Heartlines
7 Epílogo
Notas iniciais
And the heart is hard to translate
It has a language of its own
It talks in tongues and quiet sighs and prayers and proclamations
In the grand days of great men and the smallest of gestures
In short shallow gasps
Ser gente é muito estranho e se você que está lendo isso aqui e é – ou já se considerou em algum momento – sabe bem do que estou falando. Não importa em que ano você nasceu, qual a sua história de vida, não importa nem mesmo se estamos falando de gente real ou gente fictícia, como os protagonistas dessa anedota. Uma vez preenchido o pré-requisito de pessoa, essa é uma condição irrevogável: tanto para os mais terríveis quanto para os melhores dentre nós. No papel e fora dele.
Mas se a condição é inegociável, as possibilidades de identidade são múltiplas e brilhantes e contraditórias e infinitas. Essa é a beleza e o paradoxo de ser pessoa: poder ser mesmo qualquer coisa. O problema se encontra, é claro, no fato de que a gente precisa descobrir isso sozinho. Com o tempo. Não basta ler ou ouvir (embora ler e ouvir ajude).
Tanto Astoria quanto Draco tinham entendido de maneira equivoca que havia um leque muito reduzido de coisas que era possível ou apropriado ser. Num geral, todos nós passamos por esse tipo de problema. No entanto, é precisamente daí que nasce a possibilidade de qualquer história, não é? E eu não sei o que vocês acham, mas na minha modesta opinião as histórias (que sempre são boas até quando são ruins) valem todos os problemas do mundo.
Essa é (só) mais uma. E porque preciso encerrar, digo apenas que no momento em que nos despedimos dos nossos protagonistas, eles bom... não eram ainda mocinhos. Nos muitos agora que viveram juntos, eles raramente se sentiram desse modo. Mas eles experienciaram outras coisas muito mais bonitas do que esse papéis fixos, engessados e irreais de apenas bondade.
E eu espero que isso ponha um sorriso no seu rosto como põe um no meu.
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