HeartBreaker
14 #14 Uma nova aquisição ao plano
Notas iniciais
"— Rosa, me acorde em 30 minutos!
O Hummel conheceu aquela voz. Era de Blaine. E ela estava muito perto. Perto tipo... do outro lado da porta do quarto.
Seria seu fim."
O estudante de moda parecia paralisado. Foi como se aqueles segundos seguintes viraram horas, como se tudo estivesse em câmera lenta até o castanho bolar algum tipo de plano ou saída para a situação que havia se metido. Não era algo genial, porém com o tempo que tivera, foi o melhor que conseguiu bolar para desviar daquela enrascada que havia se colocado, afinal, qual a melhor desculpa para se dar quando você entra em seu quarto e encontra lá uma pessoa que te ignorou o dia inteiro?
Blaine virou a maçaneta da porta sem se importar muito em conferir o interior daquele quarto, afinal, não deveria encontrar nada de novo além das dependências que estava acostumado, que vivera por anos ali. Porém teve a grande surpresa de, assim que entrara e fechara a porta atrás de si, ter seus olhos vidrados em uma figura conhecida o encarando de braços cruzados em sua frente.
— Kurt? O que você... – E foi interrompido.
Foram alguns segundos até poder assimilar o que havia acontecido. Sem convite ou permissão o estudante de moda caminhou até o Anderson e puxou sua camisa polo branca até si, colando seus corpos porém não avançando mais do que isso.
— Oi. – Disse o Hummel como um sussurro.
— Oi. – Respondeu com um sorriso fraco. – Olha... Longe de mim querer reclamar de te encontrar aqui no meu quarto, eu até gostei, mas... – O moreno tentava encontrar uma forma de, gentilmente, perguntar ao outro homem o motivo dele estar ali. Porém era extremamente difícil construir uma linha de pensamento quando você tem Kurt fucking Hummel com os braços em sua volta, tomando turnos entre te olhar no fundo dos olhos e encarar seus lábios.
— Podemos terminar o que não conseguimos aquele dia no carro?
Não houve resposta. Blaine apenas sorriu e acabou com a (pouca) distância que havia entre os dois. Os lábios se encontraram em um beijo que começara casto, porém com o sentir e o envolver das línguas começava a ficar sedento e quente.
As mãos de Kurt se perdiam nos poucos cachos que desrespeitavam o gel dos cabelos do estudante de música. O beijo tinha um ritmo fascinante, como se as bocas se encaixassem de uma forma magnética. As mãos de Blaine percorriam toda a extensão das costas do castanho, apertando e provavelmente amassando cada centímetro da roupa do outro.
A urgência do beijo mostrava a vontade que os dois garotos tinham. Os beijos de Blaine foram direcionados ao pescoço do mais velho, onde não havia preocupação alguma em não deixar rastros por ali. O cheiro que Kurt exalava, aquele aroma de camomila misturado com um tom amadeirado de seu perfume... Blaine poderia jurar que era o melhor cheiro do mundo.
— Blaine... – Kurt tentava formular alguma desculpa para sair dos braços do colega, porém sem êxito algum. Era como se seu próprio cérebro o sabotasse, querendo continuar naquela situação.
— Shhh. Aproveita. — E então os lábios voltaram a se encontrar. Eram breves os momentos que se separavam para buscar algum tipo de ar.
O moreno percebeu que o Hummel estava totalmente envolvido na sessão de beijos e, convidativamente, inclinou seu corpo fazendo Kurt dar alguns passos pra trás. Foi o guiando até a cama, tropeçando nas escadas e desejando por alguns instantes que ela não estivesse ali.
— Cama. – Sussurrou enquanto sugava os lábios do castanho.
Kurt apenas assentiu e foi seguindo seu caminho, mantendo a certeza que não soltar daqueles lábios tão atrativos.
Beijar Blaine era... enigmático. Sabia que não podia aproveitar daquilo, ouvia seu cérebro gritar que aquele rapaz era apenas parte de um plano e que Kurt não devia estar tão interessado, do jeito que estava. Mas... Tinha algo ali. Era como se Blaine soubesse exatamente o beijo que Kurt gostaria de provar. As línguas em constante movimento, os selinhos enquanto buscavam por ar, as sugadas em seu lábio inferior... Tudo isso misturado com as mãos de Blaine alisando suas costas, apertando cada pedacinho que podia.
As costas do castanho foram jogadas contra um colchão macio e Blaine sequer esperou para subir no castanho, colocando uma perna de cada lado, sentado no quadril do estudante de moda.
— Kurt, Kurt... – Sussurrou durante a troca dos beijos dos lábios para o pescoço do castanho. – Você me intriga, demais. – Soltou.
— É? – Mantinha os olhos fechados, aproveitando que outro rapaz explorasse cada parte do seu pescoço com a língua. – Por quê?
— Porque sim. – Blaine voltou aos lábios por poucos instantes com um beijo mais calmo, se separando após alguns segundos para tomar ar e continuar seu pensamento. – Uma hora você me faz pensar que nada mais vai acontecer. – Distribuiu alguns selinhos. – E depois me surpreende no meu quarto... – Sorriu sem jeito. – O que é você?
