Heartbeat - I wanna be yours
21 I'd kill if I could take you back, but how?
Notas iniciais
Já haviam se passado 3 semanas desde que Bella havia voltado de viagem. Tinha inventado alguma doença contagiosa para o hospital, o que a tinha dado mais uma semana de folga.
Toda a sua rotina permanecia a mesma: mandar mensagens de voz para o Edward, beber, dormir, ver o seriado preferido do Edward, chorar, mandar mais mensagens na caixa de voz do Edward, chorar mais, beber e dormir. Ela comia muito pouco e as garrafas de bebida de sua casa vinham acabando mais rapidamente. Não via ninguém desde que Rose tinha ido visita-la, mas tanto ela como Esme, Elena e Jasper tinham passado e deixado alguma comida na porta da casa dela eventualmente. Não que ela comesse algo, mas o gesto era bonito.
Ela acordou cedo e lavou o rosto, ficando levemente horrorizada ao se ver. Seu rosto estava visivelmente mais magro, assim como seu corpo. Seus cabelos já caiam com mais frequência e ela não sentia vontade de levantar da cama. A única coisa que a tirava dali era ter que alimentar Hannibal, mas ela já havia colocado o pote de comida dele em seu quarto, assim ela não precisaria nem descer as escadas.
Sua casa estava um completo chiqueiro, nem a própria empregada semanal ela tinha deixado entrar.
Escovou os dentes e pegou a garrafa de gim que estava na pia do banheiro, se arrastando de volta para a cama. Bebeu três grandes goles e encostou a cabeça na cabeceira, virando o rosto e encarando sua mesinha lateral, onde ela tinha uma foto de si própria com Edward, e eles estavam sorrindo. Ela chorou de novo, olhando a foto dos dois e se lembrando de como era confortante tê-lo ali. Pegou seu ipod e ligou os fones de ouvido, os colocando a procurando por sua pasta de “músicas tristes”. Chegava a ser patético, ela sabia. Mas havia algo sobre o sofrimento que pedia uma trilha sonora adequada.
Hoje ela tinha certeza que não havia nada como o toque de Edward, como o abraço dele e até como o seu sorriso. Nada nele era substituível, e ela nunca havia pensado tanto nele até se sentir sozinha. Infelizmente tinha sido isso, ela precisou perdê-lo pra entender tudo o que ele sempre significou na vida dela. Sentia como se estivesse atravessando o próprio inferno, e nada era capaz de salvá-la a não ser pela voz dele, que sempre matou todo o barulho em volta dela, assim como todo o caos de sua vida. E agora que ela via todos os seus erros, com certeza seria capaz de até matar para tê-lo de volta. Porque ele valia a pena.
É incrivelmente triste como a pessoa que você mais ama acaba se tornando a pessoa que te faz querer chorar. Ela tinha feito isso com ele, o tinha magoado. E agora ela pagava por isso, e era ridiculamente justo. Não que Isabella não sentisse raiva, principalmente nesses últimos dias, onde ela tinha voltado a conversar com Deus. Mas ela mais o xingava do que conversava, questionando o porque dela precisar ser posta a prova dessa forma, o porque desse sofrimento. Mas no fundo ela sabia que merecia tudo o que estava vindo, e sua miséria era a prova mais concreta disso.
Depois de vários minutos ouvindo suas músicas depressivas e bebendo toda sua garrafa de gim, ela resolveu descer para tentar comer algo. Nada mais parava em seu estômago, e seu apetite tinha diminuído 300%. E ela entendia de medicina demais para saber que seu corpo estava em decadência, mas honestamente isso era algo que ela não se importava. Apesar de ser dilacerante, ela também sentia que merecia sofrer. Sentia que precisava sentir dor e ficar na pior merda de sua vida, porque no final, ela tinha causado isso a si mesma.
