Notas iniciais
Olá, leitores!

Essa é minha primeira fanfic, eu espero que me deem uma chance de mostrar meu trabalho! Escolhi esse casal porque sou apaixonadíssima por Olicity, então minha primeira história tinha que ser deles!

FELICITY SMOAK

Dizem que nos momentos de vida ou morte, nossa vida inteira passa diante de nossos olhos. Cada erro, cada acerto, cada momento em que perdemos o fôlego e em que nosso coração bateu mais acelerado, mas também aqueles que o fizeram parar. Nossas risadas, nossas lágrimas e nossos suspiros, cada alto e baixo, e tudo isso nos atinge de uma única vez como um maremoto feito de emoções e sentimentos antigos, puxando-nos de volta para o mar dentro de nós.

Eu não estava morrendo, mas a cada passo que eu dava eu sentia o maremoto me arrastar um pouco mais, tentando me afogar e obrigando-me a confrontar cada um daqueles momentos. E se havia algo que eu poderia dizer sobre minha vida, é que ela apenas seguia uma linha reta, sem muitas oscilações ou grandes emoções.

Uma vida perfeitamente segura.

Eu nunca arriscava.

Nunca tomava a decisão errada.

Então, por que agora, nesse momento decisivo, eu estava questionando tudo?

Talvez seja apenas o medo da mudança que nos faz repensar cada passo dado e aonde ele nos levou. Ou talvez ansiedade, momentos de decisão sempre me deixavam nervosa e reflexiva.

Mas eu havia feito minha escolha.

A escolha certa.

Meu coração palpitava rapidamente, e em resposta apertei minhas mãos mais forte ao redor do braço do meu pai. Forcei meus olhos a deixarem o tapete vermelho coberto de pétalas brancas e a olharem para frente, e aos meus pés a seguirem o mesmo caminho. Meu noivo me esperava no altar, com seu sorriso cálido e olhos brilhantes e felizes, esperando por mim. Sorri de volta para ele e respirei fundo, lembrando-me de que eu o amava.

Mais um passo. Disse a mim mesma calando meus pensamentos incoerentes e concentrando-me em outras coisas. Como por exemplo na marcha nupcial sendo tocada pela pequena orquestra no canto da igreja... Por que diabos eu havia escolhido essa música tão tradicional?

Merda! Eu havia praguejado dentro de uma igreja? E inferno, eu havia feito isso novamente? Caralho, isso era um maldito ciclo vicioso!

Concentre-se em algo diferente de palavrões, Felicity!

Procurei os rostos das pessoas mais importantes para mim e meu coração se derreteu, acalmando-se um pouco. Minha mãe estava logo na primeira fileira, radiante e orgulhosa em seu vestido dourado, eu podia ver em seus olhos emocionados e cheios de lágrimas porque hoje era um dos dias mais felizes para ela.

Hoje também era o meu.

Era normal estar nervosa, eu apenas queria que tudo desse certo e que fosse perfeito.

Mas se esta era a escolha certa, por que a cada passo dado, a pressão dentro do meu coração aumentava e o mesmo parecia gritar desesperado implorando por algo que eu desconhecia?

Quando percebi eu já havia chegado ao altar e fui obrigada a ignorar aquela questão, e a me concentrar no meu casamento. Entreguei meu buquê a Helena, minha dama de honra e melhor amiga que me olhava com um semblante ligeiramente intrigado.

Recebi um beijo do meu pai sobre minha testa, e então ele me entregava ao meu noivo dizendo-lhe para cuidar bem de mim. Houve muitos suspiros nessa hora. Minha mão foi colocada sobre a do meu noivo e nos colocamos em nossos lugares, um de frente para o outro. Sua mão era grande e quente. Familiar. Confiável. Mãos que já secaram minhas lágrimas tantas vezes, que me ergueram no colo e me giraram no ar no dia em que lhe disse sim. Mãos que tocaram e conheciam meu corpo como nenhuma outra.

Mãos com as quais eu sempre poderia contar, seja para me ajudar a me erguer depois de uma derrota, ou para se entrelaçarem nas minhas e seguir por um caminho desconhecido comigo.

Mas eram mãos que já não se encaixavam perfeitamente nas minhas.

Mãos que talvez já não se pertenciam.

Eu o amo! Me lembrei novamente, me agarrando com mais afinco às palavras ao sentir aquele estranho sentimento tomar mais espaço dentro de mim.

Estamos planejando esse dia há anos e é tudo o que sempre sonhamos.

Olhei para a igreja perfeitamente adornada com vasos e mais vasos de rosas colombianas cor de rosa e crisântemos. Eu passei o último ano escolhendo cada detalhe desse dia, desde as flores à cor do guardanapo, cada música a ser tocada, cada passo do meu casamento estava perfeitamente coreografado e eles me levariam diretamente ao tão almejado felizes para sempre. Eu encomendei meu lindo vestido de princesa rendado e tudo estava perfeitamente como eu imaginara...

