Heart of Fire
8 Ghosts From The Dreams
Notas iniciais
Abri os olhos, dessa vez me sentindo bem. Minha cabeça não doía mais, nem meu corpo. A única coisa que eu sentia nesse momento era fome. Na verdade, não me lembrava da ultima vez que havia comido algo. Muito provavelmente na hora do almoço, quando estava na escola. Quando tudo ainda era normal...
Neste instante, as portas de mármore do quarto se abriram e uma mulher alta e elegante entrou carregando uma bandeja de prata. Aquela mulher não parecia ser, de jeito nenhum, uma serva.
– Com certeza está com fome, criança. – ela se aproximou de minha cama. Sua voz era firme e gentil ao mesmo tempo – Sou Selene. – ela me entregou a bandeja.
Pães quentinhos, queijo, leite, suco... tudo o que se precisa para um café da manhã bem reforçado. Comecei a comer.
– Obrigada. – agradeci, assim que tomei um gole de leite, e a mulher sorriu – Sou Alexandra Knight.
– Eu sei. – ela sorriu mais uma vez, mas seu sorriso era agora de certa forma melancólico – Elayles, você cresceu... – Selene ergueu as mãos e correu os dedos por meus cabelos de modo maternal... eu não estava entendendo nada, mas... o modo como ela falou comigo fez meus olhos lacrimejarem.
– Você... – pausei, incerta – Você é minha mãe? – assim que as palavras saíram, me senti uma idiota.
Selene continuou com o sorriso tristonho.
– Não, pequena Elayles, não sou sua mãe. – ela me olhou com carinho – Sua mãe era uma boa pessoa. Você herdou muito dela, criança, pelo que pude observar... sua mãe era corajosa, inteligente e bondosa.
– Não sou corajosa. – sussurrei de modo meio irônico. E isso era verdade; não me via como uma pessoa ousada ou corajosa. Eu era apenas uma típica garota educada, certinha e levemente introspectiva.
Levemente? , minha mente zombou.
– Bem, eu considero um ato de coragem uma garota de dezesseis anos recém chegada em um lugar que não conhece ajudar um príncipe ferido. – ela sorriu – Você estava com medo, Elayles, mas mesmo assim não deteve suas ações. – ela segurou minha mão – Coragem não é a ausência do medo, mas sim o julgamento de que existe algo mais importante. – nesse momento ela me olhou nos olhos, e eu pude ver um poder ali contido, naqueles olhos cinzas, uma chama de magia – O corajoso pode não viver para sempre, mas o cauteloso nunca vive plenamente.
Naquela hora, percebi que ela não estava tentando me consolar me dizendo que eu havia sido corajosa. Não. Ela estava tentando me passar aquele conhecimento, como que para matar meus receios. Pelo seu olhar eu lia o que ela queria me dizer... que eu não seria mais uma garota com a vida normal que levava, eu precisaria ser algo a mais... E para o meu bem deveria compreender aquilo o mais rápido o possível...
Olhei mais uma vez nos olhos de Selene e rapidamente uma cena passou por minha cabeça... uma garotinha de cabelos loiros escuros e olhos cinzas correndo e rindo ao lado de uma garotinha de olhos violeta e cabelos cor de fogo...
Tão rápido quanto veio, a cena foi embora. Eu sabia quem eram as duas garotinhas; eram Selene e Aella.
– Você conheceu Aella. – digo e me surpreendo com o tom firme em minha voz.
– Como sabe de Aella? – ela rebateu, não sem gentileza.
– Ando tendo sonhos com ela. Uma mulher ruiva e de olhos violeta. – respondi de forma simples – Ela deixou uma filha...
Com minha última frase, um breve relâmpago de surpresa passa pelos olhos de Selene. Como se ela não soubesse que eu sabia disso.
– Viu a cena em seu sonho? – ela controlou o tom de voz.
– Mais ou menos. – respondi, observando-a com atenção – Em meu último sonho vi uma mulher, Elleiä – o olhar de Selene se tornou frio ao ouvir o nome da mulher – ela está atrás da filha de Aella. Quer matar a garota. Deu ordem para um homem a achar...
Selene se levantou me interrompendo e caminhou rapidamente até a porta, mas antes de sair se virou.
– Preciso me encontrar com algumas pessoas. – ela sorriu, outra vez com um ar maternal – Não se preocupe, pequena Elayles, nós conversaremos, e todas as suas perguntas serão respondidas. – e então Selene saiu.
***
Selene:

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