Levantou da cama tão rapidamente que seu corpo protestou, quase caindo contra o chão. Ela se segurou na na porta do seu armário, a abrindo, quando sua cabeça girou e sua vista ficou escura, cheia de pontos brilhantes, indicando que ela possivelmente ia desmaiar. Rastejou rapidamente de volta para a cama, sentando na mesma e respirando fundo, apoiando as mãos nos joelhos. Ela fechou os olhos e esperou o borrão preto sumir, respirando fundo de novo. Seu corpo se sentia fraco de mais para fazer qualquer coisa que fosse, e agora ela teve plena certeza disso. Olhou para frente e encarou a porta de seu armário aberta, onde nesta havia um grande espelho. Ela encarou seu corpo pelo espelho novamente e o choque quase a destruiu. Devia ter perdido no mínimo uns 8 quilos, e pela primeira vez em duas semanas ela se sentiu assustada. Seus olhos ficaram turvos pelas lágrimas e ela chorou de novo, apoiando a cabeça nas mãos enquanto soluçava. Se sentia patética, mas sabia que precisava de ajuda médica, mesmo não querendo sair de casa. Pegou seu telefone sobre a mesa e discou o número de Carlisle. Ele a conhecia tempo o suficiente, e quando sua mãe morreu ela havia ficado pior, emagrecendo 20 quilos em menos de um mês antes da morte dela. Ele a poderia entender, apesar dela estar ciente de que levaria uma bronca. O telefone tocou duas vezes e ele a atendeu, surpreso. Isabella não havia ligado para ninguém em duas semanas, o que também o deixou preocupado. Avisou que estaria na casa dela em 20 minutos e ela lhe disse que havia uma chave reserva em baixo do tapete, que ele poderia entrar. Então ela se deitou na cama de novo, esperando por salvação.
25 minutos depois Carlisle estava na porta de Bella. Ele tinha ido com Esme apenas por precaução, caso Bella precisasse resolver algum assunto feminino. Eles entraram e a primeira coisa que veio foi o choque. A casa estava completamente desorganizada, a bancada da cozinha estava repleta de garrafas de bebida e a atmosfera era completamente pesada. Eles se entreolharam e Esme suspirou. Fecharam a porta e subiram para o quarto dela. Andaram lentamente até a porta dela, que estava entreaberta. Esme e Carlisle respiraram fundo, e ela deu dois toques na porta.
— Bella, querida, podemos entrar? – Ela pediu doce, abrindo a porta lentamente. Os dois entraram e surpreendentemente ficaram mais chocados. O quarto dela consegui estar pior. Garrafas de bebida pelo chão e até alguns cigarros sobre sua mesa lateral. Roupas jogadas pelo chão do quarto e a caixa de areia de Hannibal parecia não ser limpa á uns 4 dias. Esme encarou tudo horrorizada, se virando para cama e encontrando o corpo magro de Isabella ali. Ela se aproximou lentamente, seus olhos úmidos, enquanto Carlisle observava tudo chocado do batente da porta.
— Bella... – Esme chamou baixo e Isabella se virou na cama. Assim que Esme a encarou, quase quis gritar de horror. A mulher que Bella sempre fora, linda e iluminada, hoje era uma menina pálida, com o rosto magro demais e cabelos sem vida. Isabella se sentou na cama e Esme afastou os lençóis, se sentando ao lado dela. Olhou para Carlisle que também olhava Bella horrorizado, e ela com certeza tinha perdido uns 10 quilos.
Esme se aproximou mais de Bella, passando o braço pelos ombros magros dela, sentindo o cheiro de álcool que emanava dela. Encarou Carlisle com pesar e acariciou o rosto dela.
— Querida... Deus, Bella, o que esta fazendo com si mesma? – Ela perguntou com a voz sofrida, fazendo Isabella chorar de novo.
— Eu sou uma vadia insensível, Esme. Eu merecia isso. – Ela disse chorando, limpando o rosto. – Mas não te chamei pra ter pena de mim, eu só... Eu me vi no espelho hoje e fiquei assustada. – Ela encarou Esme, chorando. – Eu sinto como se eu morresse a cada dia, mas eu preciso me curar, não é? Eu ainda preciso resolver minha vida pro Edward poder voltar. Eu sinto tanta falta dele. – Ela disse chorando e Esme a abraçou de novo, segurando as próprias lágrimas.
— Você precisa ir para um hospital, Bella. Não pode ficar sem comer desse jeito! E sobre isso, você precisa resolver tudo por você, não pelo Edward ou por qualquer outra pessoa, entende? Eu sei que é difícil e eu não imagino como isso é doloroso pra você, mas não pode se tratar desse jeito. – Ela disse a repreendendo, mas ainda assim com carinho. Isabella assentiu, limpando o rosto.
