Eles começam a correr, mas Marcos não entende o que está acontecendo... Ele para de repente, e puxa a mão dele das mãos dela.

Marcos – Espera aí! Antes de irmos pra onde quer que você esteja me levando: QUEM é você? Pra onde a gente está indo? Onde a gente está? Quem é você?

Ela percebe e entende a expressão dele de desentendimento, então ela para também.

?? – Verdade... Você não sabe de nada... Mesmo depois de tanto tempo...

Marcos olha pra ela com uma cara de “não entendi”... Então ela começa a explicar.

?? – Meu nome é Tabitha. A gente não se conhece (ou conhecia, até agora) pessoalmente, mas eu sei quem é você. Dia após dia, eu sonho com você. E não só em você. De uns tempos pra cá, eu pensava sempre em um mundo onde pudesse me esconder da realidade e dificuldades da realidade. Então eu inventei esse mundo junto com o meu tio, ele é um escritor famoso, que depois de um tempo sumiu. Criamos tudo: desde criaturas pequenas até criaturas colossais; cada campo verdejante até o mais profundo de cavernas. E depois de criado, eu sonhava. Sonhava com um lugar lindo, onde tudo era calmo e tranqüilo, e fugia pra lá quando a realidade batia forte demais, mas no meu maior momento de dificuldades, lembrei que algo assim não era bom, fugir da realidade e ser feliz é algo que eu não tenho direito... É como se a ilusão pra qual eu fujo é como uma casa, feita de tijolos por fora, e por dentro só houvesse coisas feitas de vidro, e a realidade fosse como uma mão que quebra essa casa que parecia segura pra me proteger. Então eu pensava em um herói, alguém que pudesse me salvar de qualquer problema desse mundo, ou até mesmo do outro...

“Mas como assim desse mundo?” - Marcos interrompe ela, então ela continua.

- Durante anos de pesquisa, dois cientistas descobriram que quando uma pessoa dorme, o cérebro cria um tipo de armadilha que nos prende dentro de um mundo onde tudo é do jeito que a gente espera, onde tudo dá certo, porque lá é o nosso “mundo perfeito”. Mas descobriram também que isso pode ser uma coisa ruim, já que o cérebro humano é muito capaz de nos prender nessa armadilha enquanto dormimos. Uma pessoa em coma, por exemplo, pode escapar para um mundo alternativo criado pelo cérebro para não sentir a dor do que acontece com o corpo real. E esse mundo é onde a gente está pisando nesse momento. Meu tio havia feito com que esse mundo passasse a existir, então ele fez uma máquina que deveria apenas “pegar” a mente das pessoas e nos trazer pra cá, mas acabou nos transportando por inteiro.

Marcos – Então você me conhece?

Tabitha – Desde pequena, eu consigo sonhar com o futuro. TUDO que eu sonho acontece, mesmo que seja alguma coisa que eu queira, ou algo que não. Pode parecer meio ilógico, mas é como um déjà vu. Eu sonho com o acontecimento, sinto na pele como seria se fosse realidade, e de alguma forma acontece. E nesses dias, eu havia brigado com os meus pais, eles não aprovavam que eu viajasse para a Alemanha, não por questão do dinheiro, mas por ser longe, então eu comecei a chorar depois da briga, e como sempre, eu queria esquecer tudo. Então eu fugi para o meu mundo imaginário, e nisso eu sonhei com um garoto de cabelos brancos, corajoso, que não se importaria de ajudar os outros independentemente da situação. No outro dia eu acordei aqui, um mundo vazio. Caída em uma armadilha criada por mim mesma, sem ninguém conhecido, nem nada do tipo. Não lembrava muita coisa, só que tinha que procurar alguém. Pouco a pouco, pessoas apareciam para tentar me matar. Pessoas com poderes mágicos, mas eu não sabia nem mesmo quem eu era, ou que lugar é esse, então eu lembrei: o meu mundo, os meus problemas, os meus pais... Então eu comecei a procurar você, mas tudo que eu encontrava eram pessoas que só queriam o meu mal, e eu não podia fugir daqui, então decidi procurar você. Fui acolhida por um casal de senhores, mas essa casa foi incendiada por um jovem de cabelos meio azulados, ele disse que eu não pertencia a esse mundo... Então eu percebi: meu tio havia tirado o mundo de dentro da minha cabeça e tinha o feito real. Ele tornou algo que era meramente ilustrativo verdade.

