Heal me

4 Bolo de caneca


Notas iniciais
Herrou ♥ Mais um capítulo, dessa vez mais longo como prometido . Boa leitura ^^

— Em menos de um dia e eu já tenho certeza de que ela seria a ultima garota do mundo por que eu me interessaria. – Deixo o dinheiro da minha bebida em cima da mesa e me levanto para ir embora.

~~

No dia seguinte a minha ida a casa dela não foi muito diferente de ontem, algumas palavras secas e irônicas vindas por parte dela e provocações vindas de mim. Eu não consigo me manter calado, não adianta. Acabou que apenas entreguei o material e fui embora novamente.

Cheguei em casa e tive que explicar para meus pais o fato de eu ter chegado tão cedo apesar do compromisso que tinha. Apenas resultou em mais um sermão de como eu não deveria inventar desculpas para fugir da punição. Fui direto para meu quarto, joguei minha bolsa em qualquer canto e deitei na minha cama fitando o teto. Fiquei aqui refletindo e pensando nos acontecimentos de hoje. Não desci para jantar esta noite.

Eu estou com raiva, com raiva dessa punição, com raiva daquela francesa. E com mais raiva de mim por não conseguir parar de pensar nisso tudo. Todos acham que eu estou apenas arrumando mais uma desculpa para fugir de minhas responsabilidades, o que pela primeira vez não é verdade.

— Nicolas? – Ouço a voz do Thomas logo após uma singela batida na porta do meu quarto.

— Entra. – Falo simplesmente.

Observo a porta se abrir e meu irmão entrando devagar com uma tigela e um copo em suas mãos. Ele deixa os objetos em cima da minha mesa e se senta na cadeira me observando.

— A mãe pediu para eu trazer o jantar para você, ela ainda não quer fazer parecer que está de boa. – Ele solta uma pequena risada. – Macarronada e suco de laranja, vai gostar.

— Legal. – Falo sem interesse e ele ficou por alguns segundos apenas me fitando, enquanto eu olhava para o teto.

— Sinto muito ter falado aquilo ontem para você. Nem levei em conta a possibilidade de você está falando a verdade. – Não consegui deixar de fazer uma expressão surpresa ao ouvir aquilo.

— E o que fez você mudar de ideia agora? – Viro o rosto para olha-lo.

— Me lembrei que deveria confiar no meu irmão, mesmo ele me dando sempre motivos para eu não fazer isso. – Ele diz e solta uma risada, eu jogo o travesseiro nele. – Você é meu irmão, e eu vou sempre acreditar em você e te ajudar. – Fico alguns segundo apenas fitando o rosto dele.

— Como consegue sempre falar a coisa certa? Sério... Isso irrita muito às vezes. – Eu digo e ele ri. – Excerto quando...

— Ainda não terminei. Apesar do que disse, ainda assim você está errado sabia? Não devia desistir dela.

— Mas ela mesma não me quer lá. Ela é insuportável e esnobe. E eu ainda nem te falei do sotaque francês que faz tudo que ela fala parecer ainda mais arrogante.

— Pelo amor Nicolas, você nem conhece ela. Uma garota que está faltando aulas e reprovou misteriosamente mesmo sendo inteligente. Esperava mesmo alguém comum? Sério mesmo? Está na cara que ela tem seus problemas.

— Eu... – Levanto meu tronco, ficando sentado na cama -- Não havia pensado por esse lado.

— Pois deveria. Tente mais uma vez, você apenas a viu por alguns minutos. Pense nisso tudo como uma grande oportunidade. – Thomas fala se levantando.

— Oportunidade para que? Responsabilidade? – Falo revirando os olhos.

— Quem acha que eu sou? Um adulto? – Ele pergunta rindo. – Claro que não. Uma oportunidade de conhecer alguém decente e quem sabe né...

— Nossa. Não viaja Thomas. – Falo jogando mais um travesseiro na cara dele que ainda não parou de rir.

— Mais tarde vou poder jogar na sua cara que eu estava certo sobre isso também. E a agradeça por isso, por que sabe... Você não é tão bonito assim e tem uma personalidade ruim, vai ficar cada vez mais difícil arrumar namorada. – Ele está claramente tirando uma com minha cara.

— Thomas, vai tomar no...

— Ei, olha o respeito com os mais velhos.

