HeartBreaker

22 #22 Relacionamento fortalecido


— Não, Puck! – A loira pressionava as têmporas em exaustão. Se questionou por alguns segundos como havia sido chantageada a chegar nessa situação. – Você não pode colocar um hotel no seu lote se você não tem quatro casas. É a regra geral de Banco Imobiliário.

— Qual é, isso não faz nem sentido. – Jogou os dados pro lado. – Eu não vou construir casas em um terreno se a principal ideia é ter um hotel, isso só daria mão de obra e gasto de material.

Kurt e Chandler encaravam a cena com curiosidade, querendo saber onde aquilo chegaria.

A semana havia começado horas antes, uma segunda-feira fria em Nova Iorque onde cachecóis e gorros foram tirados do fundo do armário. Kurt e Quinn não precisaram pegar o metrô naquele dia congelante pois Blaine havia proposto dar uma carona para o casal de primos. A Fabray havia ficado um pouco receosa, porém ao colocar na balança preferiu chegar acompanhada do cafajeste do campus e ter a possibilidade de encontrar a fúria de Tina e dos demais membros do grupo da vingança do que ter que passar quase horas dentro de uma lata subterrânea cujo trajeto poderia facilmente ser feito em poucos minutos, sem paradas. Optou por aceitar a carona do novo namorado do primo.

Além de que: Kurt levava caixas. Muitas caixas. Caixas essas que continham as roupas do desfile que aconteceria daqui a poucos dias, o famoso evento do ano da faculdade. Terminara as peças com a ajuda de Blaine ainda no final de semana, tudo corria bem.

Chegaram no campus da universidade no horário, onde cada um caminhou para sua aula, e para o intervalo todos os amigos decidiram se encontrar nos fundos de um jardim e almoçarem por ali uma espécie de piquenique improvisado. Não esperavam aquele caos que acontecia no atual momento: decidiram, para passar o tempo, uma partida de um jogo de tabuleiro competitivo. O que poderia dar errado, não?

— Se você vai jogar fora das regras, eu não quero mais jogar. – A loira cruzou os braços na altura do peito.

— Ah, você vai jogar sim. – Kurt interviu. – Eu não fiquei o jogo inteiro tentando te convencer a me vender suas estações de trem pra você simplesmente desistir agora que me vendeu.

— Eu acho que ainda não entendi muito bem esse jogo. – Dizia BigJ.

— Você não está indo mal. – Chandler sorriu.

— Melhor que Blaine eu estou. – O garoto gargalhou.

— Em minha defesa... – O Anderson interviu. – Eu não imaginei que fosse cair nos terrenos de Kurt onde o aluguel custam mais do que um órgão do corpo.

— Você faliu em cinco rodadas. – Todos gargalharam.

— Eu achei que seria perdoado do aluguel. – Revirou os olhos como quem fizesse birra.

— Amor amor, negócios à parte. – Kurt balançou algumas notas no ar, como quem provocasse Blaine, que até tentou fazer uma feição brava porém acabou terminando em um sorriso encantador observando o namorado empenhado no jogo.

— Você vai querer o hotel ou não? – Quinn bufou tentando voltar ao jogo.

— Só se eu não tiver que comprar a casa. – Insistiu o garoto de moicano.

Alguns salgadinhos voaram em direção ao rapaz.

— Ei, não desperdiça, é comida! – BigJ pegou alguns salgados que caíram sobre a toalha e levou à boca, sem se importar se eles haviam sujado com algo por ali.

O caos daquela partida era instaurado novamente, porém embora estivesse sendo um jogo complicado o clima era bem divertido. Nunca imaginariam que aquele grupo distinto de pessoas pudessem ter um momento de descontração e diversão juntos, em algo simples como um almoço leve no campus enquanto jogavam tabuleiro.

DO OUTRO LADO DO CAMPUS

A garota de cabelos curtos corria pelos corredores da biblioteca sem se importar com o repreender do monitor da faculdade. Chegou aos fundos da estrutura um pouco ofegante.

— Você está péssima. – A asiática comentou em sua direção.

— Eu... Vi... – Tentava criar uma linha de argumentação enquanto também tentava recuperar o fôlego de sua corrida pelo campus. Colocou suas mãos em sua cintura e esperou alguns segundos, ainda sentindo a garganta seca. – Eu vi Quinn e Kurt.

