Heart of light in the black night

4 Capítulo 4 - "On and on"


Marlene POV:

— Você não viu o que aconteceu, professor? – apressei-me em dizer, antes que todos começassem a estranhar mais do que deveriam aquela situação. Sirius me puxou de volta a posição de equilíbrio, mas nenhum de nós tomou a iniciativa de se afastar um do outro, a mão que ele utilizava para me segurar agora estava apoiada sobre minhas costas, gerando uma inexplicável sensação de segurança e conforto. – O feitiço dele ricocheteou errado e por sorte Black conseguiu me desviar. – eu disse, referindo-me ao menino da Corvinal.

— Tenha mais cuidado então. – o professor disse, também dirigindo-se a ele. Em seguida, fez com que o tumulto ao redor daquela cena dispersasse, para meu alívio, mesmo sabendo que com certeza esse alvoroço todo geraria diversos tipos de comentário.

— Não existe sorte. – Sirius disse assim que a atenção se desviara de nós, com um sorriso divertido no rosto.

— Foi um caso particular. – falei, tentando soar convicta. A mão dele continuava apoiada em mim, era como se ninguém tivesse intenção alguma de acabar com aquela proximidade.

— Tem certeza? – ele perguntou, diminuindo seu tom de voz. Apenas revirei os olhos em resposta.

— Pronto para a próxima? – perguntei desafiadora, apontando a varinha para ele e finalmente começando a me distanciar para o outro lado da sala.

— Sempre. – foi tudo o que ele respondeu antes de ir atrás da própria varinha.

Podia dizer sem dúvida alguma que o resto daquela aula fora tão divertido quanto o começo. É claro que, quando voltamos ao dormitório no final daquele dia, Lily me bombardeou com perguntas sobre o que estava acontecendo entre mim e Sirius.

— Sabe, eu sempre achei que vocês combinavam por algum motivo. – ela comentou.

— Eu e Black?! – perguntei espantada. – Somos completamente diferentes.

— Você que pensa. – Lily disse rindo. – Ao meu ver, os dois são igualmente teimosos e orgulhosos. – analisou. – Só não sei se isso resultaria em algo incrível ou em uma completa catástrofe.

— Meu palpite é a catástrofe. – logo falei.

— Algo me diz que o palpite de Sirius seria algo incrível. – fiquei me perguntando se ela poderia estar certa quanto àquilo. – E você não pode negar, Lene, ele vem surpreendendo nessa última semana, como se estivesse mais maduro, não sei exatamente dizer.

— Não acho que ele vá amadurecer algum dia. – interrompi.

— Todos nós vamos, Lene. – Lily disse, com toda a calma e paciência do universo em sua voz. – E tirando o momento em que ele precocemente tentou te beijar naquele dia, as atitudes de Sirius não vêm sendo tão desagradáveis, não é? – ela questionou. Permaneci em silêncio, não queria concordar com aquilo, mas não tinha como discordar. – Eu quero dizer, você não pode culpa-lo por tentar, você é realmente uma pessoa incrível e não acho que ele tenha tido a verdadeira chance de conhecer alguém assim antes. – sorri com o comentário dela. – Além de que, tentar ao longo de uma semana inteira já é um longo avanço quando estamos falando de Sirius Black.

— É, acho que você tem razão. – concordei com a fala dela.

— Deixa ele continuar mais um pouco, vamos ver aonde isso vai parar, quem sabe realmente acaba em algo incrível. – ela disse. – Não estou dizendo para simplesmente esquecer da personalidade dele, mas não baseie todas as suas reações no que você ouve sobre Sirius. – aconselhou. – Nem tudo o que ouvimos é verdade e nenhuma pessoa merece ser julgada à base da palavra alheia. – continuou. – Além de que, você mesma me disse, as pessoas mudam suas atitudes quando estão apaixonadas.

— Ele definitivamente não está apaixonado. – eu disse rindo, como se aquela fosse uma ideia absurda.

— Não foi o que pareceu quando você estava envolvida nos braços dele durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. – falou, erguendo as sobrancelhas e um sorriso divertido. – E nem quando, por algum motivo, o braço dele também te abraçava na aula de poções terça. – acrescentou, para minha surpresa. – Sim, eu e James vimos isso. – Lily disse orgulhosa de si, fazendo com que caíssemos na risada.

Poderia conhecer todas as pessoas do mundo, mas nenhuma delas teria toda a minha atenção e ouvidos como Lily Evans, ela era sincera e verdadeira de uma forma totalmente única, a qual sempre era capaz de dizer as coisas certas e fazer com que eu me sentisse melhor.

