Heart of Darkness
3 Capítulo 3 - Fraquezas
Notas iniciais
Marcos aumenta de tamanho. Suas mãos ficam monstruosamente grandes, um símbolo mágico cresce em seu peito e começa a mudar de forma. Ele já não é mais o mesmo, não é mais humano. Sua boca fica maior, dentes enormes a mostra, emanando uma enorme aura assassina, um zíper na ponta de sua boca, espinhos nas costas, olhando friamente as coisas ao seu redor. Percebia-se que ele já não pisava o chão, mas também não flutuava. Era como se houvesse algum tipo de plataforma ali, e cada piso ou passo dava a impressão que se pisava em uma poça d’água.
Marcos – Onde... Onde eu estou? Que tontura... Eu tenho que... Tabitha...
Ele se lembra do que aconteceu. Um outro mundo, uma garota, e... a explosão...
[...] Eu quero proteger ela... Mas eu sou fraco. Fraco suficientemente para não mudar. Fraco em personalidade, ou força física... Alguém como eu... Mas ainda assim, eu quero vê-la sorrindo. Acabar com as lágrimas dela, e as coisas que a afligem. Mas como? COMO??
A criatura começa a se debater, e se descontrola. Não se sabe ao certo o que fazia. Ele chorava, sorria, parecia enlouquecido, perdido em seu próprio mundo cheio de problemas, dentro de sua cabeça. A voz dele era um choro interminável, gemidos de dor e alegria se misturavam na voz, e um singelo tom de medo. Ele coloca as mãos na cabeça, como se tivesse com uma dor horrível, ou se tivesse sido atingido. No meio dessa confusão, ele percebe Tabitha caída; ela havia batido a cabeça em uma pedra. Ela estava sangrando. Ele olha ao seu redor, então percebe o rapaz dos cabelos verdes. A criatura levanta sua mão esquerda. Um buraco negro se abre, e dele começa uma força que puxa o jovem para dentro dele. Ele percebe que Tabitha estava indo para dentro do buraco também, mas a segura com sua mão direita, fazendo apenas o jovem ser puxado. Ele tenta correr, mas percebe que é inútil, então se joga no chão e libera uma explosão de fogo e gelo na mão direita do monstro, fazendo o buraco negro se desestabilizar, então sumindo. Tabitha começa a se levantar, mas estava muito fraca para fazer qualquer coisa. Ela olha para o garoto dos cabelos verdes e olha ao redor, mas não vê Marcos em canto algum, e percebe seu Headphone caído no chão, assumindo assim que a criatura tenha feito algo com ele. Ela se assusta, mas o jovem explica a situação:
– Não é o que você está pensando. Esse é aquele seu namorado fracassado. De alguma forma ele teve contato com uma magia das trevas muito poderosa...
Ele se aproxima dela, puxa ela pela roupa e pergunta:
– Onde vocês encontraram esse poder? Quando?
Tabitha – Eu não sei ao certo. A gente estava em uma caverna, e a gente se separou por um tempo. Depois disso eu o vi desmaiado no fundo da caverna, e ouvi um barulho muito alto, mas não sei de mais nada, nem o que aconteceu antes. Por que?
– Eu preciso... encontrar esse poder. Nem que eu tenha que revirar todas as cavernas desse lugar, nem que tenha que ir além dos céus...
Ele a solta com força, então ela bate de cabeça no chão. O monstro vê a cena, mas assim que se move, começa a agoniar. Uma dor muito grande no peito, então começa a mudar repentinamente de humor. Ele grita, chora, sorri, e começa a sofrer, então bate suas enormes mãos no chão enquanto grita. Seu grito era extremamente alto e forte, como o rugido de um urso, e ao mesmo tempo algo triste como a canção de um pássaro preso em sua gaiola, e a vibração de sua voz alternava entre choro e riso. Enquanto via isso, o jovem de cabelos pensa – “Que ridículo. Não vou mais perder tempo com esse... (pausa) Vou em busca desse poder logo. Ele não é forte o suficiente pra agüentar a dor...” – Assim que começa a andar, o monstro percebe que ele tenta “fugir”, então ele abre o zíper em sua boca. Dentes enormes em um eterno vazio dentro de sua boca. Ele coloca suas mãos perto da boca, e a abre em seguida. Uma espécie de buraco negro se abre, e começa a puxar tudo a sua volta, e assim que o jovem é pego pelo buraco negro, ele entra na boca do monstro, e começa a se debater. Essa é a segunda vez que ele entra em desespero, em toda sua vida. Ele cai na boca do monstro, e começa a afundar. Ele sente uma energia vinda do fundo, cada vez mais próxima, que de repente para. Então ele começa a olhar ao redor; assim que ele olha pra trás, vários tipos de mãos começam a puxar ele pela boca. Ele começa a se sufocar, e é puxado para baixo. Assim que atinge uma superfície plana, a energia o solta, e ele começa a sentir coisas que nunca sentiu antes, então desmaia. Pouco depois, ele ainda perdido naquele buraco sem fim começa a reviver todos os problemas de sua vida.
Ele se lembra de tudo: Sua criação, seus pais, o mundo pós-destruição, sua realidade vindo abaixo... Tudo que ele acreditava havia ido embora. Já não tinha mais chão, discussões infinitas com seus pais, várias brigas, uma pequena cela escura, e uma criança inocente... Sofrendo, e sofrendo cada vez mais...
