Heart rater
17 Say that love holds everything “The final chapter”
Notas iniciais
Que à união de espíritos puros
eu não aceite impedimentos.
Não é amor o amor
que muda quando mudanças encontra,
ou se curva a quem quer extingui-lo.
Oh, não! O amor é um marco eterno
que inabalável enfrenta as tormentas.
É a estrela de todo barco errante,
de brilho certo, mas valor inestimável.
O amor não é joguete do tempo, embora
ao envelhecer os lábios nos entorte.
O amor não muda conforme o dia e a hora,
mas chega inalterado até o fim dos tempos.
Se me provarem que isto está errado,
então nunca escrevi
nem ninguém jamais amou.
— William Shakespeare.
Mills
Não consegui reagir, ainda estava ajoelhada ao lado do corpo do meu anjo de olhos verdes, agora frio e sem vida as palavras que ela disse flutuando em minha mente “Eu te amo” era tudo que desejava ouvir, mas não nessas circunstâncias, não desse jeito. Com cuidado puxei sua cabeça para meu colo as lembranças de como a conheci, de como me irritou instantaneamente com sua petulância sem limites e de como fazia minha pele se arrepiar apenas sob aquele olhar, eram tão lindos seus olhos assemelhavam-se a lagos verdes onde sentia minha alma mergulhar, com tantos desentendimentos e contratempos não pude dizer a ela o quanto a amava, em pouco tempo aquela loira petulante e abusada me conquistou com suas calças jeans e suas jaquetas de couro.
As lágrimas embaçando minha visão, deixei que meus dedos acariciassem seus cabelos loiros, sempre pensei que um coração como o meu estivesse endurecido pelas perdas que sofri, pensava que jamais poderia ser partido, um engano o calor daquele olhar intenso me trouxe a vida e agora mais uma vez meu coração estava esfarelado.
— Emma ! – Ruby se aproximou com olhos inundados e a voz esganiçada. – Não, não, não. – Repetia levando as mãos ao rosto na tentativa de se livrar das lágrimas ao mesmo tempo em que ficava de joelhos ao meu lado.
— Regina você é uma bruxa pode conserta isso. – Falou desesperada.
— Ela levou um tiro no coração e a bala fez um estrago, atravessou seu corpo Ruby à magia não pode consertar isso. – Minha voz saiu mais rouca por conta do pranto que não cessava.
— Mas e a profecia, Emma tem um coração puro você pode trazer ela de volta. – Falou buscando meu olhar.
— Eu nem sei como fazer isso. – O desespero me tomou de fato eu não fazia ideia do que fazer.
— Você a ama? – Perguntou incisiva.
— Sim. – Respondi firme.
— Então tem que tentar. – Falou seus olhos iluminados por um fio de esperança.
— Certo. – Murmurei fechando os olhos eu não sabia exatamente o que fazer, siga o seus instintos pensei.
Concentrei meus pensamentos na energia que fluía por minhas veias levando as mãos ate o peito de Emma.
— Ruby isso é mais como dar a ela um espíritos vitae, um sopro vital e então a magia vai poder curar suas feridas. – Falei encarando a morena com mechas vermelhas. – Preciso que me deixe canalizar um pouco da sua energia por assim dizer e aliada a um pouco da minha deve funcionar.
— E como eu faço isso? – Pediu.
— Me de sua mão. – Peguei sua mão mantendo a esquerda no peito de Em. – Apenas relaxe.
Fechei os olhos novamente e me concentrei naquele calor, aquela energia que sentia me tomar quando estava na companhia de Emma, a sensação de segurança que ela me passava mesmo quando estava irritada, senti o poder fluindo por meu corpo, minha energia juntando-se a de Ruby e passando para Swan, segui meu coração e deixei fluir, um pensamento em especifico surgiu, era Emma na tarde em que sentamos juntas em baixo da minha macieira, seu sorriso poderia iluminar o mundo e a forma como ele era refletido nos olhos verdes brilhantes era única, percebi que Swan era como meu sol particular e que não poderia viver sem isso nunca.
— Olha Regina esta funcionando. – Ruby me despertou apontando com a mão livre para Emma que respirava e os cortes em seu corpo juntamente com ferimento da bala brilharam num tom lilás por um tempo e quando se pagaram a pele estava intacta.
— Céus. – Murmurei soltando a mão de Ruby e acariciando o rosto da minha loira , sua respiração constante e suave.
