Heart By Heart
7 Henry
Notas iniciais
Em um hotel barato, mas limpo, de Fells Church, depois de uma longa viagem...
–TONY! Temos que ir AGORA! – Victoria disse, irritada. Como assim Antony queria dormir ao invés de ir logo atrás da Blair? Isso definitivamente não está certo.
–Pelo amor de Deus, Tori. Eu fiquei horas dirigindo um carro. Preciso descansar um pouco. Além disso, são oito da manhã de uma quarta-feira. A garota deve estar na escola, em alguma aula sobre alguma coisa que ela nunca vai utilizar na vida. – Antony reclamou, já jogado na cama de casal, quase dormindo.
Victoria suspirou.
–Você tem razão. Não posso ser precipitada. Tenho que contatá-la na hora certa. Mas eu estou tão ansiosa, sabe? Será que ela é como Sandra, sempre ansiosa e que entra em pânico fácil. Ou que nem Derek, calma, porém ágil? Eu fico tão nervosa, porque na última vez que eu a vi ela era um bebê de menos de um dia. Entende como eu me sinto? – Victoria esperou uma resposta, mas nada recebeu. Quando olhou para o marido, viu que ele estava em sono profundo.
Victoria sorriu e suspirou. Deu um selinho nos lábios entreabertos do marido e deitou-se ao seu lado. Automaticamente Antony a abraçou por trás, deixando-a de costas para ele. A bruxa sorriu. Ela podia sentir a respiração leve do marido em sua nuca, que sempre a fazia relaxar. E, antes que percebesse, também estava em sono profundo.
Enquanto isso, em uma sala do único colégio de Ensino Médio de Fells Church...
–Então, vocês só tem que utilizar esta formula substituindo a por... – um professor de mais ou menos 50 anos falava sem parar durante a aula, ensinando a mesma coisa que ensinava a quase 30 anos.
Mas Clary não prestava a mínima atenção. Na verdade, a garota estava dormindo na cadeira, quase roncando. Pra que diabos ela usaria física em qualquer momento da sua vida? Ela se lembrava de uma vez que o professor explicou um assunto e, depois da aula, ela perguntou:
–Professor, quando vamos usar isso na vida real?
O homem olhou para ela por um instante, pensando em uma resposta, depois sorriu e disse:
–No vestibular.
Depois dessa Clary desistiu de física.
Gina olhava a amiga admirada. Clary conseguia dormir em qualquer lugar, a qualquer hora. Sinceramente, Gina até tentou dormir também, mas a cadeira era tão desconfortável que ela desistiu. Quando viu que o professor ia entregar os últimos testes, Gina cutucou Clary.
–O professor vai entregar as notas. – com isso, Clary despertou a tempo do professor não perceber sua soneca. O homem pôs em cima da mesa dela a prova, que estava com um grande A vermelho no topo. A garota não pôde evitar sorrir.
–Quanto você tirou? – Henry, um garoto de cabelo louro, olhos verde escuros e óculos de aro grossos fundo-de-garrafa ainda mais antiquados que os de Clary perguntou. Ele sentava na frente dela, e os dois se conheciam desde sempre.
–Mais um A. E você? – Clary respondeu, realmente curiosa. Desde que entraram no ensino médio os dois competiam para ver quem tirava as maiores notas. Obviamente Clary estava ganhando.
–Droga. Um A-. – Henry resmungou, irritado.
–Pare de reclamar, eu daria tudo para tirar uma nota dessas. – Gina reclamou, irritada, mostrando seu C- para os dois.
–Eu... poderia te ajudar com física, qualquer dia desses. – Henry disse para Gina, aparentemente com naturalidade. Mas as habilidades de magia das emoções de Clary a fez perceber quais eram, realmente, as intenções do amigo.
–Não precisa, Henry! Mas obrigada!
Clary quase teve vontade de estrangular a amiga.
–Henry, posso conversar com você em particular? – Clary perguntou, se levantando.
O garoto olhou confuso para ela, mas a seguiu para o corredor.
–Você gosta da Gina? – a morena perguntou, direta. Henry era meio lerdo para esse tipo de coisa, só perdia para Gina.
–Eu... Bem... – Henry tentou formular uma resposta.
–Eu posso te ajudar a chama-la pra sair.
–Pode? Mas como?
–Eu vou passar na sua casa, as quatro e meia. Você e eu temos um grande trabalho pela frente.
Algumas horas depois, no treino de líderes de torcida...
