garota de cabeça raspada. Victória olhou cada um de nós em silêncio absoluto. Seus cabelos ruivos caíam como cortinas em seu rosto deformado por uma cicatriz que cortava a pele na diagonal.

— Peguem suas armas! Peguem seus arcos, facas e flechas! — Ela deu um olhar raivoso sobre nós. Sua voz ecoava junto com a chuva que caía lá fora. — Soldados, hoje será um dia glorioso para o seu treinamento, hoje nós saberemos quais de vocês serão escolhidos para defender nossa resistência! Nós iremos matar demônios e espetar suas cabeças em nossos portões. Quanto aos anjos assassinos, iremos enfeitar nossos portões com as penas metálicas de suas asas!

Todos nós gritamos, em apoio levantando as armas em mãos, espantados e ao mesmo tempo ansiosos com a possibilidade de encontrar criaturas através daquele portão.

A adrenalina toma conta do meu corpo enquanto o pelotão avança, ensopados de água até os ossos em direção ao grande portão. Ameaço colocar para fora tudo que comi no refeitório quando ao avançar pelos três portões, percebo cinco estacas e cada uma está enfeitada com uma cabeça demoníaca.

Notas finais
Foi um capítulo sem surpresas, admito.
No próximo vamos conhecer nosso novo telepata albino!
* Salamandras: Elementais do fogo