Healing
1 Capítulo Único
Notas iniciais
"The world breaks everyone and afterward many are strong in the broken places." — Ernest Hemingway
HEALING
Draco Malfoy é sobreposto pelo entusiasmo a sua volta. Seus dezenove anos preenchidos pelo êxtase, dos fogos de artifício, das comemorações a plenos pulmões e da felicidade que, de uma forma ou outra, o envolve. Este ano, decidiu, relutantemente, comparecer à festa da véspera de Ano Novo na Toca. É 1999 e logo será o começo de uma nova década.
São dois anos depois da Batalha de Hogwarts e dois anos depois da guerra em que ele se encontrou emaranhado. São dois anos em que a marca arde, pois Draco põe esforço em esfregar seu antebraço diante de nervosismo. São dois anos de perdão e dois anos de ansiedade, dois anos de desculpas murmuradas porque, ele conta nos dedos, fazem dois anos que é difícil encarar alguém nos olhos. Ninguém o culpa, ninguém culpa as crianças que foram arrastadas pelos erros, são apenas olhares entristecidos e sorrisos que se formam amargurados, porquê, parece, são dois anos em que estão em luto. O mundo mágico ainda tenta se reerguer e ele tenta resistir ao pensamento de que é pra melhor tudo ficar em ruínas.
Draco culpa seu pai. Ele não luta contra esse pensamento, ele não luta contra a consternação da memória da última vez que se viram. Ele remói o julgamento do seu pai e, dessa vez, ele luta, contra os gritos presos em sua garganta porque eles soltaram-no de novo. A mansão Malfoy é dele e todos os vestígios de Lucius estão lá, e são as lágrimas de sua mãe e o desalento da estádia dos Comensais da Morte em ’98. É o olhar vazio da sua mãe e ela, também, está tentando se reerguer e, dessa vez, ele ajuda ela e se põe ao seu lado.
Draco destrói a sua sala de jantar. São Bombardas e são Reductos em seguida Reparos e os elfos mágicos se mantém longe quando ele está assim, porque encarar um garoto (ele é um garoto) destruir a mesma cadeira e o mesmo lugar e o mesmo candelabro é simplesmente triste. É trágico o estado dele e ele sabe que todos sabem.
Seu reerguimento é diferente de todos, porque ele tem a herança da sua tia (ela é a tia dele) e a fortuna dos seus pais, e talvez ter tantos parentes mortos não seja tão ruim. Não tão ruim quanto eles, relembra. Porque é Rabastan e é Rodolphus e é Bellatrix, Lucius e tantos outros, porque quem diria que a guerra tomaria deles também. Se o seu pai e seus tios vissem ele, rico o bastante para tantas outras gerações se aproveitarem disso, e todo o ouro deles em suas mãos, eles achariam esse um destino pior que a morte.
(Eles estão mortos de qualquer maneira, e esse pensamento, diferente dos outros, traz calmaria e ele acha que é a primeira vez que respira em muito tempo.)
Porque em ’98 ele teve que encarar não ser a criança perfeita, mas apenas um atento em restaurar a glória da família, e em 2000 tudo se reinicia e ele tem um pressentimento de que aquele talvez possa ser o seu começo.
É a véspera de Ano Novo na Toca e ele está lá com rostos remotamente conhecidos. Se encontra agradecendo que são poucos os olhares constipados e são muitas as relembranças que eram apenas crianças que não estavam preparados para tudo e apenas crianças arrastados para tudo. Apenas crianças e apenas crianças e esse, por muito tempo, é o seu mantra, porque Draco é amargo e Draco ainda está em luto, mas ele sente que talvez não tenha tanto direito de se sentir assim. É um ciclo de dor auto infligida e ele tenta se esquecer que ele, também, doí o tempo inteiro. Que ele, também, se culpa o tempo inteiro. A Oclumência caí bem porque ele não sente por muito tempo, e os outros não veem a casualidade superficial e a sua aproximação quieta, porque Draco é naturalmente bom em reprimir seus sentimentos. Não se culpar não toma muito espaço na sua mente, que já faz o trabalho por si só.
Draco se encontra abatido por seu papel, se culpando e ao mesmo tempo se restringindo, são os gritos quando ele fecha os olhos e os lampejos multicoloridos ao canto do olho. Ele sabe que vai curar, mas por agora é só uma dor adormecida e ele sabe que vai aguentar, mas isso não torna tudo mais fácil.
Horace Slughorn comparece, também relutante, mas pelo fato de que ele traz bebidas e todos parecem apressados em ter em suas mãos um copo do conhaque envelhecido. O homem que depois de tantos anos ainda sustenta iguarias e estudantes como prêmios e não parece de todo ansioso para compartilhar um de seus mais antigos presentes. Ele não questiona o luto dos outros, que depois de dois anos arranjaram suas próprias maneiras de encarar isto (que deve envolver destruição, ele acha, porque Draco, dessa vez, sabe que ele não é o único). Manobra seu caminho até a longa mesa estendida pelos campos da fazenda Weasley e arranja seu próprio vidro de Dragon Barrel. Depois disso é só uma questão de tempo antes de sair de todo aquele entorno, pedir licença e se enfurnar dentro da casa.
A casa deles é bagunçada de um jeito confortável, as pilhas dos mais variados objetos domésticos tudo parte de uma organização companheira, algo que te faz apertar um cobertor em volta de si e nunca mais abrir os olhos. São as estampas incompatíveis em dourado e vermelho, o xadrez se envolvendo com listras num sofá em frente à janela. É nesse lugar que Draco caí relaxado, seus olhos semicerrados aos poucos fogos-de-artificio já salpicando à paisagem, esperando pelo inevitável começo da contagem regressiva. Pelo menos quinze minutos até a meia-noite, e ele está contente em passar a virada apenas bebendo e observando os logros da Gemialidades’ em ação. Tem apenas uma garota, que ele julga mais nova, ao seu lado no sofá, e ela não aparenta desconforto com a sua presença, ou mesmo mostra que o reconhece, e ele faz o mesmo.