— Eu sei. Eu chamei vocês porque eu quero ser internada. – Ela suspirou. – Eu sei que eu preciso reagir, mas é tão difícil. – Ela chorou mais, limpando as bochechas. – Eu sinto como se a pouca força que eu ainda tenho tivesse indo embora a cada minuto, como se eu afundasse cada vez mais, e nenhum esforço meu conseguisse me trazer pra superfície. É horrível se sentir assim por alguém, mas eu o amo tanto. – Ela fechou os olhos com força, chorando. – Eu não amava ninguém dessa forma desde que meu irmão se foi, e é tão doloroso. Eu preciso de ajuda, Esme. – Seus lábios tremiam enquanto ela falava. Esme chorou, sensibilizada por ela, acariciando seus cabelos e a abraçando de novo. Afagou as costas de Bella até que ela se sentiu cansada demais pra continuar chorando.
— Vem. Vamos por alguma roupa para te levarmos para o hospital. E Hannibal pode ficar lá em casa, tudo bem? – Ela disse sorrindo e Bella assentiu. Elas andaram até o closet de Bella e Carlisle rapidamente foi pegando Hannibal no colo, descendo com ele e o colocando em sua casinha de transporte, ele poderia comprar tudo novo para ele mais tarde.
Poucos minutos depois, Isabella descia as escadas com a ajuda de Esme. Eles andaram até o carro e colocaram Bella e Hannibal no banco de trás. Carlisle dirigiu rapidamente até o hospital, chegando lá em poucos minutos.
Carlisle entrou correndo com Bella, levando-a rapidamente até a ala de emergência. Esme foi levar Hannibal em casa, retornando em seguida. Foram realizados os exames padrões em Isabella, e ela foi direcionada para um quarto de semi UTI. Foi sedada e colocaram soro em sua veia, afim de recuperar seus líquidos corporais e lhe dar alguma nutrição. Ela dormiu em poucos minutos, excluindo completamente tudo em sua volta, e ali, nem a dor ela sentia mais.
Esme retornou rapidamente, discando o número de Emmett. Ela lhe explicou a situação, enquanto analisava o exame de sangue de Isabella, suspirando. Ele chegou no hospital em 30 minutos com a companhia de Rosalie. Encontraram Esme na sala dela.
— Como ela esta? – Rose perguntou nervosa e Emmett acariciou as costas dela, a acalmando.
— Os níveis dos íons dela estão baixos demais, ela podia ter entrado em choque se não tivesse nos ligado. Perdeu 11 quilos em três semanas e seus nutrientes estão escassos, assim como seus glóbulos vermelhos e brancos. Desenvolveu uma anemia ferropriva, mas já começamos a trata-la. – Esme disse com pesar e Rose suspirou.
— Eu sabia que isso não daria certo! Eu avisei a todos como a Bella não era forte o suficiente pra isso, não é como se ninguém soubesse os problemas que ela teve, era meio óbvio que a mesma coisa aconteceria! – Ela disse um pouco nervosa e Esme suspirou. – E você, Esme, deveria saber melhor. – Ela suspirou de novo e Esme respirou fundo.
— Eu não imagina que ela ficaria como na época de Renée. – Ela disse com uma voz de culpa e Rose bufou.
— Essa merda esta errada, Emmett. Você mande o fodido do Edward voltar agora! Por que eu juro a você, se algo sério acontecer com Bella eu vou até o inferno atrás dele! – Ela disse brava, se levantando da cadeira. – Em que quarto ela esta? – Ela perguntou nervosa, apoiando as mãos na cintura.
— 740. – Esme disse baixo e Rose arrumou a bolsa nos ombros, saindo da sala dela rapidamente, se dirigindo até o quarto.
Emmett encarou Esme e ambos suspiraram. Ele se inclinou sobre a mesa.
— Você acha que ele deveria saber? – Ele perguntou meio receoso, fazendo Esme suspirar de novo.
— Eu não sei, querido. Edward nos disse que não queria notícias, mas isso é algo um pouco mais sério. – Ela disse nervosa, pegando o celular. – Vou mandar a foto do exame pra ele. Se ele sentir necessidade irá nos ligar, não? Se não vai apenas ignorar. – Ela comentou e Emmett suspirou.
— Eu duvido que ele ignore um exame desse, tia. O Edward ama a Bella, eu vi a merda que ele esta. – Emmett suspirou e ela encarou a folha em suas mãos.
— Eu tenho medo de algo sério acontecer com ela e ele me culpar por não ter avisado. – Ela suspirou, pegando o celular e tirando uma foto do exame, enviando pra ele. Foi o tempo dela colocar o celular sobre a mesa e encarar Emmett, pois logo em seguida seu telefone já tocava. Ela o encarou de olhos arregalados, atendendo.
