Heartbeat
17 Unbreakable link
Notas iniciais

— A Alice, ela me mandou uma mensagem agora, ela disse que a Emma tinha saído para andar de bicicleta de manhã cedo, e que passou muito mal no meio da rua.
— E ela está bem? — Regina se pôs de pé imediatamente.
— Ela está no hospital tia, a Emma está internada.
— Internada? — perguntou mais assustada do que queria transparecer. — É grave?
— A Alice estava muito nervosa e não conseguiu me explicar mais nada.
Regina enterrou os dedos nos cabelos se perguntando o que deveria fazer, não conseguia raciocinar ou sequer pensar direto, então deixando o pai e a sobrinha na cozinha com a mesa posta para o café da manhã, subiu as escadas correndo e quase se trombou com o filho ao entrar no quarto, o qual tinha mandado ir escovar os dentes. No cômodo revirou a sua mala de mão, a qual tinha levado com as suas coisas e com as de Henry, em busca do seu celular e das chaves do carro, só os encontrando depois de precisar tirar praticamente quase tudo de dentro. Dias atrás tinha mentindo ao dizer que seu o celular estava descarregado para sobrinha, ele agora de fato estava, o que fez com ela praguejasse, e se repreendesse logo depois, pois Henry não havia descido.
— Mamãe, você vai para onde? — Henry que a observava curioso, a vendo mexer mala, perguntou ao ouvir o barulho das chaves do carro.
— É... eu vou precisar fazer uma viagem muito rápida para Boston, filho.
— A gente vai voltar para casa? — os olhos do menino brilharam.
— Você não vai, pelo menos não por enquanto. Só eu que vou, e você vai continuar aqui com o vovô.
— Eu não quero ficar aqui, eu quero ir com você. — cruzou os braços enraivado e bateu os pés no chão.
— Vem cá. — Regina o chamou, mas ele permaneceu parado — Henry Mills, você pode vir aqui, por favor? — disse séria.
Henry se aproximou e Regina se sentou na cama o colocando em seu colo.
— Eu não posso levar você, não hoje, não agora.
— Mas eu quero ir também, mamãe. — começou a choramingar.
— Henry, calma. — afastou os cabelos que estavam na testa dele, que insistiam em cair pôr sobre os olhos, e sendo honesta com o filho, tentou contar a verdade da melhor forma que pode. — Filho, a Emma... é, ela tão está bem.
— Ela tá dodói? — pergunto fungando.
— Está Henry, e ela está no hospital tomando remédios para melhorar, e é por isso que estou indo para Boston, para ajudar ela a ficar bem, para cuidar dela, para que a gente possa andar de bicicleta de novo.
— E ir brincar no parque também. — ele completou.
— Isso, e por isso que eu preciso que você fique aqui com o vovô e a tia Zelena, porque eles vão cuidar de você enquanto eu estiver com a Emma.
— Você me pomete que vai cuidar bem da minha amiga, mamãe?
— Eu prometo que vou fazer o meu melhor, está bem? — Henry assentiu com a cabeça.
Regina desceu as escadas com o filho nos braços, e o entregou ao pai quando chegaram no térreo, e disse que estava voltando naquele instante para Boston.
— Você acha que é uma boa ideia voltar agora, voltar assim? — Henry perguntou receoso ao pegar o neto no colo. Você estava começando a melhorar agora, pelo menos espera para conversar com a Zelena.
— Pai, eu não vou conseguir ficar bem se tiver que ficar aqui esperando por notícias sobre o estado da Emma, dependendo de mensagens da Alice para a Robin. Preciso ver e saber por mim mesma como ela está.
— E você vai levar o Henry? — Regina negou com a cabeça — Você vai com o vô, não é filho? — Henry assentiu com a cabeça.
— Ela vai cuidar da minha amiga, vovô.
— Ter certeza Regina?
— Eu sinto que preciso ir.
— E eu vou com você, tia. — Robin falou decidida.
— O que? Não acho que a sua mãe irá gostar disso, você já a assustou uma vez, acho que já foi o suficiente. — Henry colocou o neto no chão.
— Vai ligando o carro. — Regina jogou as chaves para Robin que saiu correndo porta a fora — Eu ligo ou mando mensagem quando eu chegar lá e quando souber de algo, e prometo também cuidar de mim, Pai. — Regina o abraçou, abraçou o filho lhe deixando um beijo estalado na testa e saiu.
Em minutos Regina e Robin deixaram o Maine para trás. Sem área para o celular na estrada, Robin não conseguiu mais falar com Alice, e o celular de Regina antes descarregado, agora carregava no carro. Nas vias sem sinalização ou fotossensores, Regina ia mais rápido do que se podia, mas ainda assim as rodovias agora lhe pareciam mais longas do que realmente eram.
Quando entraram nos domínios de Boston, e os celulares finalmente conseguiram área, o celular de Regina travou de tantas notificações que recebia, muitas vindas de Gold, Belle, o pessoal da revista, da creche e nenhuma de vinda de Emma, mas em compensação, havia uma do número de Alice, “ Respeito o seu tempo, mas eu só preciso saber se vocês estão bem”, e então lembrou que Lily havia roubado o celular Emma, e quase riu da infeliz ironia, por agora ser ela quem esperava que Emma estivessem. Enquanto Regina mandava mensagem para o seu pai, avisando que haviam chegado na cidade, Robin perguntou a Alice em qual hospital Emma estava internada, e pronta mais uma ironia do destino, Regina soube qual era antes mesmo que a sua sobrinha lhe dissesse qual era.
Era o mesmo para o qual as tinham levado após o acidente, o desespero que sentiu há três anos quando entrou ali procurando por a esposa e pelo filho estava preso em sua garganta, lutando desesperadamente para sair. Não Regina é hora Regina, disse a si mesma, é a sua vez de retribuir tudo de bom que ela já lhe fez.
Depois de darem os seus nomes na recepção, subiram de pressa para o andar em que Emma estava hospitalizada, e o ao virarem no corredor, encontraram Alice sentada sozinha na sala de espera do andar, que assim que viu Robin, levantou rapidamente e se atirou nos braços da namorada. Regina não queria estragar aquele momento, sabia que faziam dias que elas não se viam, e que Alice com toda certeza estaria precisando daquele abraço, mas também precisa ter notícias de Emma, estava ali para isso.
— Alice? — Regina a tocou no ombro.
— Oi Regina. — Alice tinha os olhos inchados e o nariz vermelho. Regina também a abraçou.
— Como que ela está? O que foi que aconteceu?
— O que nós sabemos é só o que a pessoa que ligou para ambulância contou, que ela pareceu passar mal enquanto andava de bicicleta na ciclofaixa, e que quando ela caiu e não se levantou, ele correu para ver o que tinha acontecido. Ele disse que ela parecia agonizar de dor, então ele chamou a ambulância e o hospital ligou para mim, já que eu estava como contado de emergência dela, e nós, eu e mamãe, viemos correndo para cá, e o papai chegou quase agora de Norwood.
— E como que ela está? Ela está acordada? — Alice negou com a cabeça.
— Nós estamos esperando a médica com os resultados dos exames para poder nos explicar o que aconteceu.
— Você acha que posso ver ela? Que posso entrar no quarto?
