Heart rater
5 Personne n'a dit que ce serait facile
Notas iniciais
“If I live to see the seven wonders
I'll make a path to the rainbow's end
I'll never live to match the beauty again”.
— Fleetwood Mac – Seven Wonders
Diário de E. Swan
O desejo é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida.
Sabia o que viria a seguir com nossos corpos tão próximos, eu a desejava e podia ver em seus olhos a mesma emoção livre da mascara fria e indiferente, a parte racional gritava não Emma afaste-se, quando sua mão tocou meu rosto, acariciando minha bochecha a sensação de eletricidade que percorreu meu corpo acabando com qualquer resquício de hesitação, diminui a pouca distancia entre nos, tão próximas que podia sentir a ponta de seu nariz tocar o meu, levei minha acariciando seu rosto pousando o polegar sobre aquela cicatriz, a sensação de toca-la era uma coisa inexplicável meu corpo todo vibrou com uma energia ate então desconhecida para mim, pousei outra mão em sua cintura apertando o local. Regina fechou os olhos e quando os abriu eram como duas brasas céus ela ia me matar, deixei meus dedos deslizarem pelo seu cabelo, tão macio quanto eu imaginava. Nossas respirações descompassadas, naquele momento o mundo era só nosso e tudo era possível.
O maldito toque do meu celular acabou nos tirando daquela bolha, em um segundo Regina estava longe de mim, meu corpo ficou frio como se ela tivesse levado consigo todo meu calor, a falta de contato era quase dolorosa, ela mantinha a cabeça baixa, o celular continuava berrando estridente, mas eu não conseguiria me mover, fiquei a encarando ate que finalmente nossos olhares se cruzaram, lá estava a frieza deixando aquela bela face sombria, céus ela se arrependeu, droga Emma se arrepender do que quase aconteceu, pare de especular e desligue o maldito telefone.
— Regina. –Chamei-a hesitante minha voz saiu tremula, droga.
— É Srta. Mills para você Miss Swan. Esqueça isso. –Fez um gesto apontando para nos duas. –Não vai funcionar é um erro e não vai se repetir sob hipótese alguma. –Nada falei, pude sentir o calor deixar o quarto quando ela saiu batendo a porta.
Fiquei parada olhando o nada por minutos a fio, balancei a cabeça tentando clarear meus pensamentos, o toque do aparelho já silenciado quando o peguei, minha vontade era de joga-lo pela janela.
Arranquei minha roupas enquanto a banheira enchia, olhando para as ligações perdidas eram de Ruby, droga, e uma mensagem que dizia “Emma amanha me encontra no café bem cedo temos que planejar você sabe o que”. Respondi com um “ok”, então me afundei naquela agua quente deixando que meus músculos relaxassem.
Sabia que Regina me disse meias verdades, mas por deus eu precisava focar no meu real objetivo ali, ela estava apenas se divertindo em me tirar o juízo, esse tudo não foi exatamente para me distrair do meu objetivo, droga, bom eu vou nesse maldito baile e vou entrar no quarto de Cora, também preciso sondar Zelena assim que tiver uma chance. Com esses pensamentos passei um tempo de molho, quando meus olhos começaram a pesar sai da banheira, sequei-me e tomei uns calmantes eu precisava de uma noite de sono que nas atuais condições não teria sem uma ajudinha, me enfiei em baixo dos cobertores deixando que o sono me tragasse.
S.M.
Tudo estava escuro não conseguia enxergar minha mão na frente do rosto, senti um medo irracional como se estivesse prestes a perder algo importante, foi então que eu senti uma pancada forte no meu peito algo tinha me acertado a dor era insuportável e dilacerante o cheiro de sangue pungente no ar, cai de joelhos meu corpo sem forças eu estava morrendo.
Dei um pulo na cama o quarto mergulhado em penumbra apenas uns fios cinzentos de luz atravessavam as cortinas pesadas, outro pesadelo mesmo com os cobertores eu estava gelada, então eu vi um vulto sentado na poltrona a minha frete não consegui distinguir quem era então me estiquei rapidamente mesmo com o medo tomando o meu ser com suas garras geladas ligando o abajur a minha direita, nada a poltrona estava vazia, ótimo agora eu estou ficando louca.
