HeartBreaker.
1 ONE SHOT: Conflitos desnecessários.
Notas iniciais
"I never thought that i could be happy, happy with someone like that."
Mellaine Stella fitava o imenso campo esverdeado sob o sol escaldante da Califórnia. Estava apreensiva e nervosa. Por alguma esconjuração demoníaca acabara de ser transferida para a Academia de Esperança aos Jovens: Seu pai havia acabado de receber uma promoção em seu trabalho — Era maravilhoso e horrível ao mesmo tempo. E ela havia sido coagida a dizer adeus a sua antiga "Academia de moças". Ela era uma defensora dos direitos feministas, e uma das intensas. Igualdade era o que o mundo precisava, de acordo com seu raciocínio. As mulheres são tão boas quanto os homens, não precisamos ser submetidas a um rigoroso e antiquado estereótipo de que nós temos de demonstrar inferioridade quando podemos ser mais — Ela sempre dizia isso a sua mãe, que apenas a ignorava com sempre e dizia que ela era obcecada demais com tal reivindicação. Seu pai concordava plenamente com ela, e demonstrava isso através de gestos que um homem casado deve realizar para sua esposa, companheira.
Abruptamente, afastando os pensamentos momentâneos, Mellanie se aliciou a adentrar pelas portas de mármore que ornavam a entrada com seus detalhes: Uma pomba segurando no bico um trevo de quatro folhas sob uma saraivada de rosas e tulipas deformadas. O estabelecimento estava muito sutil, o que a estranhou porque normalmente os corredores deviam estar lotados de adolescentes apressados e sonolentos com suas camisas abarrotadas. Só foi pensar no fato, que o sinal de início às aulas retumbou pelo corredor e deixou-a atônita a tonta. Nesse exato momento, uma multidão de adolescentes começou a surgir do nada pela entrada com uma velocidade inacreditável, enquanto uns barravam acidentalmente e outros provocavam os amigos com um sorriso debochado estampado no rosto.
A ignoraram por completo, o que ela agradeceu mentalmente. O problema era que ela não sabia onde estava a porcaria da diretoria, e uma "muvuca" colidia com ela, provocando alguns tropeços e pedidos de desculpas. Ela tentava focalizar alguma garota em meio a multidão desorganizada, mas ou o corredor só tinha garotos, ou ela estava delirando por causa do calor.
– Licença, hã .. — A estavam ignorando — Alguém pode me informar onde fica a diretoria? — Sem sucesso.
Uma pessoa a puxou pelos cotovelos. Era uma velhinha baixinha com um óculos vermelho. Vestia-se formalmente com seu paletó e sua saia social pretos, com saltos altos da mesma cor. Ela olhava Mellanie como se a estivesse analisando.
– Senhorita Mellanie? Mellaine Stella — Assenti — Eu sou a diretora, Elizabeth Becker, siga-me, por favor! — Antes que Melannie pudesse responder adequadamente, a velhinha se virou rapidamente e seguiu pelo corredor.
Mellanie abalroava com adolescentes excêntricos: Um adolescente tinha um moicano preto parecido com triângulos, tatuagens uma mais esquisita que as outras espalhadas pelos braços, uma jaqueta de couro com um símbolo de caveira expondo seu bíceps bem definidos, calça jeans preta com uma corrente pendendo do seu bolso e um tênis All Star Black. Seus olhos eram amedrontadores sombreados com lápis de olhos pretos e seus lábios haviam sido fortemente revestidos por uma camada enegrecida de batom brilhoso.
Mellanie estremeceu e saiu aceleradamente de perto daquele garoto, seguindo com dificuldade uma velhinha que entrou em uma sala no final do corredor.
– Ora, Senhor Bryan! Que prazer revê-lo pela vigésima quinta vez na semana – A diretora proferiu as palavras com um tom de sarcasmo e desdém. — É uma pena.
Mellanie escutou um suspiro chateado ao adentrar no local. Um garoto com uma camiseta marrom de mangas compridas e um jeans surrado azul-marinho estava com os braços cruzados, demonstrando impaciência. Sua pele era levemente bronzeada como se alguém houvesse passado canela em todo seu corpo e seus olhos eram caramelados como mel. Um touca revestia sua cabeleira acastanhada e lisa.