— Os traíras, claro. – Tina revirou os olhos.

— Eles estavam com Blaine e Puck, e toda a trupe.

— Espera, o quê?

— Quinn e Kurt estavam com Blaine e Puck, e outras pessoas, almoçando perto do bloco E. E eles pareciam estar se divertindo, gargalhando sobre alguma coisa. No meio do campus.

— Você está me dizendo que, além de terem largado a gente no meio do plano, eles agora são amigos publicamente na faculdade? – Tina perguntou retoricamente, porém recebeu a confirmação da garota. – Isso só pode ser uma piada.

— Matthew disse que eles chegaram juntos de carro com Blaine. – Comentou Melanie.

— Estão comentando por todo o curso de música que Blaine está namorando. Foi o assunto da aula de percussão hoje. – Tiffany, que era colega de classe do Anderson e também havia sofrido o “golpe da aposta”, trouxera a bomba. Não havia sido vítima de Blaine, mas de Puck, e estava ali porque queria acabar com aquela competição tanto quanto as outras pessoas que haviam sido envolvidas. – Ele não confirmou nada, mas também não negou.

— Eles devem estar zoando comigo. Então quer dizer que o que Blaine ganha por ter machucado e brincado com tantas pessoas é um namorado, almoço no campus regado de brincadeiras e felicidade? E quem precisa se esconder nos fundos empoeirados de uma biblioteca é a gente? – Soou impaciente. – Eu preciso que esse garoto sofra.

— Ele pareceu estar bem longe de sofrer. – Melanie recebeu um olhar mortal da amiga.

— Mudamos nosso plano então? – Tiffany perguntou.

— Não. – Respondeu imediatamente. – Apenas... Vamos ter que criar outra estratégia. A gente apostava que se a história da aposta viesse à tona, Blaine se sentiria péssimo. Mas isso não aconteceu... – A garota esfregava as mãos. – Então precisamos de outra coisa que faça ele se sentir mal.

— O que faria isso?

— Vamos partir da premissa que: ele não se importa mais com a reputação, ele está feliz estando com Kurt em um relacionamento firme... Então precisamos do oposto disso.

— Afetar o relacionamento dos dois?

— Bingo! – A asiática sorriu.

— Podemos achar alguém pra dar em cima de Blaine, assim Kurt ficaria com ciúmes e isso traria algum tipo de briga pro namoro dos dois. – Melanie adicionou ao plano.

— Não... Kurt lidou bem com o cafajeste saindo com várias pessoas e sendo um imã pelo campus. Se ele estiver seguro com esse “novo Blaine” ele não vai cair nisso. – Refutava.

— O que você pensou então?

— Eles são espertos, isso eu não posso negar... Kurt e Quinn têm informações privilegiadas, estavam entre nós, devem saber que vamos atacar a qualquer momento... – Tina falava como se estivesse em um monólogo de um filme de suspense. Estar perto da asiática era estranho, como se a mesma vivesse em um universo paralelo onde era a estrategista com suas marionetes. – Não pode ser uma ameaça de fora. Precisamos que esse relacionamento acabe por algo de dentro. Algo que ninguém espere. Algo que não faça da gente os culpados.

— E se a gente... – Tiffany levantou a mão e começou a falar.

— Eu já tenho um plano. – Tina a interrompeu sem se importar muito.

[...]

NA MANSÃO ANDERSON

Partituras espalhadas por toda a mesa, um Blaine Anderson visivelmente irritado.

Kurt entrou pelas portas do estúdio com dois copos de suco de laranja em mãos. É claro que uma casa daquele tamanho tinha um estúdio. Chegaram pouco depois da última aula do dia, perto das cinco da tarde. Blaine apresentou o cômodo para Kurt que ficara deslumbrado.

As paredes eram escuras, algumas com isolamento acústico em espuma. Havia uma enorme mesa de aparelhagem e mixagem de som, uma sessão com instrumentos espalhados por todos os cantos (não muitos, apenas os clássicos como piano, teclado, violão, guitarra, baixo e... Ok, talvez se Kurt parasse o suficiente para contá-los acharia muitos), uma pequena mesa com cadeiras de reunião perto de um sofá longo e, o que brilhou os olhos do castanho, uma pequena cabine dentro de paredes de vidro contendo um microfone. Totalmente acústico.

