Heart of Ice - Jotun Fanfic I
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Chegando no castelo, nós corremos avisar o rei e a rainha sobre os navios. Eles enviaram alguns homens para vigiarem a praia e trazer até eles quem quer que fossem as pessoas que estavam vindo para Svetilnik.
[...]
–Então, será que agora vocês podem me contar o que está acontecendo? — pergunto aos rapazes, algum deles teria que me contar.
– Randall e Henry são aliados, como você já sabe. Eles nunca tiveram certeza sobre você possuir o Spark, mas sempre planejaram te usar caso tivesse. Nós falamos com muita gente por aqui, descobrimos que pelo menos do nosso exército eles não dispõem. Mas a má notícia é que eles têm o seu próprio — Daniel me diz.
– Eles criaram seu próprio exército? Mas como? — pergunto.
– A maioria é meio-sangue, o restante humanos. Eles prometeram aos humanos riqueza e aos meio-sangue magia. Uma guerra se aproxima, tudo por causa da ganância desses dois psicopatas — diz Loki.
– Existem dois portais que nos levam daqui até o mundo dos humanos. Um depois da floresta e o outro no mar. Provavelmente alguém abriu o portal na praia para aqueles navios entrarem aqui — diz Remy.
– Como vocês sabem de todos esses planos deles? — eu pergunto.
– Minha namorada, Addie, é filha do Randall. Ele compartilha seus planos com Sam e ela acaba ouvindo as conversas deles às vezes. Ela que me disse a verdade sobre a morte da mãe de vocês — Loki diz para mim e para Remy.
– Jasper deve chegar aqui a qualquer momento. Ele tem algumas táticas para nos passar caso algo aconteça — conta Daniel.
– Jasper? — eu pergunto surpresa.
– Sim. Jasper vai ficar com nós de vez. Diria que ele é um multi-tarefas porque é um bom cavaleiro, lutador, cocheiro e ainda entende de táticas de guerra. A família Howlett sempre teve bons guerreiros — Loki responde.
Ainda conversávamos sobre Randall e o possível conflito que se aproximava quando vimos uma movimentação dos guardas, fomos ver o que era. Alguns visitantes apareceram no castelo, ninguém os conhecia. Eram eles o grupo que veio de navio. Um velho com cabelo e barba longos era seu líder. O último descendente dos Pavel estava com eles, ele era careca, aparentava ter a idade do rei, não era tão jovem que nem os que acompanhavam ele e o velho estranho. Foi marcada uma reunião no salão de cerimônias para que eles se apresentassem a todos, fomos imediatamente para lá. Esperamos que todos residentes do castelo estivessem presentes para ouvir aqueles homens.
Logo que todos chegaram o rei Claus apresentou sua família para eles e começou a lhes fazer perguntas.
– Suponho que vocês dois sejam os líderes do grupo. Quem são vocês?
– Eu me chamo Dimitri Pavel, sou o último Jotun vivo da família, esse aqui comigo é nosso conselheiro, ele se chama Mikhail — diz o careca.
– Pensei que os Pavel estivessem todos mortos. É bom finalmente conhecer um. Mas por que estão aqui? — pergunta-lhes Claus.
–Nós somos de Raven's City, uma cidade pequena, fica no outro lado do mar. Viemos porque ouvimos que há um Tristan vivo também. Queríamos conhecê-lo.
– Quem te disse que aqui vive um Tristan? — Claus pergunta.
– Meu amigo, Randall Dazzen, nos fez uma visita recentemente e me contou. Fico feliz em saber que ainda vivem um Pavel e um Tristan e que não somos lendas.
– Sinto dizer que vocês não vão conhecer esse Tristan — o rei Claus diz, eles se olham confusos.
– Desculpe, mas por quê? — o careca pergunta.
– Ele não está aqui. Há muitos anos que foi embora, nem sabemos se está vivo ainda.
– Bem, espero que ele esteja vivo e que nos encontremos. Nós estamos acampados próximo à praia, não ficaremos por muito tempo. Logo vamos voltar a Raven's City.
– Tudo bem. Sinto muito sua viagem ter sido em vão — diz Claus. Os homens se despedem e vão embora. O rei encerra a reunião e eu saio com Loki dali. Daniel e Remy foram encontrar Jasper.
Loki pediu para que eu ficasse com ele porque tinha que me contar algo. Fomos para uma sala fechada para que ninguém ouvisse nossa conversa.
– O que você queria me contar? — pergunto quando já estamos na tal sala.
