Heart of Ice - Jotun Fanfic I
23 Capítulo 22
Notas iniciais
PV Daniel:
Desde que nossa luta havia iniciado eu não via Johanna. Eu estava lutando desde que chegamos e, sempre que tinha a oportunidade, olhava para todos os lados procurando por ela, mas não a encontrava. Eu me preocupei com ela, mas me acalmava saber que Remy estaria com ela, eles se virariam juntos.
Eu e meu irmão, Loki, lutávamos juntos para proteger nosso pai. Nós fomos cercados por um grupo de homens e Dimitri aproveitou para atacar nosso pai. Eles lutavam perto dos navios a última vez que os vi. Meu irmão e eu lutávamos com toda a força que conseguíamos para derrubar aqueles homens, mas éramos só dois contra vários deles.
Eu já estava cansando de lutar sem progresso algum, decidi fazer alguma coisa. Fingi ter sido golpeado e me joguei na água, precisava ser rápido, pois Loki estava sozinho contra eles. Tirei minhas luvas e usei minha magia para congelar a água, imobilizando nossos adversários. Me levantei e pus as mãos de volta na água e só parei quando eles estavam congelados também. Aquele feito exigiu uma grande quantidade de magia. Caí de joelhos na água, que batia em meu peito, meu nariz sangrava pelo esforço que fiz e me sentia fraco. Senti que ia apagar, mas não conseguia fazer mais nada. A última coisa que me lembro é de Loki me segurando por trás para que eu não me afogasse, ele falava comigo algo que eu não entendi quando desmaiei em seus braços.
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PV Loki:
Estávamos lutando contra nossos rivais e já estávamos na água. Eu e Daniel lutávamos juntos para proteger nosso pai. Nós fomos cercados e eu não vi mais ele. Ouvi duas explosões, quando consegui olhar, os navios haviam sido incendiados por lanças que alguém atirou contra eles. Vi Johanna e Remy na praia, havia sido eles. Com o impacto das explosões os navios começaram a se movimentar, estavam prestes a se chocar pelas laterais.
Eu já estava chegando à exaustão quando Daniel fez algo para deter aqueles homens. Ele os congelou, eu derreti o gelo que se formou em volta de minhas pernas e corri até ele. Aquilo exigia uma quantidade grande de magia, ele estava fraco, caído de joelhos na água, seu nariz sangrava.
– Não se preocupe, tô aqui com você mano. Vai ficar tudo bem — consegui pegá-lo antes que se afogasse no mar.
Quando tirei Daniel da água, parei finalmente para olhar os malditos navios. Eles estavam colados por suas laterais, não via meu pai em lugar algum, a última vez que o vi foi quando estava perto dos navios. Dimitri também havia desaparecido. Eu precisava saber onde meu pai estava, se ele estava vivo. Se estivesse morto, seu corpo se perderia na imensidão do mar, podendo passar pelo portal até o outro mundo e nunca saberia de seu paradeiro. Não vi mais Johanna e Remy depois que explodiram os navios.
Nós perdemos alguns homens no combate, mas conseguimos vencer. Não havia mais adversários na praia. Meus homens vinham em minha direção enquanto eu me encontrava sentado à beira do mar com Daniel ao meu lado, ainda desacordado. Henry foi ferido no combate e capturado. Deixei Daniel aos cuidados de meus companheiros e entrei de novo no mar, indo em direção aos malditos navios. Sentia dor a cada passo que eu dava. Cortei feio meus braços no combate, machuquei uma perna também, estava um caco, coberto de sangue da cabeça aos pés, mas ignorei tudo e continuei. Quando cheguei perto o bastante vi meu pai entre os navios, sem vida. Perdi a razão naquela hora, soltei um grito, liberando tudo o que sentia na hora, um grito ensurdecedor. Minha magia foi liberada com minha emoção, encostei nos navios e as chamas se espalharam mais ainda por eles. Tirei o corpo de meu pai dali e o levei até a praia. Logo que cheguei na areia caí do lado dele e fiquei assim por um tempo, chorei a perda de meu pai.
Tive que me recompor e continuar, pois eu agora teria que comandar os soldados. Colocamos o corpo de meu pai sobre um cavalo e Daniel sobre o outro e tomamos o caminho de volta ao castelo. Eu não conseguia acreditar que havia perdido meu pai. Eu só esperava que Dimitri estivesse vivo, porque se estivesse ele iria pagar pelo que fez.
