Heart of light in the black night
2 Capítulo 2 - "Sitting, waiting, wishing"
Sirius POV:
— Inacreditável, não é? – eu perguntei assim que eu e Marlene McKinnon novamente saímos do Três Vassouras, após presenciarmos um tão ansiado beijo entre nossos melhores amigos.
— Os dois? Definitivamente! – ela respondeu.
— É verdade, os dois também, mas eu não estava falando disso. – falei enquanto dávamos alguns passos além do local, sem qualquer rumo especifico.
— Do que mais você poderia estar falado? – Marlene questionou.
— Da vida, é claro. – respondi. – Finalmente me dando uma chance de conhecer Marlene McKinnon. – ela riu com o comentário.
— Sabe, Black, você é realmente tudo o que dizem sobre você. – ela disse em tom divertido.
— Divertido e atraente? – perguntei no mesmo tom, abrindo um sorriso sincero nos lábios.
— Não exatamente. – discordou, mantendo a mistura de sarcasmo e divertimento na voz.
— Está bem, não precisa ser específica. – falei. – Só precisa aceitar meu convite para te levar a algum lugar.
— Normalmente, eu não aceitaria. – Marlene respondeu. – Entretanto, já que você está se provando uma boa companhia para conversar e esse está sendo um dia cheio de surpresas, vou te dar uma chance de me convencer. – continuou. – Me dê um bom motivo e a resposta será um sim.
— Tenho mais de um bom motivo. – logo respondi. De alguma maneira, o jeito desafiador dela me intrigava. – O primeiro é que nossos planos iniciais para esse dia já não nos pertencem mais. – falei. – O segundo é que realmente nunca tivemos a chance de nos conhecermos, mesmo estando na mesma casa de Hogwarts, no mesmo time de quadribol, e com o caso incessante de amor e ódio entre nossos melhores amigos. – continuei. – E por último, nada melhor do que uma bebida fervorosa em meio aos primeiros sinais aparentes de inverno.
— Não posso negar que você está em surpreendendo no dia de hoje, Black. – ela disse, parando de andar, de modo que ficássemos frente um ao outro. – E por todos esses motivos, aonde você me levaria?
— Essa é uma boa pergunta. – eu disse. – O único outro pub seria o Cabeça de Javali, mas não é uma boa ideia se estou tentando surpreender uma garota como você.
— Uma garota como eu? – Marlene questionou. – O que isso quer dizer? Acha que não sou o bastante para encarar uma ida ao Cabeça de Javali? – perguntou mais uma vez em tom desafiador, ao mesmo tempo em que automaticamente dava um passo a mais, fazendo com quem nos encarássemos a centímetros um do outro.
— Eu definitivamente não acharia isso. – falei, não conseguindo evitar um novo sorriso nos lábios em respostas às atitudes dela. – Em hipótese alguma.
— O que está esperando então? – ela ergueu um sorriso sarcástico no rosto, deixando claro que aquilo era realmente um desafio. E eu estava adorando.
Marlene POV:
Era impossível não acabar revidando as provocações de Black. Talvez eu estivesse cometendo um erro terrível ao aceitar a proposta dele, mas era como se metade de mim dissesse para eu fazer aquilo e a outra não. De qualquer forma, eu não tinha nenhuma opção naquele momento e seria mentira se eu dissesse que a personalidade dele não me intrigava.
O caminho até o Cabeça de Javali era curto e o concluímos rapidamente. Certamente o nível do estabelecimento não se igualava, ou sequer chegava perto, do Três Vassouras, mas dizem que nada disso importa quando se tem, de fato, uma boa companhia. Só restava descobrir se Sirius realmente cumpriria esse papel.
Além do quadribol, da Grifinória, da preferência por jaquetas de couro e do caso entre nossos melhores amigos, descobrimos ainda naquele momento que tínhamos uma paixão por firewhisky em comum. Não me arrisquei a beber muito e percebi que Sirius parecia fazer o mesmo, porém fora o suficiente para que inesperadamente nos divertíssemos juntos em meio a diversas conversas.
— Eu não estava brincando quando disse que realmente gostaria de uma chance de te conhecer melhor. – Sirius de repente voltou no assunto.
— Nós nos vemos nos treinos e na maioria das aulas, não é como se faltassem momentos para me conhecer. – comentei.
— Mas são outros tipos de ambiente, outros momentos. – ele retrucou.
— Então você teve que esperar James e Lily nos convidarem para um encontro para ter essa chance ao invés de simplesmente me chamar em algum momento? – questionei, na tentativa de encontrar furos na conversa esperta que ele utilizava.
