Heart Challenges

35 Mudança Drástica


Notas iniciais
E aí meus lindinhos? Espero que gostem.

LOKI

— QUE RAIVA. QUE RAIVA. QUE RAIVA.— Digo, com a merda do ferro inútil da barraca na mão, batendo ele no chão, o destruindo.

— Está tudo bem?— Ouço a voz calma de Bruce me perguntar, com delicadeza.

CLARO QUE ESTÁ BEM, SEU OTÁRIO. TUDO TÃO BEM QUE RESOLVI QUEBRAR A BARRACA DE TANTA FELICIDADE.

IDIOTA.

— O que você acha?— Me limito a dizer, de forma rude.

Ainda não entendi o por quê de Tony ter trazido ele. Na verdade eu não tô entendendo mais nada. Em um dia eu tava em casa, transando com meu irmão adotivo loiro gostoso, e no outro eu estava em New York pro enterro do meu tio, que a propósito cheguei atrasado. Depois eu descubro que ele foi assinado. Aí começam atentados contra meus primos idiotas, que estão namorando, aí eu descubro que foi o ex namorado do Steve, mas depois não foi o ex namorado do Steve, fui eu supostamente, já que Tony me usou de saco de pancadas enquanto me acusava. Então em menos de uma hora depois Steve está em perigo, viro fugitivo da polícia, e Tony está se engolindo com o ex do Steve. E onde eu entro nisso tudo? Sou o idiota que vai acabar morto por tentar ajudar a família pelo menos uma vez na vida.

Tento mais uma vez montar minha barraca, mas essa desgraça não tá funcionando.

NÃO TEM COMO. É IMPOSSÍVEL. DIABO. AHHHHHHHHHHH.

Volto a bater outro ferro, dessa vez em uma árvore, com raiva.

— Eh... Lamento dizer, mas você já destruiu toda a estrutura da barraca.— Bruce diz, com calma.

COMO ELE CONSEGUE TER TANTA CALMA? SERÁ QUE ELE VAI TER ESSA CALMA TODA QUANDO EU ACERTAR ESSE FERRO NA BOCA DELE E JOGAR OS DENTES DELE LONGE?

— Então vou ter que dormir ao relento igual os dois retardados ali?— Digo, apontando para Tony e Bucky, deitados juntos na grama, olhando o céu enquanto conversam.

Idiotas. Quero ver como vão fazer com a coceira que vai dar neles depois.

— Bom, na verdade não, já que eles tem uma barraca e você não.— Ele diz, de forma leve.

Olho para ele de forma ameaçadora.

Não está ajudando. Nem um pouquinho.

Filho da puta.

— Obrigado por me lembrar desse detalhe. Muito obrigado.— Digo, sarcástico, e então me abaixo, tentando dar um jeito na minha barraca.

— Pode dormir na minha, se quiser.— Ele diz e então o olho.

O homem está vermelho, como se tivesse treze anos e estivesse chamando a garota popular para sair.

Estreito os olhos, o olhando de forma ameaçadora.

—É que... Bom... A minha barraca é de quatro pessoas, o que na verdade cabe duas, nunca entendi isso nas barracas. Acontece que o Sr. Stark comprou as nossas barracas todas assim. E ele só comprou três para nós...

— Como assim ele só comprou três?— Pergunto.

— Pelo que parece ele e o Barnes vão dormir juntos.

E lá se vai meu plano de pedir pra dormir com o Tony. Ou de falar pra eles dormirem juntos e me darem uma das barracas deles.

— Eu me viro. — Digo, dando as costas para ele e indo até onde os motoqueiros estão fazendo o jantar.

Ao menos cheia bem.

Não que eu tenha algo contra o garoto. Só sou orgulho demais pra admitir que preciso dele. Eu posso me virar.

Tony comprou sacos de dormir e cobertores. Assim podemos dormir sobre os sacos, e nos cobrir com os cobertores. Dessa forma ficamos mais confortáveis.

Vejo que um dos caras está com um jovem sentado em sua perna. O motoqueiro em questão não parece ser velho. Deve ter uns trinta e dois anos. Só tem barba e cabelo grande. E é muito forte e grande. Já o garoto em seu colo parece ter uns vinte e cinco, ou vinte e seis. Ele tem os cabelos na altura da nuca, mas não tem barba. Suas roupas são simples, e ao mesmo tempo se assemelham ao estilo punk dos caras. O motoqueiro abraça o garoto pela cintura e beija seus cabelos como uma menininha com uma boneca nova, daquelas que tem cheirinho de morango.

Olho mais uma vez para trás e vejo que agora Tony está deitado sobre o peito de Bucky.

Isso é muito estranho. Muito mesmo. Mas sou só um simples mortal. Não consigo entender a cabeça do bebê Stark.

—O jantar está pronto.—O homem que está cozinhando anuncia, e um outro se aproxima dele, com uma pilha de tigelas. Ele as segura enquanto o cozinheiro as enche e então o homem das tigelas vai entregando as cheia para quem se aproxima.