– Você atingiu o limite em menos de seis meses. Inacreditável! – Elizabeth Becker olhava, incrédula, para ele. Bryan apenas ofegava como se estivesse suportando um grande fardo, ou como se estivesse encolerizado. A diretora olhou para Mellanie — Senhorita, pode sentar-se. Vamos resolver as coisas pendentes referentes a você.
– Ei, cheguei primeiro aqui, não sou obrigado a esperar a "Senhora" conversar primeiro com ... — Bryan encarou Mellanie com desdém para, posteriormente, apontar o polegar em sua direção — Essa garota! Isso é injusto! — A diretora o defrontou severamente.
– Em primeiro lugar: Você não estaria aqui se não fosse indolente e impulsivo. Em segundo lugar: Eu sou a diretora, e é meu trabalho orientar os novos alunos que são transferidos para este instituição. Em terceiro lugar: Espero que esteja preparado para as detenções que o aguardam, senhor Bryan Hobson!
– Como assim detenções? A senhora sabe muito bem que a culpa não é só minha, então por que insiste em punir somente a mim?
– Se fosse somente por isso, eu já o teria avisado que "puxei" as orelhas dos seus "amigos", mas já que as câmeras não deixam nada escapar, devo lembrá-lo do código 23 que violou ontem. Ou não devo? — Bryan ficou enrubescido e resmungou algumas maldições. A diretora estava com os dedos atados e sob a seu queixo comprido. Mellanie, até esse momento, já estava sentada, quieta e em silêncio. — Voltando para a senhorita, sinto em dizer que não poderei lhe acompanhar na apresentação da escola, e sei muito bem que você veio hoje para fazer exatamente isso, porém tenho algumas questões relevantes a resolver.
Mellanie deduziu que Elizabeth Becker considerava suas exigências irrelevantes, o que a fez se remexer desconfortavelmente em seu assento. Já estava ficando um pouco irritada. Ela tinha seus direitos ou não?
– Terei de fazer com que o senhor Bryan a acompanhe. — Antes que Mellanie pudesse protestar, o garoto se sobressaltou.
– Como é que é? A senhora está maluca, né? Eu não sou nenhum tipo de escravo. Que diabos!
– Considere isso como sendo a primeira punição que recebe, o que é bem melhor do que eu estava pensando.
– Humpf. Sempre a mesma coisa: Limpe a quadra, ajude na cozinha, retire os chicletes debaixo das mesas dos pátios ...
A diretora o ignorou e olhou para Mellanie.
– Tudo bem, senhorita? — Mellanie olhou para o garoto que a encarou suplicante.
– Não me importo, desde que eu conheça o colégio, está ótimo para mim.
– Ótimo. Muito obrigado, Mellanie. — O garoto a arrostou áspero e sombrio.
– Então, vou deixar vocês a vontade para se deleitar da nosso estabelecimento. Agora vamos, preciso revolver algumas pertinências. — A diretora expulsava-os de sua sala.
Alguns segundo depois, lá estavam os dois encarando a porta da sala da diretoria em um corredor que outrora estava lotado e desorganizado.
– Você bem que poderia negar a proposta dela, né? — Bryan reclamou.
– Hã? Você acha que não estamos no mesmo barco? Você não acha que eu amaria que outra pessoa me acompanhasse ou que eu ficasse em casa em vez de está aqui? Ela disse que não seria tão ruim assim. Além do mais, prazer, meu nome é Mellanie Stella. — Mellanie retrucou com sarcasmo.
– Agora eu sou o culpado? — Ele a fitou impaciente com os braços cruzados.
– É! É sim sua culpa! — Mellanie sabia que não era, mas bem que poderia culpar o garoto pelas coisas que havia acontecido na sua vida, recentemente.
– Não acredito nisso! Não passei nem cinco minutos com você, e já não lhe suporto. CINCO minutos! — Ele mostrava, indignado, os cinco dedos das mãos.
– Você fez por onde querer! "Ei, cheguei primeiro aqui, não sou obrigado a esperar a "Senhora" conversar primeiro com ... essa garota". — Mellania tentou imitar a fala que Bryan proferira a alguns minutos atrás.
– Oh, céus! Você é insuportável!
– Eu? Insuportável? Você está de brincadeira, né? O quão infantil você é?
– Eu? Infantil? O quem fala: Uma garota irritada e deformada com seus cabelos crespos e queimados.
– Para sua informação, meus cabelos são lisos! Ou você é cego?
