Heaven in Hell
1 Capítulo 1
Notas iniciais
ESPERO QUE GOSTEM!
DEIXEM REVIEW HEIN!
Após uma exaustiva viagem de 12 horas, eu finalmente cheguei ao meu destino: Gladstone, Austrália. Um lugar com o clima quase igual ao da minha cidade natal, Rio de Janeiro, mas muito menos da metade do número de pessoas. Fazia um grande calor, e eu não sabia ao certo para onde me direcionar e como encontrar minha host-family, já que eu os vira apenas uma vez, em uma foto que a agência de intercâmbios me mostrou há mais ou menos dois meses. Não me lembro muito bem dos rostos, mas na foto estava uma mulher de mais ou menos 35 anos, um homem de quase 50, eu imagino, e um menininho que não deve passar dos 12.
Pedi informação a um segurança sobre o local em que eu deveria esperar, mas ele disse que eu estava exatamente onde deveria estar. Fiquei pelo menos 45 minutos esperando alguma alma viva aparecer com uma placa com o meu nome. A essa altura — e com a fome que eu estava — até mesmo se aparecesse um canguru com a placa com o meu nome amarrada nas costas eu o seguiria até sei lá onde. Desde que ele me desse comida, que mal tem?! A vida no seu limite, selvageria... É provável que a fome esteja me deixando um pouco louca.
Vi a moça da foto se aproximar de mim com um enorme sorriso no rosto. Sem dizer nada, ela pegou minha mala e me pediu para segui-la, mantendo o sorriso intacto em sua face. Chegamos até um carro baixinho e pequeno, de pintura velha e arranhada cor de berinjela. A moça arremessou minha mala no porta-malas e entrou no carro. Eu, em choque, fiquei parada até que ouvi aquela mulher buzinar, e então entrei no carro.
- Então... – Comecei, revirando minha cabeça para encontrar um assunto para falar. Mas a única coisa em que eu conseguia pensar era que aquele carro cheirava a pizza e nachos. – Meu nome é Liz.
- Eu sei. – A mulher respondeu, sem mudar de expressão.
- E o seu é...?
- Davina.
- É um prazer te conhecer, Davina. – Comentei, mas ela não respondeu. Observei bem a mulher ao meu lado. Seus cabelos longos e loiros caíam sobre seu ombro, e a saia azul marinho até acima dos joelhos a apertava mais que minha calça jeans mais justa. Salto alto, blazer branco... Um enorme contraste com a condição do carro que a mesma dirigia naquele exato momento.
Chegamos a um portão preto desenhado. Uma câmera seguiu o movimento do carro, e por um segundo me senti uma criminosa sendo observada pelas câmeras da cadeia.
O portão abriu, e um caminho dentre a grama repleta de flores pequenas apareceu, levando a um estacionamento a céu aberto que ficava em frente a uma casa azul, de apenas um andar, que aparentava ser pequena. Davina saiu do carro, pegou minha mala no porta-malas e adentrou a casa. Depois de um tempo observando a entrada da casa, entrei. Havia uma sala de estar e uma de jantar, as duas no mesmo ambiente, e seu fundo era aberto, com uma parede de vidro com uma porta deslizante que dava para uma praia.
- Davina? — falei alto, olhando pros lados. Paralisei quando senti nas Minhas costas algo gelado. Talvez água. Eu estava completamente encharcada. — Mas o que... — Comecei a falar, olhando para trás. O menino da foto, gordinho e loiro, me olhava e ria, com o balde de água na mão. Ouvi uma risada grossa vindo da cozinha, e direcionei meu olhar ao homem alto de terno, com cabelos grisalhos. George Clooney, é você?
- Você não deixa passar mesmo, hein Andrew! Puxou o pai. — Ele disse, passando por mim sem ao menos me olhar.
- Oi, licença. Meu nome é Liz, e não sei se vocês sabem, mas eu vim passar três meses aqui, com vocês.