— Você é diferente, Marlene. – falou, fixando o olhar no meu. – Não estou falando só da aparência exuberante, você é forte e determinada, não é tão fácil desvendar essas duas características. – meu coração acelerou ao perceber o quão próximos estávamos lado a lado naqueles banquinhos de bar.
— A intenção é realmente a de que não seja fácil. – afirmei, mantendo também o olhar sobre o dele. Black era um conquistador nato, de alguma maneira ele sabia como dizer todas as palavras certas no momento ideal. Minha vontade era a de acabar com aquela pequena distância entre nossos lábios e me entregar aos encantos dele, mesmo que algumas horas atrás eu jamais cogitasse algo do tipo, e, exatamente por isso eu deveria ser resistente.
— Coincidentemente, o difícil me atrai. – ele disse, formando um sorriso divertido nos lábios. – E desafios me intrigam mais do que qualquer outra coisa no mundo. – ao dizer isso, aproximou-se cada vez mais e de forma lenta. Eu sabia que deveria impedi-lo imediatamente, mas meu corpo e minha mente demoraram a reagir. Somente quando a boca de Sirius estava a poucos centímetros de distância foi que desviei delicadamente, fazendo com que ele pousasse em minha bochecha. – Nós dois sabemos que você quer isso. – Sirius sussurrou próximo ao meu ouvido.
— Não tenho nenhum interesse em participar da sua lista de garotas em Hogwarts. – eu disse firme, no mesmo tom baixo de voz.
— Não é assim que funciona quando é especial. – Sirius falou, sem se afastar.
— Não use suas jogadas comigo, Black. – eu o cortei. – Não sou estúpida.
— Eu sei que não é. – concordou. – Mas você não precisa negar isso, eu ouvi os boatos de que você tinha interesse em mim há algum tempo. – eu ri ironicamente com o comentário, afastando-me do rosto dele.
— Você é realmente um idiota. – falei, ainda me divertindo com toda a situação. Meu olhar se dividia entres seus olhos e seus lábios, aproximei-me lentamente dele e depositei um cuidadoso beijo no canto de sua boca, demorando o tempo necessário naquele ato. – Você desejaria que eu estivesse interessada. – falei ao me desvencilhar dele, fitando-o de perto. Seus olhos negros pareciam penetrar profundamente os meus. – Até mais, Black. – foi a última coisa que eu disse antes de deixa-lo naquele banquinho de bar e me retirar do estabelecimento.
Sirius POV:
Se eu criara expectativas sobre Marlene McKinnon durante nossos anos em Hogwarts até aquele dia, estas acabavam de se multiplicar por infinito. Ela era insanamente fantástica, desde o rosto perfeito até as provocações, não conseguia acreditar na maneira como ela simplesmente me deixara desiludido e seguira seu caminho, mas eu com certeza podia aceitar essa atitude, pelo simples fato de que era novidade e me conquistara ainda mais.
A forma com que os olhos dela se prendiam aos meus quando me encarava, ao mesmo tempo em que fazia com que eu me sentisse incapaz de tudo, fazia com que eu me sentisse capaz de qualquer coisa no mundo. Todo o meu corpo gostaria de simplesmente levantar e segui-la através da porta do Cabeça de Javali, porém minha intuição me impedia, eu seria apenas um insistente se o fizesse, e ela claramente era muito mais do que somente insistência.
— Garota difícil? – o responsável pelo bar perguntou após a saída de Marlene. Éramos praticamente os únicos no local aquele dia, não podia julgá-lo por prestar atenção no ocorrido.
— Ainda não sei o quanto, mas pretendo descobrir. – respondi, concordando em me presentear pedindo uma nova garrafa de firewhisky.
— Boa sorte, então. – ele disse, ao mesmo tempo em que me servia. – Dizem que quanto mais difícil, mais vale a pena.
Concordei com o comentário dele enquanto abria a garrafa. O único problema é que eu jamais acreditaria em algo como a sorte.
Marlene POV:
Orgulho era provavelmente o que eu sentia sobre mim mesma por ter resistido firmemente às investidas de Black. Era loucura a maneira com que a personalidade dele realmente mexia com todo o sistema nervoso do corpo. As palavras, os gestos, as expressões e feições no rosto, tudo nele formava uma junção extremamente hipnotizante, quase que irresistível. Quase.
Depois daquele momento, poderia até me sentir um pouco mal por julgar tanto as garotas que se rendiam tão fácil a ele. Entendia agora o verdadeiro efeito que ele causava, se eu não fosse tão segura de mim talvez tivesse acabado dentro da lista dele naquele dia.