Marcos – Eu encontrei esse cara, ele meio que controla o fogo e gelo ao mesmo tempo, e ambos residem no seu corpo, mas isso não faz sentido. O Fogo naturalmente acabaria com o gelo, e o gelo derreteria. Mas com ele não...

Tabitha – Essa questão de poderes tem uma longa história. Séculos atrás, nesse mundo, houve uma guerra entre os deuses, cada um em seu respectivo trono. Porém, haviam deuses que se relacionavam com outros que não eram da mesma espécie, e por meio disso, nasciam espíritos divinos, que não eram como semi-deuses, eram mais fortes. Em épocas de guerra, os deuses concediam seus poderes para escolhidos, mas espíritos com mais de um elemento dentro do seu corpo não poderiam fazê-lo, pois uma hora ou outra, o corpo do humano (agora transformado em semi-deus com os poderes) seria destruído. Uma energia “lutaria” contra a outra, mas ambos morreriam, incluindo o recipiente. Mesmo fugindo ás regras, havia espíritos que concediam seus poderes e criavam pessoas com forte espírito de luta, mas de mente fraca, que na maior parte do tempo se recusaram a perder seu tempo com pessoas fracas na guerra, então eles eram renegados, os chamados “Anjos caídos”. Esses, por outro lado, lutam com qualquer pessoa que encontram para tomar os seus poderes, assim aumentando seus poderes e se vingando dos Deuses por terem sido renegados pelo próprio criador. As trevas eram um caso especial, elas não escolhiam os humanos, e sim lançava o seu poder á própria sorte. Quem fosse bravo o suficiente, ela se apoderaria do corpo do mesmo, controlando-o, mas as trevas foram extintas depois que um homem havia conseguido um poder das trevas de tamanho imensurável, e começou a absorver qualquer tipo de energia, sendo trevas ou não, então aos escolhidos de cada tribo era concedido aproximadamente 1/8 do poder divino, suficiente para tentar aprisionar esse “rebelde”, e por 500 anos ele foi transformado em uma pedra grande que lacra uma caverna pelo lado de dentro. Os deuses mudam a localização dessa pedra a cada dia, para uma das 300 cavernas desse mundo. A cada 500 anos, ele retorna para espalhar o terror e apoderar-se ainda mais do poder dos outros, e assim tentar ser um deus supremo, então surgem novos espíritos que lutam entre si, e o mais forte pode selar esse jovem de novo. Atualmente, 13 pessoas se tornaram “Anjos caídos”, sendo um deles o que incendiou a minha casa, aquele que você viu mais cedo. Dia após dia eu tenho te procurado, e mesmo agora... – ela olha pro céu, e uma lágrima cai de seu rosto – eu te encontrei...

Marcos – Bom... Eu não sei qual imagem é essa que você tem de mim, mas eu vou tentar te ajudar, principalmente porque você é a única pessoa que “me conhece”; sendo assim, me aproximando de você eu posso sair daqui, certo?

Ela abre a boca, e assim que ela tenta falar algo, uma bola de fogo passa do lado do rosto dela. O jovem havia voltado, dessa vez ele vem com uma aura assassina muito maior que antes. Ele atira outra fusão de fogo e gelo em direção a eles. Marcos fica sem reação, vendo o poder vindo.

ALEKTOS! – Grita Tabitha. Ela faz um movimento reto de cima pra baixo com as mãos, e aos lados, então uma barreira é criada.

Tabitha – Eu explico mais tarde, agora temos que correr!

Ele atira uma faísca em cima deles. Assim que ela cai em uma árvore, faz uma explosão. Tabitha consegue defendê-los envolvendo-os em uma esfera de proteção. O jovem lança mais “faíscas”, que vão causando explosões, uma a uma. Enquanto isso, Marcos começa a pensar:

-“Porque? Porque eu? Porque isso está acontecendo? Porque ele está nos atacando? Porque? Porque? PORQUE??”. Ele começa a sentir medo, mas não sabe ao certo do que. Talvez sua vida realmente estivesse em perigo, mesmo sendo algo de sua mente...