- Eu sei. — O homem disse, pegando um copo de whisky e se servindo. — Meu nome é Ernest. Vou te dar o dinheiro que você precisa, e minha mulher cuidou de deixar uma carta no seu quarto que explica tudo o que você precisa saber. Vamos, Andrew? — Ele perguntou ao menino, que estava de terno também. Seu blazer tinha um símbolo do lado esquerdo do peito, que eu imagino ser o brasão do colégio dele. E então os dois saíram pela porta, me deixando sozinha.
Apesar do choque de realidade que eu havia recebido ao perceber que minha host-family não dava a mínima para a minha presença ali, e que meu novo irmão era uma peste, dei conta de explorar a casa como pude, e de achar meu quarto por mim mesma. Era uma cama de solteiro encostada na parede azul debaixo de uma janela, um móvel com uma tv e um armário que ocupava a parede inteira. Simples, mas achei aconchegante.
Abri a carta que Ernest citara, que estava sobre a mesa da televisão.
"Liz Handy.
Olá. Bem-vinda à casa dos Stone.
As regras são muito simples por aqui: você não deve incomodar o senhor e a senhora Stone enquanto os mesmos se encontram trabalhando, e o mesmo se aplica aos estudos de Andrew. A casa não está aberta para visitação de toda e qualquer pessoa que a senhorita vir a conhecer. Não incomode os vizinhos. Sua estadia nos cômodos é liberada quando nenhum Stone se encontra utilizando o cômodo em questão.
Seu uniforme escolar está no armário, junto à chave do cadeado de sua bicicleta — a qual se encontra nos fundos da casa — e a uma bolsa pequena com seu dinheiro para a semana.
Sinta-se livre para ir à praia e comer o que quiser de nossa dispensa.
Agradecemos.
Os Stone."
Que porra é essa?! Parece até que eu sou uma intrusa!
Joguei a carta em cima da cama, peguei meu biquíni e fui até a praia. Ouvi uma música vindo da casa ao lado, mas simplesmente ignorei. Segundo a minha cartinha tão fofa, não posso incomodar os vizinhos. Alguns minutos depois, ouvi uma mistura de vozes, também da casa do vizinho. Não olhei. Peguei meu celular para mandar uma mensagem para a minha mãe.
"Oi mamãe! Já cheguei, e está tudo uma maravilha. Estou na praia com a minha host-family. Obrigada por investir no meu sonho! Vou aproveitar ao máximo. Beijos."
Fechei os olhos e cochilei, me sentindo culpada de ter mentido.
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Acordei de repente. Um barulho insuportável de música eletrônica vinha da varanda da casa vizinha, e muitas pessoas nadavam e jogavam bola, algumas com latas de cerveja nas mãos. Senti a ardência na minha pele e me levantei. Uma bola de futebol americano veio em minha direção e acertou meu rosto, me fazendo cambalear para trás.
- Mas que porra é essa? — Falei, abaixando e colocando a mão no rosto. — Quem foi o filho da puta?
- Calma, princesa! Machucou? — Uma voz masculina falou atrás de mim. Olhei pra cima, e um deus greg... Um menino sem camisa estava parado com a bola que me acertara na mão. — Pergunta idiota, eu sei. — Ele disse, soltando um riso fraco. "Talvez ele seja legal...", pensei. — Levar uma bolada minha não deve ser nada legal. Academia todo dia, sabe como é né.
É, acho que eu tirei conclusões precipitadas demais. Peguei minhas coisas na areia e saí andando em direção à minha casa.
- Minha casa está aberta pra você, gata. — ouvi o menino gritar atrás de mim. Parei, olhei para a casa dele, que estava lotada de adolescentes quase nus bêbados ouvindo música alta. Me virei para ele e respondi:
- Não, obrigada. — Respondi, e continuei meu caminho.
Tô vendo que esses três meses vão passar arrastados.
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