Sirius POV:

As aventuras no mundo das provocações entre mim e Marlene haviam sido mais fortes naquele dia do que em qualquer outro. Para aumentar ainda mais, dessa vez muitas pessoas tiveram a chance de perceber que alguma coisa acontecia ali, mesmo que nada fosse claro. Não que eu me importasse, mas talvez aquele jogo fosse muito mais divertido estando apenas entre nós dois, agora eu sabia que teria de dar algumas explicações aos meus amigos quando chegasse na torre da Grifinória no final daquele dia.

Dito e feito, quando entrei no quarto, já no fim da tarde, James e Remus me esperavam na beirada de suas camas. Peter, por algum motivo, não estava presente naquele momento, mas não podia negar que isso me deixava um pouco feliz, não teria paciência para aguenta-lo sob aquelas circunstâncias.

— Cadê o Rabicho? – perguntei da forma mais natural possível.

— Se envolveu em um acidente na aula de feitiços e foi parar na ala hospitalar. – Remus contou. Nos entreolhamos sérios, mas nenhum de nós conseguiu evitar a risada.

— Não podemos rir assim rapazes, coitado do nosso amigo. – James interrompeu, apesar de ainda rir da situação. – Sete anos em Hogwarts e não há um ano em que ele não se complique na aula de feitiços, impressionante.

— Acho que precisamos ser mais cuidados com ele, é como se fosse o nosso bebê. – comentei brincando.

— Você está certo, Almofadinhas. – James concordou. – Sugiro que na próxima lua cheia façamos alguma aventura mais audaciosa, para exigir mais das habilidades do Rabicho.

— E eu sugiro que não façamos nada. – Remus interveio. – Vocês já fazem demais por mim nas luas cheias, está de bom tamanho.

— Não precisa fingir que não gosta, amigão. – eu disse sorrindo e dando alguns tapinhas nas costas de Remus, sentando-me ao seu lado na beirada da cama em seguida. – Não faríamos se você não fosse nosso lobisomem preferido, sinta-se lisonjeado.

— É de fato uma honra, obrigado meus amigos. – Remus entrou na brincadeira, mas suas palavras nunca deixavam de ser sinceras. – Agora já podemos falar sobre a nova namorada do Sirius?

— O que foi isso? Será que esse é realmente Remus Lupin? Entrando direito no assunto? – James brincou. – Nenhuma prévia lição de moral ou conselhos motivacionais?

— Acho que já amadurecemos o suficiente para pular essa parte. – James e eu rimos do comentário. – Ou talvez não.

— Eu não tenho uma namorada. – falei ao mesmo tempo em que as risadas cessavam. – Ainda.

— Então você realmente tem segundas intenções com ela, Sirius? – Remus perguntou.

— É difícil definir o que seriam segundas intenções nesse caso. – admiti.

— Não estamos tentando te impedir de alguma coisa, você sabe que nunca fizemos isso. – Remus falou. – Mas não vamos permitir que você trate a McKinnon de forma errada, ela não é qualquer garota.

— Eu já notei. – disse, sério.

— E não estamos dizendo que você não tenha ficado com alguma garota de personalidade tão forte antes, mas toma cuidado. – James alertou.

— Não entendo porque vocês, de repente, estão preocupados dessa forma. – falei. – Foram só algumas provocações.

— Até o momento, sim. – Remus concordou. – Mas você parece bastante determinado em ir além disso. – acrescentou. – Só estamos te alertando para não tratar essa situação de forma habitual, tanto eu quanto James gostamos muito da McKinnon.

— Lembrando também que ela é melhor amiga da Lily e você poderia facilmente queimar o meu filme fazendo algo de errado com ela. – James disse.

— Meu amigo, alguma vez eu queimei seu filme? – perguntei seguro de mim, encarando-o diretamente.

— Não, mas existe uma primeira vez para tudo. – respondeu James.

— Exato, até mesmo para eu conquistar uma garota como Marlene McKinnon. – falei, determinado.

— Ótimo, acabamos de perder em argumentos. – Remus se rendeu. – Nesse caso, prove que estamos nos preocupando sem motivo Sirius. – continuou. – Vale lembrar que são tempos diferentes, nunca é demais demonstrar nosso afeto pelas pessoas de quem gostamos.

— Você é realmente o melhor de nós, Aluado. – James comentou. Existia um leve tom de brincadeira em sua voz, mas sabíamos que ele falava sério. Remus era sensato e era bom tê-lo conosco.

— É mesmo. – concordei. – E vocês podem confiar em mim, sei que McKinnon irá me exigir muito mais do que apenas insistência e implicância.

— Mas concordamos que está na hora de alguém exigir mais do que isso de você. – Remus disse.

— É verdade. – concordou James.

— Eu sei. – também disse. – É até engraçado, não sei dizer. – comentei. – Sabe quando tudo está certo, mas existe aquela estranha sensação de que algo está faltando, e, de repente, encontramos a solução bem debaixo do nosso nariz.

— Eu com certeza não sei do que você está falando, Almofadinhas, mas espero que desvende esse enigma sem danos mentais. – James disse, causando a risada entre nós três.