— Eu sou o mais velho cabeção! – Faço que vou levantar, mas o mesmo levanta as mãos em sinal de paz.

— Parei. Se eu não pegasse no seu pé, não seria o seu irmão não é? – Ele fala por último, dando uma risada e fechando a porta.

Fico alguns segundos parado, apenas pensando no que Thomas havia me dito, e ele tem razão. Eu também já estou cansado de desistir das coisas, vou tentar fazer, apesar de só a ideia de voltar lá me dá raiva.

— Okay. Agora sim estou com fome.

Depois de finalmente resolver parte desse conflito interno a minha fome volta com tudo e vou em direção ao maravilhoso prato de macarronada que me aguardava.

(...)

No dia seguinte fui para aula com convicção e até mesmo ansioso para voltar naquela casa. Já haviam se passado duas aulas e Thomas estava um tanto inquieto em sua carteira, Rosé faltou e ele está sentado em dupla comigo, já estava ficando irritado com suas pernas balançando freneticamente.

— Thomas, dá para parar? Qual o problema? – Eu pergunto colocando minha mão em cima do seu joelho o fazendo parar de balançar.

— É a Rosé.

— O que tem ela? – Pergunto num sussurro para o professor não perceber que estávamos conversando.

— Ontem ela estava estranha no celular, apenas mensagens diretas, e hoje faltou sem ter falado nada. Não sei por que estou com a sensação de que ela não está bem. Queria visita-la, ter a certeza, mas não sei seu endereço. – Ele explica um tanto aflito.

— Você e a Rosé estão ficando e eu não estou sabendo? – Eu pergunto e vi meu irmão ficar rubro quase que imediatamente. – Desde quando tem esse tipo de relação com ela?

— Cala boca Nicolas. Não preciso estar ficando com ela para ter o pressentimento de quando minha melhor amiga está mal. E não... Não tenho esse tipo de relação com ela.

— Relaxa, ela só faltou um dia. Tenho certeza que ela vai vir amanhã como se nada tivesse acontecido com a cara de sono usual dela

— É... Verdade. – Ele diz com um sorriso. – Eu exagero demais às vezes.

— Aconselho você a tentar logo algo com a Rosé, acha que ela ficará solteira por quanto mais tempo?

— Não acredito que estou recebendo conselhos de alguém que nunca se envolveu num relacionamento sério.

— Isso não é 100% certo. Eu já tive muitos relacionamentos. – Me defendo e Thomas quase ri.

— Vou fingir que não ouvi. Seus “relacionamentos” não deveriam nem contabilizar numa escala geral de convivência saudável com outro ser humano. – Ele diz se segurando para não rir.

— Eu te odeio às vezes sabia? – Eu falo, mas não consigo segurar a vontade de rir, sendo acompanhado por ele.

Depois dessa conversa procuramos nos concentrar na aula, que passaram mais rápidas do que o normal. Apenas tivemos quatro aulas hoje por conta de um professor doente. Como liberaram a gente mais cedo irei chegar na casa de Ségolène antes da hora do almoço. Me despeço do Thomas e vou ao ponto de ônibus.

(...)

Aqui estou eu...

— Certo. Lá vou eu de novo. – Digo para mim mesmo chegando mais próximo das grades pretas. – Olá de novo. – Digo para o guarda que apenas me olha de cima a baixo e abre o portão, já me reconhecendo de ontem.

Entro com certo receio, por alguma razão não estava me sentindo bem vindo aqui. Atravesso o jardim de pedra e fico em frente à grande porta da frente. Antes mesmo de eu bater ela se abre revelando o mesmo mordomo de ontem.

— Veio mais cedo. – Ele diz dando passagem para eu entrar, com sua expressão neutra.

— A última aula foi cancelada então tive mais tempo. – Eu entro no hall principal sentido novamente aquele frio avassalador dessa casa.

— Entendo. A senhorita Frazier está na cozinha. – Ele diz apontando a direção.

— Certo, valeu ai. – Eu digo, antes de ser levemente segurado no ombro pelo mesmo mordomo de idade avançada.

— A senhorita Frazier foi para o quarto mais cedo ontem e não parecia bem. Quero realmente acreditar que esse estranho comportamento não tenha sido pela sua visita ontem. – Ele diz com um olhar ainda sereno. Eu engulo seco, por que parece que ultimamente tantas pessoas tem me “ameaçado”.