Seus olhos se abriram e pude ver o mar verde cristalino brilhar antes dela esboçar um sorriso cansado e voltar a cerrar as pálpebras, seu corpo agora mais quente, suas mãos se uniram as minhas.
— Você também é meu lugar seguro. – Falei e com cuidado dei um selinho em seus lábios finos e outro na cabeleira loira.
— Estou tão aliviada. – Ruby disse me encarando.
— Conseguimos. – Falei e juntas fomos tomadas por um pranto de alegria e esperança renovada.
Ainda presas nesse momento bom senti minha magia ser tomada de luz, meu corpo vibrava com uma energia boa. Depois de algum tempo com a ajuda de Ruby carreguei Emma para o carro, minha loira dormia como um bebe.
Decidimos levar ela para uma cabana que pertenceu ao meu pai, ela a mantinha perto de um lago na floresta, deixei Ruby tomando conta da Emma enquanto voltava para a pensão buscar as coisas da loira e algumas minhas e de Lucas, eu não queria mais viver naquela pensão e ainda tinha que pensar numa historia muito boa para a policia sobre a morte do xerife, da Zelena, e esconder o corpo de Cora claro, pensei por um tempo enquanto dirigia que após resolver tudo iria vender aquela pensão, não havia motivos para continuar lá.
Diário de E. Swan
Acordei com a luz do sol que penetrava através de finas cortinas brancas e um cheiro muito bom de café no ar. Estou no céu pensei, lembrei do tiro de toda aquela confusão e depois do nada, levantei a cabeça e olhei ao redor, o céu é uma cabana, o quarto era aconchegante tinha uma lareira e as paredes e o teto eram de madeira envernizada.
Sentei na cama e verifiquei meu corpo há procura dos ferimentos, não estavam lá, meus cabelos soltos faziam cócegas em meu rosto enquanto tentava entender como vim parar aqui e se era real, e como eu estava vestindo um pijama de flanela vermelho.
A porta se abriu e uma Regina entrou vestindo jeans escuro, camiseta preta com uma jaqueta de couro e claro saltos, sua expressão estava leve como nunca vi , carregava uma bandeja de café nas mãos e se aproximou da cama sorrindo e sem perceber estava sorrindo também, isso com certeza é o paraíso.
— Eu morri. – Falei mais como uma afirmação e ela sorriu ainda mais, sentou na beira da cama e colocou a bandeja sobre o criado mudo.
Sem dizer um palavra se livrou dos saltos e sentou ao meu lado juntando nossas mão, esse simples toque era como uma torrente de emoções que eu não podia segurar então me permiti mergulhar no mar castanho a minha frente.
Fiz menção de falar alguma coisa, mas ela fez um sinal para que ficasse calada e com delicadeza juntou seus lábios aos meus, a principio um beijo doce, então sua língua veio de encontro a minha e aquela eletricidade gostosa percorreu meu corpo, sorrindo em meio ao beijo deixei que minhas mãos se emaranhassem nas madeixas escuras.
— Eu amo você. – Murmurou contra os meus lábios e foi desfazendo o beijo com selinhos.
— Então eu não morri. – Falei divertida entrelaçando nossas mãos.
— Não achou que seria tão fácil se livrar de mim Swan. – Falou arqueando a sobrancelha e rindo de canto.
— Eu nem sonharia com isso. – Pensei por um tempo. – Onde estou? – Perguntei olhando ao redor.
— Essa é uma cabana que meu pai tinha. – Pegou a bandeja e colocou sobre meu colo, tinha café algumas frutas, panquecas e torta. – Depois daquela confusão na cripta Ruby e eu achamos que seria melhor para você não ir ate a pensão. – Fez um sinal para que comesse, soltei um murmúrio de aprovação quando provei à torta.
— Mas eu morri. – Falei bebericando o café.
— Sim. – Seus olhos prenderam os meus. – Com a ajuda de Ruby trouxe você de volta.
— Por quê? – Pergunta idiota por que lá no fundo ou nem tão fundo assim eu sabia a razão eu também jamais a deixaria ir, não poderia.
— Porque você é o meu lugar seguro, meu sol particular. – Cada palavra carregada de sinceridade e algo mais.
— Obrigada. – Falei puxando-a para um beijo.
— Vamos Swan se alimente teremos muito tempo para isso. – Falou se afastando, eu via em seus olhos o quanto lhe custava se afastar.
— Ok Mills. – Falei em tom zombeteiro. – Quanto tempo eu apaguei?