– Eu sou entrevi sua verdadeira forma, ou como os religiosos diriam, sua alma. — Bryan já estava vermelho de tanta raiva.
– Seu Idiota carrancudo e mal-educado!
– Otária!
– Convencido! Egoísta! E fracote!
– Fracote? Me chame de fracote de novo e lhe mostro o que um fracote faz com essa parede aqui. — Ele trincou os dentes.
– Ui, que medo! Fracote! — Bryan num súbito ergueu o punho e socou a parede fortemente, provocando um ruído e um gemido dolorido.
– Você que é uma fraca! Você é uma mulher! Mulheres são fracas!
– Nós? Fracas? Seu machista ignorante e irracional. Você nada é mais do que um vagabundo metido e orgulhoso que burla as regras das escolas só por se sentir superior aos outros. Você é um hipócrita convencido e esnobe!
Bryan chutou a lixeira mais próxima, que se rachou com a força do impacto com a parede, provocando um estrondo no corredor. Ele saiu em passos pesados e largos pelo corredor, demonstrando irritabilidade. Mellanie escutou um sorriso divertido de dentro da sala da diretoria e se sentiu constrangida. A diretora Elizabeth Becker havia escutado tudo e não fizera nada.
Mellanie Stella não teve escolha se não seguir Bryan Hobson pelo imenso corredor.
oOo
– Por que você está me seguindo? — Bryan ergueu uma sobrancelha, aparentemente colérico e revoltado.
– Eu estou esperando você começar a me apresentar a escola! O que mais poderia ser? — Mellanie disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
– Really? Agora você precisa de uma ajuda de um esnobe com eu? Fico lisonjeado!
– Não é como se eu concordasse com isso, eu mesmo já disse isso, idiota! Mas não tenho escolha, tenho? Ou é necessário eu ter de ir até a diretoria e refutar sua ajuda? E, consequentemente, você terá de fazer coisas piores e odiosas. — Ele não se virou.
– Quantos anos você tem?
– O quê? Por que diabos você quer saber minha idade? Por acaso é um algum Hacker profissional? — Ele resmungou, e ela percebeu o porquê. — 16. 16 anos.
– Ótimo! — Disse ele com amargor e apontou com o dedo indicador para uma sala a direita. — Aquela é a sala oficial do 2° ano. Somos colegas de classe. — A insatisfação era nítida em sua voz.
– Hum, legal. O que mais? — Ele virou a cabeça em um ângulo de 90 graus para a esquerda e fuzilou-a com o olhar. Já estávamos virando o corredor quando avistamos um homem com um macacão azul, e com um crachá com sua identificação: Willy, o zelador. Ele revirou os olhos quando Bryan se aproximou. Dando um sorriso torto. Apoiando as mãos e cabeça no topo do cabo de um esfregão.
– O que eu lhe disse? — Willy, o zelador disse calmamente, devia ter uns 45 anos.
– Não enche o saco, Wily, minha paciência está no limite hoje — Willy apenas sorriu, e analisou Mellanie.
– Quem é essa senhorita?
– Essa? — Bryan parou por um momento e olhou para trás, analisando-a como Willy fizera — Essa é a ... Mel?
– Mellanie Stella, prazer! — Ela dirigiu um sorriso fraco e gentil a homem.
– É. Isso mesmo! Não caia na armadilha da garota boazinha e gentil, ela é um demônio! Uma das piores por sinal
– Bryan deu sua conclusão, e continuou feliz pelo corredor, enquando Mellanie o excomungava com maldições. Willy apenas riu.
– Pode me chamar de Mel.
– Olá, Mel! — Ele mirou o seu olhar no dela, e falou um pouco mais alto, o que fez Bryan escutar e ignorar. — Ele pode parecer um leão, mas é um coelho por dentro. Tenha paciência com ele.
Mellanie assentiu, não acreditando no que o Zelador dissera, que apenas sorriu gentilmente e continuou seu trabalho. Deixando-a seguir para frente.
Bryan parou em frente a uma porta dupla com duas janelas de vidro, uma em cada porta, e tateou a madeira Afzélia, e a empurrou.
– Este é o ginásio. – Ele disse e adentrou no local. Mellanie chegou uns 5 segundos depois e ficou sem fôlego, maravilhada. Seus olhos cintilavam de surpresa.