?? – Eu... Esse sou eu? Por que eu estou lembrando disso agora? Como você sabe disso? Não... Esse não sou eu... Não sou! NÃO SOU! EU ERA FRACO! EU ERA PATÉTICO, RIDÍCULO, UMA VERGONHA PRA MINHA FAMÍLIA, E AGORA? EU POSSO SER QUEM EU QUISER, O QUE EU QUISER, E NADA NEM NINGUÉM VAI ME IMPEDIR DISSO! MUITO MENOS VOCÊ, VOCÊ NÃO PODE ME VENDER, NEM VOCÊ NEM “ELES”!!
Uma enorme explosão ocorre naquele buraco que ele se encontrava. Seu olho direito estava expelindo fogo. Em sua mão direita havia uma quantidade anormal de chamas, e na direita gelo. Seu poder mágico aumenta bruscamente. Ele bate com as mãos no chão; ocorre um terremoto. Ele solta um disparo de fogo e gelo pra cima, mas não havia chego até o topo.
?? – Mais... Mais... MAIS PODER!!
Ele começa a absorver parte da energia que antes lhe puxava. Ele usa parte desse poder e atira de novo pra cima, então toda aquela barreira que o cercava ia se desfazendo aos poucos, e desmoronava igual uma torre de cartas, mas para os lados.
O monstro sente uma reviravolta no estômago, e “vomita” o jovem. Ele sai com uma aura negra envolvendo ele. Ele parecia flutuar agora. O monstro cria um círculo das trevas em baixo do jovem, mas ele o repele com seu novo poder. Ele rapidamente se move pra perto do monstro e o toca na testa, e começa a sugar o poder dele. Ele cai no chão, fraco, e volta a ser o mesmo garoto de antes, então sai a procura de mais poder ainda. Ele havia se lembrado de seus ideais, e agora busca eles.
Marcos percebe que Tabitha estava caída no chão, e ele, mesmo com muito pouco de suas forças segura ela pelos braços e começa a levá-la pra algum lugar, na esperança de encontrar uma cidade, ou alguém. Ele anda por horas com ela em seu colo, mas nada, ninguém... Ela também não acordava. Ele olha para o rosto dela, e começa a chorar sobre o rosto desacordado dela, enquanto se lamentava de não ser forte o suficiente para tê-la protegido. De repente ele sente algo no seu peito, e cai no chão, desmaiado. Ninguém passava, não havia muito movimento onde eles estavam. Ele havia caído no chão, e não podia fazer nada a respeito...
Então ele caído no chão olha para o céu...
Marcos – O céu é tão grande... Que coisa besta, não deveria estar pensando nisso agora... Eu deveria procurar por ajuda, mas não consigo levantar... Já não sinto meu corpo, nem vontade de fazer nada... Eu vou morrer aqui? Não é possível, eu... Tenho que protegê-la a qualquer custo. Ela acreditava em mim. Ainda acredita, mas eu desapontei ela, e agora...
Ele começa a chorar... Assim que sua última lágrima cai, ele já não consegue ver muita coisa, o céu que era tão azul já estava num tom cinza mais embaçado. Ele olha para o sol, e vê uma sombra de uma pessoa que estava parada por cima dele, então ele fecha os olhos.
[...]
Marcos – Onde... Eu estou?
Ele abre os olhos, ele está num lugar muito claro, seus olhos ardem...
– ...Eu... Morri?
Ele tenta se mover um pouco, mas seu corpo estava dormente quase por inteiro ainda. Assim que ele tenta se levantar, Tabitha o impede.
Tabitha – Não não não não não... Você deve descansar agora! Você ficou desmaiado por quase 3 dias, é melhor não tentar nada muito brusco agora...
Ele olha pra ela, e vê que ela estava bem, então começa a chorar. Ela olha pra ele e dá um sorriso.
Marcos – Você está bem... Eu estou tão feliz... E ao mesmo tempo triste, porque não fui capaz de te proteger, mesmo você confiando tanto em mim... – Ele começa a chorar de novo.
Tabitha – Tudo bem, tudo bem... Tanto eu quanto você não fomos capazes de nos proteger...
Marcos – Onde a gente está exatamente?
Tabitha – Na casa- Um senhor a interrompe.
?? – Na minha casa. Eu vi vocês enquanto estavam desmaiados no meio da floresta. Vocês crianças não deveriam brincar até tarde, é perigoso. A noite é quando as trevas ficam mais for-
Ele olha no peito de Marcos, e percebe uma mancha. A mancha parecia ter vida própria, ela pulsava no ritmo de um coração. O homem se assusta e cai pra trás.
Ele pensa: “Eles não são crianças normais. A garota tudo bem, mas ele tem um poder mágico ridiculamente baixo; mas essa mancha...” –Ele se levanta.
– Tudo bem. Eu posso estar velho, mas ainda posso ajudar vocês. Tenho livros que podem ajudar na sua busca por informações...
Marcos – Olha senhor... A intenção é boa, mas...
O ancião puxa e acende uma lanterna, e com ela queima um arbusto que estava no chão, e com ele inicia uma reação em cadeia, que no final abre uma porta. Por dentro havia escadas, e apenas por fora já se viam livros, e mais livros. Uma biblioteca imensa, onde não se via o final. Incrível como algo desse tamanho estava no subsolo de uma cidade inteira durante anos...
– ...Como eu estava dizendo, eu tenho alguns livros que podem ajudar vocês na sua busca por informações.
Marcos – Como assim “ALGUNS”? Isso é mais que todo o dinheiro do mundo pode comprar!
– Durante a minha juventude, eu reunia informações, apenas por reunir mesmo. Depois de um tempo, descobri como criar uma outra dimensão e o fiz nessa sala. Reuni cada livro, de cada categoria que possa existir, desde livros mágicos até maldições. Se fosse em uma época mais antiga, eu até estaria disposto a lhes ajudar, mas isso é tudo que posso lhes oferecer. Se precisarem de mim, estarei no andar de cima.
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