Alice acenou em positivo com a cabeça e Regina e Robin a seguiram até o quarto, onde entrou primeiro.
— Pai e Mãe, tem alguém que está aqui e que gostaria de poder ver a Emma, e eu sei que não é o melhor momento para isso, mas eu gostaria que vocês conhecessem alguém. — quando Alice as chamou, Regina foi a primeira a entrar, Robin entrou em seguida, mas se manteve próxima a porta.
Regina ficou estática enquanto tinha os seus olhos presos em Emma, que parecia dormir tranquilamente, exceto por todos os fios ligados ao seu peito, pela cânula de respiração em seu nariz, a mangueira de soro presa a parte interna do seu braço por uma agulha e o oxímetro no dedo. Trêmula, Regina abraçou ao próprio corpo.
— Você que é a Regina? — Mary perguntou tocando no braço dela, fazendo com que Regina se sobressaltasse um pouco pelo susto.
— Eu... sou eu sim, hã... e vocês são os pais dela. — enquanto fazia a óbvia constatação, sua voz adotou o tom embargado, o desespero havia dado lugar ao medo.
Lembrava do dia em que Emma havia lhe contado na praça em frente a igreja, enquanto comiam os seus cachorros quente depois da reunião do NA, sobre os seus pais, e mesmo preocupados, eles pareciam serem os vizinhos gentis de quem todo o bairro gostaria de ter por perto e de um tomar um café no final da tarde, bem como ela tinha dito.
— Somos sim. — David se aproximou.
— Vocês já sabem o que aconteceu, já têm um diagnóstico?
— Ainda não. — Mary respondeu. — Quando eu e a Alice chegamos, ela já estava assim, desacordada.
— Mamãe... — Alice começou a falar —, essa é a Robin de quem eu falei. — disse timidamente.
— Oh, a Robin. — Mary cutucou o esposo e se juntaram às duas. — É um prazer conhecer você, só sinto muito que tenha que ser assim, nessas condições.
Enquanto os Swans conversavam com Robin, Regina se aproximou lentamente da cama, sentiu sua respiração mudar, não como quando fica difícil respirar durante as crises de pânico, mas como se estivesse roubando o ar de Emma, como se em qualquer respiração mais profunda, tudo viesse a se esvair.
Ela estava pálida, não havia cor em seus lábios, os cabelos loiros sempre tão vívidos, estavam espalhados sem vida pelo travesseiro, seu peito subia e descia tão devagar, que se caso não prestasse atenção suficiente, não conseguiria perceber que ela respirava. Ver Emma ali, praticamente inerte, a lembrou pela décima vez naquele, da sua esposa, da falta de reposta para todos os seus pedidos, preses e pranto derramado, mas ali não era a Felicity, era a Emma, duas pessoas diferentes, duas pessoas distintas, mas que julgava amar igualmente.
Regina segurou a mão de Emma nas suas, e sem perceber que as suas próximas mãos tremiam, afagou a de Emma com o polegar. O oxímetro no dedo indicador dela piscava ritmadamente uma luz verde, chamando a atenção de Regina, que agora com a sua atenção ali, pode perceber que haviam tentado encontrar, mais de uma vez, uma veia por ali, pois havia alguns pontos roxos no dorso da mão de Emma.
Sem tirar os olhos de Emma, pensando se a pessoa generosa e empática que conhecera na revista ainda estava ali, Regina se assuntou quando bateram na porta do quarto.
— Eu não sabia que a Emma tinha visitas. — Ingrid disse ao entrar no quarto com o resultado dos exames em mãos.
— Já descobriram o que houve com a minha filha, doutora? — Mary perguntou apreensiva. David pôs as mãos nos ombros dela.
— Já tenho algumas respostas, mas primeiro precisamos ir por partes. Quando a Emma deu entrada e eu fui acionada, já que é comigo que ela faz o acompanhamento desde o transplante, pensei que ela tivesse tido uma recaída, já que no checape que nós fizemos no mês anterior, tudo estava muito bem, então essa me pareceu ser a razão. — disse com pesar. — E acreditei que isso tivesse se confirmado quando os paramédicos me disseram terem encontrado um saquinho com um pó branco dentro do casaco dela.
— Oh não, ela disse que não estava mais usando isso. David, de novo não. — Mary se virou e afundou o rosto no peito do esposo, e Alice encontro abrigo nos braços de Robin, Emma havia lhes prometido jamais voltaria a fazer aquilo, Enquanto Regina, encarou descrente os olhos fechados de Emma.
Não, Emma estava sóbria há três anos, ela não jogaria tudo fora assim, jogaria?
— Tenham um pouco de calma, por favor — Ingrid pediu. —, com esse achado e as minhas suspeitas, mandei o pó para a toxologia e pedi para que também fizessem um exame toxicológico da Emma, junto com um hemograma completo, eletrocardiograma e tudo mais que fosse necessário. Nós descobrimos que o pó era metanfetamina, mas não achamos traços dela no organismo da Emma, aliás, dela e de nenhuma outra droga, a não ser os remédios que foram prescritos por mim.
— Ela não usou? — David perguntou esperançoso.
— Não.
Tudo que se passava pela cabeça de todos eles era, se Emma não tinha usado a droga, o que havia feito com ela passasse tão mal?
— O que aconteceu com ela? — Regina perguntou angustiada. — Se não foi nenhuma droga, porque que ela está assim?
— Então, quando a ambulância chegou e os socorristas deram entrada com ela, a Emma estava praticamente chorando por causa de uma dor no peito, e eu receitei um analgésico forte e um sedativo antes mesmo de ter certeza do que era, e com a hipótese da recaída descartada, o hemograma me mostrou uma outra coisa. A contagem dos glóbulos brancos da Emma deu muito alta para alguém que recebeu um transplante, essas células são os anticorpos, e elas são responsáveis por pela defesa do nosso organismo, formando o sistema imunológico.
— E isso não é bom? — Regina não entendia o porque da expressão séria da médica, se o sistema imunológico protegia o organismo, e o de Emma estava elevado, queria dizer que ela estava reagindo.
— Para outras pessoas, sim, seria bom, mas não para alguém que possui algum órgão transplantado. A Emma toma uma medicação diária e vitalícia, que são um coquetel de imunossupressores, esse medicamentos tem como função baixar a imunidade, diminuir a quantidade de anticorpos no organismo, pois mesmo havendo altas taxas de compatibilidade entre o doador e o receptor, como foi o caso da Emma, o organismo do receptor, ainda que por alguma razão que seja, pode rejeitar o órgão, e são justamente essa células que atuam na rejeição. Então reduzindo a taxa de anticorpos, nós também diminuímos a possibilidade de rejeição.
— Isso que dizer que a minha filha está rejeitando o coração, é isso doutora? — David perguntou se situando de tudo aquilo.
— Ela vai ter que entrar na lista para receber um coração novo? — Mary perguntou entrando em desespero.