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PV Johanna:
Quando nos aproximamos do castelo, nos escondemos atrás de uma rocha para ver como estava a situação nos portões da frente. Havia poucos homens lutando, ainda, ali. Alguns carros virados e corpos espalhados pelo chão, como na praia. Shawn e seus companheiros estavam tentando a todo custo impedir a entrada deles. Eu queria fazer algo para ajudar. Disse a Remy e Jordin que iria ajudá-los, pois eram poucos homens. Eles quiseram me acompanhar. Soltei a mão de Remy, cortando a conexão do Spark, ambos pegamos nossas Katanas e eu entreguei à Jordin seu machado. Eu segui com Remy à minha frente e Jordin apoiada em meu ombro direito. Quando nos aproximamos do grupo Remy decapitou dois homens com sua espada, meu estômago revirou ao ver suas cabeças no chão e quase botei pra fora o pouco que havia comido antes, desviei logo o olhar daquilo.
Continuei andando com Jordin, ela quebrou as correntes de um dos carros com seu machado, soltando os dois cavalos que estavam presos ali. Quando olhei para o lado do carro, Jasper estava desacordado ali e Mikhail estava perto dele, não sabia se estavam vivos, chequei e eles tinham pulso. Quando me levantei vi que alguém se aproximava do castelo, Randall. Assim que o vi peguei meu arco e mirei uma flecha em sua direção, acertei seu ombro e ele caiu. Remy se juntou a Shawn e seus companheiros e derrotaram os últimos inimigos. Sobraram somente seus líderes, Mikhail e Randall.
Estava indo com Jordin até o portão quando ouvimos um grito, olhamos na direção de onde vinha o som. Stepan estava com uma de suas pernas presa debaixo de um dos carros e tentavam tirar ele de lá. Eu e Jordin paramos quando ouvimos os gritos de dor de Stepan, olhei para onde Jasper estava, e vi um movimento. Mikhail acordou e estava tentando se levantar, corri de volta até lá e pus meu pé sobre seu peito, impedindo-o.
– Você não vai a lugar algum senhor Mikhail — digo. Ele tossiu com a pressão que fiz sobre seu peito. Ouvi Remy me chamar e apontar na direção de Randall. Ele havia se levantado e vinha em minha direção lenta e desajeitadamente. Deixaria que se aproximasse para pegá-lo junto com Mikhail. Remy correu até mim e pegou minha mão, nos conectamos e eu ouvi seus pensamentos. Ele me disse para pegar Jordin e entrar no castelo. Eu assenti com a cabeça, mas fiquei ali por um tempo, até que Randall chegou ali e pegou na mão de Mikhail, tirou a flecha de seu ombro e sorriu para o velho. Eu e Remy nos perguntamos o que era aquilo, mas ficamos os observando, meu pé ainda estava sobre o peito do velho desgraçado. Quando Randall soltou a mão de Mikhail a ferida em seu ombro havia sumido.
– Ai minha nossa, ele curou Randall — deixo escapar. O velho de repente se levanta e eu caio no chão.
Me levantei rapidamente do chão e peguei na mão de Remy, voltamos a nos conectar. Jordin ainda nos aguardava com seu machado em mãos. Eu disse por pensamento para Remy que devíamos tentar fazer aquele escudo de proteção de novo. Nos concentramos para que desse certo, pois não sabíamos bem como fazer. Não deu tempo de fazer nada, pois Randall começou a lutar com Remy, nos separando. Concentrei toda a magia que pude em minhas mãos, que estavam fechadas naquele momento, senti uma onda de choque percorrer meu corpo. Me lancei contra Randall e segurei forte seu peito, ainda com as mãos fechadas.
– Você quer magia? Então toma! — disse abrindo as mãos e, encostando em seu peito, soltei aquela energia e ele caiu agonizando no chão.
– Por favor Johanna, não faça isso. Você não é uma assassina. — Randall diz, implorando por sua vida.
– Você não me conhece Randall. Eu mudei muito desde que nos conhecemos — digo enquanto ele ainda está aos meus pés com uma expressão de muita dor. Mikhail está apoiado em uma pedra nos olhando, sob a mira da flecha de Remy.