—EI. GAROTOS. VENHAM COMER.— Um dos caras grita para Tony e Bucky.

— Peguei pra você.— Levanto os olhos e vejo Bruce parado na minha frente, com duas tigelas em mãos.

Pego a tigela da mão dele sem dizer nada e começo a comer.

Bruce se senta ao meu lado e faz o mesmo que eu. Pelo menos tá calado também.

— Qual o problema de vocês?— Tony pergunta, se sentado do meu lado com uma tigela, e Bucky se senta ao lado dele.

— Por que tem que ter um problema?— Pergunto.

— Porque você tá aí com essa cara de cu, parecendo que alguém pisou nas suas bolas. Sorria. Estamos acampando.

— Olha, eu não queria estar aqui. Okay? Não queria estar em uma droga de acampamento, ou fugindo da polícia. Eu queria estar em casa com o meu irmão. — Digo com raiva.

— Então por que está aqui? Não te obrigue a vir junto. Nem se quer pedi pra você vir. Eu avisei que não seria fácil, então larga de encher o saco e aproveita enquanto ainda tá vivo.— Tony fala de forma rude e se levanta.

— Tony...— Bucky o chama e vai atrás.

São grudados um no outro agora, é? Coisa chata.

— Perdi a fome.— Digo, deixando a tigela no tronco onde eu estava sentado e vou para onde estão minhas coisas.

Eu planejava colocar meu saco de dormir sobre a lona da barraca, e dormir ali mesmo. No entanto quando chego em minhas coisas vejo que o vento acabou levando a lona.

— MAS QUE INFERNO.— Grito e dou um chute em uma árvore, gritando de dor logo em seguida.

Que maravilha. Eu vou morrer. E essa pode ser minha última noite de sono, e será HORRÍVEL.


[...]

Todos já haviam ido dormir, e eu queria muito conseguir dormir. Mas não consigo. Está muito frio. Muito mesmo. Estou congelando, e não posso deixar de imaginar o quão quentinhos Tony e Bucky estão.

—L-Loki.— Escuto alguém me chamando, bem baixinho, e então me viro e vejo Bruce de pé, ao meu lado, enrolado em um cobertor.

—O que você quer?— Pergunto de forma ríspida.

— Você vai congelar aqui fora. V-vem pra barraca.— Ele diz, parecendo meio nervoso.

Não entendo por que ele insiste em querer me ajudar. Ele é lesado, ou alguma coisa do tipo?

Quer saber? Não me interessa. Eu não pretendo morrer congelado.

Me levanto, pegando minhas coisas e vou para a barraca dele, o deixando para trás.

Coloco meu saco de dormir ao lado do dele. Percebo que ele usou um de seus cobertores para cobrir o chão da barraca. Garoto esperto. Espera. Por que ele tem dois cobertores e eu só um?

Coloco meu saco de dormir ao lado do dele e me deito, me cobrindo com meu cobertor. No entanto ainda estou com frio. Muito frio.

Bruce entrar na barraca e a fecha. Ele se deita sobre seu saco, e então um silêncio paira no ar.

— Podemos dividir nossos cobertores. Assim ficaremos mais quentinhos.— Bruce diz, reparando que estou tremendo.

Me mantenho em silêncio.

Não entendo o porquê de ele tem que querer tanto me ajudar. Por quê ele se importa?

Eu sou uma pessoa horrível com ele, e ainda assim ele insiste em me ajudar.

Ele se ajoelha e então sinto seu cobertor sobre o meu. Em seguida ele se deita ao meu lado.

Não demora muito para que a respiração de Bruce fique calma, e ele acabe dormindo.

Eu queria dormir. De verdade. Mas não consigo. Não posso parar de pensar que estamos caminhando para uma morte certa. Eu mentiria se dissesse que não estou com medo. Se dissesse que não tenho medo da morte, ou do que irão fazer comigo.

Inevitavelmente acabo me lembrando de Tony e Bucky. Agora sei o que eles estavam fazendo. Bucky estava consolando Tony. O estava dando segurança. Mostrando a ele que não está sozinho.

Eu queria isso. Queria alguém para cuidar de mim. Alguém que me desse segurança.

Eu sempre fui a ovelha negra. O problema. Não sou meu irmão. Não sou a pessoa que todos amam e cuidam. É estranho como Steve lembra tanto Thor. Até na forma de ser amado. Estou aqui, junto com dois homens que estão prontos para morrer por ele sem pensar duas vezes. Eu jamais tive isso.

Olho para o lado, onde sei que Bruce está. Não posso vê-lo, pois está muito escuro, mas posso ouvir seu ronco leve.

Não sei quanto tempo fico "olhando ele", mas quando o sono começa a chegar de forma que não posso resistir, a única coisa que faço é segurar sua mão, e então acabo dormindo. Me sentindo ao menos um pouco melhor.