— Uma coisa por vez, sim, o quadro clínico da Emma indica um processo de rejeição, e agora espero que entendam o porque de eu ter sedado ela, imaginem só a dor de ter o seu próprio organismo rejeitando o seu coração. E não, pelo menos ainda não quer dizer que ela terá que entrar na lista para receber um novo. Nós vamos iniciar um tratamento com um alta taxa de imunossupressores, que tem como objetivo baixar o sistema imunológico da Emma, vai ser um ataque direto e agressivo, então quando dermos início a ele, só poderão ficar duas pessoas aqui dentro por vez, e antes de entrar vão precisar fazer uma higienização com álcool à 70%, e usar luvas, máscaras, toucas e o avental, porque ela pode ficar extremamente suscetível a qualquer tipo de infecção ou viroses.
— E porque que isso está acontecendo com a minha irmã? — Alice se afastou de Robin e se juntou aos pais.
— A Emma estava fazendo o uso dos imunossupressores bem como havia sido passado, então por ora, acredito que a causa seja um caso estresse agudo, ele que fez com que o sistema imunológico dela reagisse, e caso se confirme, vocês que convivem com ela podem supor os motivos que fizeram com que ela até pensasse ou considerasse usar drogas de novo como algum apoio.
Regina sentia que não estava ali nem de corpo presente, o peso do seu corpo havia sumido, estava ali só ouvindo e tentando absorver, mas em compensação sentia a sua pele queimar sob os olhares da família de Emma. Tinha sido aquele coração que havia começado todo aquele caos, e agora existia a possibilidade de ele deixar de bater dentro do peito de Emma.
Enquanto digeriam o que havia sido dito por Ingrid, Regina tornou a se aproximar de Emma.
— Emma, por favor, seja forte como sei que você, por o Henry, por nós... Sei que você é muito mais forte que isso, e que a sua vida vale muito, muito mais do que qualquer outra coisa. Eu estive tão enganada, isso não é uma piada... Emma por favor, fica com a gente. — sussurrava com os olhos marejados enquanto afaga os cabelos de Emma.
Não demorou muito para que Ingrid voltasse com a sua equipe médica para que começassem a terapia com os imunossupressores, e obviamente as duas pessoas que permaneceram no quarto com Emma foram os seus pais, David e Mary, que seguindo as estritas recomendações médicas, se vestiram a caráter com tudo que havia sido dito. Quando Regina, Alice e Robin saíram do quarto, a mais velha recebeu um abraço apertado e demorado da sobrinha, não havia pedido por ele, mas recostou a sua cabeça no ombro de Robin e se permitiu derramar mais algumas lágrimas, queria permanecer dentro do quarto e estar ao lado de Emma durante tudo aquilo, uma vez que havia se afastado quando ela mais pareceu precisar, o sentimento de culpa agora lhe era recorrente, mas entendia que nada ali agora era sobre si mesma, mas sim sobre Emma, sobre ela ficar bem.
As três permaneceram na sala de espera do andar, e quando estava próximo ao meio dia, Robin e Alice desceram para comerem algo na cantina. Robin perguntou se a sua tia não queria as acompanhar, mas Regina negou com a cabeça, e quando perguntou se ela queria que trouxesse algo para ela, Regina disse que estava bem e que não precisava de nada, mas pensando no que a sua mãe e o seu avô fariam, Robin trouxe para Regina um croissant e um café preto.
A cada duas horas Ingrid voltava ao quarto, onde recolhia uma amostra de sangue de Emma para levar para o laboratório, onde fazia a contagem dos glóbulos branco, os anticorpos, mas até o início da noite eles se mantiveram altos, o que queria dizer que a terapia ainda não estava surtindo efeito, e essa atualização foi dado a Regina por David, que vez ou outra saía do quarto e permitia que Alice entrasse para ver a irmã, uma vez que Mary se recusava a sair do lado da filha, enquanto do lado de fora com a sobrinha, Regina ansiava por boas notícias. Próximo de dar meia noite, David tornou a sair do quarto, dessa vez, não para que Alice entrasse, mas para leva-la para casa.
— Alguma melhora? — Regina se levantou de pressa, como havia feito todas as outras vezes quando ele saiu de lá. — Ela já acordou?
— Tudo exatamente igual, mas Ingrid disse que pelo o horário, o efeito do sedativo já passou, e que ela pode acordar em breve.
Os cantos dos lábios de Regina subiram um pouco, aquilo era bom, ela logo estaria consciente.
— Alice, a sua mãe pediu que eu te levasse para casa, você precisa dormir. — se virou para a filha.
— Não podemos ficar aqui, pai?
— Não dá para você passar a noite assim, minha filha, você vai dormir na sua cama, e amanhã bem cedo voltamos.
— É... David? — envergonhada, Regina o chamou de cantou. — Será que a Robin pode ir com vocês? Eu não quero sair daqui, mas também não quero obriga-la a ficar comigo ou que ela passe a noite sozinha no meu apartamento. Sei que ela vai respeitar qualquer regra sua.
— Ela pode ir sim, Regina, o apartamento da Emma tem espaço suficiente para mais um.
— Tem só mais uma coisa. Você acha que posso entrar no quarto agora?
— Por mim sim, mas eu só tenho uma condição. — David a olhou sério.
— Qual?
— Que tente fazer com que a Mary coma alguma coisa, eu não preciso que ninguém mais fique doente. — disse cansado.
Quando David e as garotas saíram, Regina vestiu os EPI’s e entrou no quarto, sentada em uma poltrona ao lado da cama de Emma, encontrou Mary que resguardava o sono da filha.
— Com licença. — Regina disse ao entrar, não queria que Mary se assustasse com a sua presença repentina lá.
— O David já foi? — Mary perguntou depois de alguns segundos em silêncio, quando finalmente tirou os olhos da filha.
— Já sim. — disse se aproximando do leito, Emma parecia exatamente igual.
— Que bom. — Mary respondeu vagamente, e depois de mais um tempo em silêncio, tornou a falar. — Ela estava completamente atordoa pelo o que vocês descobriram, confusa, descrente e agressiva, mas em nenhum momento deixou de se preocupar com você e com o seu filho. Como mãe dela, e que já esteve aqui antes, eu preciso saber se você também se preocupou em como ela estava, se ao menos teve medo que tivesse ela uma recaída, já que parece que era isso que estava prestes acontecer.
Engolindo em seco, dessa vez foi Regina quem permaneceu em silêncio até finalmente decidir o que iria responder.
— Infelizmente a minha dor foi egoísta. — respondeu sentindo os seus olhos começarem a arder.
— E isso quer dizer que não.
— Isso quer dizer que eu me fundei na minha dor, no caos que a minha mente criou, e não fui capaz de conseguir ver nada além disso.
— Você acha que, sentindo toda essa dor, é uma boa ideia você estar aqui agora?
— Eu não sei — respondeu sincera —, mas eu não consigo pensar em nenhum outro lugar no qual eu deva estar, se não for aqui com ela. Eu tenho tanto para dizer quando ela acordar, para me desculpar, as ideias ainda estão confusas, mas... tem uma coisa que está clara, e eu preciso que ela saiba disso.
Dando essa conversa por encerrada, as duas permaneceram em silêncio, até que Regina lembrou do pedido que David a fizera.