– Uau! É Incrível. – Mellanie estava perplexa. O ginásio era imenso, devia ter uns 50 metros de comprimento e 30 METROS de largura, circundado por arquibancadas. No centro havia uma quadra, delimitada e demarcada com linha azuis e vermelhas, cujas pontas continham um poste de basquete ornado com cores pretas e laranjas como uma bola do esporte mencionado. No centro do teto do ginásio havia uma fenda circular por onde atravessava e projetava no cerne da quadra um círculo de luz, como se um projetor de fulgor estivesse pendendo do teto posto para um palco de apresentação.
– Sim, é incrível! – Bryan disse com um sorriso torto e bricalhão direcionado á Mellanie, como se estivesse se divertindo com a expressão dela, porém quando percebeu, Fechou a cara. – É aqui onde há as competições anuais do ensino médio. – Ele apontou para a quadra.
– Tipo, 1° ano contra o 2° ano? – Ele assentiu.
– Sei o que você está pensando, mas um time pode ser composto por alunos tantos do 1°, 2° e 3° ano. É como se fosse uma competição mista. Pode parecer injusto, mas é bem legal, todos se divertem, embora haja aqueles que se extravasem e excedam seus limites físicos.
– Hum, legal! Essa competição só foca Basquete – Ele encarou Mellanie com uma sobrancelha arqueada como se ela fosse uma louca. Ela se sentiu uma idiota e ofendida – Presumo que não!
– É óbvio que não! Acredito que você percebeu. Esta é uma imensa instituição, portanto ela comporta várias salas de um mesmo ano, sendo que eles são divididos em A,B,C,D e E, localizados nos andares superiores. – Ele disse, por fim, se sentido meio convencido, e meio inteligente. Porém, a resposta de Bryan levou Mellanie a repensar em uma de suas falas proferidas anteriormente.
– E se têm muitas salas de um mesmo ano, como é que você sabe que eu vou ficar na mesma sala que a sua? – A pergunta pareceu pega-lo de surpresa, tanto que ele entortou a cabeça para a direita.
– A diretora nos disse na semana passada que iríamos receber uma aluna transferida para a nossa sala. Então presumi que seria você, já que ela definiu suas feições e tal – Ele deu de ombros e seguiu até o centro da quadra, onde foi banhado por uma onda resplandecente. De longe, Mellanie percebeu que a pele do garoto irradiava um pouco de luz, enquanto suas mechas ficavam meio flavescentes. Ela sentia como se os orbes de Bryan se mexe na íris como um furacão de areia cróceo. – Incrivelmente, esta sala é vedada, apenas esse buraco aqui em cima fica a amostra.
– E o calor? – Ele riu.
– Tubos de ar. – Ele apontou para as paredes. – Liberam ar frio, como se fossem um ar-condicionado gigante. Não fica frio, é parecido com uma brisa. Embora eu achasse melhor se fosse aberto.
– Concordo! Odeio lugares muitos fechados, dá uma aparência de que estamos presos. – Mellanie estremeceu com seu comentário.
– Você? Medo de lugares fechados? Claustrofobia? – Ele gargalhou alto como se tivesse descoberto o ponto fraco de Mellanie.
– Nem! Larga de ser idiota! Eu disse “Odiar” não “Medo”, o que são totalmente diferentes. Você precisa interpretar melhor as frases dos outros. – Mellanie pensou que ele fosse ficar ofendido, mas apenas riu de novo, e deu de ombros, caminhando novamente até em sua direção.
– Um dia vou lhe prender em um armário e deixar você suplicar minha ajuda. – Ele fez uma careta de medo.
– Isso é uma ameaça? – Ela replicou com os braços cruzados e com um leve sorriso no rosto como se tivesse entrando na brincadeira.
– Não sei. A não ser que você queira interpretar como uma ameaça. – Ele parou na frente dela com uma expressão sombria e meio chateada, mas ao mesmo tempo ria. – E então?
– Vou fingir que é uma brincadeira sua, porque caso contrário poderia lhe reportar. – Ele apenas deu de ombro, e suavizou sua expressão, ficando um pouco calmo. – E agora, para onde iremos meu caro instrutor pessoal?
– Para a cobertura? – Ele apontou o dedo indicado para cima, com incerteza. – A vista de lá é incrível. E é um lugar aberto. É uma sacada apropriada para um acidente, quer dizer, um passeio. – Pôs as mãos sobre a boca, emitindo apenas alguns ruídos felizes.