Enquanto corriam, eles caem em um buraco. Eles rolam por dentro de um buraco envoltos na proteção de Tabitha. Quando eles chegam perto do chão, ela desfaz a barreira, fazendo eles caírem no chão. Assim que Marcos chega ao chão, ela cai em cima dele. Mesmo dentro do buraco, ainda assim são atacados, mas ele não chega a entrar no buraco.

Eles andam pela caverna, e vai ficando cada vez mais escuro. A pouca iluminação que era possível ver era pelo buraco que eles caíram. Tabitha faz uma esfera de luz não muito grande, mas o suficiente pra iluminar o caminho.

Eles começam a andar pela caverna, mas não parecia ter nada de mais. Pelo que parece, foi uma caverna mal-planejada do tio de Tabitha e por ela.

Tabitha – Bom... Parece que vamos ter que encontrar a saída desse lugar, apesar de que eu não me lembro de cor todas as cavernas que criei, então isso vai ficar um pouco complicado...

Marcos percebe que ainda estava com seu fone, então começa a ouvir música, enquanto ela fala algumas coisas que não pareciam muito importantes. Não prestando atenção no caminho, ele segue por outro lado. Assim que ela o percebe seguindo outra direção, ela corre atrás dele, e assim que vê ele está escorregando por um desfiladeiro de pedras. Ele desce ainda mais fundo na caverna, até que ele consegue parar com as mãos, apesar de estar preso apenas com uma mão, e a outra não consegue se mexer muito bem. Assim que ele tenta levantar o braço direito, o esquerdo se solta e ele começa a cair. “É um buraco realmente grande. Qual será o tamanho dessa caverna?” – Pensa ele. Assim que ele percebe, cai em cima de uma pedra. Então um feixe de luz ilumina a pedra, fazendo ela ficar num tom mais claro. Ele observa ela, e pensa “Uau, realmente grande. Se a luz bate por aqui, devo estar próximo da saída...”, Mas por mais que queira sair logo da caverna, ele não consegue deixar a pedra lá, sem tentar alguma coisa. Ele começa a olhar, encara e... Com um pouco de receio, coloca a mão direita na pedra. Nada acontece, então ele dá meia volta. Assim que dá o primeiro passo, ele percebe! Um peso, uma dor no coração, ele parece agora feito de pedra, como se ele estivesse prestes a chorar. Um aperto no coração, então ele escuta um rugido que ecoa pela caverna inteira.

Tabitha – Droga! Espero que não seja o que eu penso que é... Senão aí sim estamos em más condições.

Marcos – Mas que diabos de som é esse? É ensurdecedor, vou enlouquecer se continuar desse jeito!

De repente, o chão começa a sacudir, mas nada muito grave. De repente ele desmaia. Tabitha o encontra caído no chão, pouco depois. Ela fica preocupada, ele não parecia estar respirando.

Tabitha – Marcos! Marcos acorda! Marcos! Por favor... ela começa a chorarPor... Favor... Eu já perdi tudo da minha vida, você também não...

Ela espera encostada em uma pedra. Pouco depois ela decide sentar, e ver qual a reação que ele vai ter. Depois de uma hora mais ou menos ele acorda, confuso com tudo o que aconteceu... Ele olha pra Tabitha, ela está dormindo, e vê lágrimas saindo dos olhos dela.

Tabitha – Marcos, por favor... Eu... – Ela começa a relutar enquanto sonha. Parecia que estava tendo um pesadelo. Ele tenta enxugar as lágrimas dela, mas ela acorda. Ela olha pra pedra e não vê ninguém, então ela olha para o lado e percebe ele. Ela segura as mãos dele – Temos que correr daqui o mais rápido possível. Parece que... Algo muito ruim vai acontecer. O passado voltou para atormentar aqueles do presente!

Ele se lembra da história dela, mas não acredita. Ele ainda sente seu coração pesando, então decide olhar para a rocha. Ela não estava mais lá, só havia uma poeira colorida no ar. Estranho...

Tabitha – Pelo que parece, aquele “rebelde” voltou... Ele não deve ter acordado sozinho. Não é possível, os livros disseram, ele vai voltar quando “Aquele que veio dos céus vai liberar o selo, e então a guerra se iniciará de novo. Mesmo assim, as trevas não irão resistir, e vão se esconder novamente...”