Exceto...

Eu.

Eu, era o único ponto errado naquele casamento.

— Eu sinto muito. – foi apenas um murmúrio sem muita força, mas alto o suficiente para que meu noivo segurasse ainda mais forte minha mão na dele.

— Felicity? – apesar da indagação, seus olhos estavam calmos e prontos para pedir um minuto para conversarmos, se era disso o que precisávamos. Sempre tão compassivo e certo de quem éramos. Ele não se importaria em interromper a cerimônia para que tivéssemos uma DR durante o nosso casamento, o que era ridículo considerando que nunca tivemos uma DR por nada.

Éramos perfeitamente perfeitos um para o outro.

Mas eu precisava de tempo. Tempo para respirar. Tempo para gritar.

Precisava trazer algum alívio para o meu coração que estava prestes a explodir se eu continuasse com isso.

— Eu não posso fazer isso conosco. — falei mais alto, meneando a cabeça e puxando minha mão de volta bruscamente, e dessa vez um coro de “ohs” chocados ecoaram pela igreja respondendo a minha declaração.

Olhei para os convidados, todos com seus olhos cravados em mim, ainda espantados com minhas palavras. Minha mãe olhava-me tentando passar tranquilidade, como se dissesse que era normal estar nervosa que tudo ficaria bem se eu apenas devolvesse minha mão ao meu noivo.

E assim o fiz.

Mas não coloquei minha mão sobre a dele para que pudéssemos nos unir no sagrado matrimônio, apenas para devolver o delicado anel que há dois anos ele me dera. Murmurei mais um “sinto muito”, dessa vez, apenas para ele.

Coloquei ambas as mãos sobre a saia do meu vestido e as ergui, lancei um último olhar para meu noivo parado no altar com a boca entreaberta e olhos magoados ainda olhando o solitário na palma de sua mão sem compreender. Desviei o olhar para a porta dupla pela qual eu havia entrado, eu não queria ver a decepção e tristeza no olhar das pessoas quando fizesse o que eu precisava fazer.

E então eu fiz. Eu corri.

Corri como se minha vida dependesse disso. Corri em direção ao desconhecido. Em direção ao errado. E quando finalmente abri as portas, quando me deparei com o ar gelado tão típico do final de ano e com os sons de tráfego e normalidade, eu me permiti respirar fundo sentindo as batidas erráticas do meu coração não mais me oprimirem.

Desci as escadas com um sorriso despretensioso no rosto.

Eu não fazia ideia do que estava fazendo, mas pela primeira vez na minha vida eu me sentia diferente, como se tomar o caminho inesperado não fosse errado e condenável, apenas um novo caminho com novas descobertas.

— Felicity! – escutei meu nome ser gritado e tensão percorreu meu corpo, olhei para trás encarando meu noivo a porta – Por favor, volte! Vamos apenas conversar... – ele dizia enquanto descia as escadas em minha direção, braços abertos prontos para me aceitar. Uma pontada de dor cortou meu coração ao ver que ele estava vindo por mim, mesmo eu tendo-o deixado no altar. Por que ele simplesmente não podia me deixar ir? Ele me amava tanto assim?

Ele estava chegando perto.

Ele iria me abraçar e me lembrar de que ele era uma boa pessoa e não merecia o que eu estava fazendo. Iria dizer que me amava e colocaria juízo em minha cabeça novamente.

Não!

Apenas corri para o meio da rua, só parando quando o som alto da buzina de um carro me fez sobressaltar, espalmando as mãos sobre o capô do carro que por meros centímetros não me atropelara.

— Mas que diabos?! – o motorista me olhou como se eu fosse louca. Pensei em corrigi-lo e dizer para não praguejar em frente a uma igreja, mas tive uma ideia melhor. Com o coração batendo a mil por hora rodeei o carro abrindo a porta do passageiro e me enfiando lá dentro. – O que você pensa...? – me encarou ainda mais perplexo.

— Cala boca e siga. – E para minha surpresa o estranho simplesmente pisou no acelerador enquanto eu me recostei na banco, rindo da minha própria loucura. Eu escutei meu nome ser gritado mais uma vez, mas me fechei ignorando todo o resto, levei ambas as mãos ao meu coração. Descontrolado. Errático. Vivo.

De agora em diante eu só escutaria meu coração.

Notas finais
Estou tão animada e cheia de ideias para essa fanfic, eu espero que vocês também!

Fico no aguardo do feedback de vocês para saber se devo continuar. E também quero saber, alguma teoria? Críticas? Elogios? Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.