Como Blaine havia ajudado Kurt com a costura das peças do desfile (muito mais apoio moral do que serviço braçal), nada mais justo que o Hummel ajudasse Blaine com a escolha e ensaio das músicas que seriam tocadas pelos estudantes de música durante a noite especial. E claro, passar um tempo com o “namorado” não era algo que Kurt pudesse dispensar.

— Você não precisava ter ido buscar, era só pedir pra Rosa. – Blaine caminhou até o namorado que não respondeu com palavras, apenas revirou os olhos e fez uma feição de deboche, como se Blaine fosse uma criança e Rosa sua babá.

— Tivemos progresso? – Kurt se sentou na cadeira de rodinhas por ali.

— Eu ainda estou em dúvida sobre minha abertura, porém as opções diminuíram para três opções de músicas, o que é um avanço. – Deslizou sobre a mesa as letras. – O encerramento ainda é uma incógnita.

— Don’t Stop Me Now, interessante... – O castanho observava as folhas com cuidado. – When I Get You Alone, tudo bem... – Colocou a folha um pouco longe, observando o olhar de Blaine pairar em si. – E Pumpin Blood... Sério, Blaine?

— Você odiou as opções.

— Eu não odiei...

— Mas...

— Mas. – Kurt gargalhou e arrastou sua cadeira até o lado do namorado. – Sua voz é incrível. Você é incrível, e você vai cantar a abertura do evento, em um solo. É um momento muito importante. Não sei se essas são as melhores opções.

— E voltamos à estaca zero. – Blaine voltou à pilha de letras sobre a mesa.

— Vamos ver a playlist completa e depois pensamos na sua abertura e encerramento, ok? – O castanho tentava se manter calmo e sereno. – Duetos.

— Duetos, certo. – Blaine alcançou a pasta.

[...]

Demoraram algumas horas mas os garotos haviam oficialmente criado uma lista de reprodução altamente interessante, dividindo toda a parte musical do evento entre a música de abertura com o solo de Blaine, as músicas de entrada das coleções que alternavam entre músicas que cantariam Kate, Blaine, Joshua, Jamil e alguns duetos entre os cantores, e a música de encerramento que ainda estava a ser decidido quem cantaria.

Até chegaram a ensaiar um pouco, mas os jovens não suportavam mais.

— Olha, eu amo música, mas se eu tiver que ver mais uma partitura na minha frente eu juro que amanhã mesmo estou na reitoria tentando mudar meu curso. – Blaine se afastou da mesa com sua cadeira.

— Você precisa relaxar.

Kurt se levantou e foi até o moreno, dando uma volta em sua cadeira e posicionando suas mãos nos ombros do Anderson. Apertou levemente com suas mãos e começou uma delicada passagem pela região. Não houve reclamação. Os garotos ficaram ali por alguns minutos. O Hummel se dedicava ao que fazia e Blaine estava aproveitando cada toque do castanho.

— Eu posso me acostumar com isso. – Soltou o Anderson.

— Com minha massagem? – Sorriu. – Não se acostume, é só pra ocasiões especiais.

— Também com sua massagem. – Blaine também sorriu. – Mas estava falando da gente. – Se virou na cadeira, puxando Kurt para sentar em seu colo. – Te ver pelas manhãs, almoçar com você, fazer algo depois das aulas... Eu posso me acostumar com isso.

— Blaine Anderson, quem te viu, quem te vê. – O jovem estudante de moda disse entre um sorriso, enquanto passava seus braços ao redor do namorado.

— Você tem uma visão muito errada de mim. Fizeram uma lavagem cerebral onde te impediram de ver o cara incrível, maravilhoso, inteligente, simpático e sexy que sou. – Tentou soar magoado porém recebeu um leve tapa de Kurt e agora gargalhava com a reação.

— Maravilhoso, inteligente, sexy, cafajeste... – Kurt gargalhava baixo enquanto saía do colo do amado e atravessava a sala.

— Ei. Sério? Vem cá. – Blaine se levantou um pouco aflito e foi até o namorado, o trazendo novamente para seus braços. – Você ainda acha que eu sou assim? – Perguntou sério.

— Relaxa. – Deu um selinho.