— Mãe? – Ele indagou, a voz claramente preocupada. – Esse exame é de Isabella? O que houve? – Ele perguntou já nervoso, fazendo Esme suspirar.
Ela o explicou tudo, desde o estado da casa de Bella, o peso dela e como ela havia ligado para Carlisle interna-la. Edward chorou no telefone como uma criança, se sentindo completamente fraco e com uma parcela de culpa. Se perguntando se esse tempo que eles estavam dando não era completamente idiota, cogitando em até largar a faculdade e continuar com aulas a distância. Esme continuou conversando com ele no celular no viva voz, onde Emmett também dava os seus palpites.
— Eu preciso ir até ai pelo final de semana, por favor? Você pode sedá-la para eu vê-la por um momento, e os resto do dia eu fico dentro de casa. – Ele pediu nervoso, querendo apenas ver a cara de Bella para saber que ela estava bem.
— Eu nunca ia te dizer para não vir, Edward. Mas você quem precisa decidir. Só me avise quando for vir para eu prepara-la. – Ela suspirou e Emmett encarou com pesar.
— Tudo bem, mãe. Amanhã já é sexta feira, então talvez tenha alguma passagem até Seattle, eu devo chegar pela noite. Eu aviso vocês. E qualquer coisa, me avise, por favor. – Ele pediu nervoso, desligando o telefone. Emmett encarou Esme.
— O que você acha, tia? – Ele perguntou triste. – Eu ganhei um carinho por Bella também, e vê-la assim me corta o coração. E honestamente, eu acho que os dois precisavam parar com essa merda e se ver de uma vez, esta na cara que ela o ama de volta. – Ele deu de ombros e Esme suspirou.
— Pode até estar no rosto dela em letras garrafais, Emm. Mas enquanto ela não resolver as coisas com si mesma, ela nunca vai se sentir completa em nenhuma relação, e isso entre ela e o Edward nunca vai dar certo. – Ela suspirou, guardando o exame e sua pasta e se levantando. Emmett levantou também. – Vamos até o quarto dela. – Então eles saíram em silencio, se direcionando até o quarto que Isabella esta.
Rosalie estava em pé ao lado dela, acariciando seus cabelos secos e sem vida, encarando seu rosto magro. Ela quis gritar de raiva com Edward, o xingando de todos os nomes que ela conhecia. Nesse caso não havia certo e errado, não havia Edward e Bella e as merdas que eles tinham que resolver, só havia uma cara que tinha ido embora e deixado sua melhor amiga nesse estado, e isso ela não poderia perdoar.
Bella tinha se tornado a filha adotiva dela desde o começo, ainda mais depois que Rose presenciou o dia do acidente com o irmão dela e ficou sabendo das merdas de sua vida. Sempre foi claro pra ela que o emocional de Bella era fodido, o que a fazia se preocupar ainda mais. Mas algo era um fato, ela nunca tinha visto Bella em tal estado, tão destruída e sem vida. Então ela decidiu que faria algo sobre isso urgentemente.
Edward bufou, encarando as passagens aéreas. Havia uma que sairia na noite de sexta feira, então ele acabaria chegando de madrugada.
Foda-se.
Toda a merda de tempo e necessidade de distância caiu por terra, e tudo o que ele mais precisava ela vê-la e saber que ela estava bem. Comprou a passagem e se sentiu aliviado por um momento, ficando pleno em saber que a veria em pouco menos de dois dias. Claro que não seria o reencontro que ele sempre imaginou, e ela não estaria consciente, mas só de poder tocá-la depois de tanto tempo ele se sentia confortado. Na verdade, o sentimento era confuso. Ele sentia angústia, mágoa, nervoso, ansiedade, e em meio de tantas coisas ruins, o amor estava ali, gritando sobre todas as coisas. Nada mais importava. Nenhuma dor que ele havia passado, nenhuma mágoa que ele tinha, nada, só tinha o amor que ele sentia por ela. E essas três semanas, apesar de doloridas, tinham possibilitado que ele se curasse também. Era óbvio que ele e Bella tinham suas mágoas, mais ele do que ela realmente, mas o tempo tinha o ajudado a perdoar e entender melhor tudo. Ele tinha pensado, muito, sobre tudo deles desde o começo, e era algo tão agridoce, tão triste e feliz ao mesmo tempo. Os momentos bons conseguiam superar os ruins, e voltando ao começo, ele pode ver o quanto ela tinha sido sincera desde o início. Ela sempre o tinha dito que não queria nada sério, o que foi honesto, mas por outro lado, desprezou os sentimentos dele. Ele queria se sentir bravo e ser o dono da razão, mas acabou ponderando tudo e deixando o sentimento por ela tomar frente da situação. E hoje, pelo bem ou pelo mal, ele entendia a relutância dela e entendia também que o tempo entre eles era necessário, apesar de querer se punir por Isabella definhar daquela maneira.
