Hear me Roar.
8 Capítulo 8
VIII
O coração de César parou. "ELE ME VIU! CLARO QUE ME VIU!". O lobo demônio estava prestes a dar o golpe de misericórdia no tigre gigantesco, quando seus olhos se encontraram. Agora o lobo estava encarando-o, a 60 metros de distância. César ponderou, talvez se não tivesse problemas para ligar a moto, conseguisse fugir a tempo. Olhou para a íngreme descida, pensou que talvez essa fosse uma boa vantagem. Tarde demais. Garras afiadas afundaram-se em seu ombro esquerdo, erguendo-o até a altura dos olhos daquele monstro. Um bafo infernal, exalou da bocarra, que deixara escapar uma risada macabra, entrecortada. Seu sangue escorria pelos dedos da besta, que agora deliciava-se com as gotas, como alguém que lambe os lábios, prestes a comer uma suculenta picanha. César tentou lutar, desferiu dois golpes na direção do rosto do humanoide, sem sorte. O arco de seu braço era curto demais, seus músculos: impotentes, débeis. Sua mente estava vagando em algum lugar, de volta àquela noite em que seu carro derrapou na encosta daquela falésia... GUUURRR! Um urro gutural o afastou de tais pensamentos, sua mente foi sugada outra vez à realidade. Como um rabisco prata numa noite escura, poderosos punhos prateados humanoides desceram sobre a cabeça do lycan-morfo, em cheio, num só movimento fatal. César caiu de joelhos, ensopado em seu sangue e miséria, ante a um enorme Gorila Prateado, que detinha um grande rombo em seu tórax.César estava à beira de um colapso, quando o gorila prateado o agarrou com uma de suas mãos, como se este fosse um brinquedo. Encarou-o profundamente, como se decidisse se o esmagaria ali mesmo ou mais tarde. DROGA! Essa noite estava cada vez mais e mais esquisita, como se ele estivesse lendo alguma série juvenil. Mas não era real, surreal. Mas estava acontecendo... e agora o gorila estava esfregando seu sangue nas feridas de César, que arderam como se estivessem jogando álcool diretamente nelas. O gigantesco ser prateado o empurrou em direção à encosta, onde à luz do luar, o retrovisor de sua Harley o convidava. Assustado, César ainda olhou para trás, apenas para constatar que mais nada havia ali. Passou correndo e tropeçou no braço inerte que haviam lhe atirado sobre a cabeça. Não pensou duas vezes, retirou o celular e as chaves da jaqueta agora surrada e encharcada de sangue, embrulhou o braço com ela, encimou sua Harley e partiu rumo à cidade, rumo às luzes, longe de toda aquela cena macabra.
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