– Você é um saco sabia? Certo! Vamos para a cobertura. Preciso de um ar, já que eu tenho Claustrofobia. – Ela proferiu essa frase com uma pontada de ironia e sarcasmo.
– Ok, Claustrofóbica. Siga-me até a sacada superior da escola, por favor! – Ele passou por ela, e esperou na parte de fora. – Não esqueça de ficar longe das balaustradas, certo? Ninguém sabe quando alguém pode tropeçar em alguma pedra lá em cima e ficar tetraplégica.
– É. Quem sabe?! Seria uma pena mesmo se alguém caísse. – Ela olhou para Bryan como se o estivesse analisando. Ele apenas revirou os olhos.
– Você corta o barato de todo mundo. Isso devia ser considerado um crime. – Ele voltou a olhar chateado para ela. Mellanie ultrapassou os áditos, enquanto Bryan fechava-as e seguia. – Vamos. É por ali. – Apontou para as escadas semelhantes àquelas do Japão.
Enquanto os dois subiam as escadas, Bryan aproveitava-se para explicar onde se localizavam as salas de laboratórios, de artes, e quais os dias eram mais comuns para que houvesse os vínculos entre salas diferentes de um mesmo ano. Mellanie considerava bom, já que os dois não brigavam tanto. Ok. Só uns insultos eram comuns. Bryan abriu uma porta que dava direto a cobertura.
Quando Mellanie avistou o imenso terraço da escola, ficou surpresa. Era como se fosse um novo ginásio, só que na cobertura. A cobertura era delimitada por uma série de balaustre brancas em bem detalhada. Algumas chegavam a ter estátuas de leões rugindo, outras de cupidos com suas flechas e arcos nas costas. Era lindo. Ela correu até a balaustrada admirando os campos verdejantes e repletos de girassóis na parte de trás do colégio, contudo, cercas circulavam o campo com placas gigantes com letras em negrito postas de cinco a cinco metros, com a seguinte frase: “Não ultrapasse as cercas”. Eram bem cuidadas, Mellanie tinha certeza, pois as cores eram vívidas e intensas. Bryan apareceu no seu lado e apoiou-se no topo da balaustre.
– É lindo mesmo. Considero essa parte uma área de descanso. O melhor horário é durante a tarde. – Bryan disse meio sonhador.
– Você fica aqui à tarde? – Ela ergueu uma sobrancelha. Ele assentiu.
– Gosto daqui, é bem relaxante e quieto. Os outros alunos não vêm aqui com freqüência. Algo bem normal. – Ele olhou para ela de um jeito inquieto e divertido. – Posso lhe jogar daqui de cima? Adoraria lhe ver estilhaçar. – Mellaine riu em súbito deu um soco leve em seu ombro, mas depois que percebeu, ficou constrangida e envergonhada. Ele encarou-a com nítida exasperação e surpresa.
– Hã, desculpe! costume. – Ela voltou sua atenção para o campo, enquanto o vento uivava em seu ouvido, e seus cabelos castanhos esvoaçavam. De repente, ela sentiu um leve empurrão, que a quase a fez cair. Bryan a tinha empurrado. – O quê? Você está maluco, quase me fez bater a cara no chão!
– Código de Hamurabi. Não reclame. Fiz isso de acordo com os meus direitos. – Ele prendeu o riso. – Isso significa que tudo tem uma conseqüência, se vai ser bom o ruim vai depender da pessoa que a praticou.
– Ok, Historiador. Então se eu praticar uma ação digna de um julgamento, eu receberei uma conseqüência da mesma proporção? – Ele concordou, se divertindo com sua expressão de dúvida. – Não me olhe assim, História entra por esse ouvido e sai pelo outro. Além do mais, esse “Código de Hamubi” ...
– “Humurabi”. – Ele corrigiu-a.
– É. Isso mesmo. Ele já foi extinto antes mesmo de Cristo. Então não vale. – Com isso ela deu um empurrão nele e saiu correndo. – Aplique seu “Código de Hamudam” se conseguir me pegar.
– É H-A-M-U-R-A-B-I. – Ele saiu correndo pela cobertura atrás dela. Infelizmente, para Mellaine, Bryan era muito rápido. – Eu um excelente corredor. – Ele conseguiu-a encurralar. Mellaine esconjurava diversas maldições, enquanto ruminava sobre qual seria a melhor direção em que conseguiria fugir: Esquerda ou direita. Ela optou pela direita, mas Bryan foi mais rápidos, e envolveu os braços nela e a imprensou em seu corpo. Melainne se remexia.
