Heal me
7 Você não me conhece
Notas iniciais
"You don't know my name"

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— Amiga? – Pergunto para mim mesma observando a mensagem. Gosto desse nome. – Esses americanos estranhos. – Digo com um sorriso fino, digitando uma resposta.
~~
Penso por alguns segundos, mas decido não responder no momento. Está tarde e posso acabar dando a impressão errada de que me importo. Eu não posso fazer tudo isso de novo, vim para esse país justamente evitando coisas desse tipo. Bloqueio à tela do meu celular e viro meu corpo de lado, tudo que eu queria era dormi e esquecer dessa noite. Quanto mais penso, mais eu acho que não deveria ter ido.
— Quando você vai aprender Ségolène? – Pergunto para mim mesma fechando os olhos. – Estupida. – Eu falo batendo na minha testa.
Ainda acordada sinto o meu celular vibra do meu lado, penso duas vezes se deveria olhar ou simplesmente ignorar. Acabo pegando ele e vendo de quem era mensagem. Podia ter ignorado, mas... Não fiz.
—–––––––MenssageOn–––––––––
“Ainda não acredito que foi embora da festa tão cedo” Nicolas manda e eu me arrumo um pouco na cama para conseguir digitar.
“Deveria agradecer por eu ter ido. E nem vou lembrar do fato que me deixou sozinha metade da noite.”
“Mas agora eu estou sozinho e sofrendo. Sem minha francesa para irritar e provocar T.T” Ele manda anexado uma foto dele sentando em algum sofá, sem camisa, apenas com a jaqueta aberta.
“O que farei com isso?”
“Pobre Nicolas...” Até mesmo por mensagem o meu tom irônico é mais do que notável.
“Isso foi uma tentativa de atrair o sexo oposto? No caso eu?”
“Que decepcionante.”
“Eu te detesto sabia?”— Tive que rir quando ele mandou isso, perdi a conta de quantas vezes já ouvi isso dele.
“A propósito, se está sozinho, quem tirou essa foto?” Eu o questiono lembrando da garota que vi na escada quando estava indo embora. Khloe.
“...”
“Vou mudar seu nome para Americano Fogo no Rabo.” Eu respondo o seu silêncio com essa provocação. “Não se preocupa com o que sua namorada vai pensar se vir você mandando esse tipo de foto para outras garotas?”
“Ela não é minha namorada hahaha” Ele responde. “E mesmo se fosse... Por que eu deveria me preocupar com o que ela iria pensar?”
“Normalmente quando se está com alguém...”
“Deixa para lá. Pouco importa. Acho que aqui vocês dão o nome de “ciúmes” para isso.”
“Não sei, se um dia eu sentir eu te falo com é”
“E o que você sabe sobre isso? Hahahaha”
“Aparentemente nada.”
“Vou dormi agora. Até mais.”
—–––––––MessageOff–––––––––
Não espero ele responder, bloqueio meu celular e jogo ele no sofá em frente a minha cama. Por que interagir com pessoas é sempre tão cansativo? E no final não vale a pena, só atrai desgraça para você mesmo. Ségolène foco...
(...)
—
— Nicolas Clark
—
Será que algum dia eu irei acordar numa segunda feira completamente descansado e disposto? O ruim das festas no domingo é que no outro dia é segunda, como faço para acordar disposto sendo que dormi às quatro e quarenta da madrugada? Que desgraça. Levanto querendo jogar o despertador na parede. Me arrumo e enquanto escovava os dentes me lembro dos melhores momentos de ontem.
Soltei uma risada quando recordo do apelido que Ségolène me chamou. Ela não parecia nada confortável ontem, apesar de ter conseguido ter uma conversa com Rosé. E pelas mensagens, ela ficou off-line de repente. Ségolène Frazier ainda é um mistério para mim.
—Ah! – Suspiro e jogo um pouco de água em meu rosto. – Parede se preocupar com esse tipo de coisa Nicolas Clark. – Repito para mim mesmo, olhando no espelho. – Sua vida não se resume a essa garota sabia? – Eu tenho que parar de falar comigo mesmo.