— Alguém diferente? – Tentou.
Kurt tomou alguns segundos para analisar a imagem que estava vendo. Blaine, acima dele, com os cabelos totalmente bagunçados. Seu rosto levemente avermelhado, olhos vidrados e cheios de luxúria, as roupas abarrotadas... Ele era lindo.
— Alguém diferente, huh? – Blaine abriu um sorriso, caindo na cama ao lado de Kurt. – Talvez seja por isso que você me consiga desse jeito.
— Como assim? – Kurt se virou de lado na cama, apoiando seu cotovelo no colchão, encarando o colega curiosamente.
— É estranho estar desse lado. Geralmente sou eu que faço as regras. Eu dito onde vai ser, como vai ser... E acontece. Mas com você... Com você, garoto... – Blaine sorria. – Você me tem na palma da mão. – O moreno falava enquanto brincava com seus dedos sob a pele clara do outro jovem, circulando e explorando tudo por ali. – É sobre quando você quer, na hora que quiser, Kurt. Como se fosse planejado, um plano mirabolante que você bolou pra me prender. Admiro isso em você.
Kurt tentou ignorar o arrepio em seu corpo ao ser tocado delicadamente pelo outro. Até tentaria responder algo, porém ao ouvir Blaine falar sobre algo “planejado” e como se fosse um “plano”, decidiu deixar o Anderson dentro de seus próprios pensamentos.
Apenas encarava aquele homem indescritivelmente lindo em sua frente. Seus olhos côr de amêndoa, suas sobrancelhas alinhadas, seu cabelo perdido em alguns cachos rebeldes... Tudo em Blaine era lindo. Entendia como aquele rapaz era tão cobiçado, porém ainda era um mistério como havia conseguido, em tão pouco tempo de plano, o ter em suas mãos desse jeito.
— Sai comigo. – Disse o Anderson de forma mais séria.
— De novo? – Sorriu. – Não faz uma semana que saímos.
— Faz tempo o suficiente.
O sorriso nos lábios de Kurt foi se desfazendo. Aquele tom de voz de Blaine era novidade. Não sentia sarcasmo, não existia galanteio. Blaine Anderson estava realmente o chamando pra sair, se colocando à prova para receber um enorme “NÃO” e não ligava pra isso. Porém a resposta que saiu da boca de Kurt foi bem diferente de um NÃO.
— Saio.
Simples, sem necessidade de complementar.
Aquela resposta não viera da razão do rapaz de cabelos castanhos, e sim da emoção. Era humanamente impossível recusar um pedido daqueles, com Blaine o olhando nos olhos e com um olhar como quem implorasse por uma resposta afirmativa. Kurt poderia até dizer que era um Blaine diferente. O verdadeiro, por trás da armadura de cafajeste. Um Blaine desarmado. Desarmado por Kurt Hummel.
[...]
"MENSAGEM DE CHANDLER – Kurt? Onde você está?”
"MENSAGEM DE KURT – No quarto de Blaine. Me dê um segundo.”
Chandler conferiu a notificação em seu celular e jogou o aparelho na cama, respirando fundo como se houvesse um aperto em seu peito. Não era como se sentisse ciúmes de Kurt ou de Blaine. Era como um evento catastrófico iminente. Sentia que algo de ruim aconteceria em breve e o loiro estaria no meio de fogo cruzado, tendo que eventualmente escolher um dos lados.
Enquanto Chandler, sentado no chão em meio de uma enorme bagunça de costura, cortava alguns fios que sobravam dos tecidos, perdido em pensamentos, não soube dizer o tempo que havia se passado. Só percebeu a porta de seu quarto se abrindo e um Kurt afobado entrando pela mesma.
— Me desculpe, eu acabei... – Foi interrompido.
— Encontrando Blaine. – Completou com um tom de voz cansado.
— Sim, sim. Mas já estou de volta. – Kurt sentou-se junto com o colega de sala, começando a pegar alguns tecidos e croquis para comparar.
Chandler largou o que fazia para, finalmente, encarar o amigo.
— Kurt. Você se odeia ou o quê? – Perguntou sério.
— Oi? – Arregalou os olhos surpreso com a pergunta.
— Você é um cara inteligente, obviamente. É estudado, é interessante demais para Blaine... E eu te contei sobre a aposta dele com Puck, que você é só mais um na lista dele. Então eu te pergunto novamente: você está fazendo isso porque se odeia, porque gosta de se torturar ou o quê? – Dizia em um tom de voz calmo demais, com uma nota um pouco passivo-agressivo na visão de Kurt.
— Chandler, eu...
— Quer saber? Me desculpa. – Chandler engoliu seco. – O que você faz com meu irmão não é problema meu. Eu não deveria ter me metido. Se você quer quebrar a cara, fique a vontade e se junte às outras.
— Chandler. – Kurt posicionou sua mão sob a do amigo. – Não se preocupe, eu sei o que eu estou fazendo.