Até que ele desiste e encara o rosto dela, pois algo na garota cutuca algo no seus sentidos e ele sabe que a conhece de algum lugar. São os fios loiros e escuros, os enormes olhos castanhos e a pele sardenta. Seus pensamentos flutuam para Daphne Greengrass e, num momento, constata que é a irmã mais nova dela ali, Astoria, com sua sempre duradoura expressão de tédio e uma taça que ele sabe que não pertence as mãos dela. (Que, por sua vez, pertencem a uma garota de dezesseis anos sem idade para beber ou estar naquela comemoração.) Ele se ergue o torso de seu conforto e seus joelhos encostam, e logo ela também o encara, castanho no cinza e a distância diminuindo.
Ele é tudo uma sobrancelha erguida e a expressão curiosa e restrita, e ela é tudo descaso e pálpebras pesadas, junto com os círculos profundos sob os olhos. Tem uma vaga memória de ela ter começado Hogwarts quando ele estava em seu terceiro ano, e a Sonserina foi toda palmas contidas e Daphne não contendo sua expressão de orgulho e felicidade pela primeira vez em muito tempo. Outra de dois anos antes, na Batalha’, em que ela e Daphne pareciam uma entidade única, ambas se esgueirando e tomando seu caminho com azarações e feitiços — e ele ainda tem de ver uma conexão tão forte quanto aquela, a sincronia e a harmonia silenciando o pânico evidente e protegendo os mais novos. E elas, ele relembra, foram a definição da casa naquele momento, o verdadeiro exemplo junto dos mais determinados, aqueles que eram leais aos seus próprios pupilos e se rebelaram contra os seus próprios pais, aqueles que escaparam das masmorras e do estigma e tentarão garantir que o entorno de cobras — frias, egoístas e presas no conceito preto-e-branco, bem-e-mal — permanecesse intacto, que os mais novos entre eles sobrevivessem todo o caos.
Ele também deixa passar sua expressão de orgulho, um sorriso que se forma preguiçosamente sob o barulho abafado dos fogos e o olhar dela, que se confunde num minuto e depois imita sua expressão, antes de tomar a posição dele minutos antes. E quanto ele relaxa as costas, se esgueirando entre as almofadas e cobertas incompatíveis, e brinda sua garrafa longa junto com a taça de cristal dela, sem palavras e sem questionamentos e sem conversa fiada, ele fecha os olhos à contagem regressiva.
E ela tinha catorze anos e ele dezessete, eram apenas crianças e não se conheciam bem, e, agora, anos distantes, depois de um murmurado Daphne sente sua falta e a sua cabeça tomando conforto em seu ombro, ele realmente não pensa. Apenas devaneia sobre o seu entorno de cobras e as consequências de tudo — guerra, pais e Batalha, estigma e bem-e-mal e pré-conceitos — e se pergunta se todos estão bem, antes de decidir que vai ter certeza que sim. Frios e egoístas, ele sente falta deles. Que coragem é uma virtude que não é exclusiva à grifinórios e ele sabe que já é tempo de ele começar a (tentar) se reerguer.
Draco murmura um eu também. E já é 2000 e ele sabe que todo o processo — ele aguenta o processo, mas com eles pode ser mais fácil — do novo começo ele não tem de passar sozinho. Finalmente, agora, todo o processo (de cura) se estende mais um pouco iluminado e ele sabe que não vai ser (tão) fácil, mas ele vai tentar.
lumos
Notas finais
Mesmo que eu vá contra a popular 'palavra de Deus', o universo tem origem nela, mesmo que é tarefa do fandom torná-lo interessante. Draco Malfoy não é meu, mas se fosse, eu o trataria melhor e daria-lhe um arco de redenção que não fosse baseado em fanservice ou deixaria sub-entendido que Draco não é complexo e todo o amor em volta dele é baseado em aparência, assim, subestimando fãs. Eu não vou mentir e dizer que Astoria (A ESPOSA DELE NUNCA MENCIONADA EM TEXTO QUE NÃO MERECE SUA ANTAGONIZAÇÃO, OBRIGADA) é a chave para ele se achar e blá blá blá, isso não é saudável, mas ela tem uma parte sim no processo, junto com os amigos dele. Eu não antagonizo a Sonserina ou os valores dela, diferente da Rowling, numa concepção preto-e-branco (de novo, reforçado em texto) e acho que o Draco pertença a casa dele e não é um Grifinório encubado, obrigada.
Draco tem problemas que ele precisa trabalhar, mas ele é só uma criança ao longo das séries (como reforçado em texto), mesmo que isso não alivie tudo que ele já fez, entende? Esquecer é dar a chance de acontecer de novo, e eu aceito a palavra da Rowling no que se diz que ele criou o Scorpius diferentemente e de forma consciente. Ele tem muitas falhas, não é perfeito, mas são coisas que você trabalha enquanto cresce, e eu não acredito que ele vá ficar preso no eu dele adolescente. Por outro lado, ele é a criança mais insistente e arrogante que eu já conheci, tudo por que um outro pirralho não quis se amigo dele, frANCAMENTE. ESSA sMALL, SMALL CHILD É A COISA MAIS FRACA QUE EU JÁ VI, HERE, LEMME HOLD YA.
O texto não foi revisado e aqui é nada mais nada menos que seis da matina, então convenhamos que a paciência???? Não está em mim.
xox agnes
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