Healing Scars
1 First Chapter.
Notas iniciais
Kimberly Wesley, 17 anos.
* FlashBack On * — 09/02/12
https://www.youtube.com/watch?v=JdmgmdrUJg0
Estava a mexer na minha roupa, à procura de um fio de ouro, oferecido pela minha mãe. Fazia parte do meu coração, porque era das poucas coisas materiais que ela me tinha deixado. Nele trazia uma mensagem "Estarás entre os demais, desse mundo tu já não sais." Nunca tinha percebido tal mensagem, e nem mesmo a minha melhor amiga Samantha que tinha cérebro para coisas desse género, misteriosas. Enquanto revirava o meu quarto de pernas para o ar, mexia nas minhas cartas para os meus pais, cartas que escrevia uma todos os dias desde a sua partida. Entalei o dedo. Corri até à casa de banho e apertei o dedo passando um pouco de água para ver se a dor pior passava. Chamei a Samantha que estava no andar de baixo e pedi que fosse ver o que estava no meio dos papeis. Eu observava cada passo que ela dava em direção à gaveta onde eu me tinha magoado e assim que ela colocou lá a mão pegou no fio. Eu olhei para ele e vi que estava partido. O pendente tinha se soltado e os vidros que protegiam a mensagem tinham-se se partido de igual forma. Por impulso as lágrimas começaram a escorrer pela minha face. Irritei-me tanto que mandei um murro no vidro da casa de banho. Aí sim, cortei a minha mão por culpa da força com que tinha partido o vidro.
- Tem calma Kim. Ele arranja-se. — Samantha aproximou-se de mim e limpou-me as feridas. Acabei por me deitar na minha cama e adormecer durante algumas horas. Quando acordei Samantha não estava em casa, peguei na minha mala e saí para ir andar por Bradford. Era completamente diferente de Londres. Nasci lá sabem? Vim para cá aos 9 anos. E conheci a Samantha nesse mesmo ano. Bradford, encanta-me de uma forma completamente diferente. Parece ter segredos ainda por descobrir.
Enquanto andava por ai, com os meus fones nos ouvidos e sussurrando a minha música preferida, ia também observando as pessoas e os animais. Tudo ao pormenor. A minha ligadura via-se a milhas, visto que o corte tinha sido enorme. Enquanto caminhava a frente de um banco, um rapaz passou, olhando para mim de uma forma estranha. Virando a sua cabeça à medida que avançava. Era moreno, cachos castanhos e olhos verdes. Trazia uma t-shirt preta e umas calças de ganga escuras. Eu arrepiei-me e desviei o olhar. Continuei caminhando até que me fartei e voltei para casa. Pousei a minha mala e dirigi-me à sala sentando-me logo no sofá e peguei nos meus cadernos com desenhos e comecei a desenhar o que tinha visto naquele mesmo dia, incluindo o rapaz. Há anos que sentia necessidade de o fazer. Para não me esquecer de uma única cara, animal, um mínimo pormenor da natureza ou da vida humana.
Ouvi um estrondo vindo do andar de cima. Como já era de noite sobressaltei-me e peguei na primeira coisa dura que vi, e dirigi-me ao andar dos quartos. Quando cheguei ao meu, a janela estava aberta. Fui até lá e fechei-a. Quando olhei para a minha estante de livros, que era imensa, faltava o meu livro preferido. "Witches and Imortals". Era um livro com cerca de 500 páginas e contava uma história lindíssima. Ainda não o tinha terminado de ler. O livro tinha cerca de 700 anos, segundo a minha mãe passou de geração em geração. O meu coração acelerou de um momento para o outro quando ouvi um barulho vindo da entrada. Mas acalmei-me ao ouvir os gritos de Samantha. — Cheguei. — gritava ela.
* FlashBack Off *
04/02/13
Foi há pouco menos de um ano que o meu livro desapareceu e tenho vindo a sentir vibrações estranhas e tonturas que há alguns dias para cá, têm vindo a piorar. Eu e a Samantha estávamos a chegar agora a escola, o último ano dela no liceu e o meu penúltimo. Estacionamos no parque do liceu e separamos-nos, cada uma para a sua sala. Eu segui humanidades e a Samantha o desporto. Digamos que éramos completamente diferentes uma da outra, mas era isso que nos unia. Quando cheguei à minha sala da ultima aula, o rapaz moreno que tinha visto no parque estava sentado no fundo da sala. Eu tentei não me sentar ao pé dele mas já todos tinham praticamente escolhido os seus lugares, obrigando-me a sentar na cadeira mesmo do lado da dele. Achei estranha a sua presença.
- Oi, este está ocupado ? — eu disse apontando para a mesa, e recebendo um não como resposta. Fez com que eu me senta-se. O professor de História entrou e começou balbuciando algumas palavras, sem ninguém conseguir perceber. Quando acabou de dizer o quer que ele estava dizendo, começou a fazer a chamada.
- Bem... pelos vistos temos um aluno novo. Queira apresentar-se Sr.Styles.
Fale com o autor