— Você não quer sair para comer nada? — Regina perguntou e Mary apena negou com a cabeça. — Não vi você sair desse quarto desde que cheguei, você precisa se alimentar, se hidratar, ou ao menos ir ao banheiro que seja. Nenhuma de nós vai conseguir ajudar ela se não estivermos bem, pelo menos fisicamente. Prometo que se ela sequer suspirar ou mexer um dos dedos dos pés, eu mando te chamarem imediatamente.
E foi exatamente isso que Regina fez quando Emma começou a movimentar a cabeça devagar, para um lado e para o outro no travesseiro.
Logo Mary e Ingrid estavam no quarto.
— Emma? — Regina a chamou suavemente enquanto afagava a mão dela, mas ela continuava a se agitar devagar na cama ainda com os olhos fechados. Será que ela está sonhando? se perguntava. — Emma, acorda.
— Emma, por favor...
— Regina, você está aí? Regina? Regina! — Emma gritou.
Emma olhou ao seu redor e tudo o que via era a mais completa escuridão, ouvia a voz de Regina vinda de algum lugar e chamar o seu o nome, mas ao chama-la de volta, não houve nenhuma resposta vinda daquele breu. Tateou a sua volta, mas parecia não haver nada palpável ao seu redor, pôs as mãos na frente do rosto, mas elas se fundiam a escuridão, ou talvez nem estivessem de fato ali. A voz de Regina foi se distanciando cada vez mais, até que Emma parou de ouvi-la, e tudo que lhe restou foi um silêncio aterrador.
Para todas as direções em que olhava, só o escuro lhe aguardava, até que a sua frente, mas ao longe, um ponto de luz surgiu, de início era apenas um ponto branco, que foi aumentando o seu diâmetro, e a medida em que se tornava mais largo, deixava de ser branco, revelando uma silhueta e um plano de fundo que parecia se movimentar. A silhueta era feminina, Emma sentia que ela a convidava a seguir em frente, e talvez fosse pela escuridão na qual estava imersa, mas se sentia compelida a ir até lá, e foi exatamente o que Emma fez.
A medida em que se aproximava, o que estava do outro lado passou a ficar mais nítido. Barcos? são barcos? As embarcações no cais a hipnotizavam dançando lentamente por sobre as águas, gaivotas cantavam e voavam cortando os céus e o ar ao dar rasantes em busca de alimento, o vento assobiava e balançava as velas, e a ressaca do mar, fazia com que a água beijasse a areia da praia e depois se recolhesse timidamente, mas a silhueta em si, só adquiriu cor, quando Emma de fato deixou as sombras e os seus pés descalços sentiram pelo tato os grãos de areia. Olhou para baixo, para os seus pés, e como uma criança que parecia pisar na areia pela primeira vez, Emma mexeu os seus dedos de modo a fazer com que os grãos aflorassem por entre os espaços dos seus dedos.
O que antes era apenas uma silhueta banhada pela luz, passou a adotar uma cor de cabelos castanhos, uma franja curta lhe cobria a testa e caia um pouco por sobre os olhos, que por sinal eram de um castanho tão claro, que beiravam o verde, com a boca entreaberta, os dois dentes superiores da frente se mostravam proeminentes. Ela lhe lembrava alguém.
— Oi Emma. — ela sorriu se mostrando afetuosa.
— O-oi. Nós nos conhecemos? — Emma perguntou inclinando a cabeça curiosa.
— Acho que mais do que você imagina. — ela direcionou o seu olhar para algum lugar que não era mais o rosto de Emma, e quando o acompanhou, viu que ela olhava para algum lugar em seu peito, e então entendeu.
— Felicity? — perguntou incrédula.
— Oi Emma. — ela sorriu novamente.
— Você já esteve aqui, não? Não necessariamente aqui, mas lá. — se referiu a escuridão que Emma havia deixado para trás.
— Eu não sei, já? E onde é aqui? É o céu? — Que pergunta mais idiota Emma, se repreendeu.
— Não. Bem, o meu? Talvez. Mas agora se é o seu? Não, eu acho que não.
— E onde nós estamos? Onde eu estava? — se referiu ao escuro.
— No meio do caminho, ou algo que alguns chamam de limbo.
— No meio do caminho entre o que? O céu e o inferno? — achava aquela conversa toda absurda, mas o que nos últimos dias não parecia ser absurdo ou surreal demais para que ela não considerasse aquilo também?
— Não necessariamente, mas eu diria que é meio do caminho entre as suas duas escolhas. — disse começando a caminhar pela praia e Emma a acompanhou. — Você já esteve nessa posição antes, não lembra?
Emma abriu a boca para perguntar quais escolhas eram aquelas, mas ao ouvir a voz de Regina entoar o seu nome novamente, entendeu quais elas eram.
— Eu não sei, não sei qual delas escolher. Não sei mais qual me parece pior.
— Tudo bem, não precisa decidir agora, você tem tempo, não muito, mas algum tempo.
Caminhando pela praia, a aspereza dos grãos de areia não eram desconfortáveis, eram mais uma massagem em seus pés, uma massagem relaxante e merecida depois de um dia exaustivo, e quando se aproximaram mais da água do mar, e as ondas lhe beijaram os pés, céus, Emma só queria ficar parada ali sentindo todas essas sensações, a areia massageando os seus pés, o mar os beijando e o vento acariciando o seu rosto. Não imaginava que estivesse tão cansada, até perceber que tudo que queria naquele momento era uma cadeira de praia, um óculos escuro e um chapéu de sol, e assim seria capaz de passar o resto dos seus dias ali.
— Imaginei que quando nós nos víssemos de novo, você teria algumas perguntas.
— Algumas é bondade sua, uma pena que esqueci o caderninho onde eu estava anotando todas elas. — riu pelo nariz.
— Pode começar.
— Porque tudo isso?
— Você já começou com a mais difícil.
— E é a que mais me perturba. — disse infeliz.
— Porque não era a sua hora, Emma. — foi o tudo o que ela respondeu.
Emma a olhou como se esperasse por mais, e a sua expressão fez com Felicity risse sutilmente.
— Sinto muito se eu te desapontei. Ele não me servia mais, e eu achei que ele ficou tão bem em você. Não gostou? Ele não tem funcionado direito?
A forma como ela falava era diferente da maneira como qualquer um já havia falado sobre o assunto, em especial do modo como ela própria e Regina já tinham falado, o tom dela era casual, como se tudo fosse normal, sem a imensa carga emocional que traziam.
— Não é isso, definitivamente não é isso, eu nunca conseguiria agradecer o suficiente por... por ele. Foi o que me permitiu continuar aqui, ou lá, fora desse limbo. É só que... eu acho que esperava uma outra resposta.
— Bom, vocês precisavam se encontrar, a Regina e o meu filho precisavam de você no momento em que se encontraram, e acredito que você também precisava deles. Era o momento em que recentemente, depois de lutar ferrenhamente contra os seus próprios demônios, vocês haviam alcançado as suas melhores versões de si mesmas. — Emma se manteve em silêncio assimilando o que era lhe dito, precisávamos uma da outra, era isso?
— E isso? — apontou para o próprio peito. — Ele foi o responsável por tudo?
— O nosso coração? Não, eu sei que ele foi muito importante para você, mas se não tivesse sido o meu, possivelmente teria sido o de uma outra pessoa, sei que é um órgão importante, mas é só carne, tecido, um amontoado de células. E acho que quando você diz tudo, você quer dizer se apaixonarem, não é?