— Não se preocupe. Eu não faria algo para magoar intencionalmente ninguém. – Eu falo já querendo evitar aquela conversa de todas as formas.

— Bom. – Ele fala e solta meu ombro. Viro de costas solto um pequeno suspiro.

Sigo pelo caminho indicado em direção à cozinha daquele lugar que eu já esperava não ser nada simples. Sabia que estava no caminho certo quando sinto aquele cheiro novamente... Framboesa e baunilha. Mas havia também um cheiro estranho ar.

—

— Ségolène Frazier

—

Acordei um tanto disposta hoje, depois de tomar um bom banho gelado e me secar eu coloco um short branco e regata da mesma cor. Desço rapidamente as escadas e tomo meu café que estava posto na mesa. Às empregadas ficaram um tanto surpresas de eu ter ido tomar café a mesa hoje, já que normalmente eu não desço do meu quarto para quase nada.

Depois de ficar a maior parte da manhã apenas deitada na sala de estar aproveitando ar-condicionado e lendo, resolvi fazer um lanche para mim na cozinha. Ao chegar lá haviam duas empregadas sentadas no banco da ilha que havia na cozinha, estavam conversando.

— Não acredito que ele disse isso mesmo para ela – Uma delas diz rindo, não pareceram perceber minha presença.

— O mais engraçado foi quando a Sé... – A outra me percebe parada na entrada da cozinha e para de falar imediatamente. – Ah, senhorita Frazier. Deseja alguma coisa? – Elas duas se levantam e se curvam ao mesmo tempo.

— Não. Eu vim apenas preparar um lanche para mim. – Digo simplesmente caminhando até o armário.

— Não gostaria que fizéssemos? Podemos levar até seu quarto depois. – A loira diz com um sorriso falsamente simpático.

— Se eu quisesse já teria pedido. Ao invés de inutilizar o tempo por aqui, vão procurar algo produtivo parar fazer.

As duas pareceram desnorteadas e depois de eu falar isso ambas se curvam levemente e saem da cozinha. Me surpreendo com a capacidade humana de se interessar na vida alheia. Vou até o armário e tiro farinha, açúcar, manteiga e demais ingredientes para fazer um bolo de caneca. Estou com muita vontade de comer isso, e estou me sentindo tão disposta hoje que quero tentar fazer sozinha.

— Tudo bem. Não pode ser muito complicado.

(...)

—

— Nicolas Clark

—

Inspirei o ar e uma mistura de chocolate, baunilha e alumínio quente preencheram minhas narinas. Entrei um tanto rápido na cozinha imaginando o pior que poderia ter acontecido e encontro uma sujeira enorme nas bancadas da cozinha e apenas Ségolène sozinha olhando assustada para o micro ondas.

— O que você fez aqui garota? – Pergunto olhando completamente chocado para o estado daquela cozinha e respirando mais vez aquele cheiro horrível.

— Eu... O que você... Ehr... – Ela parecia perdida e sem saber ao certo o que falar, olhava para mim, para bagunça e depois para o micro ondas. – Apenas estava a fazer um lanche.

— É sério isso? – Eu digo tentando segurar a risada.

— Não ria. – Ela me olha com os olhos cerrados. Não consigo levar a sério, ela por acaso está tentando parecer intimidadora?

— Okay okay. – Coloco minha bolsa em cima de uma dos bancos da ilha enorme que havia no meio da cozinha, único lugar limpo dali. – O que você fez?

— Um bolo de caneca, eu fiz tudo certo de acordo com a receita. E depois coloquei nesse aparelho aqui, não me lembro de como vocês chamam nesse país. Não sei por que está com esse cheiro de queimado estranho. – Ela fala ainda analisando o micro ondas.

— O nome é micro ondas esperta. – Digo a provocando o que apenas a fez me olhar com desgosto e em seguida revirar os olhos. – Você... Você por acaso tirou a colher que mexeu os ingredientes não é? – Eu pergunto e ela me olha espantada como se tivesse tido uma epifania.

— Oh la vache!— Ela fala com certo pânico em seu tom de voz. Por que eu não fiz um curso de francês de atividade extracurricular? Ah sim, eu mal comparecia a aula. – O que estas fazendo? Ajude-me.