– Eu vou levar você e Remy para Jotunheim. Mas ninguém, ninguém mesmo deve saber. Se essa guerra acontecer mesmo e tentarem tomar Svetilnik, nós vamos precisar de todo recurso disponível. Ninguém desconfia dele porque usa um nome falso, mas você corre risco. É o alvo deles — Loki me diz.
–Caramba! Cada dia uma notícia mais louca que a outra. Quando a gente vai?
– Amanhã. Meus pais pensam que vamos sair para treinar com nosso arqueiro, Remy, mas nós vamos para lá. Vamos sair de tarde.
– Okay, vou com vocês amanhã. Agora, se me dá licença, preciso descansar e pôr minhas ideias em ordem.
– Até mais. Se cuida Johanna — ele me dá um abraço e eu vou para meu quarto.
Descansei um pouco em meu quarto depois de conversar com Loki. Quando acordei de minha soneca resolvi ler mais um pouco o livro sobre o Spark, ver se era possível fazer algo diferente dos outros Jotuns com essa mágica. Li algumas histórias contando o que eu já sabia, mas uma me chamou a atenção. Dizia que certa vez um Jotun com Spark estava ligado a um inimigo seu, usou então o Spark para queimar ele. O homem começou a queimar por dentro até morrer. Outra história dizia que uma mulher que tinha o Spark e não sabia controlá-lo congelou seu marido até a morte enquanto beijava ele, tornando-o em uma estátua de gelo humana. Me assustei com essas histórias e deixei o livro de lado, guardei ele e fiquei deitada pensando.Depois de um tempo deitada, resolvi dar uma volta. Estava ansiosa, precisava de algo que me distraísse. Fui até o estábulo ver Snow. Entrei em sua baia e fiquei ali com ele, pensando nos acontecimentos recentes, até alguém chegar ali e me tirar do meu devaneio.
– Graças a Deus te encontrei. Te procurei por todo lugar — Daniel diz. Ele tenta me abraçar, mas eu o afasto.
– Por favor, não quero te machucar — eu digo.
– Como assim? Tá doida Johanna?
– Não. Só preocupada, desculpa.
– Como iria me machucar? Alguma vez já fez isso? — ele pergunta.
– Não Daniel, nunca.
– Então? Por que essa preocupação agora?
– Não é nada, é que... ah eu li aquele maldito livro hoje. Uma mulher não tinha controle sobre sua magia e acabou matando o marido por causa do Spark. Não quero que nada te aconteça também, só isso — digo enfim. Ele chega perto de mim, põe seu dedo em meu queixo, levantando meu rosto para que eu olhe para ele.
– Johanna, aquela mulher não era você. Você não lembra o que fez hoje cedo? — concordo com minha cabeça ao lembrar que ele usou minha magia de fogo — Se você não tivesse controle sobre o Spark, como teria me feito usar a sua mágica?
– Mas eu não tenho. Você ficou em chamas!
– Eu não vou discutir com você. Só quero que saiba que eu confio em você. Eu prometi ficar do seu lado, não me afaste agora.
– Não tô te afastando. Só... nada de contato físico! Eu posso te machucar e não quero isso.
– Tá. Tudo bem, já vi que não vai ter jeito mesmo — ele diz. Então nós saímos dali e ficamos conversando sentados ali perto. Era tão chato não poder tocá-lo, mas era preciso, até que eu pudesse controlar-me.
Terminei o dia conversando com Daniel, me despedi dele e fui para o quarto. Não conseguia dormir porque tudo me preocupava, principalmente o fato de que iria para Jotunheim no dia seguinte. Rolei na cama até conseguir finalmente dormir, mas foi por pouquíssimo tempo também.
Acordei mais tarde que de costume, quase me atrasei para os treinos, mas consegui chegar a tempo. Agora que eu estava familiarizada com tudo, treinava em grupo porque esses treinos eram para praticar o que já se aprendeu. Depois da aula com Randall eu havia combinado com Daniel que iríamos treinar minha magia mais um pouco e para isso eu faltaria a aula de montaria. Ele não me falou o que estava pensando em fazer até começarmos. Daniel mergulhou minhas mãos na água e disse para usar minha magia de fogo assim, com elas submersas.
– Daniel, o único que consegue fazer isso é o Loki. A água sempre me impediu de usar minha magia.
– Eu sei. E sei também que você é a Jotun mais poderosa que eu conheço. Se Loki consegue, você consegue. Vamos, tente — ele me encoraja. Eu tento me concentrar, sinto minha magia sendo liberada e meu corpo aquecer, mas logo passa. Eu suspiro frustrada. — Enquanto tiver medo sua magia vai te controlar e não o contrário — Daniel me diz.