O relógio marcava seis horas em ponto, me arrastei para fora da cama e fui para o banheiro, enquanto fazia minha higiene matinal fiquei tentando entender o que pensei ter visto ao acordar, visitei vários lugares assustadores no mundo, busquei historias horripilantes para me inspirar, mas não posso mentir eu nunca vi nada sobrenatural, nunca acreditei e nem acredito na minha concepção as pessoas querem acreditar no sobrenatural, na vida a pós a morte ou fantasmas seja lá como quiser chamar por medo do vazio, de serem esquecidas, somos egoístas, a verdade é que todos de alguma maneira temem ser entregados ao nada então acreditar nisso torna tudo mais suportável. Céus essa pensão esta me deixando no meu limite.
Vesti rapidamente um jeans peguei uma camiseta branca e calcei as botas e quando abri a mala no intuito de pegar minha jaqueta de couro preta vi minha antiga vermelha, eu a carregava comigo como um amuleto, mas nunca a vestia, peguei a preta, prendi o cabelo num rabo de cavalo.
Organização não era o meu forte pensei enquanto tentava encontrar minha bolsa, já estava ficando irritada quando a encontrei em cima da poltrona, verifiquei o conteúdo, ótimo tudo aqui, sai do quarto trancando a porta.
Aquele corredor sempre me dava arrepios, fui andando lentamente ate a escada e novamente a sensação de estar sendo seguida me atingiu me recusei a olhar por sobre o ombro, então ouvi alguém sussurrar o meu nome “Emma” me arrepiei dos pés a cabeça, um cheiro já conhecido de maçã no ar droga, me virei de supetão mirando o corredor vazio, não pensei muito apenas corri para as escadas não me preocupando em parecer uma idiota a angustia no meu ser impediu isso, chegando à escada desci praticamente pulando sobre os degraus.
Parei na porta da “sala do café” recuperando o fôlego entrei no lugar que estava vazio por conta da hora, fui ate a grande mesa peguei um café e me sentei na mesma mesa próxima a perde de vidro, enquanto bebericava pensei que parte de mim mesmo que não admitisse queria ver Regina entrar toda imponente naquela sala, outra parte queria que Ruby chegasse logo.
Fiquei algum tempo lá divagando, Regina não apareceu já ia mandar uma mensagem para maluca da Ruby quando ela entrou esbaforida no lugar caminhando rapidamente em minha direção.
— Uou você levou a parte de estar aqui bem cedo a serio né. –Disse enquanto sentava-se.
— Digamos que eu não consegui dormir.
— Você sumiu ontem aconteceu alguma coisa. –Sim Ruby, ou melhor, quase aconteceu pensei sentindo um gosto amargo.
— Não, bom na verdade eu consegui uma entrevista, a principio era para ser com Zelena, no ultimo minuto Regina apareceu para responder minhas perguntas no lugar da irmã. –Ruby me encarava com a boca aberta.
— Emma como você esta viva! –Deixou escapar um pouco alto de mais chamando atenção dos poucos hospedes que estavam chegando para seu desjejum.
— Ruby e o nosso combinado de não chamar atenção. –Ela encolheu os ombros sorrindo sem jeito.
— Desculpe, mas é que minha língua é uma pessoa separada, enfim conseguiu arrancar algo relevante do diabo de saias. –Acabei rindo com o seu comentário.
— Nada de muito útil, ela me respondeu com meias verdades, falava sempre medindo as palavras.
— Definitivamente elas escondem algo. –Disse pensativa. –Bem nos temos que começar a planejar os detalhes do nosso ‘home invasion”, afinal o baile é amanha a noite.
— Sim, mas temo que esse não seja o melhor lugar para conversar, tenho a sensação que aqui as paredes têm ouvidos.
— Então vamos dar um passeio eu dirijo ou você.
— Você dirige, vamos aonde? –Ruby pensou um pouco.
— A cidade esta fora de cogitação, sabe cidade pequena tem ouvidos ate no ar, tem uma trilha na floresta podemos ir de carro ate a metade, lá ninguém vai nos ouvir.
— Certo então vamos lá Dr. Watson. – Falei me levantando.
Depois da discussão sobre qual carro chamaria menos atenção, o meu ou dela acabamos por ir com o Ford gran torino 1972 vermelho da Ruby come se isso fosse menos chamativo do que meu fusca amarelo.