— Uhum. — Emma afirmou com a cabeça.
— As responsáveis por tudo são vocês. — mais uma vez a expressão de Emma mudou, mostrando que aquela resposta não havia sido nada clara, e que na verdade não explicava nada. — As responsáveis são vocês por serem exatamente quem são. Ela não se apaixonou por você por causa do coração que dividimos, porque a priori, ela nem consegue vê-lo, ela se apaixonou porque alguma coisa em você a encantou, ela se apaixonou pelo que te faz ser quem você é, e até onde me permito saber, o meu coração não mudou a sua essência, mudou? Sei que você mudou alguns hábitos depois que ele passou a bater dentro do seu peito, mas ele não mudou quem você de fato era no âmago do seu ser, mudou? — enquanto ela fazia as perguntas, Emma sussurravas as respostas, e todas elas eram não — Meu coração, que é seu agora, não fez com que você a amasse, na verdade acho que foi o jeito de mandona que ela tem mesmo, a fragilidade que ela só se permite demonstrar quando confia, a indignação com o estado atual das coisas, e a ótima mãe que ela sempre foi para o nosso filho. — terminou em um tom saudoso.
Emma parou de caminhar ao lado de Felicity e se manteve parada de frente para o mar, respirando fundo, o observava, aquela imensidão azul parecia sussurrar o seu nome, o que se tornou a voz de Regina.
— Emma? — Felicity tocou no ombro dela
— Hum?
— É a hora.
— Eu não quero. — disse quase choramingando.
— Precisa escolher.
— Eu não posso ficar aqui, com você e com o mar, ele é tão profundo e tranquilo. Se eu não escolher voltar vou para um bom lugar?
— Infelizmente não sou eu que tenho controle sobre isso.
— É que lá está caótico, e eu não sei se ela quer que eu volte.
— Ela continua te chamando.
— Ela me disse algumas coisas que... que mesmo depois de tudo que você me contou, ainda doem, entende?
— Eu sei que ela pode ser bem afiada, quando sente que está perdendo o controle, e também sei que ela pode passar dos limites, mas mesmo assim eu não gostaria que ela e o Henry tivessem que passar por outra perda, já que foi uma que deu o start para certos desiquilíbrios, e acho que ela também precisa saber do que você sabe agora.
— Eu já deveria esperar que você fosse ficar do lado dela?
— Eu não escolhi lados, Emma — Felicity se colocou entre Emma e o mar. —, veja só as minhas opções, a mulher com quem escolhi para viver uma vida, e a mulher que herdou o meu coração, uma parte física de mim, acho que é uma disputa acirrada e nada justa. Não estou invalidando os seus sentimentos, Emma, sejam eles conflitantes ou não, mas você precisa fazer uma escolha agora.
Emma suspirou enquanto ponderava.
— Eu vou voltar, faço isso minha família, por ela, pelo Henry e por mim. É, não vai ser dessa vez. Tudo bem, como que eu faço para voltar?
— Além de querer, você só precisa segui-la.
Agora, já acostumada as respostas nada explicativas de Felicity, entendeu de primeira o que ela queria dizer dessa vez. A voz de Regina ainda soava ao longe, vinda da infinidade azul do mar.
— Emma...
Emma deixou Felicity para trás e caminhou em direção a água, ela beijou os seus pés, tornozelos e quando estava na altura dos seus joelhos, Emma se virou para acenar um tchau e gritar um agradecimento, mas não havia mais ninguém lá, a praia estava deserta, então respirou fundo e caminhou até que fosse totalmente tragada pelo mar, e enquanto isso acontecia, pôde ouvir um em um sussurro tão próximo que parecia estarem falando ao seu ouvido, “o que as liga é inquebrável”.
Os seus olhos não se abriram devagar como um despertar tranquilo pela manhã, mas sim rapidamente, como quem acorda de um pesadelo, a visão embasada e luz do teto fazendo com que eles ardessem e a incomodaram, fizeram com que ela piscasse várias vezes, e logo uma silhueta surgiu em seu campo de visão, pensou ser a de alguém com quem tinha se encontrado há um tempo que agora em sua memória parecia anos, ou talvez só estivesse confusa.
Tudo isso durou apenas uma questão de segundos, até Emma se contraísse em posição e urrasse de dor.
Os uma das enfermeiras tiraram Mary e Regina de perto de Emma, as afastando para o lado, enquanto Ingrid começou a gritas ordens, mandando que trouxessem medicamentos, e conversando com Emma, dizendo a ela que logo tudo aquilo passaria, e através da via intravenosa, Ingrid a sedou, e rapidamente Emma voltou a dormir novamente.
Assustadas e se sentindo impotentes, Mary e Regina assistiram a tudo do canto do quarto.
— O organismo dela está resistindo, mas a terapia fará efeito. — Ingrid assegurou.
— E porque você não dar uma dose mais forte a ela? A minha filha vai ficar sentindo essa dor insuportável até quando?
— Eu não posso arrasar o organismo dela dessa maneira com mais imunossupressores, a Emma já recebeu uma dosagem bastante alta, se eu repetir, estarei fazendo mais mal a ela do que bem. Continuaremos monitorando e fazendo a contagem de anticorpos, eles vão baixar.
Quando Ingrid e a equipe saíram do quarto, Regina e Mary se encararam em silêncio, não precisavam dizer nada, pois sabiam que a imagem de Emma se contorcendo de dor estava presa na mente de cada uma, e também sabiam que compartilhavam do mesmo medo, de que por desventura, a o quadro clinico dela não mudasse.
— Você reza comigo, Regina? — Mary perguntou estendendo a mão.
Regina lembrou de quando, na capela daquele mesmo hospital, implorou por tudo que havia de mais sagrado para que não fosse desamparada, para que não fosse tirada a vida sua esposa e da mãe do seu filho, mas também se recordou das palavras do seu pai, sobre acreditar em algo, sobre ter fé.
— Rezo. — respondeu se aproximando. Segurando na mão se Mary, a acompanhou nas orações.
Durante a madrugada elas se permitiram fechar os olhos apenas por minutos, e quando amanheceu e permitiram que os visitantes subissem para os quartos dos pacientes, David chegou sozinho, Alice e Robin viriam depois.
— Acho que você deveria ir em casa, Regina — Mary disse quando a avisaram que David havia chegado. —, ligar para o seu filho e para o seu pai, eles devem estar preocupados.
— Eu vou, mas só se você também for para casa, para tomar um banho e comer alguma coisa decente. Sei que o seu esposo vai nos avisar caso qualquer coisa aconteça.
E assim fizeram, David ficou com Emma, Mary foi para o apartamento de Emma e Regina para o seu.
Em casa, a primeira coisa que fez foi tirar os sapatos, se jogar sobre a cama e ligar para o pai, contou tudo a ele, sobre como Emma estava, que tinha conhecido os pais dela, os seus anseios e medos, e como estava se sentindo, e também pediu que ele não se preocupasse e que dissesse para Zelena fazer o mesmo, pois Robin estava bem, e conversou com o filho, que preocupado, queria muito saber como a sua amiga estava. Regina só percebeu que a quão cansada estava quando encerram a ligação e após alguns minutos olhando para o forro do quarto, ela adormeceu.