— O que? Será que eu ouvi bem? Você está mesmo pedindo ajuda para “um garoto como eu”? Acho não sou apto a lhe ajudar. – Repito as palavras que ela usou comigo, confesso que meu interior estava gritando de satisfação. Ela abra a boca, mas não fala nada e em seguida olha preocupada para o micro ondas novamente. – Tá bem, eu te ajudo.

— Não, eu posso cuidar disso. – Ela diz abrindo a porta do micro ondas rapidamente.

Assim que ela faz isso uma grande camada de fumaça sem cor sai de dentro com um cheiro quase insuportável para o meu olfato. Olho incrédulo para tal capacidade que ela teve de fazer uma proesa dessas.

— Que incapacidade. Ségolène Frazier você envergonha até seus ancestrais. – Ela fala observando a cena. – E melhor tirar isso dai. – Ela estica a mão para pegar a caneca e a colher e quase que eu tenho um surto naquele momento.

— Ségolène não... – Eu tento falar e ir até ela rapidamente, mas antes disso ela já havia segurado na colher e imediatamente soltando um grunhido de dor.— Por Deus garota, qual o seu problema?

— Merde... Não ria de mim. Não preciso que tire saro da minha desgraça. – Ela diz virando-se de costas para mim com a cabeça baixa olhando para sua mão.

— Que tipo de pessoa acha que eu sou? Não vou fazer isso. – Digo indo até ela e segurando levemente eu seu braço direito. Quente, muito quente. – Vem.

Ando rapidamente, ainda segurando seu braço, em direção a pia. Chegando lá coloco a torneira na água gelada. Seguro no pulso da mão queimada e Ségolène o afasta de mim, ela parecia receosa. Olhei nos seus olhos e sua expressão parecia a de um filhote machucado que ainda não sabe se pode confiar em um humano tentando ajudar.

Dei uma pequena risada e segurei mais uma vez delicadamente seu pulso e coloquei devagar debaixo da água fria. Ela soltou mais um grunhido manhoso de dor pelo o contato de repente da água com a queimadura. Solto seu pulso e me viro, começando a caminhar.

— Onde pensa que vai? – Ela pergunta um tanto rápida e pude sentir uma pontinha de nervosismo.

— Calma, calma. – Eu falo olhando para ela e logo em seguida aponto para geladeira. – Posso? – Ela apenas assente com a cabeça.

Abro a geladeira, que por acaso é enorme, e procuro a gaveta de vegetais. Tiro uma batata inglesa e fecho novamente a geladeira. Acho uma faca e corto algumas rodelas, quando termino pego um pano que vi pendurado em uma das paredes e vou novamente em direção da Ségolène.

— O que é isso? Eu sei que ofendi seu intelecto, mas não precisa desistir dos estudos para virar cozinheiro aqui. – Ela diz olhando curiosa para as batatas. Ela disse com tanta seriedade que eu não consegui compreender se estava me provocando ou de fato sendo sincera.

— Certas coisas na vida eu prefiro ignorar, e a sua fala vai ser uma delas. – Eu digo desligando a torneira. – É algo que minha mãe sempre fez para aliviar dor de queimadura. – Falando isso seco sua mão com cuidado e coloco as fatias de batata onde havia queimado. – Sempre funcionou comigo.

— Hum... – Ségolène ainda estava desconfiada.

—... – Enrolei o pano em sua mão e dei um nó frouxo para que as fatias não caíssem. – Pronto, deixe por alguns minutos para aliviar a dor.

— Ah... Merci. Digo, obrigada. – Ela fala quase em um sussurro.

— Ahm? Como disse? Acho que não ouvi.

— Então vai ficar sem ouvir mesmo. – Ela diz e eu solto uma risada, já esperava uma resposta desse tipo.— Vamos para sala de estudos, logo virão fazer o almoço e não quero estar aqui quando verem essa bagunça.

Ela simplesmente fala isso e já começa a andar para fora daquela cozinha sem me deixar responder. Prepotente. Eu rapidamente pego minha mochila e corro para alcança-la. Apenas segui Ségolène um pouco atrás dela.

No caminho percebi as roupas que ela usava, shorts e regata. Aqui dentro está ainda mais frio que lá fora e mesmo assim a mesma anda assim... Entranho, mas me pego parando de pensar nisso ao perceber que estava olhando para suas pernas. Nicolas você precisa ser menos.