– Como eu não vou ter medo? Ninguém sabe do que eu sou capaz e eu não consigo controlar isso. Eu posso ferir alguém.
– Quando você aceitar quem realmente é, terá controle sobre sua magia — disse Daniel. Eu fiquei pensando em suas palavras, então decidi tentar de novo, mas do meu jeito. Tirei minhas mãos da água e com elas ainda pingando tentei usar minha magia. A água em minhas mãos evaporou, eu consegui. Por enquanto estava me controlando. Olhei para Daniel, ele me deu um sorriso de aprovação. Pus minhas mãos na água de novo e tentei usar a magia com elas assim, consegui aquecer água por um tempo, parei quando vi que havia conseguido. Daniel tentou me abraçar, mas eu não deixei. Ainda não estava segura de que não iria ferí-lo. Ele ficou chateado com minha insegurança, depois de tudo que ele me disse para ajudar, eu ainda não acreditava que pudesse controlar minha magia.
– Espero que um dia você se aceite como é. Assim os que te amam e se importam poderão ficar com você sem que os afaste — ele diz e vai embora. Refleti nas palavras dele, eu não queria afastar ninguém de mim, mas o fiz por bem, para não ferir ninguém. Será que é tão difícil assim me entender?
Daniel me deixou sozinha próxima do lago, fiquei pensando no que ele disse, que eu precisava perder meu medo, aceitar quem eu sou. Eu já havia feito isso, controlava minha magia de Jotun do fogo, até eu descobrir o Spark. Agora teria que aprender a controlar algo que ninguém sabe exatamente como funciona, como eu não iria ter medo?
Eu fiquei por um tempo ali, brincando com a água, consegui me acalmar e então resolvi voltar, pois depois do almoço iria com Loki e Remy a Jotunheim, o que me deixava preocupada.
[...]
No caminho para Jotunheim passamos pelo acampamento do pessoal de Raven's City. Eu não sei dizer o que, mas algo naqueles homens me intrigava. Sendo eles amigos de Randall, já era um motivo para que eu não gostasse deles. Loki viu que eu os observava, Remy estava pensativo, olhando para o nada.
– Loki, por que seu pai escondeu deles que há um Tristan no castelo? — pergunto.
– Para te proteger. Esses caras são amigos de Randall, não podemos vacilar e te pôr em risco. Dimitri não deve ser pelo certo, apesar de ser um Pavel, pode ser que esteja do lado de Randall nesse plano doentio. Senão não teria vindo da Rússia para cá e ainda viver em Raven's City, não sabemos o que esperar de nenhum deles — Loki responde.
– Você acha que eles são do exército de Randall e de meu pai, digo, de Henry?
– Acho que estão com eles sim. Esses dois estão tão determinados a possuir magia que vão tentar tomar o reino.
– Tomar o reino? — Remy pergunta. De repente nosso assunto o interessou.
– Eu acho. Eles prometeram riqueza, cargos elevados e tudo o mais para essas pessoas, até magia. Disseram que se conseguirem capturar Johanna, a usarão para libertar a magia de todos os meio-sangue que se voluntariaram — Loki nos disse sua teoria. Ele sabe dessas coisas porque Addie é filha de Randall e lhe deixa a par de tudo. Depois que ele nos contou isso, ficamos quietos, até que chegamos a nosso destino, Jotunheim. A terra cinzenta e seca e as ruínas de construções deixavam claro que ali ocorreu uma guerra.
Jotunheim estava abandonada havia muitos anos, era completamente silencioso lá, chegava a ser enervante ficar parada no meio do nada.
– Muito bem, vamos ao que interessa? — Loki diz animado. Eu deveria tentar libertar o poder de Remy, mas eu tinha medo de ferí-lo.
– Me desculpem, mas eu estou com medo — digo.
– Medo do que Johanna? — Remy me pergunta.
– De te ferir. O Spark é muito poderoso e eu ainda não consigo controlar, é perigoso.
– Eu confio em você — Remy diz.
– Eu também — Loki afirma.
– Mas eu não. Desculpa — digo.
– Pelo menos tente. Aposto que ninguém aqui quer que essa saída tenha sido em vão, né? — Loki nos diz. Eu não queria desapontar nem a Loki, que se arriscou nos trazendo e nem a Remy não libertando sua magia por estar com medo. Eu devia pelo menos tentar. Eu precisava superar meu medo.
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