Quando Lily voltou ao dormitório, já era quase hora do jantar. Ela ficou surpresa ao me encontrar ali, mas nenhuma reação era maior que o sorriso apaixonado o qual ela trazia em seu rosto. Rapidamente, ela se deitou ao meu lado na cama e me olhou com uma expressão indecifrável. Eu sorri.
— Você já pode começar a contar tudo. – falei brincando, mas realmente esperando que ela fizesse isso.
— Antes de tudo, obrigada por ter estado certa o tempo todo. – Lily agradeceu. – Ele foi fofo, educado e extremamente gentil. – contou. – Eu até me arrependeria de tê-lo deixado me beijar em um primeiro encontro, mas nem sou capaz de descrever o que senti durante aquele beijo. – continuou. – Era como deitar em uma nuvem e subir até o ponto mais alto de um céu azul.
— Uau! – exclamei. – Nem acredito que isso está finalmente acontecendo. – eu disse sorridente. – E pode ter certeza que um beijo é até pouco se levado em conta a quantidade de tempo que levou para acontecer. – brinquei, causando a risada de Lily. – Estou muito feliz por você. – foi o último comentário que fiz antes de ela entrar em mais detalhes sobre seu dia com James.
Inevitavelmente, meus pensamentos ainda se voltavam para Sirius Black. Eu não esperava encontra-lo novamente tão cedo, ou pelo menos não antes da próxima segunda-feira, porém quando nos sentamos para jantar, ele já estava lá do outro lado da mesa da Grifinória, alguns lugares distantes de mim.
Embora fosse tentador, eu esperava ignora-lo como sempre. Entretanto, antes que eu pudesse me dar conta, já havíamos começado uma troca incessante de olhares, da forma mais discreta e provocativa possível. E, mal eu sabia, que aquilo não duraria apenas um jantar.
Sirius POV:
Cheguei no dormitório depois de James, inesperadamente. Como já era quase hora do jantar, fomos de imediato para o Salão Principal, onde ele passou o tempo todo relatando o encontro que tivera com Lily. Eu estava obviamente feliz pelo meu amigo, mas de uma forma totalmente incontrolável meus pensamentos se encontravam longe dali. Na verdade, não tão longe. Alguns lugares de distância ao lado na mesa da Grifinória, para ser mais exato, dentro daquele par de olhos claros os quais eu não conseguia desprender meu próprio olhar.
— Almofadinhas, você está bem? – James perguntou, de repente.
— Claro, por que não estaria? – questionei, voltando minha atenção para ele.
— É raro você ficar assim distante. – comentou. – E você só comeu um pedaço de frango, isso não é normal.
— Não estou com muita fome, comi em Hogsmeade. – falei, mesmo que não fosse totalmente verdade.
— Ah, é verdade, até esqueci de perguntar aonde vocês foram depois de nos deixarem nos Três Vassouras. – James lembrou.
— Fui ao Cabeça de Javali. – contei.
— Sozinho? – perguntou James.
— Parcialmente acompanhado, eu diria. – respondi.
— Como assim parcialmente acompanhado?
— Não estive acompanhado o tempo todo. – expliquei. – Ela é fantástica, não é?
— Quem? Lily? Sim, estou dizendo isso há horas, talvez meses e anos. – James respondeu.
— Também, mas estou falando da McKinnon. – eu disse.
— McKinnon? Marlene McKinnon? – questionou. – Você parece uma pessoa sob efeito da poção do amor, e olha que sou terrível em poções.
— Não diria amor, talvez extremamente intrigado. – falei.
— O seu excessivamente intrigado me assusta um pouco. – James comentou. – Assustaria mais se não fossemos melhores amigos há sete anos. – brincou. – Mas sim, eu gosto muito dela, sempre nos demos bem por algum motivo. – falou. – Só toma cuidado, Sirius, ela é realmente uma garota legal. – ele acrescentou. – Não estou dizendo que você não é meu orgulho nessa escola, mas talvez não fosse legal machucar os sentimentos de alguém como Marlene.
— Eu não machucaria. – logo contestei. – Pode parecer que estou dizendo isso por puro instinto, mas não digo só por mim, falo por ela também. – eu disse, causando uma expressão confusa no rosto de James. – Não acho que Marlene McKinnon permitiria que qualquer coisa no mundo machucasse seus sentimentos, nem mesmo e muito menos eu.
Ela era diferente, como se fosse a única fonte verdadeira de luz no meio de uma profunda escuridão.
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