Ele sabia que ela estava mal pelas mensagens de voz, mas ele se sentia na mesma merda, apenas não tinha coragem suficiente para responde-la e ter algum contato. Seria doloroso demais. Mas saber o estado que a casa dela estava, as garrafas de bebida, o peso perdido, ele se sentia um completo idiota por não estar lá com ela, a ajudando com tudo. Mas a vida é uma vadia, e eles precisam desse tempo.
O tempo passou rápido demais, e quando Edward deu por si, já estava pousando em Seattle. Esme estava saindo de seu plantão, então ela dirigiu até o aeroporto para busca-lo. Eles se abraçaram calorosamente e ela beijou toda extensão do seu rosto, completamente feliz por tê-lo, nem que fosse por dois dias.
Entraram no carro e Esme dirigiu em direção a casa deles. Edward queria ir para o hospital no mesmo momento, mas ela o convenceu de que amanhã era um dia melhor. Eles conversaram sobre a faculdade dele e sobre a Alemanha, e isso foi algo que Esme não se sentiu muito animada.
Chegaram em casa e Edward colocou as malas no chão, sendo recepcionado por Hannibal. Ele ficou surpreso e pegou o gato no colo. Esme sorriu triste, acariciando o pelo dele.
— Esse gatinho vai ficar aqui até a Bella melhorar, não é querido? – Ela disse doce, encarando o gato. Edward sorriu com pesar e Esme beijou a têmpora dele, subindo para dormir.
— Vai me fazer companhia, carinha? – Ele encarou o gato, que miou em resposta. Edward subiu com ele e deitou em sua cama, colocando Hannibal ao seu lado, acariciando seu pelo. Abriu o celular e clicou no aplicativo do hospital. Eles tinham uma espécie de monitoramento online, onde os médicos podiam olhar o estado de seus pacientes 24h/dia. Ele acompanhava Charlie pelo aplicativo, e ontem de manhã tinha entrado em contato com o hospital, pedindo o parecer de Isabella também. Ele abriu o nome dela e verificou os sinais vitais, vendo seu batimento e oxigenação. Ficou encarando o celular, vendo o coração dela oscilar entre 70 e 75 batimentos por minuto. Depois de alguns segundos encarando ali, saiu do aplicativo e foi até suas fotos. Olhou uma das que tinha ele e Isabella de novo, e só o fato de ele vê-la amanhã já apertava o seu peito. Ele dormiu depois de alguns minutos vendo fotos dos dois.
Acordou mais cedo que o normal, encontrando Emmett em um café. Enquanto eles comiam, Emm tagarelava sobre ele e Rosalie e os ótimos momentos dos dois. Depois de alguns assuntos ele acabaram caindo em Isabella, e Emmett tinha falado a ele o que vinha acontecendo. Ele não tinha muito contato direto com ela, mas Rose sempre contava tudo a ele. Edward suspirou pesadamente no final da conversa.
— Ela já estava mal á vários dias, Emm. Você poderia ter me dito algo. – Ele disse respirando fundo e Emmett bufou.
— Eu não sabia o que fazer. Você disse que não queria notícia nenhuma. – Ele disse triste e Edward suspirou de novo.
— Eu sei, mas isso é a saúde dela, Emmett. Não é qualquer merda. – Ele disse bravo, fazendo Emmett bufar.
— E o que pretende fazer, Edward? Vai voltar e cuidar dela? Ou vou voltar como um covarde pra Cambridge? Me desculpe, você pode vir pra mim com toda essa merda que vocês precisam de tempo, mas eu nunca deixaria Rose dessa maneira. – Ele disse bravo e Edward bufou, passando a mão pelo cabelo.
— Você não entende, Emmett! – Ele rebateu e Emm riu sem humor.
— Não, eu não entendo. Pra mim não faz sentido nenhum essa merda toda, Edward. E eu ficaria aqui pra cuidar dela. A Bella precisa de você. – Ele disse a última parte mais calmamente. Encarou o amigo, que tinha os olhos ardendo pelo choro que terminou por segurar.