Não dormiu mais do que três horas, e quando acordou, logo procurou pelo celular esperando que Robin, que aquela altura já deveria estar no hospital com Alice, tivesse lhe mandado alguma mensagem, o que de fato tinha feito, e a notícia era que Emma continuava do mesmo jeito, adormecida.
Quando se levantou, tomou um banho gelado, vestiu uma calça jeans de lavagem clara com uma camisa branca de mangas com botões e uma bota sem salto de cano baixo nos pés, apanhou um dos biscoitos de Henry na cozinha e saiu, sabia exatamente para onde deveria ir agora.
Quando entrou na recepção da Gold’s Magazine todos os olhares foram direcionados para ela, e logo uma horda se formou ao seu redor, Ruby, Belle, Killian e Cruella a encheram de perguntas, queriam saber por onde que ela esteve todo esse tempo, o que estava fazendo, como as edições ficariam agora, e se ela sabia o que tinha acontecido com a Emma.
— Eu... eu falei com os pais dela, ela está internada e está sendo submetida a uma terapia médica, e em breve ela estará conosco novamente.
Foi o que respondeu, ignorando todas as outras perguntas, mas aparentemente a sua resposta só deu margem para mais perguntas, como o que Emma tinha, quando que Regina tinha falado com os pais de Emma, como Alice estava e muitas outras, e suspirou aliviada quando Gold apareceu na redação e a chamou em sua antiga sala.
— Eu preciso saber de absolutamente tudo, porque isso aqui virou uma completa bagunça na sua ausência. — disse assim que entraram na sua sala recentemente mobilhada novamente, pois com a ausência de Regina revista, precisou voltar a redação.
— Eu não estava bem, Gold — foi sincera. —, estava tão mal quanto da outra vez e precisei voltar para casa.
— E a minha fotógrafa tem alguma coisa a ver com isso? Porque agora eu também estou sem ela.
— Tem, mas não é algo que eu possa falar agora ou assim.
— O que ela fez? — perguntou preocupado.
— Nada, absolutamente nada, e ela também não está bem, ela está internada, Gold, a médica não quis usar essa expressão, mas acho que ela está correndo risco de vida. — Gold percebeu o tom de voz de Regina mudar para algo triste e melancólico. — Enfim, acho que tenho algumas coisas para fazer aqui, não é?
— Vai voltar mesmo?
— Ainda tenho algumas coisas para acertar, como pegar o meu filho que está com o meu pai no Maine, mas sim, é o que quero fazer essa semana.
— Isso é animador, mas... — suspirou. — como dono da revista, preciso saber quais são as chances desse episódio se repetir?
— Que episódio?
— Você desaparecer e deixar tudo ao léu, Regina.
— Gold, a edição do dia das mães já está finalizada e pelo que sei, sai no final da próxima semana, e quanto as edições semanais, o Jekyll ficou encarregado disso.
— Olha, eu sei que há uma rixa entre vocês dois, mas se eu achasse que ele tem completa capacidade de assumir a edição chefe da minha revista, eu não teria contratado você. É por isso que preciso saber qual a possibilidade disso se repetir.
— Eu vou trabalhar nisso, eu prometo a você Gold, não vai se repetir, e até o final dessa semana eu vou estar de volta.
— Fico feliz, e já que você está em contato com a Emma, transmita a ela os meus votos de melhora, e a revista dará qualquer assistência que for necessária.
Regina sorriu e deixou a sala de Gold, com a redação cheia, sabia que a maioria fingia trabalhar, mas que a olhavam pelo canto dos olhos até que ela entrou na sua própria sala.
Estava tudo exatamente onde ela tinha deixado, e uma fina camada de poeira se acumulava por sobre os móveis da sala. Pelo menos esperaram o meu lugar esfriar, ironizou, imaginava que àquela altura Jekyll já teria tomado posse até da sua sala.
Depois de soprar o acento da cadeira espalhando a poeira, pediu que Belle viesse a sua sala, e em poucos minutos ela estava lá, batendo a sua porta.
— Pode entrar.
— Com licença. — Belle disse entrando — Que bom que está de volta. — falou sorridente.
— As minhas semanas sabáticas acabaram. Como está tudo por aqui?
— Do jeito machista e arcaico dele, o Jekyll tem se encarregado das funções dele, mas agora estamos com um prazo apertado e um editorial atrasado, você já sabe que estamos sem fotógrafa.
— Eu sei, e preciso que tome nota de algumas coisas Belle.
— Claro.
— Quero relatórios do financeiro quanto as edições lançadas e vendidas na minha ausência, e também quero gráficos que comparem o rendimento da revista nas duas últimas edições em que eu estive a frente com as do Jekyll, se houverem resultados quanto a respostas positivas ou negativas online, também vou querer receber. Preciso do relatório de gastos dessa última semana e de atualizações quanto a produção da edição dessa semana, e também preciso saber se o Gold ou o Jekyll mudaram algo na edição do dia das mães que sai na semana que vem.
— Só isso? — Belle perguntou temendo esquecer alguma coisa.
— Não, só mais uma coisa, quero que me passe o número dos fotógrafos freelanceres que costumam trabalhar para a revista. E eu não quero ser atrapalhada, caso perguntem, diga que em breve teremos uma reunião.
— Está bem, vou fazer isso primeiro.
Assim como disse que iria fazer, Belle entregou os contatos dos freelanceres para que finalmente pudessem dar início as fotos do editorial daquela semana. Regina passou o restante da manhã e parte da tarde em sua sala, se atualizando do estado atual da revista e lendo os relatórios que Belle tinha lhe trazido, até que o seu celular começou a tocar, era a Robin.
—
Emma percebeu estar acordada antes mesmo que os seus olhos se abrissem, através das pálpebras fechadas via vultos escuros e algumas vozes que falavam coisas que ela não entendia, o ar tinha cheiro de nada, a sensação que tinha era a de estar no laboratório de revelação manual de fotos da faculdade, quase que hermeticamente fechado, pois qualquer interferência externa podia afetar a qualidade das fotos que estavam a serem reveladas. Quando enfim abriu os olhos, a luz do teto e a luminosidade que entrava pelas janelas livre das cortinas de blecautes lhe ardiam os seus olhos, e quando levantou o braço para cobrir os olhos, mangueiras balançaram no seu campo de visão e sentiu que puxava algo.
— Emma! — David se aproximou rápido segurando o apoio móvel de soro que ameaçou por cima de Emma.
— Pai, porque você está vestido como um cirurgião? — uma máscara cobria o rosto do seu pai e uma toca cobria os cabelos loiro que Emma e Alice também tinham herdado. Logo outro par de olhos conhecido entrou no seu campo de visão. — Mamãe?
— Oi meu amor. — ela acariciou suavemente a sua bochecha.
Apurando a sua visão, Emma percebeu que eles não apreciam aliviados, mas sim ansiosos, como se esperassem por algo.
— Você está se sentindo bem? Senti alguma dor? — David perguntou.
Em silêncio Emma tentou perceber cada parte do seu corpo, a cabeça, os braços, as mãos, as pernas e os pés.