— Dois dias. – olhei-a espantada.
— Mas e Zelena? – Perguntei sentindo culpa por tê-la matado de uma forma ou de outra ela ainda era irmã de Regina.
— A história oficial é que ela surtou e matou o xerife depois se enforcou. – Falou e uma sobra passou por seu rosto sumindo logo sem seguida.
— Desculpa eu queria ter dando um jeito sei lá. – Mirei seus olhos. – Ela era sua irmã e por minha culpa. – Não consegui terminar e baixei a cabeça.
— Tudo bem você não teve escolha Em. – Levantou meu rosto sorrindo ternamente. – Ela teria matado a mim e Ruby também. – Respirou fundo. – Não vou mentir e dizer que isso não me afeta, estou triste porque ela morreu bem sim, mas grande parte é porque a irmã que eu amei nunca existiu. – Falou pesarosa.
— Podemos passar por isso. — Falei apertando suas mãos entre as minhas recebendo um sorriso largo em resposta.
O momento acabou quando a loca da Ruby entrou esbaforida no quarto com um sorriso largo.
— Lucas só um minuto. – Regina falou e me deu um selinho descendo da cama e calçando os sapatos, com um sorriso tirou a bandeja do meu colo e colocou sobre o criado mudo. – Agora sim.
Ruby curvou cabeça para Regina numa reverencia e literalmente me puxou fora da cama para um abraço esmagador.
— Ruby eu não quero morrer de novo. – Falei contra sua cabeleira que estava no meu rosto.
— Meu deus loira não faz mais isso. – Sorriu se afastando. – Me responde como eu ia viver sem minha irmã de outra mãe. – Sorriu ainda mais acompanhada de Regina.
— Claro, claro. – Falei rindo também.
Vi na postura de Regina que qualquer ciúmes em relação à Ruby não existia mais, minha morena sorriu olhando nós duas.
— Sabe loira você é minha irmã não por uma razão acidental como o sangue, mas por algo muito mais forte, escolha. – Falou seguindo em direção a porta. – Eu vou ver o almoço comportem-se. — Piscou e saiu gargalhando.
— Ela única. – Regina falou se aproximando e me abraçando por trás, lembrei-me da primeira vez que sonhei com a morena foi exatamente assim a não ser pelo campo de lavandas. – Nunca mais me deixe. – Falou pousando o queixo no meu ombro.
— Nunca. – Me virei de frente enlaçando sua cintura com os braços. – Nada no céu ou na terra vai me separar de você, Regina Mills. – Juntei nossos lábios enquanto ela enlaçava meu pescoço com os braços.
Narradora
Para nós aqui é o fim, mas para elas não, creio eu que possamos dar uma espiadinha.
Regina vendeu a pensão mudando-se para Boston com Emma, Ruby foi para Londres cursar fotografia e trocava mensagens com sua irmã/amiga quase todos os dias.
Regina se formou em gastronomia e se tornou uma chef renomada, Emma por sua vez não escreveu mais sobre horror, trabalha agora com distopias.
Elas namoraram por um ano, e adianto que quando a morena conheceu a família da loira foi memorável, mas de um jeito bom.
Quando elas se casaram na noite do festival das estrelas optaram por subir ao altar juntas, foi lindo.
Na lua de mel foram para Belize e depois Amsterdã por indicação de James e Killian.
Nem tudo no caminho delas foi flores, mas como sempre superaram juntas, Swan sabia que quando a esposa ficava zangada uma taça de vinho acompanhada de uma massagem funcionava perfeitamente bem, já Regina sabia que com um sorriso seu e alguns beijos a loira se derretia.
Três anos depois se mudaram para Londres, o reencontro com Ruby foi caloroso, foi lá que Regina montou seu restaurante, foi um sucesso ganhando vários prêmios gastronômicos.
Quanto aos acontecimentos passados ficaram no lugar deles, no passado.
Ruby num de seus projetos fotográficos reencontrou Belle que foi recentemente aceita na Royal Academy School of Arts e depois de muitos jantares, almoços e alguns piqueniques as duas se acertaram.
Elas tinham suas rotinas agitadas, mas sempre se encontravam no sábado a tarde, um desses encontros foi especial porque uma Swan extremamente feliz e desajeitada anunciou que Regina estava gravida, e claro abriu-se uma discussão quanto às madrinhas.
“A alegria não está nas coisas, está em nós”
— Johann Wolfgang Von Goethe
THE END
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