— Eu perguntei sério. Você ainda acha isso de mim? – Kurt abriu sua boca para responder algo, porém não conseguiu pensar o suficiente em uma resposta. Blaine soltou o namorado e deu alguns passos pra trás. – Sério?

— Ei, calma. – Se aproximou. – Eu estava brincando, me desculpa. – Puxou Blaine pra si. – Você está fazendo um ótimo trabalho em me passar confiança, hoje mesmo foi uma prova disso. – Se referiu ao tempo de qualidade que tiveram publicamente no campus, o antigo campo de ataque do Anderson. – Do mesmo jeito que eu quero que você se sinta seguro comigo, em ter certeza que não faço mais parte daquele plano besta. Mas nós dois sabíamos que essa confiança virá com o tempo... De ambos os lados.

— Eu gosto de você, Kurt.

— Eu gosto de você também, Blaine. – Encostaram os lábios.

— Eu quero que você se sinta seguro. – O garoto se desvencilhou do abraço do namorado por alguns segundos para alcançar seu celular em uma mesa próxima. – Vem cá.

— O quê...

Com os braços altos, Blaine se aproximou do namorado enquanto o aplicativo de câmera do celular se abria. Os garotos tiraram algumas fotos juntos com poses variadas. Não foi necessário o pedido ou qualquer forma de permissão, Kurt apenas assentiu enquanto Blaine abria seu instagram com a intenção de publicar e marcar o outro jovem na imagem.

— Blaine Anderson, cheio de surpresas. – Disse.

— Você fala isso agora, mas boa sorte lidando com possíveis mensagens que você vai receber de pessoas como Tina. – Blaine gargalhou. – Eu... Eu nunca postei foto com ninguém, Kurt.

— Você fez isso por mim? – Perguntou preocupado. – Porque eu não te pedi nada, você não precisava acelerar as coisas assim se não quisesse e... – Começou a falar rapidamente, porém fora interrompido pelo colega.

— Eu fiz isso por mim. – Sorriu.

— Certo. – Tentou controlar o rubor das bochechas.

Blaine rolou seus olhos até o relógio que ficava no canto do estúdio e marcava algo perto das nove da noite. Não se importou muito com os minutos. Na verdade, odiou que as horas houvessem passado tão rápido.

— Você precisa ir agora ou fica pra janta?

— Eu realmente preciso ir. Mais tarde o metrô começa a ficar perigoso e tem uma grande chance de Quinn me deserdar se eu continuar passando mais tempo com você do que com ela. – Gargalhou baixo.

— Você não precisa ir de metrô, eu te levo.

— Blaine. – Segurou as mãos do namorado. – Eu agradeço sua intenção, de verdade, mas você precisa parar um pouco com isso. Eu sou grandinho, posso pegar o metrô. Não tem como você ficar me levando pra cima e pra baixo, me buscar e me levar da faculdade todos os dias...

— Por que não?

— Porque você é meu namorado, não é meu pai. – Falou como se fosse óbvio. – Além do que sua casa e a minha são caminhos totalmente opostos. E é Nova Iorque, meu sonho de infância. Mesmo um morador de rua com um pombo de estimação é uma atração pra mim, eu gosto da aventura e... – Encarou o namorado que tinha um sorriso bobo no rosto. – O que foi?

— Eu sou seu namorado?

— Você não é? – Se deu conta. – Ah, entendi. Bom, eu sei que não foi feito um pedido nem nada, mas imaginei que como nenhum quer ter outros casos e você até postou uma foto comigo e... – Foi Kurt começar a tagarelar novamente que Blaine o interrompeu.

— Kurt Hummel. – O castanho se calou, se odiando por ser a pessoa que fala demais quando nervoso. Continuou em silêncio, esperando Blaine completar sua vez de fala

— Blaine Anderson.

— Você quer ser meu namorado? – Sorriu de canto de rosto.

.:.

— Eles nem vão ver o que os atingiram. – Tina sorria enquanto encarava a tela de seu notebook e digitava fervorosamente. Em seu computador uma tela de conversa aberta com o responsável pelo telão do evento, enquanto outras abas continham o perfil de Blaine no instagram na última foto postada e também no site que espelhava a área de trabalho do Anderson.

Notas finais
aaaaa
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.