– Me solte, idiota!
– É bem divertido. – Mellaine estava muito próxima da pele de Bryan e conseguia inalar um cheiro de baunilha com canela. O cheiro era bom, e adocicado. Fez Mellaine ruborizar.
– Por favor, Bryan? – Mellaine revirou os olhos.
– Por favor, Bryan, Vossa Excelência! Você está me apertando. – Mellaine ofegou quando Bryan a soltou. Estava meio tonta por causa da corrida. Bryan estava com um sorriso de Bad Boy. – Pensei que você estivesse com raiva de mim, seu maluco, normalmente, ninguém toca no outro, então para longe. – Ele a fitou meio bobalhão, e então sentou com as pernas cruzadas.
– É. Desculpe-me por chamá-la de “Fraca”. Estava chateado. Muita coisa aconteceu comigo ultimamente. Bem tenso. Mas você também estava errada. Você meio que alimentou a raiva, e mesmo que eu queira ficar com raiva de você, você solta essas brincadeira e me deixa em choque, o que você está pensando? – Mellaine se surpreendeu com o comentário dele.
– Então quer dizer que você não está mais com raiva de mim? – Ele negou. – Nossa! Você é bem volúvel, parece um bipolar. – Ele a fuzilou. – Mas eu também não estou irritada com você. Você até que é legal e gentil algumas vezes, além de atencioso.
– Você me acha gentil? – Bryan sentiu seu rosto formigar. – Tipo, gentil, gentil?
– Tirando o fato de você ser “bipolar”, entre aspas, carrancudo, problemático, e arranjar encrencas, além de burlar as regras que regem a escola, sim, você é gentil. – Bryan exibiu seu sorriso torto. – Me desculpe por chamá-lo de “Machista”, eu meio, que sou ...
– Uma defensora dos direitos feministas? – Ela assentiu.
– É percebi.
– Acredito na igualdade dos gêneros. As mulheres sofrem tanto hoje, mesmo com os direitos adquiridos. São molestadas, discriminadas. É tenso. – Mellanie suspirou. – Você concorda?
– Não vou confirmar nada. As mulheres me desprezam por algum motivo misterioso. Parecem que tem medo de mim. – Bryan olhou para o lado, enrubescido. Neste exato momento, Mellaine focalizou seus braços expostos, que anteriormente estavam cobertos pelas mangas compridas de sua camiseta. Eram riscos, arranhões, machucados e ainda estavam frescos, como se tivesse sido há pouco tempo.
– O que é isso? – Ela apontou para seus braços. Ele, abruptamente, percebeu que seus braços estavam expostos e cobriu-os com rapidez. Posteriormente, passou os dedos longos e sutis sobre o tecido da camiseta. – Desculpe. – Ele refutou. – São da possível encrenca que você criou ontem? – Ele concordou.
– Mas não é somente minha culpa. Eles me irritaram. Sou provoco algo quando eu realmente me estresso sem alguma necessidade. Sou na minha. – Ele suspirou pesadamente. Ela dobrou seus joelhos e ficou de frente para ele, puxando as mangas, e em seguida passou seus dedos sobre eles.
– Você tem medo das pessoas? – Ele negou. – É comum as pessoas mexerem com os outros quando são quietos. É uma maneira de se sentirem superiores, como se estivessem no poder. – Ele concordou com a cabeça. – Apenas mostrem quem você realmente é para as pessoas, assim elas lhe protegeram e serão inimigas daquelas que o cercam. Eles perceberam que você é inocente, uma vítima.
– Legal esse seu comentário. – Ele disse meio sorridente. – É vergonhoso que eu pensara que você fosse uma garota mimada. – Mellaine o encarou olho no olho, e lembrou de uma frase, que o Zelador lhe dissera: Ele pode parecer um leão, mas é um coelho por dentro. Agora ela entendera.
– Venha! me guie até a enfermaria do colégio. – Ele iria protestar, mas ela o puxou em direção a porta que dava em direção a cobertura.
– Você é estranha!
– E você é muito impulsivo, amigo! Presumo que vou ter de cuidar de você por muito, mais muito tempo, coelho. – Os dois sorriram.
The end.
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