Quanto mais próximos da saída, mais quente fica. Ao mesmo tempo, o chão era coberto por gelo, o que era estranho. Se é um tipo de gelo que não se esquenta no meio desse calor todo, enquanto nós estamos quase derretendo, isso só pode significar que...

Polar Fury!

Vê-se uma explosão de fogo acontecendo, e ao mesmo tempo fragmentos de gelo e fogo se espalham pelo cenário. “Ele” voltou. Estamos perdidos, ele vai realmente nos matar agora.

Tabitha – Você!

?? – Você não achou realmente que eu iria deixar uma portadora da luz escapar tão facilmente das minhas mãos, né? Ainda mais depois do que o seu povo causou para nós, renegados.

Tabitha – Eu não tenho nada a ver com vocês, ou até mesmo com eles. Essa luta não é minha, ela não faz sentido!

Marcos olha para Tabitha, ela realmente parecia preocupada com isso. Ela estava escondendo alguma coisa do passado dela...

?? – Não brinca comigo garota, você não sabe do que eu realmente sou capaz de fazer com você!

Ele começa a correr em círculos em volta dos dois; era uma velocidade inimaginável. “Ele não é humano, não é possível! Quem é ele? O que ele quer conosco?” – Pensa Marcos.

Assim que percebe, eles estavam envoltos em um tufão de fogo e gelo. Cada vez mais ele acelera, e vê-se um símbolo mágico em seus pés a cada volta. O homem para, e mesmo assim o tufão continua. Ele estala os dedos. *Puf* - Ocorre uma explosão no meio do tufão. De repente Marcos e Tabitha voam para cima e são arremessados longe.

?? – Ora ora, que inesperado. Depois de uma explosão dessas, o mínimo que poderia ter acontecido é os corpos de vocês dois terem sido desmembrados. Mas tudo bem, nada que...

Ele olha para Marcos, e vê que as partes do corpo dele estavam envoltas por manchas escuras roxas e pretas. Ele olha com um olhar de desconfiança e pensa “Não pode ser ELE. Não dentro do corpo de alguém tão fraco...”

Marcos se levanta, exausto de ter recebido um golpe desse nível, mas nada que o impedisse de se levantar a duras custas. Ele olha para Tabitha, e percebe a situação que eles estão: Alguém querendo matar eles apenas por poder. Ele se levanta.

Marcos – Tudo bem você me bater. Uma vez, duas vezes, até três. Mas não ouse encostar as mãos nela. Ainda mais essas mãos sujas de sangue e impurezas!

Ele fica com uma aura escura, o ar fica pesado, e o céu se fecha só onde eles estão. Tabitha ainda está inconsciente no chão. Marcos olha aquilo e fica com raiva. Não só isso, um desejo assassino maior que qualquer outro sentimento que ele já teve na vida. Os olhos dele mudam. Eles ficam vermelho, vermelho sangue. A visão começa a embaçar pra ele, então ele cai no chão de joelhos.

?? – Pff... Era só isso? Palavras? Uma ameaça vindo de VOCÊ, que mal ficar em pé consegue? É uma brincadeira, certo? Não quero que levem para o lado pessoal, mas eu tenho que matar vocês.

Ele faz caco de gelo com a ponta dos dedos. Assim que ele começa a se mover, Marcos ainda de joelhos bate com as mãos no chão com raiva.

Marcos – Não! Não se atreva a encostar um dedo nela! Senão o seu problema vai ser comigo! – Ele está possesso, o sentimento de raiva cresce cada vez mais. O jovem olha pra ele com olhar de pena. Um enorme círculo mágico das trevas se forma embaixo de Marcos. O jovem apenas observa o que vai acontecer. Marcos começa a mudar, ele aumenta o tamanho. Fica do tamanho de um urso. Não... Algo maior, com dentes grandes, e um tipo de zíper na ponta da boca. Uma criatura preta e roxa com mãos ridiculamente grandes, corpo gigantesco. “É agora! “Ele” acordou. É hora da vingança! Você será o primeiro a sentir a fúria “dEle”!”