Atraímos olhares atentos de Zelena que estava no jardim quando saímos da pensão. A viagem foi silenciosa enquanto o rádio tocava Joy Division passei a observar o lugar, era verde muito verde e quanto mais nos afastávamos da pensão por uma estrada secundária mais calma eu ficava como se minha tensão estivesse ligada aquele lugar.
Depois de uma meia hora Ruby entrou numa estrada de terra e encostou deixando seu nada chamativo carro escondido pelas folhas que bloqueavam a visão da estrada e vice versa, seguimos o caminho a pé em silencio o que era estranho Ruby geralmente falava mais do que o necessário.
Chegamos a um poço de pedra e mais a frente um banco onde nos acomodamos, a vista daquele ponto era linda as montanhas e o rio serpenteando, a costa cinzenta ao longe.
— Bem pelo que eu sei a festa começa as oito e vai ate três da manhã, algumas pessoas da cidade vem então lugar vai estar cheio. Regina e Zelena são espertas temos que tomar cuidado. –Falou pensando.
— É a fantasia, teremos que escolher algo pratico, não da para pular janela com um vestido. –Ruby rio, e pensou por um tempo.
— Sim tem razão, você deveria de Jack o estripador, vai precisar de um terno antigo com colete, uma capa, e uma cartola, uma bengala e luvas. – Disse me encarando ate que eu tinha gostado da ideia, mas não ia admitir. –Ficaria perfeita em você Emma.
— Sim claro, mas e você. –Tentei tirar seu foco de mim.
— Hum. –Disse pensando. –É horrivelmente clássico mais acho que eu vou de vampira. –Tive rir.
— Serio Ruby, serio mesmo.
— Ei pode ir parando. Empurrou meu ombro sorrindo. Ficar perto de Ruby era fácil, era como se eu a conhecesse a tempos. –Vai ser o meu estilo de vampira, preciso encontrar um espartilho preto, botas e calça de couro, um capuz preto e tudo certo.
— Por que não um vermelho. –Falei rindo ainda mais ao ver sua expressão incrédula.
— Emma a ideia e ser discreta, e outra eu ia parecer a chapeuzinho vermelho. -Claro Ruby eu vou ficar muito discreta com uma cartola, acho que não pensei.
— Certo, mas como nos vamos sair sem levantar suspeitas. –Ruby pensou um pouco.
— Bem, claro a primeira dança da noite, todos devem participar, você logicamente vai ser o meu par então enquanto a gente dança eu finjo um mal estar e ai agente vai espairecer no jardim, não vamos ser notadas tem muita gente e vai estar mal iluminado, do jardim vamos ate a janela.
— Certo porque você tem ser a que vai fingir o mal estar?
— Por que Emma você não tem cara de conseguiria mentir na cara dura ainda mais se for para as irmãs Mills, eu sei, é difícil se concentrar. – Falou segurando a risada.
— O que Ruby pode ir parando.
— Eu vi como você ficou encarando a Regina outro dia no café, se houver algum imprevisto você fica quieta e deixa que eu interpreto.
— Esta bem, mas uma vez dentro vamos ter que se apressar, e principalmente não deixar indícios de que alguém esteve lá.
— Bom ponto loira, vamos levar celular agente tirar uma fotos também.
Passamos a manha acertando detalhes e depois fomos as compras, de fato Ruby tinha razão todo mundo olhava na rua quando a gente passava. Entre compras fizemos um lanche num restaurante e Ruby me mostrou a cidade, ela já estava a três meses na pensão, veio visitar a avo Granny que trabalha no lugar, ela me disse que começou a desconfiar que rolava algo estranho e resolveu investigar mesmo após os protestos de sua avo.
Quando voltamos à pensão já era quase noite, não vi nem sinal de Regina, apenas Zelena que encarava deliberadamente eu e Ruby durante o jantar.
Fiquei um tempo a mais do que o necessário na mesa revirando as batas no meu prato, disse a Ruby que queria pensar um pouco quando ela se retirou me chamando para ir também, a verdade é que estava esperando Regina aparecer, mas ela não apareceu, com o lugar quase vazio, voltei para meu quarto. Retirei as botas me jogando em cima da cama mais uma vez senti que seguiam-me no corredor e mais um vez pensei ter sentido o cheiro de Regina, eu só posso estar enlouquecendo. Foi divagando sobre aquela perdição em forma de gente que adormeci.
Fale com o autor