– Johanna, por favor, faz isso parar. Dói demais! — eu olho para Randall. Eu sabia que se libertasse sua magia, ela poderia matá-lo, alguns meio-sangue morreram assim, como se seu corpo achasse a magia um parasita e tentando impedí-la se auto destruíram. Me agachei em frente a ele e pus minha mão em seu peito.
– Eu posso fazer isso parar, mas só libertando a magia que há aqui, dentro de você — digo.
– Por favor — ele me diz, gritando enquanto a dor o queima por dentro. Eu menti, eu poderia parar aquilo e deixá-lo como estava antes, mas queria ver como ele se sairia com magia correndo em seu corpo, se duraria muito tempo. Ele matou minha mãe e iria sofrer as consequências.
– Não se mexa. — digo. Ele fica imóvel. Me concentro em sua magia, como fiz com Remy e a liberto, mas imagino o gelo se formando em volta de cada um de seus órgãos antes de soltá-lo. Eu olho para Remy e sorrio, queria que ele soubesse que o assassino de nossa mãe iria morrer em breve. Sua própria magia o mataria. Fiquei ali esperando.
Stepan, Jasper e Jordin foram levados com os demais feridos à enfermaria. De repente eu ouço os gemidos de dor de Randall, seus olhos estavam muito claros, como gelo, sua pele estava cada vez mais branca. Mikhail tentou ir em sua direção mas Remy o advertiu.
– Se der mais um passo furo sua testa, seu bruxo maldito — diz Remy. Mikhail permanece ali olhando.
Randall agora gritava de dor enquanto ia congelando de dentro para fora. Eu não sou nenhuma psicopata, mas ver aquele mostro agonizando foi, de alguma maneira, bom. Ele estava pagando por todas as vidas que foram tiradas por sua culpa e, principalmente, pela de minha mãe, que ele mesmo matou. Randall estava batendo os dentes e agonizando, seus braços não mais se moviam, pois já estavam congelados. Antes que ele se tornasse em uma estátua de gelo, Loki chegou com seus homens. Voltei minha atenção para Randall quando ele chamou, muito baixinho, por meu nome. Foi a última coisa que ele disse antes de virar uma estátua de gelo. Mikhail começou a gritar comigo.
– Sua maldita! Por que matou ele? — ele disse e começou a correr em minha direção. Remy lançou uma flecha, a qual ele pegou no ar e quebrou. Ele pegou em meu pescoço e eu agarrei sua mão para que ele não me sufocasse. O tempo parecia ter parado naquele momento, todos olhavam para nós. Pensei em tudo naquela hora, me lembrei de quem eu costumava ser, a ingênua e super protegida que não sabia de nada, de quem eu queria ser, alguém "normal", com uma família de verdade, e... de quem eu havia me tornado.
– Você vai pagar por ter matado meu amigo sua cretina — Mikhail diz apertando sua mão contra meu pescoço. Me ligo a ele pelo Spark para usar sua magia. Seus olhos se arregalaram quando me liguei a ele.
– Você é quem vai pagar seu velho desgraçado. Ridículo! — eu digo e aperto mais ainda sua mão. Penso em tudo o que me irritava. Queria fazer o que fiz no rio quando estava já esgotada pelo estresse, talvez aquela onda o afetasse. Concentro toda minha raiva em sua mão.
– Interessante — ele me diz. Fiquei surpresa com aquilo — você fez aquilo quando? — ele me pergunta. Ele podia ver meus pensamentos.
Eu tento o ignorar, solto um urro no momento em que solto sua mão e aquela onda de magia sai de mim novamente. Mikhail desapareceu, não sei como. Eu caio no chão e não vejo mais nada.
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Acordei sentindo uma dor terrível em meus braços. Eu não estava em meu quarto. Me sentei na cama e olhei por todo o quarto. Remy dormia em uma poltrona perto da cama. Meus braços doíam muito, mas assim que os esfreguei a dor passou e os hematomas sumiram. Eu não lembrava de muita coisa, só que eu havia matado Randall e fui atacada por Mikhail. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, estava tão confusa e cansada. Eu fiquei ali, sentada na cama, tentando me lembrar de como parei aqui quando Loki entra no quarto.
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