— Sabe mesmo, Kurt? – Olhos nos olhos, um frio na barriga tomou conta do Hummel. Havia uma certa experiência nas coisas que Chandler falava. – Porque o que eu estou vendo é o mesmo padrão se repetindo, de novo e de novo. Você não é o primeiro a achar que consegue ficar em um relacionamento casual com ele, e não será o último.
Kurt encarou o amigo, que continuou:
— Ele te diz o que você quer ouvir, na hora que quer ouvir. E eu tenho medo que você acabe caindo nesse papo de Dom Quixote, um galanteador que alma nenhuma conseguiu domar, apenas uma.
— Você fala de uma maneira sobre seu irmão...
— Eu amo Blaine, de verdade. Mas as vezes eu gostaria que ele quebrasse a cara para aprender algum tipo de lição. – Kurt levantava as sobrancelhas. – Ele sempre tem o que quer, quando quer. Eu gostaria que qualquer dia desses alguém ensinasse pra ele as consequências das coisas que faz.
— Chandler...
— Acho que ele merece, sabe. – Chacoalhou a cabeça tentando desviar esses pensamentos horrorosos sobre o próprio irmão. – Enfim, só espero que você se cuide.
Kurt continuou em silêncio, ruminando aquelas palavras tão fortes. Quando o plano, de fato, se concretizasse, talvez Chandler não o odiasse tanto, afinal, essa tal “lição” para Blaine estaria mais perto de acontecer do que o esperado pelo loiro.
[...]
Kurt dispensou a carona de volta de Chandler e pegou o metrô pra casa. Precisava ficar a sós com seus pensamentos, enquanto lembrava de tudo que havia acontecido no dia de hoje.
Aproveitou a longa viagem para se perder em seu celular.
"MENSAGEM DO GRUPO — TINA: Como assim não conseguiu nada? Impossível. Alguma coisa você deveria ter achado. Mas que má vontade!”
"MENSAGEM DO GRUPO — QUINN: Calma, Tina.”
"MENSAGEM DO GRUPO — TIFFANY: Você chegou a ver se ele tinha um computador no quarto? Se conseguíssemos entrar em seu e-mail aposto que teríamos muitas provas do galinha que ele é.
"MENSAGEM DO GRUPO — MELANIE: Se você conseguir entrar no e-mail dele, não abra os meus!”
"MENSAGEM DO GRUPO — QUINN: Vocês tem noção do perigo que fizemos o Kurt passar? Eu acho que precisamos ser mais cuidadosas.”
"MENSAGEM DO GRUPO — TINA: Pois eu acho que estamos sendo lentas, isso sim. A ideia não seria humilhá-lo publicamente? O evento de moda da NYU vai acontecer na próxima semana, seria o momento perfeito, com todos os estudantes da faculdade assistindo!”
"MENSAGEM DO GRUPO — KURT: Vocês vão querer expô-lo durante o desfile?”
"MENSAGEM DO GRUPO — TINA: Já falei com Yan, que faz curso de T.I. e vai ficar encarregado do telão. Ele fez um preço muito bom.”
"MENSAGEM DO GRUPO — QUINN: Preço bom? Como assim?”
"MENSAGEM DO GRUPO — TINA: 500 dólares para, sem perguntas ou questionamentos, mudar o vídeo a ser passado no final do desfile. Entregamos um pen-drive pra ele e pronto, Blaine exposto.”
"MENSAGEM DO GRUPO — QUINN: E quem vai pagar esse dinheiro?”
"MENSAGEM DO GRUPO — TINA: Eu já paguei. Meu amor, eu acho até barato. Ver Blaine Anderson humilhada, exposto pela fraude e pessoa horrível que ele é... Isso não tem preço. O garoto vai precisar até mudar de universade depois que acabarmos com ele.”
Kurt percorria o conteúdo das mensagens com um certo receio. Tudo estava indo longe e rápido demais. Até mesmo Quinn estava com um pé atrás em relação a tudo isso... A impressão mesmo era que o plano era de Tina e todos os demais no grupo eram suas marionetes e seguidores, que precisariam fazer o quê ela quisesse, e quando ela quisesse.
Relembrou as palavras de Blaine ditas mais cedo: “é sobre quando você quer, na hora que quiser, Kurt”. Será que era mesmo? Há muito tempo o Hummel se sentia sem as rédeas de sua própria vida, sem poder tomar conta de suas próprias decisões, e por alguns instantes sentiu falta da sua vida em Lima.
"MENSAGEM DE BLAINE – Obrigado pela visita, meu bem! ;)”
Se bem que Nova Iorque ainda o traria muitas coisas boas, sentia o castanho.
[...]
Do outro lado da cidade, em um apartamento pequeno e bagunçado, uma asiática olhava fixamente para a tela de seu celular, questionando-se o próximo passo seria efetivo ou não para seu master plano.
— Que se dane. – Suspirou Tina enquanto pressionava a tecla de ligação do próprio celular. Alguns bipes depois a chamada era completada. – Oi, falo com Chandler? Meu nome é Tina e você precisa saber sobre uma coisa que está acontecendo.
Fale com o autor