— Pode me entregar à lista de exercícios agora e a matéria. – Ségolène diz de repente quando chegamos à porta da sala de estudos, tentei parecer que não levei um susto.

— Certo, já tinha me esquecido disso com o que aconteceu.

Apoio minha mochila na poltrona e tiro de lá todas as folhas anexadas. Fecho a mochila e a deixo apoiada ali, me aproximo de Ségolène que ainda me intriga com esse jeito de ser, como alguém tão baixinha e delicada pode ser tão mal humorada, prepotente e irritante? Ela pega as folhas e em seguida se senta no sofá para lê-las.

— Certo, até amanhã Nicolas Clark. – Ela diz como sempre sem ao menos me encarar.

— Ah, eu não vou embora. Esqueci de falar esse detalhe. – Eu digo aquilo e ela me olha confusa.

— Perdão. Acho que não entendi.

— Você entendeu. Eu vou ficar, ajudar você com o assunto, ensinar... Seja lá qual seja a matéria de hoje. – Eu digo realmente não lembrando.

— Não me faça rir. Você não sabe nem a matéria que teve aula hoje. – Ela diz e eu solto uma risada.

— Você está certa, eu não sei. Mas o que eu falei sobre não ir embora é serio.

— Como é teimoso, já disse que não preciso de ninguém aqui. – Ao falar isso ela se levanta.

Ségolène vem em minha direção e começa a me empurrar com a mão disponível para fora do cômodo, ou tenta né. Não consigo segurar a risada quando vejo o esforço que ela estava fazendo para me empurrar e eu não me movia um milímetro sequer. Eu me viro e seguro sua mão que estava me empurrando.

— Por que não me quer aqui? Sei que sou um homem bonito e charmoso, quase impossível de resistir, mas tenho certeza que você pode ser controlar.

— Como disse?! — Ela solta uma risada irônica – Está esquecendo o adjetivo “convencido”. – Ela fala desviando o olhar.

— Eu nunca neguei isso, sou mesmo e sempre consigo o que quero.

— Tenho certeza que sim. – Ela diz irônica.

— Que bom. E se eu quisesse lhe beijar? – Falo virando seu queixo para ela me encarar.

— Pardon?! — Ela pergunta indignada. – Americanos saem por ai beijando as pessoas à força?

— Não é a força se a outra pessoa também quiser. Você quer Ségolène? – Eu pergunto num sussurro, o que fez minha voz sair um pouco rouca.

— Eu acho que você precisa urgentemente de um balde de água para ver se apaga esse seu fogo. – Eu continuo a encarando, depois de uns segundos eu solto uma alta risada. – E para eu me interessar por alguém ele tem que ter no mínimo um QI de mais de dois dígitos.

— Okay, majestade. Não precisa começar as ofensas. Eu estou apenas brincando. Você com certeza não faz o meu tipo. – Digo soltando sua mão.

— E que tipo seria esse?

— Uma garota que no mínimo não me faça sentir como um pedófilo. A propósito quantos anos você tem? Quatorze?

— Dezoito! Ah, nem sei por que eu estou prestando atenção no que você está dizendo. Até parece que esqueci que nada de promissor sai de sua boca. – Ela diz massageando a testa.

— É sempre tão insuportável assim senhorita Frazier?

— Sim, e pior. Hoje eu até acordei de bom humor. — Ela diz sorrindo de canto. — Então acho melhor ir embora logo. – Ela dá um passo para trás me dando espaço para passar.

— É o que você quer não é? – Eu pergunto soltando uma risada. – Eu estou realmente disposto a ficar, então é melhor se acostumar com a ideia. – Eu ando até a mesa e me sento já tirando o material da minha mochila.

— Não vai mudar de ideia? Não importa o que eu fale?

— Ah... Não vou. Apesar de você ser o ser humano mais narcisista e prepotente que eu já conheci. Mas não se preocupe vai ter volta. – Eu falo aquilo e dou um sorriso de canto.

— Você também não é o garoto mais legal do mundo se quer saber. – Ela cruza os braços. – Okay então, vamos acabar logo com isso. – Ela vem em minha direção para se sentar ao meu lado.

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Notas finais
*Fotinho da Ségolène e do Nicolas por que sim ♥ kkkk Espero que tenham gostado ^^ Para ser sincera eu adoro as conversas desses dois, ambos falam de tudo e são grosseiros, mas se "entendem" dessa forma.