Heaven Hell Céus do Inferno

1 Um degrau antes do céu.


— Jim? James! — A professora o chamou num tom de voz severo, puxando com a ponta dos dedos sua pasta, contendo faltas e presenças dos alunos, ali, dentro daquela sala de aula. James espantou-se com a voz irritante da idosa professora, mas acordou naquele instante, fitando seus colegas que lhe observavam por segundos. — Presente! Eu? — Exclamou e indagou, confuso e envergonhado pela situação. Apoiava os braços sobre a mesa enquanto se mantivera sentado sobre a cadeira, ambas as peças e o rapaz encostados sobre a parede, canto da sala. — Os sonhos estavam bons? Eu acredito que sim. Para ter substituído sua presença aqui, não? — Irônica, a professora o enrubesceu um pouco, deixando-o sem argumentação. — Desculpa! Eu (...) — Ao tentar explicar-se, era logo interrompido pelo alarido do sinal que indicava o fim do horário escolar. O garoto guinou um tanto o semblante, curioso e surpreso, não demorou para se esquivar do assento e levantar-se.

— James, o que está acontecendo? Já é a quarta vez só nesta semana. Você não acompanha seus colegas, dorme em sala, não tem entregado todos os deveres. — Rachell, a professora, o alertou e junto dele para fora da sala, pós a saída da maioria, o acompanhou, até pelos corredores da escola tumultuada. — Eu, em certo grau até me forço, preocupando-me com você, moço! Mas não há outra escolha à não ser seguir os padrões de avaliação, como qualquer outro professor que tenha. — Rachell franziu as sobrancelhas, não deixando o rapaz isento de sua situação. Carregava uma bolsa sobre o ombro destro, e a pasta que dedilhava sobre este, e a mão canhota. — Minha mãe tem tido problemas com a cuja depressão, senhora. Pós separação: Dela e de meu pai, responsabilidades que eram dele, passaram à ser minhas. — Exclamou num tom baixo de voz para ela, enquanto caminhava um tanto, com ambas as mãos enroscadas, uma sobre cada alça da própria mochila rubra, e suspensa sobre as costas. — Vocês não possuem familiares próximos? Porque James, você está com um pé para fora dessa escola desde o inicio do ano. Suas notas são razoáveis e mediante a tais complicações, eu lhe peço que se esforce o suficiente, mesmo que temporário, mas para que não fique no terceiro ano, protelando sua formatura. — James gesticulava bem pouco com as mãos, e raramente com o rosto, já por estar cabisbaixo com situações distintas. — Bom, eu (...) — Ele era logo interrompido, novamente, por Rachell, antes de ambos se separarem. — Seria pertinente um diálogo com sua mãe, Jim. — O garoto suspirou ao afastar-se um pouco da professora, pós ouvi-la. — Isso é sério, Jim! Possivelmente, mediante a uma conversa, diálogo perante você; conseguiremos uma solução plausível, que lhe deixe preparado para estudar. — Ele à fitou ligeiramente, pós boca e os olhos. — É... — E logo se virou para a saída da escola, depois de ambos terem seguido o extenso corredor, Rachell seguiu para a sala dos professores despedindo-se dele rapidamente, tomando um rumo diferente.

Ao sair da escola, localizada no Brooklyn, em Nova Iorque. Na mesma tarde, Jim, ao pisar portão à fora: Reparou nos demais alunos que seguiam rumo à suas casas, e outros que matavam o tempo conversando em seus respectivos grupos. — Minha mãe pode se poupar, por hora, de se incomodar com isso. Ela mal tem saído de casa, e quem tem feito as compras e acertado contas, tem sido eu. — E ao resmungar consigo mesmo, tendo em mente que o dia seguinte seria especial para ambos, enquanto caminhava, atravessando o asfalto e seguindo em frente, do outro lado da rua; se pode perceber um grupo razoável de "Punks" se formar. — Merda! — Jim suou frio, tremeu todo por dentro para não transparecer exteriormente, fitando os motivos pelos quais não se abdicava pelos estudos como antes, e expressando-se com um palavreado em tom baixo.

Não demorou muito para que os Punks se aproximassem de forma brusca, para perto de James. Trajando coturnos, luvas e camisetas escuras, moicanos simples, deitados e até mesmo os mais gritantes, cintos de rebite e apetrechos como correntes que escorriam de seus bolsos, das calças rubras e até camufladas, semelhantes a fardas. — Olhem só, o meu bastardo favorito! — Exclamou "Shipp", aparentemente o "ponta firme" do grupo, que sacava de trás de si um "soco inglês": O qual girou duas vezes sobre o seu dedo indicador esquerdo, e logo se encaixou, ajeitando-o e fixando-o sobre os dedos destros, findando num punho cerrado. — Temos assuntos pendentes! — Os demais rapazes riam e debochavam ao mesmo tempo que cercavam o garoto, enquanto Shipp o ameaçava. — Aliás, o papo é com a tua mãe, não contigo. — Jim deu um passo para trás, sentindo-se acuado, e ao espraiar olhares ao seu redor, ofegava. — Eu vou ter a quantia em breve, Shipp. Você tem a ciência disso. Logo mais, não deveremos aluguel algum para o teu tio. — O garoto fez o possível para manter a calma, pois conhecia os rapazes de longa data. — Diga pra vagabunda da tua mãe que ela pode pagar de outra forma. — Shipp se aproximou o máximo que pode, peitando James, fitando-o de cima, os seus olhos castanhos. — Todo mundo sabe o quão tua mãe é gostosa; e eu sei o quão solteira ela está. Afinal, teu pai decidiu bancar o covarde e se mandar, deixando você e ela para trás. — O ódio ofegou sobre a boca de James, tendo de ouvir ofensas absurdas de alguém mais covarde que seu próprio pai. — Shipp, teu tio sabe que você veste as cuecas dele para cobrar os inquilinos? Afinal, não é todo mundo que pode se engrandecer às custas de um tio "traficante". — Shipp rangeu os dentes, mostrando-os por segundos, pois segurou Jim, pelos ombros; desferindo um chute sobre a lateral de seu joelho. O mesmo fez outro integrante do grupo, mas no outro joelho de James, fazendo-o ajoelhar-se perante a todos eles. — Opa! Dois pontos à menos para o bastardo de boca grande! — Shipp exclamou alto em meio aos amigos, e agachou-se um pouco, ficando cara a cara com o garoto. — Prometo ser um bom padrasto pra você; começando por fazer a tua mãe me pagar um bom boque (...) — James se descontrolou e levantou, desferindo um soco no maxilar de Shipp, fazendo-o quase cair para trás. — Cale a boca! — O Punk é segurado pelos demais do grupo, e logo revida atingindo Edward, sobre o nariz, derrubando-o no chão em seguida. — Will, soco inglês não educa cachorro! — Diz Shipp, massageando de leve o próprio maxilar pós guardar seu soco inglês sobre os fundilhos da calça. Fitou para "Will", um dos membros do grupo, insinuando que precisaria punir o garoto com algo mais prático. Não demorou muito para que o Punk citado, surgisse com um bastão de "basebol" moldado à ferro, o qual era entregue nas mãos de Shipp. — Bate feito a mamãe, James. Aliás, vou descobrir isso em breve! — Bateu com o bastão de leve sobre a palma da mão esquerda, enquanto ria e ameaçava Edward; que já deitado sobre a rua, com o rosto ensanguentado pós agressão, se virava para Shipp, com os olhos lacrimejando.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.