Termino de escovar os dentes e vou me vestir, ficando completamente pronto para o colégio. Tomamos o café como fazíamos todas as manhãs e em seguida fomos andando, Thomas estava tão feliz quanto eu pela festa de ontem. Era completamente justificável sendo que vi ele dançando com a Rosé pouco antes de levar Ségolène para frete de casa. Ao nos aproximarmos do colégio vemos Rosé descendo de um carro bem na frente do portão.
— Bom dia Rosita. – Thomas fala chegando de repente e abraçando Rosé por trás, quando ela estava atravessando o portão.
— Ah! – Ela solta um pequeno grito de susto e olha assustada para nós e em seguida percorre seu olhar desesperadamente a nossa volta.
— O que houve Rosé? – Thomas pergunta.
— Nada. – Ela diz parando de olhar freneticamente em volta. – Pode, por favor, parar de me abraçar desse jeito? E chegar de repente assim?
— Como assim? Você nunca reclamou disso. – Ele responde um pouco sem jeito.
— Mas eu não gosto mais. – Rosé fala um pouco mais calma e em seguida vira de costas. – É melhor entrarmos. A aula já deve estar para começar. – Ela começa a caminhar na nossa frente.
— O que deu nela? – Eu pergunto. Rosé sempre foi antissocial e cheia de não me toque, mas não conosco e muito menos com Thomas.
— Eu não sei. – Thomas fala olhando para Rosé de costas um tanto intrigado.
O dia foi muito estranho, não era normal que Thomas e Rosé ficassem dessa forma, mas ambos vão se resolver. Estava focalizando meus pensamentos para que a manhã passasse da maneira mais rápida possível, e quando enfim passou fui correndo pegar o ônibus. Tinha meus próprio compromissos hoje.
— Olá! – Falo assim que entro na sala de estudos e vejo Ségolène lendo.
— Oi. – Ela fala sem muita animação. – Trouxe o material? – Ahm? Sem piadinhas sobre meu atraso ou indiretas sobre a festa de ontem? Eu estou na casa certa?
— Claro, sempre. – Falo retirando meu material da mochila e colocando em cima da mesa. – Sobre a festa de ontem...
— Vamos apenas começar a estudar. Quero terminar logo isso tudo, assim cada um pode continuar sua própria rotina. – Ela não falou aquilo com raiva ou de modo autoritário, apenas falou de modo calmo e sem qualquer expressão.
O que está acontecendo com essas garotas?
A semana foi passando... Mais rápido que o normal. Rosé “voltou ao normal”, de modo suspeito, mas voltou. Ela me disse que tem conversando com Ségo, mas eu achei que Ségolène parecia mais resistente do que o normal esses dias, sempre que perguntava algo sobre ela o assunto era desviado rapidamente.
E eu achei que tinha conseguido entender nem que fosse um pouco de Ségolène, mas estava enganado. Quando chegou a sexta-feira e estávamos comendo eu não parava de encara-la.
— Quanto quer pelos seus pensamentos? – Eu pergunto e Ségolène tira a atenção de seu prato para me fitar.
— Como? – Ela pergunta confusa.
— Seus pensamentos. Queria saber todos.
— Você é curioso demais Nicolas Clark. – Ségolène diz enquanto pegava mais um camarão com seu garfo e colocava na boca.
— E eu agradeceria se não me chamasse pelo nome completo. Nos conhecemos a quase um mês, já passamos desse estágio. – Apesar de que ninguém me chama pelo nome inteiro, nem se eu conheço a pessoa há dois dias.
— Por que sente tanta necessidade de saber sobre mim? Ou estabelecer um vinculo? – Ela pergunta largando os talheres e me encarando. – Podemos conviver juntos sem necessariamente nos envolvermos sabia?