— Eu também preciso dela, Emmett. Mas isso não pode tornar algo doentio, você entende? Nós sempre vamos ficar nos magoando se não resolvermos isso. Sempre vai ser idas e vindas, e eu não aguento mais isso. – Ele bufou, exausto. Emmett suspirou e tocou seu ombro, respirando fundo.
— Eu sei cara, me desculpe. Rose esta meio brava com você e eu acabei pegando parte das dores dela. Eu não tenho que me meter em nada, vocês sabem o que estão fazendo. – Ele disse com pesar e Edward suspirou de novo.
— Esta tudo bem, Emm. Eu entendo o seu lado, também. Eu penso todos os dias em largar toda aquela merda e vir pra Seatlle ficar com ela, mas isso não é simples. Eu queria que fosse, mas não é. – Ele suspirou cansado e Emmett assentiu.
Eles conversaram por mais alguns minutos, mas o clima não era mais o mesmo. Emmett levou Edward até o hospital e entrou com ele. Encontraram Esme e foram até o quarto de Bella. Ela suspirou antes de abrir a porta.
— Demos um sedativo relativamente forte, mas ela esta bem resistente, então ficou apenas grogue. Vai ser tudo como um sonho pra ela. Você tem certeza que quer entrar? – Ela perguntou co pesar e ele suspirou, assentindo.
Esme abriu a porta e ele entrou, encarando o corpo magro dela na cama e ficando em choque em um primeiro momento. A porta foi fechada atrás dele, que se aproximou lentamente da cama. Encarou o rosto pálido e mais magro dela, percebendo suas bochechas mais magras, assim como o seu colo, onde os ossos eram mais visíveis que o normal. Ele tapou a boca com a mão, segurando um grunhido sôfrego. Vê-la naquele estado tinha sido mais do que chocante, e nada tiraria aquela imagem da cabeça dele, nunca mais.
Ele tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, o que fez Bella suspirar e virar o rosto na direção dele, abrindo os olhos, os deixando semicerrados, mas ainda sim conseguindo encarar o rosto dele. Ela sorriu debilmente.
— Edward? É você? – Ela sorriu mais abertamente, tentando abrir mais os olhos para encará-lo melhor. – É um sonho tão bonito. Eu sinto sua falta. – Ela disse triste e ele começou a chorar. Escutar ela dizendo isso por mensagem de voz era algo muito diferente do que vê-la o dizendo.
— Eu também sinto a sua, Bella. – Ele disse triste, beijando a testa dela.
— Eu preciso alimentar o meu gato. – Ela disse grogue e ele sorriu rapidamente. Os sedativos deixavam as pessoas com confusão mental. – Eu durmo todo dia com as suas roupas, querido. – Ela disse com a voz arrastada, mas ainda doce. – Não tem mais o seu cheiro como antes. Você podia voltar pra casa. – Ela disse suspirando, fechando os olhos pesados. Ele suspirou também, acariciando o cabelo dela.
— Eu vou voltar, Isabella. Só mais algum tempo. – Ele pediu, limpando as lagrimas do rosto. Ela forçou seus olhos para que eles se abrissem mais, tendo um leve deslumbre do rosto dele, e era como ela se lembrava, mas sua mente estava tão confusa.
— Tempo. – Ela fez uma careta. – Eu odeio o tempo. Eu te odeio por ter me deixado sozinha. – Ela disse triste, fazendo um biquinho. – Eu preciso da minha amiga vodka. – Ela disse com a voz arrastada e ele riu rapidamente, fechando a cara em seguida.
— Eu sinto muito te deixar, Bella. Mas eu precisei. – Ele suspirou. – Você precisa reagir, amor. Por favor, você precisa estar inteira quando eu voltar. – Ele sorriu tristemente, sentindo seu rosto úmido de novo. Ela sorriu e abriu mais os olhos.
— Eu sempre vou esperar por você. – Ela disse em um sussurro, sendo vencida pelo sono e pelo sedativo. Seus olhos se fecharam e o coração dela se aqueceu mais um pouco. Ele a encarou dormir, acariciando seu rosto sereno. Se inclinou sobre ela e beijou seus lábios rapidamente, sentindo dor e alivio ao mesmo tempo. Isabella suspirou, ainda não entregue completamente ao sono, sentindo a maciez já conhecida por ela em seus lábios. Ela sorriu tristemente, sendo atingida pela triste realidade de que era apenas um sonho.
Infelizmente ela nunca saberia como tinha sido completamente real.
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