— O meu joelho? — havia ralado um deles quando caiu de bicicleta, e ao lembrar o disso, lhe deu um estalo. — Oh, o que aconteceu?
— Você está internada filha, você consegue lembrar de mais alguma coisa? — Mary se sentou na beirada da cama.
— Mais ou menos, quando eu saí de casa para pedalar eu estava sentindo um incomodo no peito, mas achei que fossem gases, sei lá, não seria a primeira vez, mas ela aumentou muito, a minha vista escureceu e eu caí da bicicleta, depois da queda eu só lembro de um homem falando comigo, do barulho alto de sirenes e de acordar e sentir muito mais dor, mas isso eu não tenho certeza se eu estava sonhando ou não.
— Não foi um sonho, você acordou e logo se curvou em posição fetal de dor, e a sua médica decidiu por bem te sedar de novo. — Mary respondeu.
— E o que eu tive? — tentou se ajeitar na cama como pôde — Estou rejeitando esse coração? — perguntou em um tom casual e aparentemente despreocupado, que mudou assim que percebeu os olhares que os pais trocaram entre sim. — O que vocês estão deixando de me contar?
— Acho que a médica pode te explicar melhor do que nós dois, mas você acordou sem dor, e isso é um ótimo sinal. — David segurou em suas mãos a mão da sua filha em que estava o oxímetro e deixou um beijo no dorso, como uma promessa de que tudo ficaria bem.
Logo Ingrid e parte da sua equipe chegaram ao quarto, e enquanto ela conversava com Emma explicando tudo o que estava acontecendo em seu organismo e os riscos que aquilo trazia para a viabilidade do órgão transplantado, eles recolhiam sangue para o hemograma e também observavam o monitor cardíaco afim de identificarem alguma arritmia, mas nenhuma se manifestou, o que aliado a ausência de dor, indicavam uma melhora considerável no caso.
Enquanto Emma comia a detestável refeição hospitalar, permitiu que, vestindo os trajes adequados, Alice também entrasse, Emma contou aos seus pais e a sua médica o porque de estar com a droga no casaco, da sua tentativa estúpida de ajudar Lily, e da sua recusa em se permitir a participar das reuniões do NA enquanto esteve em posse da metanfetamina e tentada usá-la. Do grupo que frequentava, além do mediador das reuniões, era a que estava a mais tempo sóbria, e não queria parecer franca.
Quando Ingrid perguntou se Emma sabia qual a causa de todo o estresse que desencadeou o processo de rejeição, Emma simplesmente disse a razão, que havia conhecido e se envolvido com família da sua doara, e quando Ingrid argumentou que aquilo não era possível, que o país não era tão pequeno assim, Emma disse quem a sua doadora era. Ingrid não podia dizer quem era o doador do coração da sua paciente, aquilo era um segredo profissional, mas a sua expressão boquiaberta não conseguiu mantê-lo.
Com resultado do hemograma indicando que os anticorpos de Emma haviam se estabilizado em uma faixa segura, as roupas de EPI’s não se fizeram mais necessárias, de modo que Alice e Robin também puderam entrar no quarto.
— Mãe?
— Hum? — Mary respondeu distraída enquanto fazia uma trança no cabelo da filha, depois que tinha feito questão dela mesma ajudar Emma no banho em vez de alguma enfermeira.
Emma não sentia mais dor no peito, mas se sentia constantemente cansada e fraca, como se tivesse correndo uma maratona pelo estado.
— Quando eu acordei com dor, a vez que perguntei se tinha sido um sonho, eu vi alguém, mas eu não tenho certeza de quem era. Era você?
— Hum-hum.
— Era ela não era?
— Uhum, ela chegou ontem pela manhã, horas depois de você dar entrada, e passou toda a noite aqui, acordada comigo, mas pela manhã pedi que ela fosse em casa para tomar um banho e comer. Eu não queria, mas ela também fez com que eu voltasse e fosse para o seu apartamento enquanto o seu pai ficou aqui com você. — Mary esperou que Emma perguntasse algo sobre Regina ou que dissesse alguma coisa, mas ela apenas suspirou.
David levou Alice e Robin para comerem e para comparem algo para a sua esposa, Mary sempre estava preocupada em cuidar de todos, e eles precisavam, de alguma forma, cuidar dela também.
Quando bateram na porta do quarto, Emma logo se afundou na cama esperando que fosse a sua médica ou alguma enfermeira novamente, para lhe espetarem com mais uma agulha e tirarem o seu sangue.
— Emma, você está se sentindo bem para receber mais visitas? — Mary perguntou depois de ver quem estava ali para visitar a sua filha.
Emma se remexeu da cama e balançou a cabeça em positivo, e com o olhar de cachorro que caiu da mudança, que Henry sempre fazia quando estava recebendo reclamações, Regina entrou no quarto.
— Mãe, você pode nos deixar à sós?
— Emma... — tentou argumentar, não sabia se aquela era uma boa ideia.
— Por favor.
— Tudo bem. — depois de afagar o ombro de Regina, Mary saiu do quarto.
— Como você está se sentindo? — Regina perguntou se aproximando de Emma.
— Em muito sentidos, cansada. — apertou um dos botões no controle da cama e a levantou, de modo que a deixasse quase sentada. Queria olhá-la nos olhos da forma que desse.
— E as dores?
— Só um joelho ralado e um peito cansado.
— Que bom que está melhorando. — disse mexendo em seus próprios dedos. — Você acordou gritando.
— Acho que assustei vocês.
— Um pouco. Ah, todos da revista te mandaram votos de melhoras, inclusive o Gold.
— É gentil da parte deles.
— Eu... eu preciso te pedir desculpas Emma. — Regina se aproximou mais, ficando de pé bem ao lado da cama e de Emma — Perdão na verdade, eu não sei, mas sei que passei dos limites quando te disse coisas que agora tenho certeza que te magoaram, estava tudo tão confuso, tudo uma completa bagunça, eu não sabia mais o que fazia sentido, o surreal pareceu tão... tão real, a coisas na minha mente se transformaram em um pandemônio, e sinto que descontei tudo em você, como se fosse a sua culpa o que aconteceu, o acidente, a minha perda... Por si só já era tudo tão difícil de entender, e eu talvez só tenha piorado ainda mais, tornado tudo ainda mais difícil. Sinto que é a minha culpa você ter pegado aquela droga e você estar aqui agora. — Regina falou sentindo as lágrimas se aproximarem.
— A droga não era minha Regina, era da Lily, que eu tomei dela quando tentei ajuda-la naquele dia que você nos encontrou no estúdio da revista, estupidamente eu peguei a metanfetamina pensando sei lá o que, mas daí nós descobrimos tudo na noite daquele mesmo dia e desde então ela não saiu do meu lado, porque eu achei que a qualquer momento eu fosse precisar, que eu não ia mais aguentar segurar toda aquela barra, que iria desmoronar, e que aquela seria a minha boia de salvação, e como um palerma eu caí nessa de novo. Como que o que causou a minha ruina poderia me ajudar? — terminou ofegante e rindo fraco da sua própria desgraça.
— Mas você não usou, é isso que importa agora, a médica disse que não tinha nada daquilo no seu organismo.