— Talvez eu queira me envolver. Talvez eu queira ser seu amigo. – Quando eu falo isso ela pareceu surpresa, mas em seguida franze o cenho e faz menção de se levantar. – Espera. Então me diga duas coisas. Apenas duas coisas que eu deva saber sobre você e eu paro de encher o saco. – Ela se acomoda na cadeira novamente me olhando.
— Por que duas?
— Se eu tenho a oportunidade de pedir duas coisas, por que pediria só uma? – Ela solta uma pequena risada com o tom sarcástico típico dela. Isso. Prefiro muito mais que ela seja sarcástica e narcisista do que fique me tratando daquela maneira sem emoção.
—Certo... Eu gosto de associar tudo a nomes, classificar tudo. Ações, sentimentos e acontecimentos e quando eu não consigo e posso ter uma pequena crise existencial. Na maioria das vezes eu não gosto dos nomes que a maioria dá. – Aquilo pode ter sido a coisa mais confusa que eu ouvi nos últimos tempos, mas continuei assentindo com a cabeça como se estivesse entendendo.
— Okay, já sei que vou te dar palavras cruzadas de presente de natal. – Eu falo e ela sorri minimamente. – E a segunda? – Eu pergunto curioso.
— Não gosto de misturar passado com o presente. – Ela fala simplesmente e come seu ultimo camarão.
Certo. Já era alguma coisa. Observo minha francesa sádica cruzando os talheres no prato indicando que terminou de comer. Olho para meu prato que tinha muita comida, ela não comeu mais do que alguns camarões e repolho refogado.
— O que está fazendo? – Ela pergunta quando e ergo meu prato. Coloco uma batata cozida, alguns camarões e um pouco da minha salada verde.
— Eu falei que você precisava comer mais. Posso não te conhecer muito, mas sei que normalmente essa é sua única refeição do dia. – Enquanto eu falava, ela me olhava curiosa. – Vamos, coma. Não estou pedindo senhorita Frazier. – Falo a ultima parte fingindo seriedade.
— Está tentando mandar em mim? – Ela pergunta rindo.
— Estou sim. Ambos sabemos o quão irritante eu posso ser então é melhor acabar com isso logo.
Voltei a comer meu almoço, olhando de canto Ségolène. Depois de alguns segundos apenas encarando o prato na sua frente, ela pega os talheres e começa a comer. Queria perguntar por que tanta resistência, mas não queria estragar esse pequeno momento que consegui saber pelo menos um pouco sobre ela.
Depois de comer fomos para a sala de estudos como em todos os dias que eu venho aqui. Hoje eu aprendi física, ação e reação, desse assunto eu entendo muito bem. Essa sexta-feira não poderia ter sido mais promissora.
O fim de semana passou devagar, infelizmente. Sai com Erik no sábado à noite por que em dia de semana não tinha mais tempo. Quando foi que comecei a moldar minhas saídas ao redor do meu compromisso fixo de estar com Ségolène todas as tardes?
Quando chegamos ao colégio na segunda-feira esperamos Rosé na sala de aula, mas ela faltou hoje. Mais um dia em que Thomas tentava esconder a preocupação, mas eu tinha certeza que por dentro ele estava se mordendo para não falar a respeito. Para falar a verdade, Rosé já vinha agindo estranhamente, ele se preocupar não é exatamente surpresa.
(...) No dia seguinte.
Mais um dia, e a Rosé faltou novamente. Confesso que até eu estava achando estranho, volta e meia Rosé falta uns dois dias ou três de aula e nunca dava uma explicação decente. Naquele dia fomos à secretaria para buscar alguma informação de onde ela morava, para podermos visita-la, mas disseram que era informação confidencial. Falei com Ségolène naquela mesma tarde sobre esse assunto.
— Talvez ela tenha cansado de viver em sociedade, eu não a culparia. – Ségolène fala tomando um gole de seu chá. Por que mesmo que eu fui falar com Ségolène sobre esse assunto?
— Qual o seu problema com as pessoas? – Eu pergunto e ela me encara.
