Heart rater

1 1. Principio ad finem


Notas iniciais
Primeira fic swanqueen, aproveitem a viagem.

À noite o Barão sonhou pesares mil;

E seus guerreiros todos, com forma e escuridão

De bruxa, e diabo, e verme de caixão,

Caíram em longo pesadelo.

— Keats

Diário de E. Swan

Medo, sentimento que se apodera de cada célula ate a alma, como uma garra que se fecha sobre mim deixando tudo na mais completa escuridão gelada e empolgante? Sim eu buscava o horror fosse em livros de King ou Lovecraft, em relatos e lugares que dizem habitar o inominável em suas profundezas profanas.

Não precisa ir muito longe se você como eu busca tais peculiaridades, talvez na sua rua exista alguma casa que foi marcada por uma morte, um fantasma apodrecido no tempo vagando, almas presas às paredes observando seus ocupantes, aquele calafrio repentino, aquela sensação de não estar só no corredor escuro, aquele peso no ar ao redor que faz o coração errar batidas.

Venho percorrendo o país atrás de historias aterrorizantes demais para se acreditar, me hospedando em quartos de hotel que foram palco de assinados e suicídios, escovei os dentes ao lado da banheira onde um ortodontista maluco afogou as esposa e os filhos, dormi no quarto de uma pousada onde todos os filhos da senhoria morreram de tuberculose. É meu trabalho como escritora captar a essência dos lugares. Em minha opinião os lugares mais assustadores são quartos de hotel não importa quantas estrelas tem, em suas camas quantas pessoas não adoeceram, quantas não morreram.

Rumo agora para uma pousada numa cidadezinha do Maine, nas fotos que vi me parece um lugar tranquilo, uma construção vitoriana que pertence à família Mills a seis gerações e durante esse tempo tem sido palco de acontecimentos estranhos e sangrentos, o mais notável foi em 1996 Cora Mills surtou e esfaqueou o marido com uma tesoura e depois arrancou seus próprios olhos enquanto ria histericamente, ela foi encontrada pelas filhas que ficaram sob a guarde de George na época gerente da pensão quando mãe foi internada em Boston. Cora nunca disse uma palavra de porque tinha feito tais atrocidades, foi encaminhada para o tratamento de choque que com o tempo a transformou num vegetal.

No outono de 2000 Regina e seu noivo Daniel foram buscar Cora, já em casa três dias depois ela surtou novamente quando com uma faca de trinchar rasgou a garganta do noivo da filha e depois se enforcou. Regina encontrou os corpos algumas horas depois, a cidade estava cheia de burburinhos, contudo depois de uma pausa nos negócios de 1 ano a pensão voltou ao funcionamento em 2001.

Naquele mesmo ano a irmã mais velha Zelena Mills retornara de Praga para ajudar a irmã com o negocio da família e no verão do mesmo ano abriram um espaço de equitação anexado a pensão, os negócios iam de vento em popa e a maravilhosa comida era elogiada por todos que lá se hospedavam.

No ano de 2006, um hospede fugiu do lugar deixando todas as suas coisas lá e nunca voltou para buscá-las , quando o questionei sobre o acontecido ele me disse para nuca ir lá, que aquele lugar era amaldiçoado e que dona Cora ainda assombrava os quartos.

A pensão não sofreu danos econômicos, os boatos sobre fantasmas elevaram o numero de hospedes em busca de algo que os fizesse sentir o medo contaminando suas veias.

Eu me pergunto varias vezes o que levou Cora uma mulher cujos relatos anteriores aos acontecimentos diziam ser uma mulher centrada e honrada, e como uma mulher cega que estava vegetativa pode do nada fazer tudo aquilo.

Agora estou aqui parada em frente a pensão Mills, quando liguei resolvi reservar o quarto do sótão que me apetece os sentidos criando um clima mais obscuro e também é desprovido de TV e internet gosto de me isolar para as pesquisas, a chuva gélida bate em meu rosto como agulhas, resolvo entrar pensando comigo spe relinquere tu ingredieris huc (abandonai a esperança vos que aqui entrais) rio da frase que é como um mantra para mim sempre repito antes de entrar nos lugares que visito na ânsia de desenterrar os demônios do passado.

O cheiro no ar é suave como lavanda e jasmim, sofás ladeiam a recepção uma pequena mesa de centro e quadros de pintura a óleo nas paredes relatando caçadas, todos eles eram de lobos perseguindo suas presas e um deles me chamou a atenção o único sem lobos, era um coelho pendurado pela pata pronto para ser eviscerado.