Eles eram sem dúvida alguma os melhores amigos do mundo.

Marlene POV:

Em meio a aulas avançadas em função dos NIEM’s, treinos de quadribol e toda a tensão que cercava o mundo dos bruxos, mais um mês se passara rapidamente em Hogwarts. O inverno dava suas caras quase por definitivo naquele início de novembro, o lago já congelara e o ar frio tomava conta dos corredores da escola. Somado a tudo isso, o clima entre mim e Black parecia ser a única coisa que esquentava cada dia mais. As provocações eram diárias, nos víamos segunda, quarta e sexta nos treinos, terça e quinta nas aulas, sem deixar de mencionar os ocasionais encontros não combinados pelo Salão Comunal.

Não sabia quanto tempo mais aquilo podia durar, chegávamos a um ponto em que se tornara até confortável estar perto um do outro, já era algo comum. Às vezes sentia que estávamos nos tornando piores que James e Lily antes de saírem pela primeira vez, mas eu sabia que quando se tratava de Sirius e eu, nada podia sequer comparar-se ou ser parecido. Meu orgulho era forte demais para que eu simplesmente me rendesse, entretanto, aquela tensão toda não poderia durar para sempre, em algum momento tudo se explodiria, a dúvida era se isso resultaria em catástrofe ou não.

Nos poucos momentos em que eu não encontrava Sirius, algum de seus amigos é que acabavam por perto. Naquela terça-feira à noite, primeiro dia de novembro, foi James quem eu encontrei quando fui terminar um de meus deveres na biblioteca. Sempre nos demos bem, mas isso havia melhorado ainda mais desde que ele e Lily se tornaram um casal de fato.

— Veja só se não é a melhor capitã de Hogwarts. – ele me cumprimentou, sentando-se ao meu lado na mesa em que eu me encontrava.

— Boa noite, Potter. – cumprimentei sorrindo. – Com certeza meu trabalho como capitã é mais fácil com um apanhador eficiente.

— Obrigado, é uma honra fazer parte do mesmo time que você. – agradeceu em tom brincalhão.

— Também veio terminar algum trabalho? – perguntei.

— Exatamente. – confirmou. – Entretanto, gostaria de te pedir um favor em especial.

— Pode pedir. – falei.

— Dia 3, na quinta, é aniversário do Sirius. – revelou. – É muito mais fácil comemorar quando cai em um final de semana, mas de modo algum deixaríamos essa data tão importante passar em branco. – comentou. – Então eu, Remus, Peter e Sirius vamos até o campo de quadribol depois das aulas, acender uma fogueira e tomar algumas garrafas de firewhisky, nada demais, só para nos divertirmos um pouco. – contou. – E eu gostaria muito que Lily fosse, mas ela não cansa de falar sobre o quão perigoso e errado isso é.

— E ela tem razão. – concordei com minha amiga. – Ser pego fora da cama após o horário de recolher nunca é uma boa ideia. – falei.

— Nós fazemos isso há anos, sem contar que não ficaríamos até tão fora do horário. – ele defendeu a ideia. – E eu sou o monitor da Grifinória.

— Assim como ela. – lembrei. – Não significa que não existam outros monitores de outras casas.

— Ah, vamos lá, Lene. – James insistiu. – Falando sério, não deveríamos ter que nos preocupar com algo tão bobo nesse tempo em que vivemos, ninguém sabe o que pode acontecer no dia de amanhã, é uma época sombria. – argumentou. – Eu provavelmente não deveria estragar a surpresa e te contar isso, mas como venho querendo falar sobre isso com você acho que não fará tanta diferença. – ele disse. – Sirius também irá te convidar para ir conosco.

— Que ótimo. – falei ironicamente. – Um convite para arriscar minha vida escolar.

— Duvido que você realmente veja dessa forma, é a garota mais audaciosa que conheci em Hogwarts. – James falou. – Não precisa ser tão dura com ele, pode ter certeza que alguma coisa em você já é um imã natural para atrai-lo.

— Não vejo da mesma maneira, ele apenas se diverte com a implicância e a dificuldade. – falei.

— Vocês dois sabem que isso não pode durar para sempre, nem eu e Lily éramos tão implicantes. – comentou.

— Mas eram tão irritantes quanto. – eu disse e rimos juntos.

— Não sei o que você fez ou faz com meu amigo, Lene, mas algo nele está diferente. – James disse ao cessar a risada.

— Se você tivesse algum modo de comprovar isso, quem sabe eu até deixaria minha teimosia de lado e acreditaria. – confessei.

— Acho que o fato de que ele nem sequer olha para qualquer outra garota em Hogwarts há um mês já é prova o suficiente. – James contou, e, sem querer, automaticamente, flagrei um leve sorriso se erguendo em meus lábios.