— Deveria perguntar qual o problema das pessoas comigo. – Foi tudo que ela falou antes de desviar mais uma vez o assunto para a matéria que estávamos estudando.
— Eu sou diferente deles.
— Deles? Do que está falando? – Ela pergunta me olhando confusa.
— Não sei. De qualquer pessoa que já tenha lhe chateado. – Ela solta uma pequena risada.
— Você não sabe de nada Nicolas Clark. – Ela ainda sorria para mim. – Mas existe verdade em suas palavras. Você não é igual a ninguém que eu tenha conhecido.
Ségolène fala aquilo ainda sorrindo para mim e em seguida volta sua atenção novamente para os livros. Espera. Isso foi algo bom, certo? Não sei se foi um elogio ou não, mas dane-se. Foi algo bom...
(...) Dois dias depois.
Na quinta feira Rosé finalmente apareceu, com roupas de frio dando a mesma desculpa sempre... Que estava doente. Não conseguimos tirar mais nada dela que insistia em dizer que apenas estava resfriada. Mais do que das outras vezes, ela estava com um olhar caído e cansado e não estava nenhum pouco normal. Ela sempre é animada conosco e hoje estava seca... Não era nossa Rosé.
—
— Thomas Clark
—
O sinal bateu anunciando o fim da aula. Como sempre fomos nós três juntos até o portão da frente e em seguida Nicolas foi embora para casa de Ségolène. Rosé ainda estava muito aérea para meu gosto. Tinha alguma coisa errada e eu sinceramente cansei de esperar que ela me contasse por conta própria, me importo demais com ela para isso.
— Rosé o que está acontecendo? — Eu pergunto diretamente assim que Nicolas sai de minha vista.
— Ahm? – Rosé se faz de desentendida, ela sabe que eu detesto quando ela age dessa forma.
— Não tente mentir para mim. Eu sei que tem alguma coisa de errado com você e não quer me contar.
— Não... Não tem nada de errado comigo, só estou um pouco gripada. – Ela diz desviando seu rosto do meu olhar.
— Eu sei que está mentindo Rosé, aparentemente te conheço melhor do que você mesma. – Eu digo.
— Não fale besteiras... Não conhece não.
— É mesmo? E como eu sei que quando tem algo lhe incomodando fica pensando sobre isso o tempo todo, a ponto de se perde em seus pensamentos? Como eu sei que detesta quando alguém lhe força a conversa sobre um assunto, como eu estou fazendo agora? E eu sei que quando desvia seu rosto... – Falando isso eu seguro seu queixo levemente e viro para olhar em seus olhos. – É por que não consegue olhar nos meus olhos e mentir.
— E-Eu... – Pude ver seus lábios tremulando, pude jurar também ter visto seus olhos marejados, mas não tive tempo suficiente de observa, pois Rosé tirou minha mão e deu um passo para trás. – Eu vou perde o ônibus. Até amanhã Thomas.
— Rosé, espera. – Eu falo colocando a mão em seu ombro e quando vou tentar virá-la seu cachecol afrouxa um pouco e eu pude ver algo estranho. Aquilo eram marcas?
— Não Thomas! Deixe-me em paz. – Ela diz completamente áspera. – Se não quer que nossa amizade acabe e eu passe a te detestar é melhor parar agora com isso. Pare de tenta adivinhar como estou. Minha vida não é da sua conta, então apenas pare!
— Rosé... – Eu chamo seu nome num sussurro, mas ela apenas ignora e se vira indo embora. Aquelas palavras doeram mais do que um soco no estomago.
Ela sai rapidamente de minha frente e começar a caminhar rápido em direção ao ponto de ônibus. Eu fiquei observando Rosé se afastar à medida que ela caminhava para longe de mim. Minha conduta ética e pessoal me dizia para deixa-la ir embora e não invadir seu espaço pessoal. Mas uma parte maior de mim não estava dando à mínima e apenas quer descobrir o que está acontecendo.
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