–Meninas, estão todas liberadas! – Kiera gritou, finalmente terminando o treino extremamente exaustivo. Menos para Clary, que ainda tinha energia de sobra. Vantagens de ser lobisomem.
A garota saiu correndo e entrou no primeiro chuveiro que conseguiu. Precisava de um banho antes de passar na casa de Henry. Lavou o cabelo rapidamente, vestiu uma blusa polo, calça jeans e tênis. Ela estava o mais confortável possível. Secou o cabelo e o prendeu em um rabo-de-cavalo bem feito. Agora estava pronta.
A bruxa se despediu de Kiera, a única líder de torcida minimamente simpática com ela e saiu do banheiro, para dar de cara com James Smith, o capitão do time de lacrosse, um garoto gigantesco, de cabelo preto e olhos verdes como de gatos.
–Blair! Eu estava mesmo te procurando... – James começou, e Clary já podia sentir suas más intenções com a magia. Funcionava como uma espécie de aura, ela meio que via exatamente o que os outros sentiam. Era meio automático, ela não conseguia controlar.
–Cai fora, James. Eu tenho compromisso e eu já disse, eu tenho namorado. – Clary repetiu a mesma mentira que contava sempre para James.
–Ah, é? E onde ele está? – o garoto perguntou, mal humorado.
–Ele mora em Mystic Falls, na cidade da minha prima. Satisfeito? Quer saber, nem me importo. – e com isso, Clary esbarrou de proposito naquele babaca e saiu. Ela estava tão acostumada a contar essa mentira para James que ela já nem se sentia mal por mentir.
Clary foi para casa dela e pegou algumas coisas de que iria precisar. Para a sorte dela, os gêmeos foram dormir na casa de dois amigos da escola. Depois, foi para casa de Henry.
Como a casa de Henry era perto, não demorou muito para Clary chegar.
Quem atendeu a campainha foi Henry.
–Clary, entra.
A garota entrou e disse:
–Preciso ver seu quarto.
Henry a levou até lá e Clary não se surpreendeu quando viu o quarto todo cheio de pôsteres de Star Wars, Star Trek, Harry Potter e super heróis de quadrinhos. É, Gina e Henry se merecem.
–Ok, primeiro vamos dar uma mudada nesse seu visual. – Clary disse, enquanto analisava Henry da cabeça aos pés.
–Mas ela não devia gostar de mim do jeito que eu sou?
–Sim, e ela já gosta. O que você quer agora não é fazer ela gostar de você, é fazer ela se interessar em você. Por isso, mudança no visual. Você tem lentes?
–Tenho, mas não uso.
–Bem, agora você vai começar a usar.
Primeiro Clary deu um jeito no cabelo de Henry, que era todo desgrenhado por falta de pentear, porém liso. Ela cortou em um corte estilo militar e ensinou como arrumá-lo.
–Okay, agora precisamos ver seu guarda roupa. – Clary disse quando se deu por satisfeita com o cabelo do garoto.
O garoto estava usando calças jeans e uma camiseta que dizia “Luke, I’m your father... Now eat your vegetables” e tênis velhos.
A garota olhou para o armário do amigo e suspirou.
–Preciso de um saco bem grande.
Logo que o garoto trouxe, ela começou a pôr as roupas que ele não devia usar em público no saco.
–Não... não... não... não... Pelo amor de Deus, Henry... não... ok... não... – e continuou até que todas as roupas foram vistas.
–Henry, pra que você precisa de dois cosplays de Star Trek e cinco de Star Wars, sendo que um deles é da Princesa Leia?
–Prefiro não responder. – o garoto disse, depois olhou para o guarda roupa.
Só haviam sobrado calças jeans, seus tênis e poucas das suas blusas.
–O que diabos eu vou vestir?
Clary sorriu.
–Seu irmão foi pro exército, não é?
Henry confirmou.
–Você usa o mesmo número que ele?
Duas horas depois, quando Clary terminou de transformar Henry em um cara gato e resolveu ir para casa...
Clary não podia estar mais satisfeita. Todas as meninas provavelmente vão se jogar em cima de Henry antes de o reconhecerem. Vai ser tão divertido!
Estava tão entretida com seus pensamentos que nem percebeu que Elijah estava andando em direção a casa dela, vindo do lado oposto da rua.
–Clary! – ele a chamou sorrindo. Isso foi o que bastou para fazer o humor de Clary melhorar ainda mais.
–Elijah.
–O que acha de sair para tomar uma bebida?
A garota sorriu.
–Eu adoraria.
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