— Posso não ter usado, mais pensei em fazer isso mais vezes do que gostaria de admitir ou do que contei para a minha família. Caso tenha esquecido, ainda dou uma viciada, Regina, e estive a menos de um passo de uma recaída.
— Isso não define você, Emma.
— E o meu coração, literalmente o meu coração deveria me definir?
Regina abriu a boca e a gesticulou procurando as palavras certas para dizer, mas nada saiu.
— Tudo que eu desejei nesses dias foi que você batesse na minha porta ou aparecesse no estúdio e me dissesse que nada daquilo de fato importava, que não era substancial, que independente de tudo você tinha certeza do que sentia.
— Eu não estava bem, Emma, sou alguém em quem recentemente caiu a ficha de ter tendências depressivas, e descobrir aquilo me abalou de uma forma que me faltam até palavras para tentar te explicar, e eu fugi, de novo, deixei tudo para trás só para poder me trancar em um quarto escuro que me causava crises de pânico, mas que mesmo assim eu não conseguia sair dali. No final não somos tão diferentes assim, mas agora eu estou conseguindo ver além desse véu que criei, e me sinto péssima por ter te arrastado para esse quarto escuro comigo. — Regina estendeu a sua mão para tentar tocar a de Emma, mas sutilmente ela a afastou. — Emma, sei do que eu sinto.
As lágrimas a cometeram tão sorrateiramente, que Regina nem ao menos percebeu quando chegaram, mas Emma sim, mas agora era sua vez de falar.
— Depois do acidente, quando fiquei sóbria e as crises de abstinência acabaram, e passei a ser tão grata pela minha vida, por ter tido outra chance, que tudo que eu queria era fazer valer essa nova oportunidade que a vida estava me dando, eu queria ser a melhor versão de mim mesma, centrada no meu trabalho, nutrindo uma boa relação com a minha família e comigo mesma, porque achei que assim, de algum modo, eu estaria dando significado ao que me aconteceu e a morte alguém. E durante esses três anos foi o que basicamente fiz, até você me dizer todas aquelas coisas, e como uma esponja eu as absorvi, comecei a achar que eu não digna daquilo, que uma viciada como fui não deveria ter recebido essa segunda chance, acreditei que eu realmente era uma pia divina, que eu havia sobrevivido apenas para me prestar a esse papel. A suas palavras Regina, me fizeram passar de alguém grata pela minha vida, para alguém que nem sabia mais se merecia estar aqui. Você não faz ideia das vezes que desejei poder arrancar isso de dentro do meu peito, de fazer com que essa dor parasse, com que essa angustia e a vontade de chorar constantemente acabassem. Mas se não fosse o dela, eu teria recebido o coração de uma outra pessoa, ou até mesmo nem teria, e daí eu não estaria aqui. Então eu decidi que vou voltar a ser grata pela minha vida, por ter recebido esse coração em especial, porque ele vem de alguém que amou duas pessoas muito importantes para mim, vou aceitar que há coisas que estão além da minha compreensão limitada, e que há coisas que nunca vou saber, e ok, ninguém sabe de tudo, e não vou permitir que... — Emma respirou fundo tomando fôlego, seu coração batia acelerado e a sua boca estava seca. Quando Regina se aproximou preocupada, ela levantou a mão que estava com oxímetro alguns centímetros acima da cama, era o máximo que conseguia, a afastando. Estava se se concentrando como podia, ou então não conseguiria terminar de falar antes da horda de choro que se aproximava lhe atingisse, e ver Regina chorando não lhe ajudava nisso. — E eu não vou deixar que mais ninguém me desacredite de quem eu sou, de quem lutei arduamente contra os meus vícios para me tornar quem eu sou.
— Eu não sei o porquê, na verdade não sei nem se existe um, mas já entendi que também há coisas que nunca vou compreender de fato, mas hoje eu consigo aceitar o que aconteceu, e também ser grata por você ter recebido esse coração, por que pensar em um mundo em você não existe me assusta, talvez esse tenha passado a ser um dos meus piores pesadelos, um mundo sem a sua presença, sem a luz que você emite não é digno de se viver. Você não é uma piada, nunca foi, mas eu por outro lado fui muito infeliz em te dizer isso. Sou grata pela sorte de poder te ter em minha vida, porque as chances deveriam terem sido uma entre um milhão de nossos caminhos se cruzarem, e aconteceu.
O que Regina agora lhe dizia fazia parte de tudo que Emma esperou que ela dissesse nos últimos dias, a questão era que Regina tinha levado tempo demais para dize-las.
— Você diz tudo isso de coração? Quero dizer, são verdadeiras as suas palavras ou só está dizendo isso por que está se sentindo culpada, porque eu estou aqui, internada e com os meus pais rezando para o meu quadro clinico não mude, para que eles não tenham que viver um pesadelo de novo?
— Eu me sinto sim culpada, a sua médica nos disse que esse inicio de rejeição foi causado por estresse, e tudo já estava tão denso, e depois de tudo que você disse, tenho certeza que só piorei, então sim, me sinto culpada, principalmente porque achei que fosse perder você para sempre, e isso me apavorou, mas tudo que eu disse real, é como me sinto agora, Emma.
— Mas eu ainda me sinto uma pouco assustada, Regina.
— Assustada?
— Eu ainda sou uma viciada.
— Mas você não usou aquela droga, Emma.
— Talvez eu não tenha feito isso só porque de fato não tive uma oportunidade, acho que cometi um erro quando tentei omitir essa parte da minha vida, sou uma viciada, e viciados tem traços de personalidade incomuns, como o otimismo insuportável que você conheceu logo que começamos a trabalhar juntas, até mudanças extremas de humor, o que quase me fez agredir o Jekyll e a Kristin na revista, o que assustou a minha irmã e a minha mãe, e medo, que é o que sinto agora. Para ficar bem, eu preciso viver uma vida estável, eu preciso de alguém estável comigo, e não acho que agora somos boas uma para outra, me disseram que eu não posso cuidar de ninguém se as minhas feridas ainda estiverem abertas e expostas, e as minhas estão, sinto que preciso sair daqui direto para uma reunião do NA. Sei o que sinto por você, e se você também sabe o que sente por mim, então o que nos liga é inquebrável, mas agora nós somos dois caminhões trafegando acima da velocidade permitida prontas para nos chocarmos.
— Eu sinto muito Emma, sinto muito mesmo. — Regina deu um passo para trás se afastando quando as suas palavras começaram a se embagarem e se misturarem como choro. Tudo que menos queria naquele momento era se afastar ou ser afastada, mas Emma estava certa, por ora, não eram boas uma para outra.
Caminhando de costas até a porta enquanto via Emma morder com força o lábio inferior e os seus olhos se nublavam, Regina deixou o quarto.
Quando a porta do quarto se fechou, Emma cedeu a tudo que reprimiu durante a conversa com Regina, as lágrimas escorriam quentes pelo seu rosto, e mesmo com a cânula em seu nariz lhe ajudando a respirar, o ar parecia escarço, ofegando, puxava rapidamente pela boca. Quando Mary voltou ao quarto e entrou a sua filha aos prantos, sua única reação foi abraça-la, e prometer que tudo ficaria bem.
Fale com o autor