Hear me Roar.
7 Capítulo 7
VII
Hao Ling, observava enquanto três lobi-formes afastaram-se para que o líder pudesse recolher alguns órgãos ainda intactos e guardá-los. Assim que o líder se distraiu, o mais esguio deles, tendo apenas 1.90m, devendo pesar entre 87 e 90kg afastou-se ainda mais virou de costas para a matilha e, coincidentemente, parou à frente de Joaquim. Cinco metros separavam o homem lobo de um Tigre de bengala prateado, de cerca de 6 metros de comprimento, aproximadamente 3 metros de altura, com suas presas de 45 cm, e garras de 30 cm. O jovem lobi-forme estava entretido com suas novas posses, um relógio dourado chamativo e grosso, que ele falhava inutilmente em pôr em seu pulso. Quando finalmente pensou que conseguiria, deixou-o cair ao chão. Abaixou-se para pegá-lo, escutou um sibilo gutural partindo de logo a sua frente, levantou-se na esperança de se defender, mas já era tarde. Com apenas um movimento, o monstruoso tigre prateado, que agora parecia ser um só, com a lua, cravou suas poderosas presas no pescoço do lycan-morfo. O impacto de sua mordida foi tão brutal que decepou o braço direito do humanoide, enquanto sua cabeça rolava preguiçosamente rente ao chão.A matilha foi tomada de assalto, o barulho de ossos se quebrando feitos gravetos e o corpo de seu irmão inerte ao chão deixou-os atordoados. A sede de vingança os compeliu a um ataque, porém, quando fizeram menção à uma investida, um rosnar do líder os fez travarem, e posicionarem-se em seus flancos. Houve um momento de inquietude, onde o colossal Tigre Prateado e o Homem Lobo líder, com sua pelugem rajada em âmbar sangue, ambos com quase 3 metros de altura encararam-se, reconhecendo que nesta noite, finalmente, apenas um deles sobreviveria. O tigre atirou debilmente o braço ainda preso em sua bocarra na direção do trio, num gesto displicente, porém a força fora desproporcional e o braço passara rodopiando sobre suas cabeças, respingando-lhes com o sangue de seu irmão caído e seguindo por sobre a encosta. Os dois lobi-forme enfureceram-se e fizeram menção de partir ao ataque, antes que o líder novamente intervisse, dessa vez com um rosnar mais profundo e sedento por sangue. Seu olhar percorria enfurecido a distância entre os quatro, com a cabeça de seu irmão repousando ante a eles. Entreolharam-se. E, quando voltaram a encarar o Tigre, este esmagou a cabeça do lobo caído com sua pata direita, espalhando-a como uma pasta, ao se misturar com seu próprio sangue e o chorume característico do local. O furor vingativo desta vez foi avassalador e ambos os lycan-morfos pularam sobre o tigre ao mesmo tempo, ladeando-o, antes mesmo que o líder pudesse fazer qualquer menção a impedi-los. Enquanto estavam ao ar, o tigre agarrou o da esquerda com uma de suas poderosas patas e com um só movimento o jogou ao chão, como se fosse uma mosca sendo abatida. O lobo da direita conseguiu retirar o seu irmão antes que o tigre infernal pudesse empalá-lo com suas garras, mas não sem um sacrifício. Ao fazer isso, ficou próximo demais das poderosas presas do tigre que, em um só movimento, decapitou-o.Neste momento, embriagado pelo frenesi assassino, o Tigre Prateado hesitou, enquanto saboreava o férreo sabor do sangue de mais um lobi-forme caído. Como um raio, num só amplo movimento, o homem-lobo recém salvo investiu contra o pescoço do Tigre, esmagando-o e forçando-o para baixo, posicionando de forma que a potentes garras agora eram inúteis. Por momentos a luta foi acirrada, quando o Lobo Líder, rajado de sangue, em um movimento mortal, alcançou o ventre do Tigre e por sua lateral perfurou suas costelas, enfiando até o antebraço dentro da caixa torácica do felino, que agora, com um urro, via suas forças se esvaírem. O tigre pendeu para o lado esquerdo, onde seu pescoço era puxado, no entanto, num vislumbre de consciência, rolou lateralmente, fazendo com que, no movimento, o seu estrangulador cedesse sobre o seu imenso peso, e com o bater de suas ágeis patas, agora estivesse em sua boca sendo fatiado em dois.Joaquim sabia que lhe restava pouco tempo, e o seu principal alvo ainda não havia nem sequer sido arranhado. Em um movimento tipicamente felino, o imenso Tigre de Bengala prateado, pôs-se em posição de ataque, com sua pelugem em riste, presas e garras à mostra. Seus olhos prateados brilhavam e refletiam a luz do luar, que, morbidamente acenava em um tom vermelho. O Lycan-morfo âmbar agora ofegava freneticamente, em uma posição que vagamente lembrava à um boxeador, pronto para o embate. Presa e predador se confundiam neste local, a morte gritava em todos os lados, com seu odor característico misturando-se ao sangue e chorume. Num intervalo cardíaco, sem avisar, ambos saltaram de encontro. O tigre era maior e mais forte, indiscutivelmente, mas o lycan-morfo era mais ágil. Digladiaram-se entre rosnados e urros, por minutos, o lycan-morfo fugindo bem de todas as patadas mortíferas, e revidando sem nenhuma efetividade. Por fim, o tigre acusou o golpe. Já havia perdido muito sangue em sua ferida aberta, e agora mancava. Aproveitando-se dessa fraqueza, o lobi-forme rajado em âmbar fintou-o e novamente conseguiu acertar sua ferida aberta, o tigre ladeou e tombou. Regozijando-se de seu feito, tomado pelo ódio das mortes de seus irmãos, o lycan-morfo posicionou-se de forma a estrangular com os pés o seu oponente abatido. Mas essa morte seria indolor demais, essa besta que o caçara por anos deveria sofrer. O lycan-morfo abaixou-se, mãos em lança, mirando o coração do tigre, incapaz de defender-se. Neste instante, os olhos do lobo viram algo que o deixara bem curioso.
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