A recepcionista pigarreou chamando minha atenção, caminhei ate a bancada de carvalho vermelha com uma pilha de panfletos bem organizados ao lado de um vaso de lavandas e jasmim no canto direito, olhei para moça e segundo o crachá se chamava Belle.

— Boa Noite, eu fiz uma reserva por telefone na segunda passada.

— Sim, seu nome por favor. –Falou pegando uma pasta estranhei o fato afinal havia um computador atrás dela, será que era tudo papel no papel.

— Emma Swan. Perdoe-me, mas aqui ainda usam o livro de hospedes para entradas e saídas?

— Não entrando a chuva causou alguns danos nos cabos de internet e a queda próxima de um raio acabou queimando o computador. Pela manha alguém vira arrumar tudo, só assine aqui por favor. –Falou me passando uma folha com meus dados e o número do quarto.

— Pronto. –Falei entregando-lhe a ficha. -As donas do lugar se encontram?

— Apenas a Sra. Regina Mills. –Me alcançou a chave. –Não é do grupos de lunáticos com câmeras que vem aqui toda hora, porque a Sra. Mills os odeia e já lhe adianto que ela não fará nenhuma entrevista. –Disse sorrindo amarelo.

— Eu sou escritora de horror, não se preocupe só carrego comigo um gravador de voz, é uma pena gostaria de falar com ela.

— Bem tente a sorte com Sra. Zelena ela não é tão reservada quanto à irmã. Espera você é E. S. White, que escreveu a dama do lago, meu deus fique sabendo que eu quase não dormi a noite.

— Sim, bom me desculpe. –Sorri sem mostrar os dentes à verdade é que eu estava ansiosa para poder começar meu trabalho. –Eu vou subir, obrigada e boa noite.

— Boa noite, esperamos que aproveite a estadia.

A porta do quarto era de carvalho não prestei muita atenção ao meu redor enquanto subia as escadas em direção aos quartos do sótão só parei quando vi o numero na porta. 113 é aqui.

Tudo estava silencioso, o quarto escuro como breu quando fechei a porta acabei com aquele filete de luz, alguns relâmpagos iluminavam as parede como se dessem vida as sombras nela, me permiti ficar assim algum tempo sentindo a aura do lugar ouvindo barulho da chuva no vidro da janela, a sensação estranha e familiar ao mesmo tempo.

Hora de espantar a escuridão pensei quando liguei o interruptor, era aconchegante e elegante, tinha uma pequena bancada com um frigobar acoplado e um sofá de couro marrom a direita uma cama grande com desenhos entalhados na cabeceira, enfrente uma lareira também entalha nas laterais e acima um quadro terrivelmente cafona de uma típica caçada inglesa com lordes e tudo mais, uma poltrona de couro que parecia confortável enfrente a janela.

Havia também um armário para roupas apenas joguei minha mala perto da cama, o banhei era todo em azulejos brancos com detalhes em preto uma ducha com box de vidro e banheira, parei em frente ao espelho e meu rosto denunciava cansaço mas eu não dormiria mesmo que quisesse, eu precisava sanar minhas duvidas, eu queria ver o tormento os rios de sangue, dizem que quando uma pessoa tem uma morte violenta ela deixa um rastro de energia uma fissura, uma impressão.

Tirei as botas e sentei na poltrona havia um telefone próximo a ela com uma lista ao lado e o horário das refeições.

A inquietude estava me matando, mas de qualquer forma eu teria de esperar amanhecer, lembre-se Emma não seja invasiva precisarei que as Mills confiem em mim para me contar tudo que sabem e só assim poderei acrescentar esse conto ao meu livro.

Peguei os documentos na minha pesquisa e voltei para a poltrona começando a reler as informações que eu tinha juntado sobre a pensão, me ative observando mais detalhadamente o mapa do lugar sabia que o lado norte era uma área privativa, ou seja, era o lugar onde as donas do lugar ficavam, talvez me esgueirando nas sombras eu pudesse invadir o quarto de Cora que ficava lá, lugar de ambos os assassinatos. Não poderia me arriscar o melhor por agora seria descansar e amanha dar inicio as investigações com esse pensamento tirei minhas roupas pegando uma regata na mala para usar como pijama e desse modo me enfiei em baixo dos cobertores.

Notas finais
Aceito sugestões.
Ate a próxima.